Por MÁRIO MAESTRI
Professor do Programa de Pós-Graduação em História da UPF - RS


 

Os Gringos Também Amam

 

Imigrantes Italianos no RS - Foto: Leonid StreliaevA partir do século 18, nas duas margens do Plata, desenvolveu-se uma verdadeira civilização transnacional baseada na produção pastoril, charqueadora e latifundiária. Centrado nos territórios meridionais, e singularizado pela ênfase escravista, o Rio Grande luso-brasileiro nasceu e desenvolveu-se como parte integrante desse imenso universo pampeano.

A partir de 1824, camponeses pobres sem terra de língua alemã estabeleceram-se no sopé da Serra gaúcha, não muito distante da capital sulina. Sobretudo a partir das novas ondas imigratórias italianas, de 1875, e polonesa, de 1889-90, a brecha camponesa na estrutura latifundiária sul-rio-grandense ampliou-se e consolidou-se. [1]

A distribuição parcelar de terras em regiões impróprias ao latifúndio pastoril, primeiro em forma gratuita, financiada a partir de 1850-4, constituiu a mais ambiciosa reforma da estrutura latifundiária da terra realizada até hoje no Brasil. Os nativos, caboclos, libertos, brasileiros pobres etc. foram mantidos à margem dessa democratização da propriedade fundiária.

Mão de obra familiar

A abundância de terras e a proximidade dos mercados ensejaram sólida comunidade camponesa que, por décadas,  conheceu vigorosa expansão territorial e demográfica. Os inúmeros filhos do agricultor imigrante, mais do que bocas para alimentar, eram braços para trabalhar. Muito logo, essa maré humana ultrapassou a fronteira do Rio Grande em direção do oeste de Santa Catarina, do Paraná, do Mato Grosso, do próprio Paraguai, em busca de terra para frutificar.

O crescimento demográfico e a expansão policultora familiar e mercantil colonial apoiaram uma dinâmica atividade comercial, artesanal, manufatureira e fabril. As novas paisagens sócio-econômicas ensejaram o deslocamento, primeiro econômico, a seguir político, do coração da Rio Grande dos pampas meridionais para o centro e o setentrião sul-rio-grandenses.

No Rio Grande, o golpe republicano de 15 de novembro de 1889 não consolidou o poder pastoril-oligárquico. Caso único no Brasil, apoiou a emergência de um novo bloco proprietário que expressou as necessidades das forças sócio-econômicas emergentes – policultura, comércio, etc. coloniais; agricultura capitalista; manufatura, etc. A imigração camponesa colonial mudou radicalmente o perfil do Rio Grande, impedindo-o de se transformar, no melhor dos casos, em um Uruguai falando português, no pior, num imenso Bagé![2]

História e mito

No decorrer do tempo, de sucessos objetivos, os fatos metamorfoseiam-se em acontecimentos históricos que exigem reconstituição e explicação. Em 1925, o cinqüentenário da imigração italiana no Rio Grande do Sul apresentou condições singularmente propícias para as primeiras reconstruções históricas sistemáticas daqueles sucessos, já consolidados.

A leitura do passado jamais é uma busca fria e neutra da essência dos acontecimentos pretéritos. Ao contrário, constitui palco singular do confronto e da expressão das contradições sociais do presente. A história escreve-se com os olhos fincados no passado e os pés cravados no presente. Portanto, é também poderoso depoimento sobre aqueles que a produziram.

De 1914 a 1918, a I Guerra Mundial ensejou que a Região Colonial Italiana participasse do impulso industrial propiciado pela militarização da indústria européia e norte-americana. A expansão industrial sufocou parcialmente o artesanato regional. Em 1925, a hegemonia social e econômica na RCI encontrava-se já ferreamente nas mãos dos capitais comerciais e industriais da região. [3]

Condições singulares

As primeiras interpretações sobre o passado colonial italiano objetivaram sobretudo integrar as elites ítalo-gaúchas no contexto das representações sobre passado sulino, então literalmente dominadas pelas narrativas pastoris-latifundiárias que receberiam, em 1927, primeira sistematização sociológica na obra de Salis Goulart, A formação do Rio Grande do Sul. [4]

As condições políticas para tal eram propícias. Em 1923, o Partido Republicano Rio-Grandense obtivera sua segunda grande vitória político-militar sobre a oposição liberal-pastoril, em boa parte devido ao apoio da sociedade colonial. [5] O borgismo apoiava a constituição de relatos apologéticos sobre a obra da pequena propriedade e do imigrante branco no Rio Grande do Sul, em profunda consonância com o autonomismo regional que defendia e impulsionava.

O Estado italiano determinou igualmente o processo de produção das primeiras narrativas sistemáticas sobre a história colonial.  Em 1922, o fascismo ascendera à chefia do governo pela mão de Vitorio Emanuela III e, concluída a crise aberta pelo assassinato, em junho de 1924, do deputado socialista Giacomo Matteotti, imporia, em fins de 1926, a ditadura plena sobre a península. [6]

Obra da raça latina

Nesse contexto geral, a apresentação da imigração como poderoso movimento civilizacional propiciado pelo dinamismo e excelência da raça latina, veiculada pela diplomacia do Estado italiano desde os primórdios da grande imigração, foi retomada e potenciada pela diplomacia fascista que, na década seguinte, desenvolveria ambicioso projeto de monitoramento da imigração. Já em "1925, durante o I Congresso dos Fascios no Exterior, Mussolini" exigira "que os imigrados defendessem a 'italianidade' e assinalou a existência de 40 fasci organizados no Brasil". [7]

Primeira interpretação geral sobre a imigração sulina, o álbum do "Cinquantenario della colonizzazione italiana nello stato del Rio Grande del Sud" [8] abre-se com breve saudação assinada, em 11 de junho de 1925, em Roma, por Benito Mussolini: "No nobre orgulho que eleva as vossas almas, enquanto parais para contemplar o resultado da longa e tenaz fatiga, eu vislumbro o signo da nobilíssima estirpe que imprimiu um traço  imorredouro  na história dos Povos." [9]

No mesmo sentido e na mesma publicação, Celeste Gobato propõe nas páginas iniciais de seu longo artigo sobre "O colono italiano e a sua contribuição no desenvolvimento da indústria rio-grandense": "O Brasil não podia, certamente, escolher imigrantes melhores; seja pela característica de trabalhadores e poupadores tenazes, seja pelo soberano respeito às autoridades [...]." [10]

Raça e religião

No mesmo álbum, a excelência intrínseca do imigrante italiano foi registrada no artigo desbragadamente racista de Francisco de Leonardo Truda: "Com esta admirável qualidade de saúde física e moral, com sua forte capacidade para o trabalho, tenacidade e inteligente espírito de iniciativa, não causa surpresa que os colonos italianos tenham podido realizar, no terreno econômico, uma obra soberba, assegurando para si e para seus descendentes uma invejável prosperidade e dando à terra que os hospeda uma contribuição elevadíssima de progresso." [11]

Além da ênfase na qualidade natural do colono itálico, destaca-se na publicação comemorativa o amplo espaço dado ao clero católico na narrativa da saga colonial em construção. Após um "proemio" e um artigo sobre "Os italianos e a república de Piratini", de Mansueto Bernardi, os três ensaios seguintes, através de mais de 150 páginas, tratam das relações entre a Igreja e a colonização italiana no Estado. Então, as igrejas, escolas, seminários, capelas e jornais clericais constituíam a mais importante rede cultural, política e ideológica sobretudo do mundo rural ítalo-gaúcho. [12]

Anterior ao assalto dos camisas negras ao poder, a crescente convergência entre o fascismo e o Vaticano resultaria, em fevereiro de 1929, no Concordato de Laterano que, entre outros importantes privilégios, transformou o catolicismo romano em religião de Estado, pondo fim à laicidade do Estado-Nação italiano, fundado em 1870. A narrativa oficial em construção fusionava sem contradições os discursos sobre a excelência intrínseca do imigrante e o papel fulcral da Igreja no processo e no sucesso colonial.

Diplomacia negra

A Itália e a comunidade colonial pagaram muito caro a tentativa de instrumentalização política da imigração pelo fascismo. O ingresso do Brasil na Guerra Mundial contra o Eixo ensejou uma profunda ruptura dos íntimos e múltiplos contatos entre a Itália e o Rio Grande do Rio Grande do Sul estabelecidos sobretudo nos anos 1930. [13]

Em verdade, desde 1930, o projeto desenvolvimentista capitaneado por Getúlio Vargas mobilizava-se fortemente pela formação de um mercado interno para a indústria nacional, centrada no Rio de Janeiro e São Paulo. A partir de 1937, o Estado Novo reprimiria crescentemente a autonomia estadual e as singularidades nacionais de qualquer tipo.[14]

Essa verdadeira invenção do Brasil e da brasilidade dava-se através da repressão autoritária do autonomismo regional e das particularidades nacionais. Sobretudo após o rompimento de relações diplomáticas do Brasil com a Itália e a Alemanha, em inícios de 1941, as escolas, jornais, associações, etc. itálicos foram reprimidos. Proibiu-se igualmente que se falasse publicamente nos idiomas das potências do Eixo.

Longo hiato

No novo contexto político, privilegiadas pelo crescimento econômico e industrial nacional em curso, as elites comerciais e industriais ítalo-gaúchas, crescentemente voltadas para o mercado nacional, abandonaram sem pruridos e vacilações a bandeira negra mussoliniana e o partido fascista pela bandeira verde-amarela getulista e a Liga de Defesa Nacional. [15]

Em 1950, as celebrações dos 75 anos de imigração foram registradas em Álbum comemorativo e Documentário Histórico do município de Caxias do Sul, redigidos em português. [16] Ao apresentar o último trabalho, Duminiense Antunes ressalta a "força criadora dos colonizadores [...], a tenacidade e a perseverança no trabalho e a fé inquebrantável" que fizeram "florescer esta majestosa cidade", "desdobrando-se dia a dia ao ritmo do labor cotidiano, numa ascensão vertiginosa, rumo ao progresso crescente para o futuro!"[17]

Apenas cinco anos após a conclusão do conflito, em plena retomada do empuxe nacional-desenvolvimentista que permitira a vitória presidencial de Getúlio Vargas, em 3 de outubro de 1950, o movimento de reflexão sobre o passado colonial italiano, interrompido quando da política de nacionalização do Estado Novo, não conheceu retomada significativa, permanecendo por um quarto de século o quase silêncio analítico e bibliográfico sobre essa realidade.

Explosiva retomada

Em 1975, ao publicar seu importante trabalho, Italianos e gaúchos: os anos pioneiros da colonização italiana no Rio Grande do Sul, ao qual nos referiremos a seguir, Thales de Azevedo ressaltou a pobreza da bibliografia sobre a imigração sulina: "Afoito-me a aventar a idéia de que àquele processo não se fez ainda suficiente lugar na historiografia rio-grandense, como, por sua extraordinária importância, merece e está a exigir [...]." Verdadeiro precursor, Thales de Azevedo investigava o tema desde fins dos anos 1950. [18]

Apenas o antropólogo baiano registrava a profunda carência bibliográfica, eclodia no Rio Grande do Sul importante movimento de investigação sobre as raízes ítalo-gaúchas. Ainda que o fator galvanizador desse processo tenha sido inquestionavelmente as celebrações dos 100 anos de colonização italiana no Rio Grande, as razões últimas do fenômenos não foram ainda explicitadas a contento.

Em 1974, fazia dez anos que o país vivia sob a ordem militar, seis deles embalados pelo crescimento propiciado pelo "Milagre Brasileiro", do qual a burguesia industrial e comercial ítalo-gaúcha participara com destaque. Ou seja, fortalecidas, as elites regionais ítalo-descendentes encontravam-se, agora, mais do que nunca, em condições de escrever sua saga. Após o sinistro reino de Garrastazu Medici, de 1970 a 1973, Ernesto Geisel assumira, em 1974, a presidência. Os dois generais eram respectivamente descendentes de imigrantes italianos e alemães. No Rio Grande do Sul, os Brizola, Meneghetti, Peracchi provavam que o poder regional já fora há muito invadido por afortunados descendentes dos imigrantes pobres, sobretudo itálicos.

Monografias premiadas

O certo é que a celebração do Sesquicentenário da Colonização Alemã e do Centenário da Colonização Italiana ensejou concursos, publicações, encontros científicos, etc. que propiciaram uma muito forte retomada dos estudos sobre a imigração, em geral, e especialmente sobre o passado ítalo-gaúcho. Parte integrante daquele movimento, Luis Alberto De Boni recordou, vinte anos mais tarde, a atração que a celebração exerceu sobre os pesquisadores. Na ocasião, reafirmou, igualmente, a então pobreza bibliográfica sobre a imigração e a colonização italiana no Rio Grande do Sul. [19]

Naquele então, com o objetivo de "fomentar a pesquisa sobre a contribuição das diversas etnias aqui [sic] radicadas ao trabalho comum pela grandeza  espiritual e material do Brasil", o governo do Rio Grande do Sul instituiu um "Certame de Letras Biênio da Colonização e Imigração 1974/5", e publicou a coleção homônima "Biênio da Colonização e Imigração" [Decreto Estadual nº 22.783, de 7 de novembro de 1973]. [20]

Entre os diversos volumes premiados e publicados por essa iniciativa, distinguiram-se inquestionavelmente duas obras sobre a imigração italiana: Italianos e gaúchos: os anos pioneiros da colonização italiana no Rio Grande do Sul, de Thales de Azevedo, e A colonização italiana no Rio Grande do Sul: implicações econômicas, políticas e culturais, do sociólogo e ex-capuchinho Olívio Manfroi.[21]

Geração 1975

Um primeiro estudo sistemático dos dialetos italo-gaúchos, apresentado por Vitalina Maria Frosi e Ciro Mioranza –Imigração italiana no nordeste do Rio Grande do Sul: processo de formação e evolução de uma comunidade ítalo-brasileira, recebeu, igualmente, menção honrosa, no "certame de Letras Biênio da Colonização e Imigração", sendo publicado ainda em 1975. Os dois autores concluíram a seguir trabalho de ainda maior fôlego sobre os dialetos itálicos. [22] No mesmo ano, o frei capuchinho Rovílio Costa publicou Imigração italiana no Rio Grande do Sul: vida, costumes e tradições, primeira menção honrosa no mesmo concurso. A essa obra seguiria fecunda produção sobre os mais diversos aspectos da questão. [23]

Em Caxias do Sul, em julho de 1975 e outubro de 1976, ocorreram os I e II Fóruns de Estudos Ítalo-Brasileiros que tiveram seus anais publicados em 1979 – Imigração Italiana: Estudos. Anais do I e II Fóruns de Estudos Ítalo-Brasileiros em 1975 e 1976. [24] Participaram dos dois eventos realizados na Universidade de Caxias do Sul cientistas sociais que se destacariam nas décadas seguintes nas investigações ítalo-gaúchas: Ciro Mioranza, Cleodes Piazza Ribeiro, José Clemente Pozenato, Loraine Slomp Giron, Luis A. De Boni, Olívio Manfroi, Rovílio Costa, Thales de Azevedo, Vitaliana Maria Frosi.

As obras de Thales de Azevedo e Olívio Manfroi foram verdadeiros clássicos fundadores do renascimento dos estudos ítalo-gaúchos. Porém, exerceram desigual influência nos estudos e nos estudiosos que seguiram. Segundo prêmio no Concurso de Monografias sobre a Imigração Italiana no Certame de Letras "Biênio da Colonização e Imigração", A colonização italiana no RS, de Olívio Manfroi, conheceu sucesso acadêmico e pára-acadêmica do qual o estudo de Thales de Azevedo, vencedor do certame, jamais gozou.

Legitimação desigual

A colonização italiana no RS, de Olívio Manfroi, fora originalmente tese de doutoramento em sociologia, defendida na Sorbonne, na França, em 1973. A obra foi traduzida ao português, especialmente para participar do concurso do Biênio. Foi revisando a cópia datilográfica do texto do seu amigo que o frei Rovílio interessou-se pelo tema. [25] A tese era, portanto, trabalho relativamente anterior à explosão dos estudos ítalo-gaúchos de 1975. Empreendida a partir de pressupostos analíticos weberianos, defendia como principal tese o caráter fulcral da religião católica no sucesso da imigração italiana no RS.

No "Prefácio" do referido trabalho, Itálico Marcon sintetizou a proposição: "[...] a Religião Católica foi o seguro e derradeiro sustentáculo a que os colonos peninsulares se apagaram para salvar a sua própria identidade cultural. Graças a ela conseguiram vencer todos os traumatismos da emigração, preenchendo o vazio encontrado na nova pátria adotiva e estruturando um tempo e um espaço congeniais, geradores de uma singular civilização ítalo-sul-rio-grandense." [26]

No seu magnífico trabalho, após os capítulos introdutórios, Manfroi narra a imigração italiana como uma espécie de epopéia moderna na qual o colono acaba vencendo dificuldades abismais – a viagem na Itália, a travessia sinistra, o abandono e isolamento nas florestas, o difícil início, etc. – devido a sua disposição ao trabalho, galvanizada por uma profunda religiosidade. A harmonia comunitária e familiar, sempre cimentada pela religiosidade, são também fortemente enfatizadas.

Religião demiúrgica

"Deus, a Virgem Maria e os Santos foram o sustentáculo e o refúgio dos imigrantes italianos, durante a viagem e nos primeiros anos de sua estabelecimento no RS. A oração individual nos momentos difíceis, a prece familiar nas frentes de trabalho da floresta, a liturgia dominical na linha colonial foram uma constante característica dos colonos italianos." [27]

A leitura de Olívio Manfroi do movimento migratório itálico não foi construção arbitrária. Como vimos, seus componentes analíticos essenciais – a qualidade do italiano e a importância da religião no fenômeno colonial – encontravam-se já nos trabalhos pioneiros sobre essa realidade.

Mais ainda, as grandes dificuldades propostas não foram inventadas. Elas existiram, realmente, sobretudo nos primeiros tempos, constituindo parte essencial da memória da imigração. A construção de nova vida no sul do Brasil exigiu, sempre, trabalho muito duro. A religião e o padre foram elementos centrais do fenômeno colonial.

A história e o mito

Tomando a aparência pela essência e o singular pelo geral, Olívio Manfroi simplificou os fenômenos analisados. Os acidentes e mortes na travessia; as dificuldades de estabelecimento nas primeiras colônias; a falta de apoio e assistência das autoridades; o isolamento e o perigo das florestas, etc. foram poderosamente extremados e generalizados.

Sobretudo, o autor desqualificou no seu trabalho fulcral a importância da concessão da terra e a proximidade dos mercados como razões essenciais do sucesso – sempre relativo – do processo imigratório, apresentado ao contrário como resultado da qualidade intrínseca do colono, cimentada por fé religiosa inquebrantável.

O padrão analítico proposto por Olívio Manfroi foi reforçado por estudos sucessivos, não raro despidos da elegância e da complexidade analítica da obra paradigmática. Enfatizando ad nauseam a disposição natural do colono ao sucesso, propondo-lhe fé e moral beatificantes, negou-se nos fatos a complexidade da história real, ao ignorar e sufocar suas contradições, seus tropeços, seus fracassos, suas misérias e suas grandezas.

O herói colonial

Muitas dessas interpretações sucessivas produziram narrativas etnicistas e apologéticas sobre a excelência e a superioridade étnica e racial do italiano, principalmente em relação às comunidades de nativas, caboclas, negro-africanas, etc. Esses relatos apoiaram-se, implícita ou explicitamente, na pretensa tese do sucesso de todos os ítalo-gaúchos, ali onde teriam fracassado outras comunidades étnicas, menos aquinhoadas. [28]

Em 1987, um ideólogo do venetismo propunha sobre sua cidade: "[...] somos diferentes: todos somos brancos [sic] e alfabetizados, não existem esmoleiros e todos têm seu trabalho fixo. E não apenas na vila, mas também no interior do distrito, pouquíssimas são as famílias que não possuem água encanada, rádio, TV, refrigerador e freezer! Somos ou não somos diferentes [sic]? No entanto, ainda falta algo. Nossa cultura vêneta – [...]– tem sofrido um desgaste muito grande e não foi convenientemente substituída. Houve uma miscigenação nos costumes, felizmente ainda não no sangue [sic].” [29]

Precisamente para sustentar o mito de uma predestinação étnica ao sucesso econômico e social, as narrativas apologéticas da historiografia étnica expurgam a contradição e o insucesso de seus relatos, que abordam comumente apenas a constituição e consolidação da sociedade colonial. Assim sendo, não se historia a crise e a frustração da reprodução da comunidade camponesa diante da posse latifundiária da terra, que levou a milhares de ítalo-descendentes a proletarizarem-se nas cidades ou se arrancharem, sob o toldo negro dos acampamentos das beiras das estradas sulinas, na dura luta por um naco de terra para trabalhar. [30]

Historiografia étnica

A vertente historiográfica étnica teve sucesso imenso. A partir dessa ótica, foram realizados e publicados uma infinidade de estudos historiográficos e pára-historiográficos sobre temas municipais, familiares, urbanos, industriais, etc. Hoje, já são poucas as comunidades coloniais ítalo-gaúchas que não possuem um ensaio de interpretação histórica ou um levantamento documental.

Fortes fora das instituições acadêmicas e dos programas de pós-graduação de História, os estudos ítalo-coloniais de vocação histórica são possivelmente a área bibliográfica de maior dinamismo no Rio Grande do Sul. Sobretudo, são "o fruto despretensioso do trabalho de pessoas sem estudo superior, ou, quando formados [...], de indivíduos que não" são "historiadores".[31] Teve importância fulcral nesse valioso esforço bibliográfico a Editora EST, sob a incansável animação do frei Rovílio Costa, durante anos secundado pelo filósofo e cientista social Luís A. De Boni.

Desencantar o mito

Desde o início dessa explosão bibliográfica, em 1975, uma vertente historiográfica revisionista procurou descrever a história colonial ítalo-gaúcha a partir de suas contradições reais profundas, em oposição às propostas de sua eterna e a-histórica harmonia estrutural. Essas leituras analíticas procuravam enriquecer os relatos sobre o passado, através do desencantamento do universo e da narrativa mítica.

Elementos dessa proposta encontravam-se já  no valioso estudo de Constantino Ianni, Homens sem paz: os conflitos e bastidores da imigração italiana[32]; nos estudos citados de Thales de Azevedo e Vitalina Frosi; em análises de Luis A. De Boni; no trabalho de José V.T. dos Santos, etc.[33]

Alguns trabalhos paradigmáticos destacaram-se nessa produção. Em 1981, Valentim Lazzarotto apresentou o sucesso empresarial ítalo-gaúcho como resultado da impiedosa exploração de um proletariado regional ainda econômica e ideologicamente vinculado à pequena propriedade, no seu magnífico trabalho Pobres construtores de riqueza . [34]

Ficção e realidade

Em 1984, a leitura da imigração conheceu salto de qualidade com o romance histórico O quatrilho, de José Clemente Pozenato, penetrante análise sócio-literária das contradições e da dissolução da sociedade colonial. A exploração do colono pelo capital comercial e da mulher e dos jovens pelos patriarcas; a rusticidade das relações interpessoais, etc. são alguns dos múltiplos fenômenos estruturais coloniais dissecados pela obra ficcional. [35]

Em 1994, Loraine Slomp Giron avançou substancialmente na análise política e ideológica da Região Colonial Italiana com seu estudo As sombras do littorio: o fascismo no Rio Grande do Sul, onde desvela o sentido do comprometimento multitudinário da burguesia urbana ítalo-gaúcha com o fascismo, antes da II Guerra Mundial.[36]

Em 2002, em Eppur si parlano! Etude diachronique d´un cas de contact linguistique dans le Rio Grande do Sul [Brésil], a lingüista italiana Florence Carboni discutiu exaustivamente, do ponto de vista sócio-linguístico e histórico, as dinâmicas e as razões lingüísticas e sociais profundas da perda crescente dos dialetos itálicos no Rio Grande do Sul. [37]

Novos olhares

A formação do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo, em 1999, ensejou que investigações sobre a história da imigração italiana, encetadas nessa mesma ótica revisionista, fossem materializadas nos quadros da linha de pesquisa Ocupação do Território e Movimentos Sociais desse programa.

Em 2001, em A Lei do silêncio: repressão e nacionalização no Estado Novo em Guaporé, Cláudia Mara Sganzerla desvelou cenários históricos em contradição com tradição oral e bibliográfica de uma forte repressão policial, quando da campanha nacionalizadora do Estado Novo, responsabilizada erroneamente pelo fim dos falares itálicos na região. [38]

Em 2002, em Ulisses va in América: história, historiografia e mitos da imigração italiana no Rio Grande do Sul [1875-1914], Dilse Piccin Cortese identificou e analisou os principais mitos historiográficos da imigração italiana, discutindo as razões e os sentidos profundos das afirmações sobre a mortalidade durante a travessia; o isolamento dos colonos nas matas; a ameaça das feras e bugres, etc. [39]

Demografia e sexualidade

De 2000 a 2002, também nos quadros da preparação de dissertação para obtenção do grau de mestre em história, Ismael Vanini empreendeu investigação singular sobre a demografia e a sexualidade da população colonial ítalo-gaúcha no município que levou o nome de seu avô, o primeiro e mais próspero comerciante da região.

O objeto inicial de sua pesquisa era inquirir, tendo como principal palco o município de Vanini, as conseqüências profundas da pregação sexofóbica e pró-natalista empreendida tradicionalmente pelo clero católico, apostólico e romano em toda a Região Colonial Italiana.

A reflexão sobre a queda da natalidade da RCI, a partir dos anos 1960, levou Ismael a ocupar-se do profundo hiato entre a aceitação formal, pela comunidade ítalo-gaúcha, da pregação e da orientação religiosa, e a prática objetiva de padrões comportamentais em clara dissonância com aquelas orientações.

A voz dos protagonistas

Para lançar luz sobre o fenômeno, Ismael mergulhou na documentação arquival e entrevistou idosos de ambos os sexos que abordaram, com generosidade, saudade e ressentimento os contextos e as realidades que determinavam a vida sexual e amorosa, em Vanini, quando eram ainda jovens.

Na sua investigação, Ismael rasgou o véu das narrativas hagiográficas e beatificantes para desvelar, por além da moral oficial, fortemente determinada por discurso religioso respeitado comumente apenas na forma, complexas trocas interpessoais nascidas, enraizadas e determinadas pelas práticas camponesas coloniais.

A leitura da dissertação de mestrado de Ismael Vanini O sexo, o vinho e o diabo: demografia e sexualidade na colonização italiana no Rio Grande do Sul. Vanini. 1906-1970 –, que tivemos o privilégio de orientar, de publicação prevista para os próximos meses, pela Editora da UPF, ensejará ao leitor inesperadas e agradáveis surpresas.

Setemin e messalinas

Entre as inesperadas revelações de Ismael destaca-se certamente a quase normalidade com que os jovens noivos pariam primogênitos prematuros, em geral rechonchudos e saudáveis, apelidados jocosamente pela comunidade de setemin – de sete meses.

Não será menor a surpresa do leitor ao se deparar com as lascivas Messalinas coloniais apresentadas por Ismael que, nos potreiros, celeiros e parrerais, por dons monetários, pequenos presentes ou pelo amor à arte, distribuíam favores sexuais, para o horror das esposas dos maridos adulterinos.

Esse e outros fenômenos analisados, nascidos e enquadrados por profundas determinações sócio-econômicas dessa sociedade camponesa,  sugerem liberdade sexual relativa significativamente mais ampla do que a comumente proposta. Registre-se que o romance histórico O quatrilho, inspirado nos sucessos ocorridos na Linha Tapera, no interior de Gramado, em 1907, e apoiado em um profundo e refletido conhecimento do autor sobre a região colonial, apresenta narrativas corroboradas e ampliadas pela investigação histórica de Ismael. [40]

Ignorância e sofrimento

Ismael desvela igualmente situação dolorosas, como as conseqüências terríveis de filhos nascidos de trocas incestuosas entre irmãos, que o autor aponta em boa parte como subproduto da desinformação sexual, na qual os jovens eram mantidos além mesmo do casamento, aspecto igualmente abordado por Ismael.

Explicações sobre os nascimentos; abortos; adultérios; práticas anti-concepcionais; homossexualidade; bestialismo masculino e feminino; etc. são temas dissecados a partir de ótica científica e respeitosa, com o permanente objetivo de desvelar e enriquecer, por além do mito, a sempre rica, e portanto contraditória, existência real das comunidades coloniais.

O sexo, o vinho e o diabo: demografia e sexualidade na colonização italiana no RS, de Ismael Vanini, desnuda aspectos estruturais semi-desconhecidos do passado colonial, exigindo poderosamente a necessidade de investigações que corrijam as narrativas tradicionais, desvelando tendencialmente a história profunda dessas comunidades que mantém ainda, em boa parte, ciosa, seus segredos.



[1] Cf. MAESTRI, Mário. Os senhores da Serra: a colonização italiana no Rio Grande do Sul. 2 ed. revista e ampliada. Passo Fundo: EdiUPF, 2001; WENCZENOVICZ, Thaís Janaína. Montanhas que furam as nuvens! Imigração polonesa em Áurea. RS. [1910-1945]. Passo Fundo: UPF Editora, 2002; TRAMONTINI, Marcos J. A organização social dos imigrantes: a colônia de São Leopoldo na fase pioneira. 1824-1850. São Leopoldo: EdUnisinos, 2000.

[2] Cf. FRANCO, Sérgio da Costa. Júlio de Castilhos e sua época. 3 ed. Porto Alegre: EdUFRGS, 1996. 178 pp.; MAESTRI, Mário. “O sentido da República Castilhista e da Revolução de 1893”. CEM. Os trabalhos e os dias: ensaios de estudos marxistas. Passo Fundo: EdiUPF, 2000. pp. 179-218.

[3] FAGUNDES, L.K. et al. Memória da indústria gaúcha (1889-1930). Porto Alegre: EdUFRGS; FEE, 1987; REICHEL, Heloisa J. A indústria têxtil do RS: 1910-1930. Porto Alegre: Mercado Aberto/IEL, 1978. 102 pp.; SINGER, Paul. Desenvolvimento econômico e evolução urbana. São Paulo: CEN, 1977.

[4] Cf. GOULART, Jorge Salis. A formação do Rio Grande do Sul. 3 ed. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1978. 208 pp.

[5] Cf. ANTONACCI, Maria Antonieta. RS: as oposições & a Revolução de 1923. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1981.

[6] Cf. MAESTRI, Mário & CANDREVA, Luigi. Antonio Gramsci: vida e obra de um comunista revolucionário. São Paulo: Expressão Popular, 2001.

[7] Cf. IOTTI, Luiza Horn. O olhar do poder: a imigração italiana no RS, de 1875 a 1914, através dos relatórios consulares. Caxias do Sul: EdUCS, 1996. 165 pp.; MAESTRI, Mário. "A ação fascista na região colonial gaúcha". Jornal RS, Porto Alegre, 19-20 de novembro de 1994. p.3.

[8] Cf. Cinquantenario della Colonizzazione Italiana nel Stato de Rio Grande del Sud. Porto Alegre: Globo, 1925. 2 Vol. 446 e 495 pp.

[9] "Nel nobile orgoglio che eleva i vostri animi, mentre sostate per contemplare i risultati della lunga e tenace fatica, io scorgo il segno della nobilissima stirpe che impresse un' orma imperitura nella storia dei Popoli." MUSSOLINI, Benito. "Agli italiani del Rio Grande del Sul". Cinquantenario [...]. Ob.cit. p. 19

[10] "Il Brasile non poteva, certamente, scegliere immigranti migliori; sia per la caratteristica di lavoratiri e risparmiatori tenaci, sia per il sobrano rispetto alle autoritá [...]."  GOBATO, Celeste. "Il colono italiano ed il suo contributo nello sviluppo dell'industria riograndense". Cinquatenario [...]. Ob.cit. p. 196.

[11]  "Con queste ammirevoli qualitá di salute fisica e morale, colla loro forte capacitá al lavoro, tenacitá e intelligente spirito di iniziativa, non desta affato meraviglia che i coloni italiani abbiano potuto realizzare, nel terreno economico, un´opera soperba, assicurando a sé e ai loro discendenti un´invidiabili prosperitá e dando alla terra che li ospita un contributo elevatissimo di progresso." TRUDA, Francisco de Leonardo. "L'influenza etnica, sociale ed economica della colonizzazione italiana nel Rio Grande del Sud". Cinquantenario [...]. Ob.cit. p.250.

[12] Cf. "Sacerdoti italinani che precedettero l´emigrazione". "La vita spirituale nelle colonie italiane dello Stato"; "Opera di sacerdoti e congregazioni italiana nel progresso religioso, nello sviluppo dell´arte, dell´istruzione e dell´assistenza nello Stato". "Cinquantenario [...]." Ob.cit. pp. 46-192.

[13]. Cf. CERVO, Amado Luiz. As relações históricas entre o Brasil e a Itália: o papel da diplomacia.  Brasília:  UNB; São Paulo, Istituto Italiano di Cultura, 1992. 261 pp.; SEITENFUS, Ricardo Antônio Silva. O Brasil de Getúlio Vargas: E a formação dos blocos: 1930-1942. O processo do envolvimento brasileiro na II Guerra Mundial. São Paulo: CEN; INL, Fundação Pró-Memória, 1985.

[14] Cf. FONSECA, Pedro C. D. Vargas: o capitalismo em construção. 1906-1954. São Paulo: Brasiliense, 1989. 480 pp.; IANNI, Octávio. Estado e capitalismo: Estrutura social e industrialismo no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.

[15] Cf. GIRON,  Loraine Slomp. As sombras do littorio:  o fascismo no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Parlenda,1994. 175 pp.

[16] Cf. Álbum comemorativo  do 75º aniversário da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1950; ANTUNES, Duminiense Paranhos. Documentário histórico do município de Caxias do Sul. 1875-1950. Comemorativo do 75º Aniversário da Colonização. São Leopoldo: Comércio e Indústria, 1950. pp.299.

[17] ANTUNES. Ob.cit. "Apresentação".

[18]. AZEVEDO, Thales. Italianos e gaúchos: os anos pioneiros da colonização italiana no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: A Nação/IEL, 1975. 310 pp.

[19] Cf. DE BONI, Luis Alberto. "20 anos de trabalhos sobre imigração italiana: uma retrospectiva". 120 Anos de Imigração Italiana. CHRONOS. Revista da Universidade de Caxias do Sul, V. 29, n 1, jan./jun. 1996, p. 111.

[20] AZEVEDO, Thales. [Orelha.] Id.ib.

[21] MANFROI, Olívio. A colonização italiana no Rio Grande do Sul: implicações econômicas, políticas e culturais. Porto Alegre: Grafosul; Instituto Estadual do Livro, 1975. 218 pp;

[22] Cf. FROSI, Vitalina Maria & MIORANZA, Ciro. Imigração italiana no nordeste do Rio Grande do Sul: Processos de formação e evolução de uma comunidade ítalo-brasileira. Porto Alegre: Movimento; Caxias do Sul, EdUCS, 1975; Dialetos italianos: um perfil lingüístico dos ítalo-brasileiros no nordeste do Rio Grande do Sul. Caxias do Sul: EdUCS, 1983. 525 pp. + XXII il.

[23] Cf. COSTA. "Imigração italiana, minha paixão de cada dia".  120 Anos de Imigração Italiana. ob.cit. p. 108.

[24] INSTITUTO SUPERIOR BRASILEIRO-ITALIANO DE ESTUDOS E PESQUISA. Imigração Italiana: Estudos. Anais do I e do II Forum de Estudos Ítalo-Brasileiros. [1975 e 1976]. Porto Alegre: EST; Caxias do Sul, UCS, 1979. 282 pp.

[25] Cf. COSTA, Rovílio. "Imigração italiana, minha paixão de cada dia". 120 Anos de Imigração Italiana. CHRONOS. Ob.cit. p. 107.

[26] MANFROI. A colonização [...]. Ob.cit. p. 8.

[27] id.ib. p. 157.

[28] Cf. CARBONI, Florence & MAESTRI, Mário. Mi son talian, grassie a Dio! Globalização, nacionalidade, identidade étnica e irredentismo lingüístico na RCI do RS. Passo Fundo: EdUPF, 1999. 75 pp.

[29]. LUZZATTO, Darcy Loss. ‘L mio paese ‘l´ è cosi. Porto Alegre: Luzzato, 1987.

[30] Cf. STÉDILE, João Pedro & FERNANDES, Bernardo  Mançano. Brava gente: La lunga marcia del Movimento Senza Terra del Brasile dal 1984 al 2000. Pistoia: Rete Resch, 2000. 209 pp.

[31] DE BONI. "20 anos [...]". ob.cit. p. 113.

[32] Cf. IANNI, Constantino. Homens sem paz : Os conflitos e os bastidores da imigração italiana. Rio de Janeiro/ Civilização Brasileira, 1972.

[33] Cf. SANTOS, José Vicente Tavares. Colonos do vinho: estudo sobre a subordinação do trabalho camponês ao capital. São Paulo: Hucitec, 1978.

[34] Cf. LAZZAROTTO, Valentim. Pobres construtores de riquezas. Caxias do Sul: EDUCS, 1981.

[35] Cf. MAESTRI, Mário. "História e literatura: o quatrilho". PRAXIS, Belo Horizonte, Minas Gerais, jun-out., 1996 n.7 , pp. 40-55.

[36] Cf. GIRON. As sombras do littorio : o fascismo no RS. Porto Alegre: Parlenda, 1994; MAESTRI, Mário. "A ação fascista na região colonial gaúcha". Jornal RS, Porto Alegre, 19-20 de novembro de 1994.

[37] CARBONI, Florence. Eppur si parlano! Etude diachronique d´un cas de contact linguistique dans le Rio Grande do Sul [Brésil]. Passo Fundo: EdUPF, 2002.

[38] SGANZERLA, Cláudia Mara. A Lei do silêncio: repressão e nacionalização no Estado Novo em Guaporé. [1937-1945]. Passo Fundo: UPF Editora; Porto Alegre: EST, 2001.

[39] Cf. CORTEZE, Dilse Piccin. Ulisses va in America:  história, historiografia e mitos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. [1875-1914]. Passo Fundo: EdUPF, 2002.

[40] Cf. POZENATO, José Clemente. O quatrilho. 8 ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1995; MAESTRI, Mário. "História e literatura: o quatrilho". PRAXIS, Belo Horizonte, Minas Gerais, jun-out., 1996 n.7 , pp. 40-55.

MÁRIO MAESTRI

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