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Revista Veja, o PT e as Tendências
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Por ANTONIO OZAÍ
DA SILVA
Professor da Universidade Estadual de Maringá; doutorando
na Faculdade de Educação (USP); autor de História
das Tendências no Brasil.
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Veja,
1774 - 23.10.02
De
tudo o que foi dito e escrito até agora sobre o futuro governo
Lula, chama a atenção o destaque que a imprensa concede ao que
ela denomina os radicais. A julgar pelo andar da
carruagem, a esquerda – petista ou não – terá espaço garantido
na pauta jornalística do próximo período. É claro que tanto a
imprensa tem todo o direito de tratar a ação e o discurso da esquerda
como notícia, como esta tem o direito de se fazer notícia. Afinal,
vivemos numa sociedade na qual torna-se imperativo aparecer na
mídia; na arte de fazer política é imprescindível tornar-se notícia.
Como diria Berkeley, “Ser é ser percebido”.
A necessidade de se fazer percebido,
de exprimir e marcar posições políticas, esconde armadilhas. A
imprensa sabe muito bem usar as palavras e o feitiço pode virar-se
contra o feiticeiro. Em outras palavras, a esquerda, crítica às
estratégias e políticas majoritárias (união nacional, pacto social,
novo contrato social etc.), se vê diante do dilema definido por
Max Weber em termos da opção entre a ética da convicção
e a ética da responsabilidade.
Se o governo Lula não conseguir equacionar
bem as necessidades reais, com as expectativas e as possibilidades,
fracassará. Parece-me evidente que isso não interessa à esquerda
petista e não-petista. Contudo, essa esquerda não se omitirá.
Fundada na ética da convicção, ela resgata os princípios
e as bandeiras de luta historicamente defendidas (será a consciência
crítica da política lulista) e apoiará as demandas populares (já
vimos esse filme nas administrações petistas municipais e estaduais).
A questão é: até onde essa esquerda está disposta a ir? Terá a
responsabilidade de reconhecer os limites determinados pela realidade
ou prevalecerá o voluntarismo político e a necessidade – inconsciente
ou consciente – de buscar crescer sobre os escombros de um possível
debilitamento da política hegemônica?
É previsível que, considerando-se
o campo da esquerda, a ênfase maior da crítica à postura petista
hegemônica venha de fora do partido: PSTU, PCO e outras forças
políticas. Afinal, são organizações também concorrentes. Isto
já ficou visível no primeiro turno com o PSTU e o PCO não poupando
críticas ao PT; e no segundo turno, com o primeiro declarando
o voto crítico a Lula e, o segundo, se posicionando pelo voto
nulo. Estão em seu direito! Talvez pelo desempenho no primeiro
turno, essas organizações não tiveram maior destaque por parte
da imprensa – a qual, em geral, confunde capacidade de mobilização
do movimento social com coeficiente eleitoral. O enfoque se deu,
então, em relação ao MST e às denominadas Tendências petistas.
É verdade que durante o período,
essas correntes políticas tiveram um procedimento que merece elogios
– pelo menos, do PT e de Lula. Temerosos de que suas palavras
pudessem gerar efeitos não desejados, em geral, se calaram quanto
às críticas à estratégia eleitoral petista (como na época da guerra
fria, a esquerda minoritária vive o dilema entre a necessidade
de se expressar e o receio de que suas críticas sejam usadas pelo
inimigo - ou mesmo classificada como a que faz o jogo do inimigo).
Diante do alarde da imprensa,
parcela da esquerda petista tem se pronunciado com cautela.
[1] Mas, outros setores, ainda que com
certo cuidado, se pronunciaram criticamente, em especial após
a definição da eleição. “As pessoas viram no Lula essa possibilidade
de mudança com paz e tranqüilidade, sem confronto, sem contrariar
os interesses de ninguém. A questão é debater se isso é possível.
Eu acho que não é possível”, afirmou a deputada federal eleita
(PT/RS), Luciana Genro. [2]
Observa-se que a esquerda petista
parece pisar em ovos. Ainda que concordem quanto ao essencial
divergem quanto à dosagem e a oportunidade da crítica. Ambos os
procedimentos são legítimos. Em política, toda e qualquer postura
tem o seu respectivo ônus. Será que essa regra também é válida
para a atividade do jornalista? É legítima a caça dos jornalistas
às declarações dos radicais – que podem render polêmicas
de papel e dividendos profissionais. O que é discutível é o uso
das fontes e do material que o jornalista obtém.
O profissional de mídia, como mostra
Bourdieu, é pressionado pela realidade do campo jornalístico (exigências
de venda e de lucro; pressão dos anunciantes, dos editores, situação
econômica; necessidade de prestígio etc). Por outro lado, eles
“exercem
uma forma raríssima de dominação: tem o poder sobre os meios de
se exprimir publicamente, e existir publicamente, de ser conhecido,
de ter acesso à notoriedade pública (o que, para os políticos
e para os certos intelectuais, é um prêmio capital).” (BOURDIEU,
1997: 66).
O jornalista é conhecedor do seu
poder e do poder da palavra. Seu trabalho está longe da imagem
idílica do profissional isento de valores políticos e sociais
(que interferem na interpretação que ele faz das fontes, no conteúdo
e na própria forma da sua apresentação). Nessa, e em todas as
atividades de cunho intelectual, a neutralidade axiológica, a
ciência restrita aos fatos, é uma falácia.
Contudo, os jornalistas tendem a
ver o seu trabalho apenas como registro dos fatos. Vivem na berlinda.
A distância entre o equívoco e a má fé pode ser mínima. No período
recente, a revista Veja, bem ao seu estilo, nos deu um
péssimo exemplo de como a pretensa cientificidade factual se presta
a objetivos escusos: refiro-me à matéria de capa, “O que querem
os radicais do PT” (edição nº 1774, de
23.10.02). Observemos bem o momento oportuno em que esse órgão
de imprensa lançou tal matéria e a forma como veladamente insinuou
a demonização do PT, inclusive com a caricatural e grotesca imagem
de capa (um cão monstruoso com três cabeças, representando Marx,
Lenin e Trotsky, à maneira do mitológico Cérbero, que guarda o
portão do inferno). Se o intuito da revista era induzir ao medo,
não obteve sucesso. Se o objetivo foi jogar o eleitor contra a
esquerda petista, escolheu muito mal a forma. Foi uma peça de
cabonitismo.
De qualquer maneira, é emblemático
como esse tipo de imprensa trata a esquerda: em seu discurso pretensamente
democrático aceita a crítica, desde que restrita a certos padrões
e limites; quem escapa ao figurino é assemelhado ao mal, ao cão-tinhoso.
O grande John Locke também defendeu a liberdade e condenou a intolerância
religiosa, à exceção dos ateus. “Os que negam a existência
de Deus não devem ser de modo algum tolerados”, escreveu.
(LOCKE, 1978: 23)
A liberal e democrática
Veja, de 30 de outubro último, registra que recebeu 964
comentários sobre a matéria em questão. “Veja gostaria de registrar
com orgulho que a reportagem não mereceu um único reparo factual
dos leitores que escreveram contra ou a favor de sua publicação”,
afirma. (Carta ao leitor, p. 9)
O jornalista que assina a matéria
também deve estar muito orgulhoso do seu papel. Semanas antes
da sua publicação, ele telefonou-me solicitando uma entrevista
sobre o tema. Conhecedor do estilo “Veja”, concordei em
conceder a entrevista, desde que por escrito. Conforme combinado,
ele enviou as perguntas, às quais respondi por email (30.09.02).
Para conhecimento e análise do leitor, reproduzo abaixo
as perguntas e respostas:
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Jornalista:
Desde meados dos anos 90 e principalmente depois da aprovação
do novo estatuto do PT, as tendências parecem ter perdido
força e importância no interior do partido. Por que isso
aconteceu? (caso não concorde com essa afirmação, por favor
explique por quê).
R.:
Não penso que as tendências tenham perdido força e importância
no interior do partido. Simplesmente, ocorreu um processo
de acomodação interna, processo este iniciado com o V Encontro
Nacional (1987) e a Regulamentação de Tendências: aquelas
que aceitaram o jogo, isto é, permanecer no PT, enquanto
correntes internas reconhecidas, adaptaram-se às exigências
estatutárias. O que parece-me correto, já que o PT colocou-se
como tarefa constituir-se num partido e não numa frente
de organizações. Quem não se adaptou, saiu ou foi expulso.
É o caso da Convergência Socialista e da Causa Operária.
Mas, o PT permanece um partido plural e democrático, com
a presença de diversas forças internas - como é, em geral,
todo partido que se pretenda democrático e que não adote
procedimentos stalinistas. O que ocorreu é que a disputa
interna perdeu o élan dos anos 80 - embora a imprensa continue
dando um peso exagerado às disputas internas do PT, como
se isto ocorresse apenas com o PT ou, o pior, como se isto
não fosse próprio de um partido democrático.
Por
outro lado, o partido teve que se voltar para o exercício
de importantes administrações e as Tendências, mesmo que
se autodenominam socialistas, não ficaram imunes a esse
processo. Também elas foram incorporadas nas gestões petistas.
Outro fator a considerar é que a maior parte das lideranças
públicas petistas não pertencem às correntes minoritárias.
E são essas lideranças que aparecem na mídia, o tempo todo.
Assim, fica a impressão de que as tendências foram aniquiladas.
Engano. O momento é outro e as tendências que optaram por
ficar no PT adaptaram-se aos novos tempos, sem, é claro,
abandonarem a retórica do discurso socialista - mais voltado
para a disputa interna ou para a legitimação dos seus candidatos
no campo da esquerda petista e não-petista.
Jornalista:
Ainda é possível identificar claras distinções entre
O Trabalho, Força Socialista, Democracia Socialista e Articulação
de Esquerda? Em linhas gerais, quais seriam elas?
R.:
Para compreender as diferenças entre as tendências é preciso
resgatar a história, suas origens e evolução. Em certos
casos, como por exemplo, nas correntes assumidamente trotskistas,
as divergências têm fundo até mesmo internacional. Portanto,
ainda que conjunturalmente as tendências estejam de acordo
sobre determinadas posições e propostas políticas, estruturalmente,
mantém divergências. Do contrário, caminhariam para uma
fusão - processo que só ocorre quando as divergências de
cunho ideológico, histórico e concepção estratégica são
superadas.
Jornalista:
As tendências hoje em dia representam a ala esquerda
do PT, ou os chamados grupos "radicais". Você
concorda com essa denominação?
R.:
Primeiro é preciso definir o que é tendência. Inicialmente,
a Articulação 113 (nos anos 80) desenvolveu a tese, comprada
pela mídia, de que Tendências eram os outros, os que supostamente
'vestiam duas camisas'. Ora, a partir do momento que a Articulação
se organizava para combater as demais tendências, também
ela se constituía em Tendência. Um dos grandes avanços no
PT foi o fato da articulação se reconhecer como Tendência.
Isto permitiu a construção partidária numa perspectiva unitária
- no sentido de ser um partido e não uma frente de Tendências.
O PT abriu-se para a contribuição de todos, aceitando inclusive,
a proporcionalidade nas suas direções executivas - reivindicação
considerada como heresia.
Em
segundo lugar, é preciso observar que toda organização política
tende a desenvolver alas divergentes: a esquerda, a direita
e o centro. Isso só não acontece nos partidos monolíticos
e, por um motivo simples: os militantes que divergem são
expulsos ou aniquilados fisicamente. A existência de uma
esquerda petista é, portanto, um fato compreensível e saudável
- não só para o PT, mas para a própria democracia brasileira.
Um partido que não tenha setores que elaborem a crítica
interna, vai a reboque do líder ou dos líderes. E, os líderes
erram. É preciso alguém para opor-lhes uma outra política
e fazer-lhes ver os lados negativos da política implementada.
Isso não significa que a esquerda não erre. Mas é nesse
confronto político que se pode corrigir erros, de um lado
ou de outro. A democracia brasileira só tem a ganhar com
a esquerda petista e também com a esquerda fora do PT (eles
expressam a consciência crítica em relação à política majoritária).
Quanto
ao termo 'radical', penso que a imprensa em geral o usa
de forma pejorativa e negativista. Radical tem também um
significado positivo: ir à raiz dos problemas; tratar do
que é fundamental, básico e essencial. Ora, neste sentido,
e considerando o grau de desigualdade e injustiças sociais
em nosso país, ser radical é uma necessidade.
Jornalista:
Há quem diga que a bandeira socialista, hoje em dia,
só é carregada no PT por grupos como O Trabalho e Força
Socialista. Você concorda?
R.:
Primeiro, seria preciso discutir qual socialismo (aliás
uma das questões que explicam as divergências entre as Tendências,
ainda que concordem sobre questões pontuais). Não há o socialismo,
mas os socialismos. E mesmo que fosse possível restringir
todo o processo histórico vivenciado pela humanidade desde
o século XIX a uma única postura político-ideológica, seria
preciso aniquilar os que pensam o socialismo de forma diferente.
Não é preciso ser petista para ser socialista; como também
não é preciso pertencer a esta ou àquela corrente, ou a
este ou àquele partido para se definir pelo socialismo.
Jornalista:
Num eventual governo Lula, qual você acha que seria o
espaço de influência das tendências petistas?
R.:
Um eventual governo Lula será majoritariamente composto
por lideranças vinculadas ao mesmo e por pessoas oriundas
das forças com as quais o PT se aliou. Não devemos esquecer
que as Tendências não são elementos estranhos ao PT, mas
parte componente do mesmo. Enquanto tal, elas também serão
responsabilizadas pelo sucesso ou fracasso deste governo.
As divergências não anulam a necessidade de administrar
o país. E em minha opinião, como acontece nas administrações
petistas atuais, todos serão chamados a contribuir. Ao contrário
dos que acham que a esquerda petista pode ser um elemento
desestabilizador num provável governo Lula - e que, em nome
de argumentos democráticos, praticamente exigem a 'depuração'
- penso que a esquerda petista se adaptará às necessidades
criadas pelo gigantesco desafio de administrar um país como
o nosso e sua postura crítica, quando for necessário, será
uma contribuição decisiva para a correção de rumos, no sentido
de que um eventual governo Lula não repita o que fez De
la Rua na Argentina. A frustração com uma administração
petista ampliará o descrédito e a apatia das pessoas na
política e nos políticos e abrirá brechas para os eternos
'salvadores da pátria'. Lula, é claro, enfrentará pressões
à esquerda e à direita - dentro e fora do PT. Mas, qual
a novidade? Não é assim que deve funcionar a democracia?
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Convido
o leitor a refletir! A revista se orgulha de ser factual, mas
produz uma peça de acusação. O arguto leitor há de perceber que
o autor da matéria, em nome dos fatos, faz a sua interpretação
da esquerda petista – que, a começar pela ilustração é de péssimo
mau gosto. Ele não usou e não fez referência à fonte consultada.
Por que? Por um motivo muito simples: não encontrou argumentos
para reforçar a leitura factual que fez. E a revista ainda
se orgulha da sua cientificidade! O autor e a revista tem o direito
de adotar uma linha política e fazer a sua leitura dos fatos.
Contudo, imagino que o trabalho jornalístico sério leva em conta
outras leituras e não se esconde atrás de argumentos pretensamente
factuais. Considerando o teor da matéria publicada, só nos resta
agradecer ao autor por ter omitido a entrevista e, assim, nos
livrado de qualquer mal-entendido. No mais, sua atitude apenas
reforçou o conceito que temos da revista.
Honoré de Balzac não tinha muito
em conta os jornalistas. Monarquista, o célebre autor de Ilusões
Perdidas, era da opinião de que o governo deveria coibir a
atividade jornalística. É certo que sua antipatia tinha muito
a ver com a forma como foi tratado enquanto escritor e também
pelo seu descontentamento em relação à desempenho dos jornais
diante da queda dos Bourbons. Mas, também é vero que ele sabia
bem do que falava, pois, conhecia profundamente o ambiente e os
segredos dos jornais.
Como poucos, Balzac percebeu a capacidade
de concentração de imenso poder nas mãos da imprensa e os riscos
inerentes à sua ação. Seus personagens retratam de forma exemplar
o contexto da época (século XIX) e, através deles, Balzac tece
a crítica mordaz à mídia escrita e aos seus profissionais. Um
dos seus personagens, um diplomata alemão, referindo-se aos jornalistas,
afirma:
“Parece-me
que ceio com leões e panteras que me fazem a honra de aveludar
as patas.” (BALZAC, 1978: 174)
Trava-se, então, um interessante
diálogo, o qual expressa de maneira admirável a percepção balzaquiana
sobre os jornais e os jornalistas. Vejamos alguns trechos:
“O
jornal em vez de ser um sacerdócio, tornou-se um meio para os
partidos, e de um meio passou a ser um negócio. Não tem fé nem
lei. Todo jornal é, como disse Blondet, uma loja onde se vende
ao público palavras da cor que se deseja. Se houvesse um jornal
dos corcundas, haveria de provar, noite e dia, a bondade, a necessidade
dos corcundas. Um jornal não é feito para esclarecer, mas para
lisonjear as opiniões. Desse modo, todos os jornais serão, dentro
de algum tempo, covardes, hipócritas, infames, mentirosos, assassinos.
Matarão as idéias, os sistemas, os homens e, por isso mesmo, hão
de tornar-se florescentes. Terão a vantagem de todos os seres
pensantes: o mal será feito sem que ninguém seja culpado.” (Id.:
175)
Podemos argumentar, é claro, que
a despeito do poder dos jornais, - poder de destruir ou edificar
a reputação dos indivíduos, de influir sobre as opções e os rumos
políticos de uma nação – , a sociedade cria mecanismos de controle
e a própria mídia desenvolve códigos de auto-controle. Balzac
era cético em relação a essas possibilidades. Claude Vignon, seu
personagem, expressa bem seu ceticismo:
“Se
o jornal inventa uma calúnia infame, foi alguém que lha sussurrou.
Com o indivíduo que se queixa, ficará quite pedindo desculpas
pela grande liberdade. Se for chamado aos tribunais, queixar-se-á
de que não lhe foi pedida retificação alguma: vá, porém, alguém
pedí-la, e ele há de recebê-la rindo; chamará seu crime de bagatela.
Enfim, achincalhará a vítima quando esta triunfar. Se for punido,
se tiver que pagar pesada multa, há de assinalar o queixoso vencedor
como inimigo da liberdade, do país e das luzes. Dirá que o senhor
fulano é um ladrão, ao explicar que é o mais honesto dos homens
do reino. Desse modo, seus crimes são bagatela! Seus agressores,
uns monstros! E pode, ao fim de algum tempo, fazer acreditar tudo
o que quiser às pessoas que o lêem todos os dias.” (Id.)
Balzac equivocou-se quanto à supressão
da liberdade de imprensa. Mas, suas palavras ilustram muito bem
um certo tipo de jornalismo que persiste até o presente.
ANTONIO
OZAÍ DA SILVA
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NOTAS
[1]
É
o caso, por exemplo, da Articulação de Esquerda
que divulgou a seguinte nota:
"Nota da Articulação
de Esquerda
Aos militantes do PT
O Globo On Line divulgou, nesta terça-feira, 29 de outubro
de 2002, uma matéria intitulada "Esquerda quer negociar
em bloco com direção do PT". Anteriormente,
outros jornais e revistas publicaram matérias de mesmo
sentido. Diante disto, achamos necessário esclarecer
o seguinte:
1.A
eleição do presidente Luís Inácio
Lula da Silva foi obra da maioria do povo brasileiro, com expressiva
participação da militância do Partido dos
Trabalhadores.
2.Todas
as tendências existentes no interior do PT participaram
ativamente da campanha presidencial, ajudando a impor uma contundente
derrota ao governo neoliberal.
3.O
PT e o conjunto de seus militantes e tendências são
coletivamente responsáveis pelos rumos do futuro governo
Lula.
4.Não
fomos convidados, não participamos e não achamos
adequada a reunião citada por Globo On Line, nem tampouco
reunião semelhante, divulgada anteriormente pela Folha
de S.Paulo e outros órgãos de imprensa.
5.Não
está posta, para nós, a discussão sobre
"participar ou não" em um governo conquistado
pela maioria do povo brasileiro e pelo conjunto do Partido dos
Trabalhadores.
6.O
presidente eleito, que tem a prerrogativa de compor sua equipe,
já anunciou que o fará a partir de consultas aos
partidos que integram a coligação vitoriosa e
a outros segmentos da sociedade.
7.A
executiva nacional do PT, que deve reunir-se no dia 4 de novembro,
e o Diretório Nacional do Partido, que deve reunir-se
no final do mesmo mês, constituem os espaços adequados
para a manifestação das diferentes opiniões
existentes acerca dos rumos e da composição do
futuro governo.
8.
As diferenças programáticas, estratégicas
e táticas existentes no interior do PT seguem existindo.
À esquerda petista cabe tornar hegemônicas, no
contexto radicalmente novo criado a partir da eleição
de Lula, as posições democrático-populares
e socialistas.
São
Paulo, 30 de outubro de 2003
Assinam,
em nome da direção nacional da Articulação
de Esquerda, Iriny Lopes (deputada federal, PT-ES), Marlene
Rocha (executiva nacional do PT), Múcio Magalhães
(diretório nacional do PT), Valter Pomar (executiva nacional
do PT)". In: Expresso Zica, 75, 01 a 08.11.02.
Referências
Bibliográficas
BALZAC,
Honoré de. Ilusões Perdidas. São Paulo, Abril
Cultural, 1978.
BOURDIEU,
Pierre. Sobre a Televisão. Rio de Janeiro, Jorge Zahar
Ed., 1997.
LOCKE,
John. Carta Acerca da Tolerância [e outros textos].
São Paulo, Abril Cultual, 1978.
WEBER,
Max. Ciência e Política: duas vocações.
São Paulo,
Cultrix, 1993.
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