por ANTONIO OZAÍ DA SILVA

Docente na Universidade Estadual de Maringá (UEM), Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e Pós-graduado em História das Religiões (DHI/UEM)

 

 

 

 

 

Religião e Política:

Memória e História da Renovação Carismática Católica em Maringá (PR)

[ Parte II] *

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por Antonio Ozaí da Silva

 

RCC, Fé e Política

A RCC, como as demais manifestações religiosas, por mais que se afaste do ‘mundo’ e priorize as relações com o divino e o sagrado, se vê diante da realidade social e política profanas. Religiosos de todos os tipos pisam no chão, ainda que suas cabeças estejam voltadas ao sagrado e o pensamento no paraíso. Em outras palavras, ao interagirem com a realidade material concreta, profana e pecadora, vêem-se chamados a darem respostas, a influenciarem e serem influenciados por esta.

Não foi diferente com a RCC. A política esteve ausente em suas origens e por bom tempo da sua caminhada.[1] Sua existência se funda na espiritualidade, no resgate da fé, dos carismas de caráter pentecostal. Na verdade, esta se via diante de uma realidade sócio-política, interna e externa à Igreja, que não era possível descartar. Por exemplo, ainda que investisse primordialmente na espiritualidade, a RCC, até mesmo por isso, sofria perseguições e tinha sua ação restringida pela força da teologia da libertação impulsionada pelo contexto político e social da época. Este dilema é reconhecido por Sidnei de Oliveira Telles Filho, ex-Coordenador Nacional do Ministério Fé e Política:

“Coincidentemente no Brasil a experiência da RCC foi contemporânea dos grandes debates sócio políticos na América Latina, com a influência dos documentos de Medellim e Puebla, das Conferencias Episcopal Latino Americana, a grande maioria dos lideres da RCC passou dentro de suas paróquias e dioceses por esta formação, uma vez que o Espírito nos impulsionava à participação na vida da Igreja e na pastoral orgânica, apesar disto a falta de preparo na condução do processo Eclesial no nascimento destas forças gerou uma tensão política, uma vez que a matriz da RCC é a evangelização e a busca de santidade, a ação do Espírito Santo para em conseqüência transformar as estruturas e a matriz de outras correntes é a da transformação das estruturas para gerar um campo para o evangelho e por fim resultar na santidade pessoal, este conflito gerou um bloqueio para a ação conjunta e mesmo estrutural da RCC no campo da política, visto que era preciso reforçar o caráter evangelizador, e a salvação apresentadas a todos os homens, em especial aos pobres mas não somente a eles” (TELLES Fº., 01.06.2005).

A RCC acaba por ser estigmatizada por opor fé e política. Sua ênfase na espiritualidade induziu à crítica de que desconsiderava a esfera política, priorizando uma concepção intimista[2], individualista e com risco de degenerar no fundamentalismo religioso. O Documento 53 da CNBB[3],“Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica”, alerta e deixa claro a preocupação da hierarquia católica brasileira:

“35. Para não prejudicar uma reta leitura da Bíblia, é preciso estar atentos para não cair, entre outros, nos seguintes perigos: 1º O fundamentalismo, que é fixar-se apenas no que as palavras dizem "materialmente" sem respeitar o contexto nem a contribuição das ciências bíblicas; 2º O intimismo, que é interpretar a Bíblia de modo subjetivo, e até mágico, fazendo o texto dizer o que não era intenção dos autores sagrados (...).

47. A fé não pode ser reduzida a uma busca de satisfação de exigências íntimas e de resposta às necessidades imediatas (...).

49. A espiritualidade cristã integra o social e o espiritual, o humano e o religioso. Não está, porém, isenta das ambigüidades e mesmo distorções que podem caracterizar as reações do psiquismo humano, seja individual, seja grupal. Por isso, evite-se alimentar um clima de exaltação da emoção e do sentimento, que enfatiza apenas a dimensão subjetiva da experiência da fé” (CNBB, 1994).

Este documento oficial expressa a necessidade da hierarquia da igreja católica em enquadrar a RCC, estabelecendo os parâmetros da sua atuação.[4] Simultaneamente, expressa o reconhecimento da sua existência e do direito de fazer parte da ecclesia[5] e indica mudanças no interior da igreja católica, em especial quanto aos aspectos doutrinários levantados pela concepção de espiritualidade da RCC.

Não obstante a dualidade instituída entre fé e política, espiritualidade e razão, indivíduo e sociedade, a RCC evoluiu para uma compreensão e atuação que também inclui a dimensão terrena, social e política. As primeiras manifestações ocorrem na área da promoção humana.[6] De início, portanto, a relação fé e política aparece sob esta face. “A partir daí, brota a necessidade dos cristãos abrirem os olhos e o coração para uma esfera mais ampla de caridade, onde o bem praticado já não tem destinatário definido” (NASCIMENTO et alli: 2007: 76).

Contudo, a inclusão do tema política no interior da Renovação Carismática Católica também é determinado pela necessidade de levar em conta as orientações oficiais da Igreja, sua doutrina social e os diversos documentos e posicionamentos oficiais e, não menos importante, pelas necessidades inerentes à participação política de seus membros, em especial líderes que disputam eleições e exercem mandatos e cargos políticos. A atuação de indivíduos junto aos movimentos sociais e partidos políticos, como durante a reforma partidária com a redemocratização brasileira, assumia um caráter diferente daquele que vinculava os leigos e clero da Teologia da Libertação à militância social e partidária. Se neste caso era considerado quase que como uma exigência natural a participação em forças políticas como a CUT e o PT, o que terminava por ter ressonância no trabalho pastoral, em relação à RCC a pertença a partidos e movimentos sociais era diluída e caracteristicamente uma decisão de cunho individual, sem vínculos com o movimento carismático. Assim, por exemplo, membros da Renovação Carismática aderiam em caráter pessoal ao “movimento solidarista brasileiro, que teve como um dos seus mais ilustres nomes o Ex Governador do Estado de São Paulo Franco Montoro”. Esta “dupla pertença” gerava uma situação de tensão e a Renovação se viu obrigada a se posicionar, em especial, a partir do momento em que destacados membros de sua direção, inclusive nacional, participavam da política (TELLES Fº., 01.06.2005). Como relata o ex-Coordenador Nacional do Ministério Fé e Política:

“A primeira participação na vida pública com destaque nacional aconteceu com a eleição do Deputado Federal Constituinte Osmânio Pereira de Oliveira em Minas Gerais[7], uma vez que o referido deputado foi Presidente do Conselho Nacional da RCC do Brasil e membro do ICRS, escritório da Renovação Carismática responsável por representá-la no mundo e dentro da Santa Sé. (...) Temos que ressaltar que já haviam políticos e participantes da vida publica que tinham tido contato com a RCC, e outros foram participando desta experiência de Deus, mas foi a primeira que mobilizou a RCC de uma forma estruturada, no entanto era ainda uma ação de indivíduos que se colocavam a serviço da sociedade. Algumas ações foram feitas a partir deste momento procurando formar a liderança a respeito da forma de caridade que é a ação política e de dar uma formação a partir da doutrina social da Igreja.” (Id.).

A candidatura de Osmânio Pereira de Oliveira também contribuiu para o debate no interior da RCC, em especial entre a sua liderança, sobre a relação do movimento com a política. O tema da política e, por conseguinte, do compromisso político dos carismáticos, passou a se fazer mais presente. É interessante observar que, mesmo neste momento, a política é concebida como uma forma de caridade e enquanto exigência moral da ação humana no mundo.

A experiência política dos membros da RCC mostra a diversidade de posições e ideologias políticas. Enquanto indivíduos aderiam às forças políticas mais diversas, inclusive ao Partido dos Trabalhadores (PT).[8] De qualquer forma, a partir da eleição de Osmânio Pereira de Oliveira, a participação dos carismáticos na política ganhou maior visibilidade:

“Nesta segunda etapa apareceram outras personalidades da RCC que exerceram mandatos nas câmaras de vereadores, nos executivos municipais inclusive algumas lideranças a partir de seus conselhos estaduais elegeram-se deputados estaduais, foi o caso em Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Goiás, Rio de janeiro, apesar de discutidas em conselhos da RCC, estas candidaturas e mandatos seguiram seus caminhos a partir dos partidos a que estavam vinculados e da formação dentro da doutrina social, mas sem uma capacidade real de acompanhamento por parte dos respectivos conselhos, saíram dos grupos de oração e mantiveram vínculos com eles os deputados federais Salvador Zimbaldi, hoje no terceiro mandato e que alcançou em sua segunda candidatura uma votação surpreendente, Durval Lopes Orlato ambos de São Paulo, Osmânio Pereira de Oliveira e Odair José da Cunha de Minas Gerais, e o surgimento de deputados simpatizantes ou ligados a comunidades e organismos da renovação mas sem a natureza de pertença e da participação na vida da RCC, também vários deputados estaduais se elegeram no Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, com um numero maior ainda de vereadores” (TELLES Fº., 01.06.2005).

A RCC, então, se viu diante da premência de incorporar a discussão sobre a participação política dos seus membros, o compromisso destes com a fé e as exigências morais e políticas da doutrina social cristã e, é claro, de unificar sua postura diante da diversidade ideológica e política. O Conselho Nacional decidiu criar uma secretaria específica, a “Secretaria Matias”, para debater e definir as orientações para a atuação política dos seus membros, e escolheu Hucley Coelho, do Mato Grosso do Sul, como coordenador nacional.[9]

A concepção política que norteia as orientações da Secretaria Matias repousa sobre a clássica definição da ação política em prol do bem comum. Mas o que é o bem comum?

“Compreende o conjunto daquelas condições de vida social que permitem os grupos e cada um de seus membros atingir de maneira mais concreta e desembaraçadamente a própria perfeição (GS 26).

O bem comum implica em direitos e deveres que dizem respeito a todo gênero humano, devendo levar em conta as necessidades e aspirações legítimas de todos. Seus direito e deveres são invioláveis e portanto devem se tornar acessíveis ao homem, para que ele alcance a dignidade de filho de Deus,

O fim da vida social é o bem comum que leva desinteressadamente, mas eqüitativamente, a distribuir por todos os seus associados em todas as suas necessidades, físicas, intelectuais, morais e religiosas. “Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3,28) (RCC/CN, 1998:26)

O cristão deve, portanto, se comprometer com a política. Não cabe à Igreja enquanto instituição interferir diretamente na política terrena. Esta é uma esfera que cabe especialmente ao leigo, o qual tem como “dever central a justa ordem da sociedade”. É nesta perspectiva que a fé e a política se amalgamam. “Conclui-se que o objetivo e a medida intrínseca de toda política é a justiça. É aqui que a política e a fé se tocam”, afirma Marizete (NASCIMENTO, LACERDA et alli, 2007: 82). Atuar politicamente em prol do bem comum é dever e direito dos cristãos. Como proclama João Paulo II, na Chistifidelis Laici:

“As acusações de arrivismo, idolatria do poder, egoísmo e corrupção que muitas vezes são dirigidas aos homens do governo e do parlamento, da classe dominante ou partido político, bem como a opinião muito difusa de que a política é um lugar de necessário perigo moral, não justificam o ceticismo dos cristãos pela coisa pública”.[10]

O fundamento da política dos carismáticos, e para a religião em geral, é de cunho moral, ou seja, pauta-se pela moral religiosa e pela vinculação entre fé e política na perspectiva do sagrado. É uma concepção teológica da política, pois vincula esta à salvação e à construção do Reino de Deus na terra. A Secretaria Matias expõe esta noção sobre a política na cartilha que elaborou para a formação dos líderes carismáticos, “capazes de ocupar, como verdadeiros cristãos, os espaços da vida política nacional”.

A Secretaria Matias, na apresentação, cita a Lumen Gentium[11]:

“Para expandir o projeto de Deus, o cristão deve comprometer-se com a criação de uma sociedade justa e solidária, eliminado o pecado como gerador de divisão com Deus e os irmãos. A dimensão social da fé, à luz da Doutrina Social da Igreja, requer a luta para debelar as estruturas do pecado pessoal, comunitário, social e estrutural e assim, estabelecer o Reino de Cristo e de Deus” (LG5, cit. In. RCC/CN, 1998: 3).

Nesta nova fase, quando a política passa a ganhar relevo no interior da RCC, observa-se em suas publicações, declarações e documentos internos, a constante referência aos documentos oficiais da Igreja sobre o tema. Recorre-se mesmo às fontes antes comumente citadas pela teologia da libertação, o que deixa transparecer certas similitudes discursivas (o que não causa surpresa, já que a fonte original é a mesma).

A RCC objetiva evangelizar os que atuam no setor público e construir a “civilização do amor”. O Projeto Político Nacional, aprovado por seu Conselho Nacional, tem como objetivo principal “a conversão das pessoas envolvidas” com a máquina do governo em todas as suas esferas e, inclusive, do setor empresarial. Essa “evangelização do meio público” objetiva formar os indivíduos dentro dos princípios da Doutrina Social da Igreja e da Moral Social. Outra frente de atuação neste campo, é o acompanhamento do processo eleitoral, o que envolve uma postura em relação aos eleitores (“sensibilização sobre o voto e os mecanismos que regem as eleições”); aos políticos (como candidatos ou mandatários), o que inclui o acompanhamento do mandato, no sentido de verificar se há coerência entre a atuação do eleito e as exigências morais e éticas da Renovação; e, finalmente, inclui o posicionamento desta em relação à política, desde o nível local, “para o qual se aconselha que seja em comunhão com a Igreja”.[12] Nas palavras da Coordenadora Nacional, Marizete Martins Nunes do Nascimento,

“a ação do Ministério Fé e Política, visa proporcionar a evangelização e o esclarecimento aos vocacionados à política partidária para que possam, a partir do consenso interno do Movimento da Renovação Carismática Católica, serem apresentados à sociedade como opção de escolha, por escrutínio, para o exercício do mandato político, representando o povo e sendo a sua voz frente às necessidades do Bairro, Cidade, do Estado, da Nação, podendo gozar a confiança do povo, por estarem em processo de conversão pessoal e terem em Deus e na comunidade o principal sustentáculo para o exercício do seu mandato” (NASCIMENTO, LACERDA et alli, 2007: 12).

É uma política que se pretende amparada na moral cristã. Coerentes quanto à fé, honestos, evangelizadores, exemplos a serem seguidos, candidatos a santos em meio a pecadores, eis o perfil que se espera do cristão carismático que se compromete com a política.[13] A fé se encontra com a política, e vice-versa, não apenas na esfera política partidária. O Ministério Fé e Política realiza ações concretas e campanhas conjuntas, envolvendo outros ministérios.[14]

A atuação política da RCC em Maringá

Raul Pimenta (Coordenador da Equipe de Serviço Diocesana), em texto publicado no Água Viva, Boletim Informativo da RCC Maringá, de outubro de 1994, faz um chamamento à que os carismáticos votem nos candidatos: Emerson Nerone (deputado estadual) e Sidnei Telles (deputado federal). Ambos concorriam às eleições pelo Partido dos Trabalhadores[15] e com o apoio declarado da RCC:

“No Estado do Paraná os coordenadores diocesanos se reuniram em um dia de oração buscando conhecer a vontade do Senhor, sendo manifestada na escolha de dois candidatos para nos representar.

Um Deputado Estadual – EMERSON NERONE.

Um Deputado Federal – SIDNEI TELLES.

Conhecendo seu testemunho e impedindo assim que dentro dos nossos Grupos de Oração surgissem pessoas oportunistas que dizem (sic) cristãos mas não são.

Por isso nós não podíamos deixar de nos posicionar, convocando todos os cristãos para orar sem cessar no dia 03 de outubro para que o Espírito Santo coloque em todos os corações a vontade do Pai.

Irmãos é nossa responsabilidade, não fuja dela” (PIMENTA, 1994:1).[16]

Emerson Nerone era vereador pelo Partido dos Trabalhadores, eleito com o apoio da RCC[17]. Sidnei Telles relata que houve uma reunião na qual todos queriam que fosse o candidato. Na época, ele estava no PSDB e fez campanha pelo parlamentarismo. Ele declinou da indicação:

“E aí nós escolhemos um jovem, que era membro da equipe de serviço, sindicalista no Banco do Brasil e era do PT. Era o Emerson Nerone. O elegemos. Não tiro os méritos dele, claro, como sindicalista, mas todos nós trabalhamos pra isso. Uma vez eleito, ele considerou que o caminho mais fácil para a candidatura que íamos ter a deputado, em vista da inserção mais forte da Renovação Carismática, seria pelo PT, uma vez que ele era mandatário do PT. Então me filiei ao PT, com muita luta interna, não é?! Na época, ser do PSDB não era um problema. Pelo contrário, era um partido de centro-esquerda esquerda. Disputamos essa eleição. Tornei-me formador do PT, responsável pela formação e pela regional. E militei no PT durante mais quatro anos. Só saí do PT porque na época nós – eu, com muitas dúvidas, afinal, não tinha convicção disso – achamos que o melhor caminho era construir outro partido que fosse independente. Construímos então o PSN, Partido da Solidariedade Nacional. Eu saí pelo Brasil construindo este partido, dando ensinamento e formação para os membros da igreja a respeito da Doutrina Social da Igreja. E aí disputei a segunda eleição pra deputado estadual por esse partido. Fiquei de suplente, acabei assumindo. Este partido depois se extinguiu, tornando-se outra sigla e aí já não me interessou mais porque mudou os princípios e os propósitos” (Entrevista ao autor, 15.02.2007).

Na época, Valter Viana, atual vereador pelo PHS em Maringá, participava do Grupo de Oração de Jovens, que se reunia na casa do Sr. Israel. Ele conta que numa destas reuniões o líder do grupo informou que a RCC-Maringá tinha um candidato a vereador, o Emerson Nerone, e que era preciso organizar o apoio à campanha eleitoral. “Eu não o conhecia”, disse Viana. Mas, prontamente se dispôs a colaborar. “Automaticamente chamei o seu Israel e disse pode deixar que eu coordeno”, afirma (Entrevista ao autor, 23.02.2007).

Emerson José Nerone se tornou o primeiro membro vinculado à RCC com mandato político na cidade de Maringá. Isto representa um marco importante na trajetória da Renovação Carismática no que diz respeito à relação fé e política. Até então predominava uma relação de tensão e desconfiança dos carismáticos, mesmo entre os dirigentes. O testemunho de Valter Viana é esclarecedor:

“Eu era filiado ao PT na época. Mas quando entrei na Renovação dei uma afastada. Porque também naquela época tinha-se a visão de que a Renovação não se envolvia com política, de que tinha que ser separado política e igreja. Não posso dizer que era 100% dos seus membros, mas tinha essa visão de que a Igreja não tinha que se envolver com política. Então, automaticamente me afastei do processo político e do PT. Não me desfiliei, mas me afastei do partido e das discussões políticas” (idem).

Ierecê Jussara Correia Gilberto observou que o envolvimento com a política foi encarado de forma tranqüila entre a liderança, “porque já tinha uma caminhada mais madura”. O mesmo não ocorreu em relação aos novatos na RCC. Com estes, houve “um embate bem difícil, bem complicado na época. Porque tinha-se aquela visão de que fé e política não tem como caminhar juntas, que vai dividir. Principalmente com relação ao PT. Tinha uma visão muito negativa em relação ao PT” (entrevista ao autor, 21.02.07).

A resistência à participação política-partidária começa a se flexibilizar a partir da liderança e dos esforços para a formação quanto à Doutrina Social da Igreja, encíclicas, documentos oficiais e o chamamento ao comprometimento dos leigos com a realidade social e política. Nas palavras de Valter Viana:

“As lideranças da Renovação passaram a ter uma formação não apenas bíblica, mas formação religiosa da doutrina da igreja. Com isso, a idéia foi mudando. Se a igreja pensa, nós também temos que pensar e temos que participar na política. E aí foi criando uma conscientização política dentro da Renovação. Outras pessoas também começaram a participar dos partidos políticos, a se envolver no processo político, de uma forma ou de outra, como candidato ou ajudando o candidato. Acho que o que ajudou os membros da Renovação a ter este espaço para a participação política foi a formação que o pessoal começou a ter e tem hoje. Não só da Bíblia, mas também daquilo que a Igreja prega, daquilo que ela ensina” (Entrevista ao autor, 23.02.07).

Por outro lado, temos que considerar a vocação de determinados indivíduos em participarem da política. Este processo deve ser avaliado a partir da realidade nacional, isto é, da crescente preocupação da coordenação nacional em relacionar fé e política. Contudo, também deve-se levar em conta as particularidades maringaenses, incluindo a candidatura e eleição de Emerson Nerone a vereador e posteriormente à assembléia legislativa paranaense e a militância política de outros como Osvaldo Reginato, José do Nascimento Neto, Sidnei Telles e Valter Viana. Este último, quando da eleição do vereador Nerone, não era ainda uma liderança de destaque na RCC. Valter Viana viria a desempenhar funções importantes no interior desta[18] e também na política maringaense, sendo eleito vereador duas vezes e um dos principais organizadores e fundador do Partido Humanista da Solidariedade (PHS) – ex-Partido Solidarista Nacional (PSN).[19]

Sidnei Telles também teve participação importante na organização do PSN/PHS, mas terminou por se distanciar e mudar de partido. Em sua avaliação, ao se unir a grupos humanistas, por exemplo do Rio Grande do Sul, o PSN tomou um rumo diferente. “Hoje há dúvida se de fato o partido era o melhor caminho. Creio que não. O melhor caminho é cristãos comprometidos com um grande projeto que possa se aliar e dirigir um projeto mesmo em partidos distintos, mas com um compromisso maior com o evangelho do que com o seu partido”, argumenta Telles (entrevista, 15.02.07). Já na avaliação de Nascimento:

“O PSN não tinha uma liderança forte, em nível federal, e precisava para poder garantir a sua existência. O PH tinha um nome forte federal, só que nos estados tinha pouca representatividade. Aí juntou a representatividade do PSN em alguns estados, que era o necessário, que o partido existia oficialmente, com a representatividade federal do PH, que era só o Partido Humanista. Iniciou-se uma discussão entre... sobre a sigla e tal. Chegou-se a um acordo e ficou Partido Humanista da Solidariedade. Porque nem todo humanista é solidário, chegou a essa conclusão. O fato de você ser solidário não quer dizer também que necessariamente você seja humanista. De repente sou humanista, penso no ser humano e tal, mas na hora que preciso ser solidário não sou. Mas eu defendo a causa e tal... mas eu sou solidário, aí eu tenho mais chance de ser humanista do que humanista que solidário” (Entrevista, 14.02.07).

Outro depoimento importante sobre este ponto foi dado pelo professor Antonio Carlos Lugnani:

“Os documentos da igreja são claríssimos. Os leigos têm um papel de ser agente de transformação da sociedade, na vida política e ninguém deve fugir do desafio político. Os documentos da igreja são claríssimos neste sentido. Então o cara vai participar aonde, em que partido? Os partidos políticos padecem de uma contaminação, jogo de interesses. Por que não começar um movimento novo, um partido com uma ideologia muito clara e que tenha uma ética muito bem desenhada. Aí vem a idéia de se fundar um partido. Não seria o PDC, partido democrata cristão, porque já está um pouco batido. O ser humano tem uma capacidade de deturpar as coisas. Vamos começar um partido novo. A caminhada dele é complicadíssima porque você vai entrar numa seara que é complicada. Nosso grande desafio dentro de um partido político é estar com gente e não se contaminar pelo que a política tem de ruim, mas usar os bons meios que ela fornece. É tratar a política com ‘P’ maiúsculo e fazer a ação política para o bem-comum. Então é assim que nasce o partido” (entrevista, 15.02.07).

>>> continua na próxima edição


 

[1] Francisco Catão, um dos expoentes da Teologia da Libertação, identificou esta contradição da seguinte maneira: “há os que optam por uma posição política de denúncia e de contestação, por uma ação que procura mobilizar a opinião pública nacional, continental e mundial, para sacudir o jugo dessas estruturas de opressão; mas há também os que procuram, num primeiro momento, fortalecer-se como grupo de opinião, criando uma comunidade cristã vigorosa, capaz de levar os homens, a partir da conversão interior do coração, a combater a injustiça em suas vidas pessoal, familiar, profissional, social e, enfim, política, nacional e internacional” (CATÃO, 1986: 60-61). As posições não se excluem: a primeira pressupõe também a espiritualidade, mas corre o risco de deixá-la em plano secundário (e essa é uma das principais críticas à TL, a excessiva politização da fé e o abandono da religiosidade; ou, ainda, a imposição da racionalidade em detrimento da emoção e da subjetividade); a segunda, que também admite a necessidade do compromisso com a transformação do mundo, corre o risco de reforçar o individualismo e o subjetivismo. Como escreve o teólogo: “Na segunda posição, a ação básica dos cristãos é a construção da própria comunidade cristã, seu aperfeiçoamento interior, que é o segredo de sua força de alastramento no mundo. Na medida em que os homens se deixarem ganhar por esta comunidade de amor, que dá testemunho da justiça, também a injustiça no mundo irá diminuindo e o Reino de Deus se realizando. Corresponde a uma posição teológica hoje generalizada, cujo peso é enorme e não se pode deixar de maneira alguma de considerar” (Idem, p. 61).

[2] Para Sousa, a palavra intimista é usada pejorativamente, pois expressa uma estratégia de poder no sentido de deslegitimar a prática religiosa da RCC. Para a hierarquia se trata de “tornar pejorativo algo que representa importante elemento de autonomia do leigo”. A Teologia da Libertação, por motivos óbvios, também interessava esta crítica. E seu uso teria sido legitimado pelos pesquisadores. Sousa é taxativo: “O termo “intimista” é reducionista. “Intimista” é a palavra usada para classificar uma religiosidade avessa às realidades do mundo presente, às intermediações objetivas e voltadas para uma percepção meramente subjetiva da fé, de forma egoísta e quase hedonista. O termo ignora todo o conteúdo austero da religiosidade dos carismáticos” (SOUSA, 2005: 123-24). Esse ponto de vista é compartilhado pelos líderes da RCC que entrevistei. Contudo, é fato de que a RCC enfatizou a espiritualidade.

[3] Sousa (2005: 167-191) analisa as relações entre a CNBB e a RCC. Ele mostra como o Documento 53 representou a tentativa de manter a RCC sob controle hierárquico. Também GONZALEZ (2004), analisa este ponto.

[4] As orientações da CNBB, expostas neste documento, abrangem todas as áreas de atuação que caracterizam a RCC. “Alguns temas necessitam de maior aprofundamento teológico, diálogo eclesial e orientação pastoral, tais como: Batismo no Espírito Santo, dons e carismas, dom da cura, orar e falar em línguas, profecia, repouso no Espírito, poder do mal e exorcismo”, afirma a CNBB (1994). Cada um deste temas terá uma orientação particular.

[5] “A palavra “Igreja” é tradução do latim “Ecclesia”, que, por sua vez, transmite o conteúdo do termo hebraico “qahal” ou “qehal”, significando o ato da reunião ou também a própria comunidade reunida” (ARNS, 1981: 09).

[6] Ao contrário do que geralmente se imagina, a partir da crítica ao individualismo, a RCC interage com o meio social. Hébrard, por exemplo, relata experiências carismáticas comunitárias na América Latina: “Vasta empresa comunitária de múltiplas facetas, Minuto de Dios, visa o desenvolvimento integral do homem, sob todos os aspectos, apostando que um bairro, uma cidade que queiram sair da sua miséria podem fazê-lo criando a sua própria espiral de desenvolvimento... (...) No centro carismático de Bogotá, também se oferecem consultas médicas e jurídicas, assim como ajuda aos católicos. Procuram-se novos meios de associação para a produção e comercialização agrícola, e também se criam emprego. O centro possui uma biblioteca e um colégio com 7.000 alunos, e organiza, por outra parte, encontros artísticos e culturais” (Hébrard, 1992:28). Ressalve-se que a Minuto de Dios, já existia há uma década antes do surgimento da RCC na Colômbia, “mas a efusão do Espírito, recebida pelos dirigentes, fê-la frutificar o cêntuplo, mesmo nos seus compromissos sociais”, afirma Hébrard (id.). Também o Monsenhor Carlos Talavera ressalta a atuação social da RCC no México. Ele cita duas experiências na cidade do México: Os “Pára-quedistas”, em terras urbanas que ocupam terrenos, e os lixeiros em Cuidad Juárez. Para ele, trata-se do “exercício do carisma mediante a ação” (Talavera, 1980: 11). As pessoas que se comprometeram, no sentido de ajudar os necessitados, são de classe média. Para o Monsenhor, elas responderam ao chamado Dele e se converteram (id., 16).

[7] Em 1990, Osmânio Pereira de Oliveira foi eleito deputado federal pelo estado de Minas Gerais. Em 2002 foi reeleito deputado federal pelo PSDB (MG). Ingressou no PTB em agosto de 2003. Em 2006, acusado e incluído na relação dos deputados envolvidos com a máfia dos sanguessugas, renunciou à candidatura.. Osmânio Pereira e Salvador Zimbaldi, que também ingressou no PTB, chegaram a ser punidos pela direção tucana por votarem com os governistas. (Ver: PEIXOTO, Paula. “Deputado envolvido na máfia dos sanguessugas desiste de reeleição”. Folha Online, 18.08.2006. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u81618.shtml Acesso em 15.05.07; FERREIRA Jr., Hédio. “Osmânio Pereira desiste de candidatura”. O Tempo, 12.08.2006. Disponível em http://www.otempo.com.br/politica/lerMateria/?idMateria=56313 Acesso em 16.05.07; e, ”MIGNONE, Ricardo. “Base ganhou dez deputados em semana decisiva da votação da reforma”. Folha Online, 07.08.2003. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u52091.shtml Acesso em 15.05.07. O deputado federal Salvador Zimbaldi, atualmente no PSB/SP, também causou polêmica ao tentar solicitar à justiça brasileira a proibição da exibição do filme “O Código da Vinci”. Através do seu advogado, argumentou que tanto o livro quanto o filme “agridem a liberdade de crença no Brasil”. Seria, portanto, inconstitucional. (Ver: MUNIZ, Diógenes. “Deputado quer proibir exibição do filme "Código da Vinci" no Brasil”. Folha de S. Paulo, 09.05.2006).

[8] Analisando a participação política dos carismáticos na política cearense, a coordenadora do Núcleo de Estudos de Religião, Cultura e Política da Universidade Federal do Ceará, Júlia Miranda, observa que: “Se até as eleições de 1996 os carismáticos se candidatam por diferentes partidos (embora o mais freqüente seja o PSDB), a partir de 1997, o até então quase inexpressivo PSN – Partido Solidarista Nacional, depois de reformulado e renomeado Partido da Solidariedade Nacional, passa a aglutinar esses parlamentares e a abrigar as candidaturas que surgem nestas eleições de 1998. Parece que estamos assistindo a uma estratégia de reforço de uma agremiação que tenha “a cara” da RCC, ou, como prefere Paulo Mindello, “da doutrina social da Igreja”. (MIRANDA, 1998).

[9] Posteriormente a organização em secretarias, cada uma batizada com um nome bíblico e responsável por áreas específicas da atuação da RCC, foi substituída por Ministérios. Assim, a “Secretaria Matias” passou a se denominar “Ministério Fé e Política”. Sidnei de Oliveira Telles Filho relata que, na reunião do Conselho Nacional da RCC, que decidiu criar essa secretaria, “muito se discutiu se a política não era um braço da promoção humana, talvez seu mais importante braço, no entanto o conselho discerniu que apesar da forte ligação entre estas duas estruturas, a fé e política têm características próprias, assim como a promoção humana, e na política se discute também o governo e o poder, que devem ser exercido a partir do principio evangélico do serviço” (TELLES Fº., 01.06.2005).

[10] Citado em “O nosso deputado fala de suas lutas”, O Carisma, Informativo Bimestral da RCC Paraná, Ano I, nº 3, setembro/outubro. O conselho editorial deste boletim, à época, era composto por Marcelo Paulino e Sidnei de Oliveira Telles. O deputado em questão é Emerson Nerone, eleito com o apoio da RCC Maringá. A mensagem final do Sínodo dos Bispos sobre Missão e Vocação dos Leigos, realizado em 1987, afirma: “O compromisso dos fiéis na opção sócio-política está arraigado na fé, pois esta deve iluminar a totalidade da pessoa e da sua vida. Este compromisso pressupõe formação sólida proporcional ao nível de responsabilidades cívicas presentes e futuras. Este compromisso precisa, acima de tudo, ser fundamentado na coerência entre a vida de fé e as atividades políticas e sociais. Deste modo, trazemos às estruturas e atividades sociais o espírito do Evangelho. Na atividade política, a primeira preocupação dos fiéis leigos deve ser a honestidade, a promoção da justiça social e dos direitos da pessoa humana em todas as fases da vida, a defesa e a reconquista da liberdade, sobretudo da liberdade religiosa, tão restrita em tantas regiões, e a busca da paz no mundo inteiro. O compromisso cristão deve se estender e igualmente ao campo da cultura, da saúde, da ciência, da técnica, do trabalho e dos meios de comunicação social” (Citado em: Anunciador – Órgão da RCC da Diocese de Caxias, Ano II, nº 3, Novembro de 89).

[11] Lumen Gentius (Luz dos Povos) é um dos mais importantes textos adotados pelo Concílio Vaticano II (11.10.1962 a 08.12.1965) e se refere à Constituição Dogmática da Igreja.

[12] Ver “Projeto do Ministério Fé e Política”, in NASCIMENTO, LACERDA et alli, 2007, pp. 125-137.

[13] Padre Zezinho, SCJ (2007), escreveu uma metáfora que ilustra bem o desafio do cristão que se envolve com a política: “Em todas as épocas e em todos os tempos, as águas da política nunca foram muito limpas. Há sempre alguém ou algum grupo a turvá-las. É praça de guerra e de escaramuça em defesa ou em busca do poder. Mas de tanto em tanto, aparece um político que sabe fazer uso dessas águas. Por mais turvas que sejam ele não levanta mais lama. Tem esse dom de sair de lá limpo. Não corrompe e não se deixa corromper. Ser honesto na política deveria ser o chamado de todos, e é, mas é vocação dificílima. Não foram poucos os que morreram por não aceitarem entrar no esquema e por havê-lo denunciado”.

[14] Um exemplo é a campanha contra a lei que descriminaliza o aborto: “No exercício da ministerialidade orgânica, o Ministério das Universidades Renovadas, em parceria com o Ministério Fé e Política, preparou uma cartilha em defesa da vida para sensibilizar, criticamente, o povo. Deverá ser multiplicada para que todos juntos não permitam a descriminalização do aborto no Brasil, cumprindo o ensinamento da Igreja, que desde sempre defendeu a vida e, conseqüentemente, abominou todo tipo de aborto voluntário; o Ministério das Crianças tem contado, também, como o MFP para um trabalho de sensibilização, sobre cidadania, administração pública e política partidária, com as crianças” (NASCIMENTO, LACERDA et alli, 2007:73).

[15] Pela mesma legenda, Samek era o candidato a Governador, Tonelli a senador e Lula à presidência.

[16] O Boletim Informativo tem formato tablóide, com quatro páginas. No mesmo número, página 2, há uma mensagem dirigida aos jovens, assinada por José do Nascimento Neto (Coordenador do Grupo de Oração Renascer), o qual transcreve parte de um artigo de um estudante universitário (sem identificação), de 1992. É um alerta para que os jovens participem da política e não votem em branco, nem anulem o voto. “Dê uma chance para os homens que o Senhor enveredou para o caminho da política”, afirma.

[17] Emerson José Nerone nasceu em 10 de fevereiro de 1967, no município de Guarapuava (PR). Foi o primeiro vereador do Partido dos Trabalhadores em Maringá, eleito em 1992 para a 10ª legislatura (01.01.1993-31.12.1996) e teve 1.220 votos. Também foi o primeiro deputado estadual eleito pelo PT (1994) e desfiliou-se deste em 1997. Abaixo a relação dos vereadores eleitos vinculados a RCC:

Ano

Nome

Partido

Coligação

Votos

Legislatura

1992

Emerson José Nerone

PT

Sem coligação

1.220

01/01/1993 a 31/12/1996

1996

Shinji Gohara

PSDB

Sem coligação

1.452

01/01/1997 a 31/12/2000

2000

Valter Viana

PHS

PPS / PHS / PMN / PCB / PC do B / PSB

1.112

01/01/2001 a 31/12/2004

2004

Valter Viana

PHS

PT / PHS / PC do B

2.934

01/01/2005 a 31/12/2008

Fonte: Câmara Municipal de Maringá (http://www.cmm.pr.gov.br) e Tribunal Superior Eleitoral (http://www.tse.gov.br).

[18] Valter Viana, informa o seu site oficial, é Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística. Foi membro do Núcleo de Serviços Diocesanos e Coordenador da Secretaria Matias (Fé e Política) da Renovação Carismática Católica (RCC) de Maringá. Atualmente, é formador da Escola Paulo Apóstolo, que atua na formação de pessoas a respeito da doutrina Católica e da Espiritualidade da RCC. (ver: http://www.valterviana.com.br/#biografia.php)

[19] A base programática deste partido, sua fundamentação teórica, filosófica e doutrina, é o livro “Solidarismo: alternativa para a globalização”, do Pe. Fernando Bastos de Ávila, S. J (Aparecida, SP: Editora Santuário, 2002, 2ª edição). A primeira edição deste texto foi publicada em 1963 com o título “Neocapitalismo, Socialismo, Solidarismo”; a edição atual veio a público com o apoio do Instituto de Pesquisa Humanistas e Solidaristas (Petrópolis, RJ) e do Partido Humanista da Solidariedade.

   

 

 

 


* Trabalho apresentado como requisito de conclusão da Pós-Graduação em História das Religiões, do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá (DHI/UEM), sob a orientação do Prof. Dr. Reginaldo Dias (DHI/UEM). Agradeço a todos que contribuíram direta ou indiretamente para a pesquisa e realização deste projeto, em especial aos entrevistados e responsáveis pelo Escritório da RCC/Maringá.

 

** As referências bibliográficas serão relacionadas na última parte.

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