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HERMAN GORTER
- TEXTOS CLÁSSICOS |
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(Carta
aberta ao companheiro Lenin)
Herman Gorter
(...) Ainda
falta defender a Esquerda contra você em relação
à questão do parlamentarismo.A linha de esquerda. também em relação a esta questão.
Baseia-se nas mesmas razões gerais e teóricas
levantadas quanto à questão sindical: isolamento
do proletariado, enorme poderio do inimigo, necessidade de a massa se educar
à altura de sua tarefa, de, antes de tudo, só
acreditar nela mesma, etc. Não preciso expor
novamente todas estas razoes.
Mas neste ponto,
e em relação à questão sindical, ainda existem
razões suplementares.
Para começar:
os operários e. em geral, as massas trabalhadoras
da Europa Ocidental estão totalmente sob a dependência
ideológica da cultura burguesa, das concepções
burguesas e, em conseqüência, do sistema representativo
e do parlamentarismo burguês, da democracia burguesa,
num nível muito mais alto que os operários da
Europa Oriental.
Entre nós a
ideologia burguesa tomou conta de toda a vida
social e, em conseqüência. também da vida política,
peneirando profundamente na cabeça e no coração
dos operários. E neste quadro que foram educados,
cresceram, e isto já há muitos séculos. Eles estão saturados
pelas concepções burguesas.
O companheiro Pannekoek descreve muito apropriadamente a
situação na revista Comunismo, publicada em Viena
“A experiência alemã nos coloca frente ao grande problema
da revolução na Europa Ocidental. Nestes países
o modo de produção burguês e a sua cultura secular altamente
desenvolvida marcaram profundamente a maneira
de sentir e de pensar das massas populares.
Por isso o seu caráter íntimo e espiritual é
completamente diferente do que existe nos países
orientais que nunca conheceram a dominação burguesa.
E é nisto que reside, antes de tudo, a diferença
do processo revolucionário a leste e a oeste
da Europa. Na Inglaterra, França, Holanda, Escandinávia,
Itália. Alemanha, uma forte burguesia florescia
desde a Idade Média, na base de uma produção
pequeno-burguesa e capitalista primitiva. E,
quando se derrubou o feudalismo, desenvolveu-se
igualmente no campo uma classe forte e independente
de camponeses, que se tornou senhora de sua
própria pequena economia. Nesta base desenvolveu-se
a vida espiritual burguesa numa sólida cultura
nacional. Isto ocorreu principalmente nos Estados
litorâneos como a Inglaterra e a França, que
tomaram a dianteira do desenvolvimento capitalista.
Sujeitando o conjunto da economia à sua direção,
vinculando mesmo as fazendas mais longínquas
à esfera de sua economia mundial, o capitalismo,
durante o século XIX, elevou o nível da cultura
nacional, refinou-a, e através de seus meios
espirituais de propaganda — a imprensa, a escola e a igreja — forjou com
base neste modelo o cérebro popular, tanto no
que se refere às massas proletarizadas atraídas
para a cidade como em relação às que ficaram
no campo.
“Tais considerações são válidas não somente para os países
de origem do capitalismo mas também. embora
sob formas um pouco diferentes, para a Austrália
e a América, onde os europeus fundaram novos
Estados, da mesma forma que para os países da
Europa Central, como a Alemanha, a Áustria e
a Itália, onde o novo desenvolvimento capitalista
pôde se enxertar na antiga economia retardatária
e na cultura pequeno-burguesa, O capitalismo,
quando penetrou nos países da Europa do Leste,
encontrou um material e tradições inteiramente
diferentes. Na Rússia, na Polônia. na Hungria
e nos países a leste do Elba não se encontra
mais uma burguesia forte para dominar tradicionalmente
a vida espiritual. A situação agrária, caracterizada
pela grande propriedade fundiária, pelo feudalismo
patriarca e pelo comunismo de aldeia, dava o
tom à ideologia.”
Frente ao problema
ideológico, o companheiro Pannekoek tocou a nota
certa nesta citação. Muito melhor do que nós,
ele demonstrou ao nível ideológico a diferença
entre a Europa Ocidental e a Oriental, revelando,
deste ponto de vista, a chave de uma tática revolucionária
para a Europa Ocidental.
Se se estabelece
a ligação disso com a causa material da força
inimiga, ou seja, com o capital financeiro, então
o conjunto da tática torna-se claro.
No entanto,
pode-se dizer mais a respeito do problema ideológico.
A liberdade burguesa, a força do parlamento, foram
conquistas das gerações anteriores, dos antepassados,
em sua luta libertadora na Europa Ocidental; conquista
utilizada pelos proprietários, mas realizada pelo
povo. A lembrança destas lutas é ainda uma tradição
profundamente enraizada no sangue do povo. De
fato, uma revolução é a lembrança mais profunda
de um povo. O raciocínio de que ser representado
no parlamento representa uma vitória atua inconscientemente
como uma força imensa e tranqüila. Isto é sobretudo
válido para os velhos países de burguesia, onde
houve longas e constantes lutas pela liberdade:
na Inglaterra, na Holanda e na França. E também,
mas numa medida menos, na Alemanha, na Bélgica
e nos países escandinavos. Um habitante da Europa
Oriental não pode provavelmente imaginar a força
que pode assumir esta influência.
Além disso,
os operários lutaram aqui, freqüentemente durante
muitos anos, pelo sufrágio universal, e o conquistaram
na luta, direta ou indiretamente. A vitória produziu
resultados na época. São generalizados o pensamento
e o sentimento de que ter representantes no parlamento
burguês, atribuindo-lhes a defesa de seus próprios
interesses, constitui uma vitória e um progresso.
Não se deve também subestimar a força desta ideologia.
E, finalmente,
a classe operária da Europa Ocidental caiu no
reformismo sob a direção dos parlamentares que
a conduziram à guerra, à aliança com o capitalismo.
A influência do reformismo também é gigantesca.
Por todas estas razões o operário tornou-se escravo
do parlamento, deixando-o agir sem controles.
O próprio operário não atua mais.
Sobrevém a revolução.
Agora ele próprio deve fazer tudo. O operário
deve lutar sozinho. comando apenas com
sua classe, contra o tremendo inimigo, deve travar
a luta mais terrível de todos os tempos. Nenhuma
tática de dirigente pode ajudá-lo. Todas as classes
formam uma muralha abrupta diante dele, e nenhuma
está com ele. Ao contrário, se ele se abandona
aos seus dirigentes ou a outras classes no parlamento,
um grande perigo o ameaça — o de voltar a cair
em sua antiga fraqueza, deixando os dirigentes
agirem por conta própria, o de se perder no sonho
de que outros podem fazer a revolução por ele,
o de ir a reboque das ilusões, o de continuar
dominado pela ideologia burguesa.
Esta atitude
das massas em relação aos dirigentes é também
muito bem descrita pelo companheiro Pannekoek:
“O parlamentarismo
é a forma típica da luta mediada por dirigentes,
em que as massas desempenham um papel secundário.
Sua prática consiste no fato de que deputados,
personalidades particulares, travam a luta essencial.
Eles devem, em conseqüência. despertar nas massas
a ilusão de que outros podem travar a luta por
elas. Antigamente, acreditava-se que os dirigentes
poderiam obter reformas importantes para os
operários através da via parlamentar, prevalecendo
mesmo a ilusão de que os parlamentares poderiam
realizar a revolução socialista através de medidas
legislativas. Hoje, na medida em que o parlamentarismo
tem um ar mais modesto, avança-se o argumento
de que os deputados podem lazer uma grande propaganda
pelo comunismo no parlamento. Mas sempre a importância
decisiva é atribuída aos dirigentes. Naturalmente,
encontram-se nesta situação os profissionais
que dirigem a política – se necessário sob o
disfarce democrático das discussões e resoluções
de congressos. A história da social-democracia
é, deste ponto de vista, uma lição de tentativas
inúteis no sentido de que os próprios membros
do partido determinem a linha política. Sempre
que o proletariado luta pela via parlamentar
isto é inevitável, e a situação permanecerá
a mesma enquanto as massas não criarem órgãos
para a sua própria ação, ou seja, enquanto a
revolução estiver ainda por vir. Mas logo que
as próprias massas entram em cena, para decidir
e agir, os defeitos do parlamentarismo pesam
na balança.
“O problema
da tática consiste em encontrar os meios de
extirpar a mentalidade tradicional burguesa
que domina a sociedade e enfraquece as forças
da massa dos proletários. Tudo o que fortalece
novamente a concepção tradicional é nocivo.
O aspecto mais firme, mais persistente desta
mentalidade é exatamente sua dependência em
relação aos dirigentes, aos quais os operários
entregam a solução de todas as questões gerais,
a direção de seus interesses de classe. O parlamentarismo
tende inevitavelmente a paralisar a atividade
das massas necessária à revolução. Podem-se
proferir belos discursos para despertar a ação
revolucionária! A atividade revolucionária não
se alimenta de tais frases, mas apenas da dura
e difícil necessidade, quando não há outra saída.
“A revolução
exige ainda algo mais que o combate das massas,
capaz de derrubar um sistema governamental sabemos
que isto não pode ser provocado, mas deverá
originar-se na necessidade profunda das massas.
A revolução exige que o proletariado assuma
as grandes questões da reconstrução social,
as decisões mais difíceis, a revolução exige
que o proletariado assuma integralmente o movimento
criador. E isto é impossível se, de início,
a vanguarda, e depois as massas, sempre e cada
vez mais amplas, não tomarem as coisas em suas
mãos, não se considerarem como responsáveis,
não se dedicarem a tentar, a fazer a propaganda,
a lutar, a procurar, a pensar, a pesar, a ousar
e a executar até o fim. Mas tudo isto é difícil
e penoso. Enquanto a classe operária for levada
a acreditar na possibilidade de um caminho mais
fácil onde outros atuem em seu lugar — conduzam
a agitação de uma tribuna elevada, tomem decisões,
dêem o sinal para a ação, façam leis – ela vacilará
e ficará passiva sob o peso da velha mentalidade
e das velhas debilidades.”
Os operários
da Europa Ocidental devem – é preciso repetir isto
mil vezes e, se for necessário, cem mil, um milhão
de vezes (e quem não compreendeu isto e não aprendeu
esta lição dos acontecimentos desde novembro de
1918 é um cego, mesmo se tratando de você, companheiro), os operários
do Ocidente devem agir, antes de tudo, por sua própria
conta, não somente no terreno sindical, mas também
no terreno político. Porque eles estão sós
e nenhuma astúcia tática dos dirigentes poderia
ajuda-los. A maior força de impulsão deve surgir
deles mesmos. Aqui, pela primeira vez, num nível
mais alto que na Rússia, a emancipação da classe
operária será obra dos próprios operários. É por
isto que os companheiros da “esquerda” têm razão
quando dizem aos companheiros alemães: não participem
das eleições, boicotem o parlamento. Politicamente
é preciso que vocês próprios façam tudo. Vocês não
serão vitoriosos enquanto não tiverem consciência
desta verdade e não agirem em conseqüência. Vocês
apenas vencerão se agirem assim durante dois, cinco,
dez anos esforçando-se homem por homem, grupo por
grupo, em cada cidade, em cada província, enfim,
em todo o país, como Partido, como União, como Conselhos
de Fábrica, como Massa. como Classe. Através do
exemplo e da luta sempre renovados, através das
derrotas, a grande maioria de vocês acabará formando
um bloco e poderá, depois de ter passado por esta
escola, constituir uma massa grande e homogênea.
Mas os companheiros, os esquerdistas do KAPD, teriam cometido
um grave erro se houvessem defendido esta linha
apenas em palavras, pela propaganda. Na questão
política, a luta e o exemplo têm ainda mais importância
que na questão sindical.
Os companheiros do KAPD tinham pleno direito e obedeciam
a uma necessidade histórica quando se separaram
rapidamente do Spartacusbund, “rachando” com ele,
ou melhor, com a sua central — quando esta
não quis mais desenvolver esta propaganda. De
fato, o proletariado alemão e os operários da
Europa Ocidental precisavam, antes de tudo, de
um exemplo. Era necessário, no quadro de um povo
de escravos políticos, no mundo de oprimidos da
Europa Ocidental, surgir um grupo exemplar de
combatentes livres, sem dirigentes, ou seja, sem
dirigentes à moda antiga. Sem deputados no parlamento.
E isto, sempre, não porque fosse belo ou bom, ou porque
dessa forma fosse heróico ou maravilhoso, mas
porque o povo trabalhador alemão e ocidental está
só nesta terrível luta, não podendo esperar nenhum
apoio das outras classes ou da inteligência dos
dirigentes. Uma única coisa
pode defendê-lo, a vontade e a decisão das massas,
homem por homem, mulher por mulher, em bloco.
A esta tática,
baseada em razões tão profundas, opõe-se a participação
no parlamento, que só pode ser nociva à linha
correta; e o prejuízo é infinitamente maior que
à pequena vantagem da propaganda. (proporcionada
pela tribuna parlamentar). É por isso que
a esquerda recusa o parlamentarismo.
Você afirma
que o companheiro Liebknecht poderia, se estivesse vivo,
fazer um trabalho maravilhoso no Reichstag. É o que nós negamos. Ele não
poderia manobrar politicamente num lugar onde
todos os partidos da grande e da pequena burguesia
fazem frente contra nós. E ele assim não ganharia
melhor as massas do que fora do parlamento. Ao
contrário, grande parte da massa ficaria satisfeita
com seus discursos, e sua presença no parlamento
seria portanto nociva.
Sem dúvida um
tal trabalho da “esquerda’ durará anos e as pessoas
que desejam, por uma razão qualquer, êxitos imediatos,
importantes cifras de adesões e de votos, grandes
partidos e uma poderosa Internacional (em aparência),
deverão esperar ainda muito tempo. Mas estarão
satisfeitos com esta tática os que entendem que
a vitória da revolução na Alemanha e na Europa
Ocidental só será realidade se a maioria, se a massa dos operários,
começar a ter confiança em si mesma.
Companheiro,
você conhece o individualismo burguês da Inglaterra,
sua liberdade burguesa, sua democracia parlamentar,
da forma
como se desenvolveram durante seis ou sete séculos?
Da forma como realmente são: infinitamente diferentes
da situação na Rússia? Você sabe como estas idéias
estão profundamente enraizadas em cada indivíduo,
inclusive nos proletários, na Inglaterra e nas
colônias? Você conhece esta estrutura unificada
num imenso conjunto? Sua importância geral, na
vida social e pessoal? Acho que nenhum russo,
nenhum europeu do Leste, conhece esta situação.
Se vocês a conhecessem, vocês admirariam os operários
ingleses que ousam se levantar radicalmente contra
este imenso edifício, contra a maior construção
política do capitalismo em todo o mundo.
Para chegar
a esta atitude, no caso de ela ser plenamente
consciente, não é sem dúvida necessário um sentido
revolucionário mais apurado que o possuído pelos
que romperam em primeiro lugar com o czarismo?
A ruptura com o conjunto da democracia inglesa
já significa o
embrião da revolução inglesa. Porque esta ação
se realiza com a mais firme decisão, como corresponde
a uma Inglaterra alicerçada num passado histórico
gigantesco e de poderosas tradições. Porque o
proletariado inglês representa a maior força (é
o mais forte do mundo, proporcionalmente). Reparem
que ele se levanta de repente frente à burguesia
mais forte do mundo, que ele se levanta com todas
as forças e repudia rapidamente toda a democracia
inglesa, embora em seu país a revolução ainda
não esteja à vista.
A sua vanguarda,
a esquerda, já fez tudo isto, assim como a vanguarda
sabe que a classe operária está isolada, não podendo
esperar apoio de nenhuma outra classe na Inglaterra,
que o próprio proletariado, antes de tudo, deve
lutar e vencer com sua vanguarda e não por intermédio
de seus dirigentes.
O proletariado
inglês mostra, pelo exemplo de sua vanguarda,
como quer lutar: sozinho contra todas as classes
da Inglaterra e de suas colônias.
E, mais uma vez, age como
a vanguarda alemã: dando o exemplo. Criando um partido comunista que repudia
o parlamento, gritando para toda a classe operária
da Inglaterra: rompam com o parlamento, símbolo
da força capitalista. Formem o seu próprio partido
e suas próprias organizações por fábrica. Contem
somente com vocês mesmos.
Este orgulho
e esta dignidade nascidos no seio do maior capitalismo deveriam afinal vir á tona na Inglaterra. E logo que a ação começou, já se torna homogênea.
Companheiro,
foi um dia histórico, quando, no mês de junho,
durante uma assembléia, fundou-se o primeiro
partido comunista, rompendo com toda a construção e a organização
do Estado em vigor há sete séculos. Eu desejaria
que Marx e Engels estivessem presentes. Penso
que eles teriam sentido um imenso prazer se pudessem
ver aqueles operários ingleses repudiar
o Estado inglês, protótipo de todos os Estados
burgueses do mundo, centro e fortaleza do capital
mundial já há séculos, dominando em terço da humanidade,
se eles pudessem vê-los repudiar este Estado e
seu parlamento.
É tanto mais
razoável adotar esta tática na Inglaterra quanto
sabemos que o capitalismo inglês está decidido
a apoiar o capitalismo em todos os demais países,
e certamente não vacilará em chamar tropas de
todas as partes do mundo contra qualquer proletariado
estrangeiro e particularmente contra o seu. A luta do proletariado inglês é portanto
uma luta contra o capitalismo mundial. Mais uma
razão para que o comunismo inglês dê o exemplo
mais elevado e mais claro, para que ele apóie
de forma exemplar a causa do proletariado com
sua luta e seu exemplo.
Deveria haver, assim, e
sempre, um grupo que assumisse todas as
conseqüências de sua posição na luta, Os grupos deste tipo são o sal da humanidade. (...)
Transcrito
de: Herman GORTER. Carta aberta ao companheiro
Lenin. (Resposta do autor a Esquerdismo,
Doença Infantil do Comunismo, de Lenin).
In: TRAGTENBERG, Maurício. (Org.) Marxismo
Heterodoxo. São Paulo, Brasiliense, 1981,
pp. 45-54. (Tradução de Daniel Aarão Reis
Filho)
Herman Gorter (1864/1927): militante revolucionário, poeta
de renome e teórico marxista na Holanda. Fez
parte do grupo articulado em torno do jornal
De Tribune e foi fundador do Partido Social-Democrático
de Esquerda em 1909. Internacionalista e pacifista
durante a guerra de 1914-18, ligou-se a esquerda
que promoveu a Conferência de Zimmerwald,
influenciando com seus textos os espartaquistas
alemães reunidos em torno de Liebknecht e
Rosa Luxemburgo. Aderiu ao Partido Comunista
Holandês e participou do Bureau de Amsterdan
em 1920. Adversário da ação parlamentar e
da participação dos comunistas nos sindicatos
reformistas, polemizou duramente com os bolcheviques
na célebre Carta Aberta a Lenin em que refutava
as teses expostas por este no Esquerdismo,
Doença Infantil do Comunismo. Em 1921 deixou
o PC holandês e fundou o Partido Comunista
Operário. Seus escritos influenciaram a liderança
do PC alemão. Após 1922 retirou-se da vida
política. [Apresentação de Maurício Tragtenberg. In idem, p. 10]
No começo pensei que se
tratava de uma questão secundária. A atitude
oportunista do Spartacusband quando do golpe
do Kapp e a que você adota no seu texto, em
relação à questão, me persuadiram de que se
tratava de uma importante questão. [Nota de
H. GORTER]
Esta grande influência,
o conjunto desta ideologia da Europa Ocidental,
dos Estados Unidos e das colônias inglesas,
não é compreendida na Europa do Leste, na
Turquia e nos Bálcãs (para não falar da Ásia).
[Nota de H. GORTER]
Referência a Karl Liebknecht,
deputado social-democrata no Reichstag, que
votara contra os créditos de guerra (1914-18)
solicitados pelo governo contrariando a maioria
do Partido, que votara a favor dos mesmos.
Foi assassinado com Rosa Luxemburgo, por ocasião
da repressão à revolução socialista alemã
em 1919 dirigida pela ala direita da social-democracia
alemã em conluio com o Exército e a burguesia,
Noske e Scheidermann. [N. do Org.]
Parlamento Alemão. [N.
do Org.]
Oexemplo do companheiro Liebknecht prova
exatamente a correção de nossa tática. Antes
da revolução, quando o imperialismo estava
no apogeu de sua força e as leis de exceção
do tempo da guerra asfixiavam
qualquer movimento, ele pôde exercer uma grande
influência com suas denúncias no parlamento.
Mas durante a revolução a influência desapareceu.
Logo que os operários tomarem seus destinos
nas próprias mãos, devemos abandonar o parlamentarismo.
[Nota de H. GORTER]
É claro que a Inglaterra
não tem camponeses pobres que poderiam apoiar
o capital. Por outro lado, entretanto, ela
conta com uma classe média muito maior e ainda
mais ligada ao capitalismo. [Nota de H. GORTER]
O perigo do oportunismo
existe com mais força na Inglaterra do que
nos demais países. Assim, parece que também
nossa companheira Sylvia Pankhurst (embora
não tenha aprofundado suficientemente suas
concepções pelo estudo, nem por isso deixou
de ser uma boa precursora do movimento de
esquerda, por temperamento, instinto e experiência)
teria mudado de opinião. Ela abandona a luta
antiparlamentar, ou seja, um ponto essencial
da luta contra o oportunismo, pela vantagem
imediata da unidade. Toma assim o caminho
já percorrido por milhares de dirigentes do
movimento operário inglês: entrega-se ao oportunismo
e, em última análise, à burguesia. Isto não
tem nada de extraordinário, mas o fato de
que foi você, companheiro Lenin, que a levou
a reboque e a convenceu, àquela que era a
única dirigente conseqüente e ousada da Inglaterra,
isto foi um duro golpe para a Revolução Russa
e mundial. [Nota de H. GORTER]
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Transcrito
de: Herman GORTER. Carta aberta ao companheiro Lenin.
(Resposta do autor a Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo,
de Lenin). In: TRAGTENBERG, Maurício. (Org.) Marxismo Heterodoxo.
São Paulo, Brasiliense, 1981, pp. 45-54. (Tradução de Daniel Aarão
Reis Filho)
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