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Por ANTONIO
OZAÍ DA SILVA
Professor
da Universidade Estadual de Maringá; doutorando na Faculdade
de Educação (USP); autor de História das
Tendências no Brasil. .
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Nos dias 3, 4 e 5 de julho de 1994,
ocorreu o Congresso de fundação do Partido Socialista
dos Trabalhadores Unificado (PSTU) . Com a participação
de 195 delegados e cerca de 75 convidados, este evento debateu
e aprovou o programa e estatutos do novo partido, além de
eleger a sua direção nacional.
Entre as correntes políticas que
formaram esse partido destaca-se a presença da Convergência
Socialista. E isso, não apenas por ter sido quem tomou
a iniciativa de propor a unificação de várias organizações
em torno dessa proposta, mas também por se constituir na
principal força – em termos de militância e de influência
política – no interior desse movimento.
A exemplo de outras correntes políticas,
a CS, desde a formação do PT, colocou-se como mais
um embrião do partido revolucionário a ser construído, concebido
como uma necessidade estratégica da revolução brasileira.
Dessa perspectiva decorria uma prática política que priorizava
a construção da sua própria organização e, em conseqüência,
uma visão tática sobre o PT.
Essa práxis gerou uma tensão permanente
entre a CS e
a direção do PT. Suas relações com este partido oscilaram
ao sabor das conjunturas: ora prevalecendo os conflitos
e enfrentamentos; ora impondo-se a negociação e recuos táticos.
Esta situação se tornou mais tensa a partir do 5º EN
do PT.
Nesse período a CS desenvolveu
uma crítica aguda à política do PT, principalmente ao programa
democrático e popular. Em sua avaliação este programa tinha
um viés etapista pois pressupunha uma política de alianças
com a burguesia em torno de bandeiras democráticas, tornadas
prioritárias.
A CS propôs um programa
socialista: de caráter anti-capitalista, antiimperialista
e anti-latifundiário; que impulsionasse a luta dos trabalhadores,
pela expropriação dos monopólios e o controle dos trabalhadores;
pela construção dos conselhos populares, órgãos de democracia
direta; e, contra o pagamento da dívida externa.
Sua política de alianças se fundamenta
na independência de classe dos trabalhadores, ou seja, a
formação da frente única classista com os partidos e organizações
que se reivindicam do campo operário e popular. A CS
recusou alianças políticas-eleitorais com o brizolismo
e o Partido Socialista Brasileiro – que seriam os continuadores
do populismo burguês – e com a esquerda do PMDB e o PSDB.
Outro fator tensionador desse período
foi a aprovação da regulamentação do direito de tendência.
Para a CS, essa resolução atentava contra a democracia
interna petista, restringindo a liberdade das Tendências;
representava uma concepção de centralização do PT de cima
para baixo, uma solução burocrática que não respondia às
indefinições programáticas que estariam presentes no PT
(concepção de socialismo, do internacionalismo, do seu caráter
etc.).
Antes do 5º EN, polemizando com
a DS, a CS viu na aprovação da resolução sobre
as tendência no Encontro Estadual de São Paulo dois objetivos:
1º) forçar a dissolução das correntes internas petistas
(análise comum à maior parte das Tendências minoritárias);
2º) “centralizar ferozmente o PT, torná-lo uma organização
monolítica a serviço de uma política de colaboração de classes”.
Para a CS, a questão organizativa refletia uma prática
política que estaria, cada vez mais, afastando o partido
de “suas origens históricas, de um partido operário comprometido
com todas as lutas dos trabalhadores e de combate intransigente
a todas as variantes burguesas”.
Apesar das críticas, a CS
comprometeu-se a respeitá-la. Ao mesmo tempo, alertou que
não abriria mão das suas posições políticas e da luta contra
as restrições à democracia interna. Enquanto fundadora do
PT, a CS colocou-se como “parte dos petistas históricos”
que defendem o “PT histórico, ligado às lutas, independente
dos patrões”.A defesa do PT não livrou-a das críticas
sistemáticas da corrente majoritária que acusou-a de não
cumprir as deliberações das instâncias coletivas e dirigentes
e de desrespeitar a resolução sobre as Tendências adotada.
Este quadro acirrou-se em 1989 diante do aprofundamento da
ação externa da CS no
enfrentamento com as administrações municipais petistas.
Em Timóteo (MG), o funcionalismo municipal entrou em greve.
O prefeito Geraldo Nascimento considerou as reivindicações
justas, mas alegou não poder conceder o reajuste salarial
pretendido. A CS, que participava do secretariado
com três membros, retirou-se da comissão de negociação e
rompeu publicamente com o prefeito.
Conflitos semelhantes ocorreram em Diadema. Nesta cidade,
os militantes da CS, a tendência do vereador Manoel
Boni e o Grupo Independente (liderado por Tonhão, à época
vice-prefeito), confrontaram a política da administração
de José Augusto. A disputa mais acirrada se deu no episódio
da ocupação do Buraco do Gazuza. A CS fez
uma campanha nacional contra os métodos do prefeito (uso
da justiça burguesa, da violência policial, perseguição
política pela maioria do Diretório Municipal, sob seu controle).
A campanha denunciou a existência de dois PTs: o das origens
(de luta) e o da prefeitura (contra os trabalhadores).
Em São Paulo, não foi diferente: a relação com a administração
Erundina pautou-se pelo enfrentamento público. Porém, nesse
caso a administração petista enfrentou a oposição de amplos
setores do partido, inclusive do setor da ART liderado
por Rui Falcão (Presidente do Diretório Municipal).
Por outro lado, a crítica ao programa do PT e da FBP
materializou-se numa estratégia eleitoral que buscava firmar
um perfil político próprio diante das massas, ou seja, com
faixas, planfetos e parlavras-de-ordens assumidos pela CS.
Ou ainda, no combate, tido como positivo, a determinadas
políticas das prefeituras petistas no sentido de demonstrar
que elas atrapalhavam a campanha de Lula.
Na prática, a CS atuava como fração pública do PT.Essa tática expressava uma análise sobre
o PT e a sua direção hegemônica que, paulatinamente, se
tornava predominante no interior da CS: a idéia de
que o movimento de massas estava em ascenso e chocava-se
com a direção petista integrada à ordem burguesa e em crescente
desprestígio diante das bases, particularmente onde o PT
administrava o aparato burguês municipal.
Esses elementos, aliados à perspectiva da aproximação da
crise revolucionária, indicaria um novo período de construção
da organização: transitar da fase do seu fortalecimento
junto à vanguarda para a fase de influência direta das massas.
Para isso, seria necessário aprofundar a crítica política
à direção majoritária do PT e da CUT, fortalecer uma imagem
própria nos embates sociais e eleitorais e, desta forma,
ganhar as direções do movimento de massas. Essa avaliação
foi a que prevaleceu na Conferência Nacional que a CS
realizou em julho de 1989.
Ainda não tratava-se de abandonar o PT, mas de ocupar um
espaço à esquerda que estaria disponível no movimento social.
Entretanto, a hipótese de construção de uma FR já
era aventada.Tratava-se de construir uma alternativa
de direção.
De fato, a CS passava por inegável crescimento. Como parte do PT refletia também
a expressão e influência de massa que este conquistara.
Além do mais, sua tática anterior em priorizar a atuação
sindical dera resultados positivos (especialmente em Minas
Gerais, onde se tornou hegemônica no setor metalúrgico,
além de eleger um vereador e conquistar uma prefeitura).
Essa realidade se refletiu-se no 5º EN: em aliança com OT
e a Tendência LPS, conquistou mais de 10% dos
votos. Esta chapa, além de defender um programa socialista,
teve a particularidade de propor que o candidato à vice-presidência
nas eleições de 1989 fosse Júlio Barbosa, camponês vinculado
à luta pela reforma agrária.
Para a CS, este encontro representou um retrocesso
político imposto ao PT pelo bloco majoritário (a ART
e as correntes centristas). Esta reversão teria se
materializado na aprovação de um programa reformista materializou-se
que negava as bandeiras históricas dos trabalhadores.
Ainda nesse tema, a CS concluiu que as resoluções
do 6º EN não refletiram as aspirações do movimento real
dos trabalhadores da cidade e do campo e nem as próprias
bases partidárias que, nas instâncias inferiores, teriam
aprovado um programa à esquerda. Este distanciamento teria
como contrapartida o fortalecimento de uma alternativa à
esquerda, ou seja, a própria CS .
A política pela construção desta alternativa de direção teve
como conseqüência natural a potencialização do confronto
com a ART e, em menor grau, com as Tendências que
a CS qualificava de centristas. Em 1990, este conflito atingiu
um nível exacerbado: destacados dirigentes petistas passam
a defender abertamente sua expulsão.
A iniciativa partiu do veterano comunista Apolônio de Carvalho
que, nas páginas da revista Teoria & Debate,
afirmou que “há correntes políticas que por si mesmas se
revelam corpos estranhos no interior do PT”. Após citar
nominalmente a CS , Apolônio propõe que “ad referendum
da instâncias mais altas, a Comissão Executiva Nacional
deve, a curto prazo, tornar pública a sua exclusão” do partido.
Em sua proposta, a consulta à militância e aos filiados
petistas deveria ser encaminhada pelo DN a posteriori.
O DN-PT, reunido em março, aprovou uma resolução que colocava
em xeque a Convergência Socialista e outras Tendências.
Nesta, o DN diferencia três tipos de atuações das organizações
em relação ao PT:
-
1º) os que concordam com as resoluções do 5º EN e “constituíram-se
de direito e de fato nas Tendências internas” e como tal
são reconhecidas;
-
2º) os que, apesar de proclamarem Tendências petistas, tem
uma atuação ambígua: ora seguindo as orientações e deliberações
do PT, ora seguindo as suas próprias;
-
3º) as organizações políticas autônomas que se diferenciam
do PT, embora neguem tal condição. No segundo caso, estaria
a CS e
OT; no último, a Causa Operária (CO).
O DN-PT conclama que a CS transforme-se de fato e
de direito em Tendência interna do PT, e supere suas ambigüidades.
Seu reconhecimento enquanto tal passou a depender do enquadramento
nas exigências da regulamentação sobre as Tendências. Até
então, os filiados petistas vinculados à CS, candidatos
às eleições, ficaram sob “suspeição”, isto é, não poderiam
utilizar a sigla petista.
O complemento desta resolução foi pela Secretaria Nacional
de Organização através de uma norma interna que instruía
as instâncias do partido sobre a forma de agir diante da
dupla militância. Qualquer filiado petista, em qualquer
ponto do Brasil, poderia solicitar, em seus respectivos
diretórios, a aplicação das sanções disciplinares contra
os militantes suspeitos de praticarem dupla militância.
Os diretórios encaminhariam o processo à CEN, à qual poderia
convocar o militante denunciado a se explicar e optar pela
militância desejada. Caso ele mantivesse vínculo com qualquer
organização política autônoma – o que caracterizaria dupla
militância – seu desligamento do PT seria imediato. O filiado
sob suspeita pode recorrer ao DN, o qual poderia decidir
pela formação de uma comissão de ética.
Vários dirigentes e militantes de diversas corrente se pronunciaram
contra as medidas de exclusão. Mesmo aqueles que discordavam
da política da CS em relação ao PT, consideraram
que as propostas dos dirigentes nacionais da ART
reduzia o que deveria ser uma luta política pela integração
da CS ao PT a meros procedimentos burocrático-administrativos.
A repercussão extrapolou as fronteiras do partido. Em artigo
no jornal FSP, Arbex comparou o procedimento da direção
nacional aos famosos processo de Moscou instituídos por
Josef Stalin. “Por mais elaboradas que sejam as explicações
da direção do PT, a expulsão dos grupos, caso seja consumada,
vai caracterizar um ponto de inflexão autoritário, stalinista,
na vida do partido”, escreveu.
Seria a reedição
dos processos de Moscou? O Presidente Nacional do PT, Luiz
Gushiken, esclareceu que “a orientação é para que os presidentes
de diretório conversem com as pessoas para dizer que vão
indicá-las com tendo dupla militância”. Elas teriam a chance
de expressarem suas opiniões. Portanto, o procedimento da
direção não caracterizava “caça às bruxas”, defendeu.
Gushiken argumentou que Arbex especulou, não aplicou as regras
básicas do bom jornalismo e fez uma comparação que, no mínimo,
demonstra desconhecimento da polícia política da URSS –
o que seria uma falha imperdoável para quem era correspondente
naquele país. Gushiken, restabelece a “verdade dos fatos”.
Sua argumentação resgata as resoluções do 5º EN; relembra
o caso da expulsão dos deputados que não obedeceram a orientação
do partido contra o colégio eleitoral em 1986; defende o
direito de organizações, como a CO, formarem seu
próprio partido; afirma que a CS não respeita as
instâncias do PT; esclarece que a resolução do DN foi aprovada
de forma quase unânime, só o representante da CS votou
contra; e, ironiza a acusação de que estaria ocorrendo perseguição
política, citando como exemplo a revista Teoria &
Debate que abrira suas páginas à CS.
Em suma, o polemista não teria conhecimento de causa. O que,
evidentemente, não era o caso de Gushiken. Como tal, endossou
a proposta de excluir a CS. Analisando a conjuntura
pós-eleitoral, ele defendeu o aprimoramento da organização
partidária e da sua relação com os filiados e simpatizantes.
Tratar-se-ia de retomar a “feição profundamente democrática
de massas”. Para isso, tornava-se imprescindível “eliminar
os traços anti-democráticos, autoritários mesmos, ainda
existentes”. Como? Promovendo a dissolução ou exclusão dos
grupos organizados. Em sua avaliação, estes agrupamentos
representavam ”barreiras que impedem o livre acesso de novos
militantes e simpatizantes à atividade partidária, sem estarem
sujeitos a uma rede de intrigas e acusações veladas”.
Para Gushiken, os argumentos levantados por aqueles que recusam
métodos burocráticos de enquadramento das Tendências são
falaciosos:
“As
diferenças políticas são positivas e necessárias para construir
o partido, não para miná-lo, destruí-lo. (...) Ou não foi
destrutiva a ação da Convergência Socialista em Timóteo,
onde esconjurou publicamente o prefeito petista (ex-militante
da CS, aliás) por não ter seguido a política da própria
CS ?”.
Enquanto Gushiken dá uma conotação negativa ao caso de Timóteo
(MG), a CS tem
uma avaliação positiva. Ela parte do pressuposto de que
o mandato é do partido e que deve estar a serviço da luta
dos trabalhadores. Se o executivo se choca com estes, então,
“desonra o mandato”. Entre o prefeito e a luta dos trabalhadores,
a função do partido, defende a CS, é apoiar os trabalhadores
e resgatar o programa partidário. Nessa linha de raciocínio,
a disciplina está em função do partido e não do executivo
– o qual, neste caso, teria adotado uma postura “anti-petista”.
Dando prosseguimento à decisão do DN, a Executiva Nacional
formou uma comissão (composta por Cesar Alvarez, João Machado
e Perseu Abramo) para discutir e avaliar a relação entre
a CS e o PT. A comissão alegou que as razões do não
reconhecimento da CS enquanto tendência petista se
devia à sua prática, caracterizada por
“encaminhamentos
externos ao partido de posições e ações políticas próprias,
distintas das definidas pelo partido; atuação de parlamentares
divergentes do partido; distribuição do jornal externamente
ao partido; manutenção de sedes públicas; tudo isso configurando
uma corrente com atuação política própria no movimento de
massas, concorrente com a do partido”.
Em sua defesa, a CS afirmou que considerava o PT como
“um partido estratégico na luta pelo socialismo no Brasil”
e que, desde o início, engajou-se na sua construção. Para
a CS, atuação não era incompatível com o PT pois,
ela compreendia o interno ao PT como um universo
que abrangia os petistas no movimento sindical, estudantil,
popular e camponês. Negou que se colocasse como alternativa
ao PT, afirmou que era Tendência igual as outras e que reconhecia
as instâncias e acatava as resoluções do partido, inclusive
a regulamentação de Tendências do 5º EN, seu estatuto e
regimento interno. Defendeu a liberdade e a democracia interna
e, por isso, divergia da resolução do DN, pois esta estabelecia
“a premissa de que algumas Tendências são mais petistas
que as outras”. Por fim, declarou que o partido precisava
se unir contra Collor e seu plano econômico.
Esses e outros argumentos foram apresentados pelos representantes
da CS (Valério Arcary, José Welmowicki, Mané Bahia
e Eduardo Almeida) em várias reuniões. Diante deles, a Executiva
Nacional propôs ao DN que o reconhecimento da CS
“como
tendência interna, observadas as normas previstas para o
registro e reconhecimento de Tendências, após assumir o
compromisso com a Regulamentação sobre Tendências internas
aprovada agora, e adaptar o seu funcionamento a esta
Regulamentação”. (grifo do original)
Essa proposta foi aprovada e a CS, sob a supervisão
de representantes da CEN-PT, encaminhou a realização, em
11 de julho, de uma conferência nacional para discutir sua
relação com o PT. Nesta, a primeira polêmica foi sobre a
participação ou não dos representantes da direção nacional
do PT – 56 votaram a favor, 25 contra. A discussão principal
deu-se sobre a aceitação das exigências da direção petista.
A minoria posicionou-se pela continuidade da política que,
na prática, colocava a CS como uma fração pública
do PT. A maioria, inclusive o conjunto da Coordenação Nacional,
defendeu a integração ao PT enquanto tendência interna.
Essa política não representa uma ruptura com a análise de
conjuntura internacional e nacional em curso. “Para nós,
as possibilidades da revolução mundial nunca foram tão boas”,
afirma a resolução aprovada por cerca de 80% dos votos.
De acordo com essa análise, a ordem mundial do pós II Guerra
Mundial estava abalada “com o avanço das rebeliões das massas
no Leste e Oeste”. O “vírus revolucionário” estaria contagiando
as massas em todo o mundo.
Essa leitura da conjuntura internacional expressava o otimismo
revolucionário da Liga Internacionalista dos Trabalhadores
(LIT). A LIT viu os acontecimentos no Leste Europeu
como a confirmação das revolução política anti-burocrática,
comparando-os à Revolução Francesa (1789) e à Revolução
Russa de 1917. 1989 teria representado uma “derrota histórica
de toda a frente contra-revolucionária, formada pelos imperialistas
e as burocracias”.
Para a LIT, a queda dos regimes burocráticos abria a perspectiva
concreta de unificação da luta dos trabalhadores em escala
mundial e configurava a crise do imperialismo e da social-democracia.
Esta contradição foi facilmente superada pela identificação
destes levantes à “revolução de fevereiro” (alusão à derrubada
do Czar na Rússia, em fevereiro de 1917). Nesse esquema,
1989 encetava uma nova etapa revolucionária, na qual poderia
“voltar a vencer novos outubros como foi a Revolução Russa
de 1917”. Na fase outubrista, imagina-se já haver a direção
revolucionária capaz de “selar a derrota histórica sofrida
pela contra-revolução”.
Esta análise foi
reafirmada pelo I2º Congresso Mundial da LIT, realizado
em maio. Os levantes no Leste foram saudados como a morte
do stalinismo, que colocaram para a LIT a possibilidade
de ganhar influência em setores de massas. A grande tarefa
do trotskismo passou a ser ganhar a direção das massas em
algum lugar para conduzir a luta pelo poder.
Em consonância com essa análise, a CS desenvolvera
a tese de que o Brasil, desde 1984 – ano em que teria havido
uma colapso do governo que produzira um vazio no poder –
passava por uma situação revolucionária.Essas circunstâncias teriam se repetido
no final de 1989. A crise produzira, ainda que de forma
incipiente, o poder dual. Esta dualidade era vista como
uma tendência, como possibilidade de intensificar-se. Como
organização revolucionária, a CS deveria preparar-se
para este momento.
Mas, para a maioria, o PT ainda era o partido com maior influência
de massas e, após as eleições presidenciais de 1989, tornara-se
o principal “partido operário”. Essa expressão de massa
fortalecia a CS, como parte do PT, mas não significava
que ela tivesse influência de massa. Imaginar isso seria
um “grave erro”.
Por outro lado, na nova etapa da revolução mundial, estaria
em curso, no Brasil, um período em que se intensificava
a disputa pela direção das massas. Estas estariam caminhando
objetivamente em direção ao programa e à política
da CS. Este processo passa, no entender da maioria,
pela militância no interior do PT.
Embora mantivesse as mesmas teses e análises – reforçadas
por sua leitura da conjuntura pós-1989 – que fundamentaram
a política de fração pública do PT, a CS mudou
visivelmente num aspecto: na aceitação à integração ao PT.
Esta postura foi reafirmada em sua tese ao 7º EN do
PT:
“Nossa
corrente tem um compromisso estratégico com a construção
do PT. Estas não são palavras ao vento. Quantos que nos
atacaram impiedosamente e não nos reconheciam como petistas
já se foram do partido?”.
A CS afirma que a luta interna continuará, “como foi
até hoje”, no respeito comum ao estatuto e regimento do
PT. Observa que o PT “é um partido de massas, no qual os
debates, inclusive públicos”, deverão ocorrer e que isso
reflete a “heterogeneidade da classe”.
O novo curso político correspondia à realidade pós-eleição
presidencial. O PT se credenciara como partido hegemônico
na esquerda brasileira, diminuindo o espaço para uma política
que publicamente concorresse por influência no movimento
de massas. O impacto e a força da campanha Lula desorientou
a CS e fortaleceu em seu interior a posição dos que
defendiam a permanência no PT.
A pressão da direção petista no sentido da centralização
do partido e integração das Tendências, que teria repercussões
inclusive na concessão de legenda para a disputa eleitoral,
também teve um peso importante. Por outro lado, a vitória
de Collor deixara o conjunto da esquerda paralisada e perplexa
diante da sua contra-ofensiva. Também ainda não estava plenamente
claro os desdobramentos dos acontecimentos no Leste Europeu.
De qualquer forma, as resoluções e declarações a favor do
cumprimento do regulamento de Tendências, garantiram à CS
o reconhecimento como Tendência petista e permitiu uma
trégua na luta interna.Mas, os elementos que motivaram esta polêmica
não estavam plenamente superados. A evolução da conjuntura
nacional e da correlação entre as forças políticas petistas
comprovariam que eles estavam apenas latentes.
O período que antecedeu o 1º Congresso do PT comprovou que
as intenções e declarações não eram suficientes para superar
a tensão existente entre a militância interna no PT e a
manutenção de uma prática política que priorizava o projeto
de construção do partido revolucionário. Se até então, com
idas e vindas, avanços e recuos, a tese da construção deste
partido via PT prevaleceu, começava a ganhar peso a postura
de que chegara a hora de sair do PT. A tônica da discussão
interna passou a girar em torno da seguinte questão: qual
a estratégia de ruptura?
O que mudou para que a CS, da aceitação formal do
PT como partido estratégico evoluísse para a preparação
do rompimento? No aspecto internacional, a evolução dos
processos políticos e sociais no Leste Europeu e na URSS
frustrara as avaliações otimistas da LIT e somava-se
à crise em sua principal seção nacional: o MAS argentino.
A LIT concluiu que a revolução política em fase inicial,
teve um resultado contraditório: de um lado, o ascenso das
massas; do outro, um giro à direita dos aparatos
e direções do movimento operário em todo o mundo,
com o aprofundamento da sua integração à contra-ofensiva
do imperialismo e ao regime burguês. Em poucas palavras,
representava uma aproximação com a social-democracia.
No Brasil, os reflexos desse processo teriam sido o aprofundamento
da adequação da CUT e do PT ao regime burguês. Se num primeiro
momento (até 1984), suas direções desempenharam um papel
positivo no combate à ditadura militar; de 1984 a 89, aceitaram
a hegemonia da democracia burguesa; agora, intensificavam
sua integração ao Estado burguês – processo que se iniciara
com a conquista das prefeituras – e passavam a ter um papel
regressivo, inclusive atacando os elementos progressivos
e revolucionários das organizações dos trabalhadores. Nessas
condições, a saída dos revolucionários do aparato do PT
era inevitável. O que estaria indefinido era a data e a
forma como esta ocorreria.
A leitura dos documentosque circularam na CS neste período
mostra uma concordância em relação à análise geral. As divergências
aparecem quanto ao momento e à forma de ruptura com o PT.
Mostra também que a CS vivia uma crise, motivada
tanto pela polêmica em torno desta discussão quanto pelos
reflexos do debate que ocorria na LIT.
A grosso modo podemos identificar que, entre fins de 1990
e vésperas do 1º Congresso, a CS trabalhou com as seguintes hipóteses – nem sempre excludentes – para
a sua saída do PT:
-
cenário da expulsão: aprovação de uma resolução que dissolvesse
as Tendências e o descumprimento da CS a esta resolução
ou a qualquer outra que limitasse a sua estrutura organizativa;
-
a saída voluntária da CS com a conseqüente legalização
como partido;
-
atuar como fração pública, mas manobrando para evitar a expulsão,
ou seja, definir a tática (enfrentamento direto ou só
marcar posição) de acordo com as questões em jogo;
-
radicalizar a atuação como fração pública, entendendo que
esta é uma conseqüência inevitável do processo da luta
de classes.
As hipóteses levantadas tem conseqüências e desdobramentos
que expressam o maior ou menor grau de concordância em relação
à continuidade da militância no PT e a forma que esta deveria
assumir. Enquanto uns defendem ainda haver a possibilidade
de militar no PT e dar tempo para a vanguarda completar
a experiência com a direção majoritária no PT; outros consideram
que esta alternativa se esgotara, pois o PT completara o
processo de adaptação à ordem burguesa.
A expulsão, em qualquer hipótese não é desejável. O ideal
seria ter tempo e condições de preparar a ruptura. Predomina
a idéia de que a expulsão/ rompimento deve ser trabalhada
em duas táticas que se combinam entre si: a defesa do PT
das origens e a construção da Frente Única Revolucionária.
A primeira, permitia fazer a crítica programática por dentro
do PT, aglutinar os grupos à esquerda
e pressionar as correntes centristas no sentido
de formar um polo oposto à ART e seus aliados à direita
(PPB). Além disso, essa palavra de ordem poderia
ser simpática aos setores isolados e indivíduos na base
da própria ART e do centrismo e também poderia
servir como biombo contra os críticos à sua discordância
com a construção do PT como partido estratégico.
A segunda, possibilitaria a aglutinação da vanguarda revolucionária,
setores descontentes com a política dominante no PT e com
outros agrupamentos não petistas, na perspectiva de formação
de um novo partido. Estas táticas estavam interligadas ao
combate pela construção de uma alternativa de direção na
frente sindical – a Frente Única Operária. Isto significava
manter o bloco de esquerda formado no IV Congresso da CUT.
Essa foi a estratégia que prevaleceu. Ela pressupunha avançar
na atuação como fração publica, mas sem provocações artificiais.
Isto permitia fazer a disputa política com
a ART, fortalecer a organização da FR e capitalizar
as ameaças de expulsão, popularizando a denúncia contra
os métodos burocráticos e stalinistas da ART. A provável
saída do PT apareceria então como resultante de um ato de
força da maioria.
Essa política foi aplicada de forma mais ofensiva nos Encontros
Estaduais, no período em que se aproximava o 1º Congresso,
e se expressou no grito de alerta Em defesa do PT das
origens, assumido pelas principais dirigentes da CS
. “O PT está em perigo”, escrevem. Pois, estaria em
marcha uma tentativa para transformá-lo
“num
partido que respeita a lei e a ordem das instituições da
democracia controlada pelo capital, num partido que sustenta
os Pactos Sociais, e não uma ferramenta para a libertação
dos trabalhadores, um partido do regime e não um partido
para a luta intransigente contra o regime, o governo e sua
política”.
Na análise da CS, era na atuação das prefeituras petistas
que refletia-se a “mais grave adaptação à ordem”:
“Não
é casual que os prefeitos do PT não aplicam nos transportes
o programa do partido, inclusive desrespeitando as deliberações
dos encontros municipais do partido, como fez Erundina
em São Paulo; não é casual o desalojamento dos sem teto
pela guarda municipal de São Paulo ou o chamado à polícia
para prender os petistas em Diadema; tampouco é casual
que se proponha sem nenhum pudor governos de coalizão
nas prefeituras integrando o PSDB, PSB e PDT”.
Para a CS, se os prefeitos não mudassem essa política
e assumissem uma postura de oposição ao governo Collor, o
PT deveria romper com eles. O PT deveria ainda condenar abertamente
os dirigentes e parlamentares que defendiam publicamente a
economia de mercado e a política de Gorbatchov na URSS, porque
isto significa concordar com a restauração do capitalismo.
Contra essas posições, o PT deveria resgatar a concepção de
socialismo de suas origens, o socialismo com democracia.
A crítica aos rumos do PT recai sobre a ART, a responsável
maior pela política adotada pelo partido. A ART,
estaria “mudando o programa do partido, substituindo-o por
um programa de reformas do capitalismo”. A defesa do
PT das origens exigia a luta contra esta política, a
construção de um bloco alternativo que derrotasse as teses
da maioria dirigente e configurasse uma nova direção que
resgatasse o “PT de classe e de luta, democrático e socialista!”.
É com essa orientação política norteando sua ação que a CS,
com outros grupos políticos, realizou, às vésperas do 1º
Congresso, o Ato em defesa do Socialismo e da Revolução.
O objetivo era unificar a intervenção da esquerda petista
no congresso do partido em torno de um programa socialista
e revolucionário, pelo direito de Tendência e pelo Fora
Collor!
Esta política foi derrotada no 1º Congresso. Mesmo assim,
a CS manteve as críticas e a tática para a conjuntura,
consubstanciada no Fora Collor! Enquanto a maioria
das Tendências petistas tinham uma avaliação positiva do
1º Congresso, a CS concluiu que este concretizou
o processo de domesticação do PT, em curso desde 1988.
Em sua análise, o 1º Congresso expressou a “adaptação à institucionalidade
e ao eleitoralismo”, configurando uma virada política à
direita e uma mudança objetiva no perfil partidário. As
resoluções impuseram uma “opção pela social-democracia”,
pelo caminho reformista e representava o estrangulamento
da democracia interna.Em resumo, o congresso apenas teria confirmado
sua análise anterior. Com tamanha discordância, o caminho
natural foi a defesa do não acatamento das resoluções congressuais.
Este balanço resulta no aprofundamento do taticismo em sua
relação com o PT. Internamente, intensificou-se os esforços
pela construção da FR. A opção pelo rompimento público
com o PT passou a predominar. Esse projeto acelerou-se logo
após o 1º Congresso, com a realização de várias reuniões
entre a CS e outros grupos minoritários – locais
e regionais – e militantes independentes. A partir de uma
avaliação comum sobre os resultados do congresso e a conjuntura,
estes setores lançaram o Manifesto por uma Alternativa
Revolucionaria e Socialista.
Declarando-se parte dos 30% que resistiram à política vencedora
no 1º Congresso, seus signatários reafirmavam o Fora
Collor!; pregavam o fim da política colaboracionista
com o PSDB, PDT e outros setores das classes dominantes;
exigiam que as prefeituras petistas abandonassem a concepção
de “governar para todos” e passassem a administrar em prol
dos trabalhadores; defendem uma estratégia
revolucionária resumida no lema Por um governo
dos trabalhadores.
Embora representassem experiências e trajetórias diferentes, esses setores tinham elementos comuns
na avaliação sobre a crise do socialismo, aliás colocada
como um dos fatores que explicaria a guinada à direita do
PT: a defesa da propriedade social e do planejamento democrático
contra qualquer alternativa do mercado; a crítica à política
de Gorbatchov; o apoio ao fim das ditaduras burocráticas;
e, a afirmação do socialismo com democracia operária.
Já as resoluções do 1º Congresso expressaram o reconhecimento
da dificuldade em centralizar o partido. Logo após o seu
término, iniciou-se o processo político. Nos primeiros
meses de 1992, o secretário-geral nacional do PT, José Dirceu,
solicitou ao DN que estabelecesse um prazo de trinta dias
para que a CS cumprisse as deliberações partidárias,
sob pena de perder o status de Tendência. As conseqüências
imediatas seriam a cassação do direito dos filiados vinculados
à CS se candidatarem às eleições daquele ano pela
sigla petista.
Dirceu argüiu que a CS assumira abertamente sua oposição
ao PT, adotando “uma postura pública de partido”, expressada
na manutenção da estrutura e relações internacionais próprias
e “numa ação de rua e tática de oposição ao governo”, em
conflito com as decisões do congresso petista.
A CEN, com o voto de membros da ART, do PPB,
da VS e da DS, acatou essa representação.
Além da CS, OT e a FS, votaram contra.
Quanto à questão do prazo para a aplicação das medidas disciplinares,
a CEN considerou mais apropriado transferir esta definição
para o DN.
A CS argumentou que a luta pelo Fora Collor!
podia “até ser oposta às posições da Articulação”, mas
não “ao espírito com o qual ao PT foi fundado”. Ela acusou
a direção majoritária de silenciar diante daqueles que rasgavam
“o programa e as resoluções do PT”, como os prefeitos e
o deputado Aloízio Mercadante.Para a CS, essa decisão representava
um ato de perseguição à política revolucionária, em oposição
ao reformismo e à conciliação de classes da maioria da direção
do partido.
A CS admite sua atuação como fração. Mas coloca-se
como uma entre inúmeras frações que existiriam no PT, assemelhando-as
às Tendências. Além destas que, sem exceção, seriam frações
nacionais, haviam as locais e regionais, constituídas por
grupos de parlamentares e dirigentes sindicais. “É evidente
e publica a ação autônoma do braço parlamentar, do sindical
e das prefeituras. E isso não impedia a convivência num
espaço comum. Por que então a CS é
identificada como a ovelha
negra que não pode mais ser tolerada?”, questiona Arcary.
Descartando a crítica da DS quanto à indisciplina
da sua Tendência, Arcary aponta casos flagrante indisciplina:
do deputado Genoino (que utilizou a FSP, cuja tiragem
de um dia ultrapassa a do jornal da CS por um ano,
para defender a refundação do partido); de Gilmar Carneiro
(que teria usado e abusado do prestígio na CUT para defender
a colaboração de classes); e, do prefeito de Diadema, José
Augusto. “Que curiosa disciplina é essa que só é exigida
de quem defende a independência dos trabalhadores contra
a colaboração de classe?”, arremata.
De fato, no cerne desta polêmica estão as diferenças políticas
quanto à caracterização e as avaliações sobre os rumos do
partido; as divergências em relação à tática na conjuntura;
em relação à prática e à função das administrações petistas;
e, principalmente, no tocante à estratégia e análise sobre
a questão do socialismo.
No 1º de maio de 1992, a CS e os demais setores que
assinaram o manifesto citado, divulgam outro documento onde
reafirmam suas posições e críticas e conclamam todos a lutarem
por um PT revolucionário e socialista.O documento centra-se na luta interna:
contra a expulsão da CS ; com críticas à política
da direção majoritária etc.
Numa linguagem que buscava sensibilizar a base petista e,
principalmente, os descontentes e críticos à direção hegemônica,
esse documento afirmava a necessidade de resgatar o PT das
origens, o PT “que foi nosso sonho e nossa luta quando empunhamos
pela primeira vez em 1980”, sua bandeira vermelha. O trabalhador,
o estudante, o lutador do bairro, foram chamados a assumir
essa bandeira.Ao menos para o público externo, ainda
vislumbrava-se a possibilidade de permanecer no PT.
Mas as conclusões contradizem esta opção. Como transformar
o PT no partido dos sonhos dos seus primeiros militantes
se a realidade, na avaliação desses setores, o distanciava
abissalmente do partido imaginado? Como construir este PT
revolucionário e socialista se já tinham concluído que o
PT real se domesticara, tornara-se social-democrata? Como,
enfim, combater por este partido quando a prática política
direcionava-se no sentido de construir uma alternativa ao
mesmo?
Para muitos a resposta estava simplesmente em apressar a
ruptura com o PT. O PT real já era para eles, digamos assim,
um pesadelo. Nos bastidores da luta política, era dado como
praticamente certa a expulsão
da CS. Para muitos, essa possibilidade fornecia uma
boa arma de propaganda contra os métodos stalinistas da
direção e para reforçar a FR. Para outros, como a
DS, representava uma atitude, que além de equivocada,
favorecia a unificação da CS em torno do setor mais
sectário, favorável ao rompimento imediato com o PT.
A realidade previsível se confirmou. Enquanto a CS dialogava
com outros setores – dentro e fora do PT – a direção majoritária
acelerou o processo político da sua exclusão. Já em abril,
o diretório petista de Porto Alegre cassou os direitos políticos
de quatro integrantes da CS, sob a acusação de descumprimento
das diretrizes partidárias: o vereador José Alvarenga e
o sindicalista Roberto Robaina ficaram impedidos de concorrer
à Câmara Municipal pela legenda petista. No Rio de Janeiro,
Guilherme Haeser, líder do PT na Câmara, foi destituído
do cargo.
Em 9 de maio, o DN, reunido em São Paulo, acolheu a representação
contra a CS e anulou a sua condição de tendência
interna do partido. Foram cerca de cinco horas de debate
em torno das seguintes propostas: a da maioria da CEN, que
venceu com o apoio de 35 votos dos 55 membros do DN; a proposta
de João Machado, que estabelecia a aplicação do regimento
interno de forma individual, com avaliação caso a caso (essa
proposta, que a CS caracterizou como uma expulsão
seletiva, teve 10 votos); a de Markos Sokol, contra a expulsão
da CS; e, a do deputado gaúcho Marcos Rolim, que
propunha a permanência da CS enquanto tendência,
mas com a perda do direito de seus militantes se candidatarem
pela legenda e a sua destituição dos cargos nas instâncias
diretivas.
A resolução do DN concedeu um prazo de 15 dias para a CS
enquadrar-se, caso contrário, seria automaticamente
considerada fora do PT.Ao mesmo tempo, acatando a proposta do
deputado Eduardo Jorge, decidiu garantir a legenda para
os candidatos ligados à CS às eleições municipais
(por estar esgotado o prazo legal para a filiação a outro
partido ou formação de novos partidos com direito de concorrer).
Valério Arcary, membro da CEN-PT, afirmou na reunião que
“entre a unidade do PT e a unidade da Convergência”, optava
pela segunda. Na avaliação de vários membros do DN, essa
afirmação acionou a guilhotina; para muitos, a intransigência
da CS não teria deixado outra possibilidade. Arcary
recusa a pecha: “a exigência que nos fazem é inaceitável”,
disse.
Ele argumentou que, se a CS atuara como fração pública,
vários parlamentares da ART também o fizeram: “A
maioria sequer cumpre as resoluções que aprova”. Arcary
recusou categoricamente a afirmação de que a CS atacava
o PT: “Nosso combate é contra as posições que inviabilizam
o partido”.
A CS ainda formalizou um recurso à CEN-PT contra sua expulsão.
Reafirmou sua condição de Tendência interna do PT; argumentou
que sua “caracterização do partido como Partido movimento
não é um ato de vontade da CS (...), mas uma imposição da
realidade”; que a maioria dirigente não deixou claro qual
sua interpretação do regulamento sobre as tendências; disse
que não renunciaria à publicação do seu jornal e que estava
convencida de que a crise no PT é política e têm raízes
nas suas relações com o aparato do Estado. A CEN manteve
a decisão do Diretório Nacional.
As reações à expulsão da CS foram diversas. Ao coro
dos que apoiaram esta medida somou-se uma maioria silenciosa
e conivente. Doutro lado, vários agrupamentos e militantes,
ainda que críticos às posições políticas da CS, defenderam-na.
Um terceiro grupo, formado por aqueles setores que lançaram
o manifesto logo após o 1º Congresso petista, permaneceu
sob a órbita da discussão da FR e aceleraram o processo
de desfiliação do PT.
A BS, DS, FS, TM, OT e outras
forças políticas petistas apresentaram recursos contra as
decisões do DN. Na avaliação destas forças políticas, a
CEN e o DN, se equivocaram pelas seguintes razões:
“a)
A direção do PT não desenvolveu, de fato, a necessária
luta política para integrar plenamente os companheiros
da CS ao PT;
O
tratamento dado á CS contrasta com a aceitação
e até mesmo complacência por parte das direções partidárias
com práticas de parlamentares e prefeitos que por vezes
afrontam não apenas as decisões democraticamente deliberadas
nas instâncias como o próprio funcionamento democrático
do partido;
As
decisões sobre a CS que levaram à sua exclusão
foram tomadas apenas em nível de direção, contra aposição
da base do partido expresso em Encontros Municipais e
Estaduais, e no meio de um processo de Encontro Nacional
inconcluso”.
Para a DS, a posição do DN foi errada, apressada,
sectária e inoportuna. Com
efeito, a posição da DS na reunião do DN, que encaminhava
para a Comissão de Ética a discussão de casos individuais,
pressupunha uma discussão mais demorada com o conjunto da
CS. A DS argumentou que:
1º) Ainda valia a pena esforça-se para convencer a CS
da importância de permanecer no PT e da plena viabilidade
em defender suas idéias em seu interior;
2º) Deveria ainda ser considerada a situação de crise que
vivia a CS, refletida numa divisão interna com
abrangência internacional. Ou seja, o reconhecimento da
incapacidade da sua direção em centralizar sua intervenção
e que, portanto, “muitas coisas que foram realizadas por
membros da Tendência” não correspondiam “a uma orientação
geral”;
3º) A exclusão da CS na forma aprovada representava
um “enorme desgaste para o PT”;
4º) Deveria ser considerado o peso qualitativo da CS,
em termos de militância e de base social.
Anteriormente à decisão do DN, várias personalidades e dirigentes
petistas se pronunciaram contrários à expulsão da CS
. Florestan Fernandes, à época deputado federal, afirmou
que
“seria
um escândalo se o centro e a direita do PT dispusessem de
prerrogativas políticas e ideológicas exclusivas. Isto o
caracterizaria como um partido oligárquico, portador de
uma teoria constitutiva democrática
em contradição com uma prática corrente autoritária”.
Contra as críticas ao autoritarismo e às deformações da democracia
interna perpetradas pela maioria dirigente, José Dirceu
argumentou que era a Convergência Socialista quem
atentava contra a democracia petista, ao não acatar as decisões
democraticamente tomadas pelo partido. Logo após a reunião
do DN, afirmou :
“Torço
para que eles consigam constituir seu próprio partido e
exercitem nele tudo o que cobram do PT: democracia interna,
liberdade de expressão para todos os filiados e direito
de divergência. Aí a gente vai ver, na prática, quem é autoritário”.
Como a CS não cumpriu as exigências do DN dentro do
prazo previsto, foi considerada automaticamente desligada
do PT e seus militantes impedidos de participarem das instâncias
partidárias. Isso já se deu nos encontros estaduais. Em
São Paulo, os delegados vinculados à CS não puderam
adentrar onde realizava-se o encontro. Diante do impasse,
chegaram a um acordo: uma comissão composta por sete pessoas
apresentou recurso ao plenário e foi concedido espaço e
tempo para a defesa da CS. Gradella (CS),
Sokol e Tatau Godinho, discursaram pela participação da
CS. Cerca de 65% dos delegados mantiveram a proibição
– os delegados eleitos pela CS não puderam votar.
Após a votação, Valério Arcary, cujo dom da oratória é elogiável,
fez o discurso da despedida. Disse ele:
“A
expulsão da CS é uma hemorragia que seguirá (...) Saibam os que expulsam que, para
o seu desencanto, esse sangue que o PT derrama hoje e vai
seguir derramando, vai ser o elemento mais importante para
os lutadores que são abandonados pelo PT e pelos parlamentares
que representam a si mesmos.(...) A história será implacável
com aqueles que se adaptam”.
A comoção foi geral: choro e silêncio. Dirigentes e militantes
rasgam seus crachás e saem de plenário com o punho esquerdo
erguido. Os delegados do coletivo Luta de Classese o Grupo Independente de Diadema
acompanham a CS. Esta ainda fez um chamamento ao
OT e à TM para aderirem à FR.
As causas da expulsão da CS encontram-se na sua reação
aos fatores internos inerentes à própria evolução do PT.
Consumada a expulsão, o saudoso Florestan Fernandes analisou
como o PT, que “nasceu e cresceu opondo-se aos vícios arraigados
quanto à natureza, às tarefas históricas e à organização
interna democrática do partido como uma instituição-chave
na vida política”, evoluiu até alcançar “posições de relevo
nas estruturas de poder”.
Esse processo e suas conseqüências identificam o “quadro
dramático” em que inscreve-se a exclusão da CS :
“A
sedução por chegar ao tope forjou uma combinação inebriante
entre “reforma” e “democracia” dentro da ordem. Abalaram-se
os ideais dos “fundadores”, engendrando-se tendências ao
“profissionalismo político”, à burocratização do partido
e ao envolvimento em “negociações independentes” com os
próceres da oposição patronal. Ocorreu uma inegável social-democratização
branda”.
Porém, também é fato que a CS há muito desenvolvia
uma estratégia política que previa a ruptura. Sua concepção
e estratégia de construção do partido revolucionário pressupunha
um ziguezague taticista que obedecia ao sabor das conjunturas.
Externamente, suas declarações a favor do PT como partido
estratégico tem um caráter defensivo. Internamente, esse
discurso articula-se com a estratégia de construção da direção
revolucionária: o partido estratégico é, de fato, o partido
revolucionário bolchevique-trotskista. A defesa do PT
das origens não está em contradição com esta concepção
de partido, pois é uma palavra de ordem de conteúdo propagandista,
uma tática com o objetivo de constituir um bloco à esquerda
contra a ART e para incorporar em seu projeto político
a vanguarda em processo de rompimento com a direção majoritária
e o PT.
Este duplo discurso – para o público
externo e para o público interno – está de acordo com a
sua tática geral, adotada desde a formação do PT e assumida
nos documentos internos: o entrismo. A despeito das
declarações públicas, a CS não abandonara esta tática
– fazê-lo seria o mesmo que acreditar que o PT pudesse vir
a ser o partido revolucionário. Isto, em sua avaliação,
era um ilusão das correntes centristas (DS,
OT etc.).
A CS foi uma das suas forças fundantes do PT, idealizando-o
como o Partido Socialista a ser construído no Brasil. Mesmo
sem o controle desse processo, atuou e contribuiu com a
sua construção, compreendendo sua importância na luta dos
trabalhadores. Nesse sentido, a defesa do PT das origens
não é mera retórica. O PT cumpriu um papel que a
CS reconhece
como fundamental e se reivindica como sujeito dessa história.
O entrismo não invalida seus elementos positivos.
Ao final do processo da votação no DN que decidira pela anulação
da condição de Tendência interna, Arcary afirmou que a organização
iria recorrer ao 8º EN: “Não vamos aceitar o ultimato, não
vamos nos render”, disse.Aliás, os signatários dos diversos recursos
à direção petista consideravam que a luta política para
manter a CS no PT ainda não se encerrara.
Porém, na prática a CS abandonou essa perspectiva
e unificou-se na expectativa de construir o partido revolucionário
externamente ao PT. Isto também ficou evidente em declarações
dos seus dirigentes nos fóruns da FR. A tese que
prevaleceu foi a que afirmava o esgotamento do PT como possibilidade
histórica de construir um partido independente e revolucionário.
O PT estaria condenado pelo processo de burocratização e
adaptação à institucionalidade. Seu futuro “inexorável
é o de ser mais um partido da ordem”, escreveu Arcary.
A DS – e outras Tendências petistas como aquelas que
formaram o NLPT – argumentariam que as possibilidades
de construção do PT como partido estratégico socialista
ainda permaneciam. Reconheciam as pressões que faziam o
partido tender à institucionalidade e à integração à ordem
burguesa e viam, igualmente, o crescimento do reformismo
em seu interior. Mas, por outro lado, observaram que as
posições da esquerda ganhavam espaços na base e afirmavam-se
nos encontros estaduais. O PT ainda não vivera o seu “agosto
de 1914”.
Para Arcary, a coisa era infinitamente pior:
“Nós
afirmamos que o PT de hoje é muito pior do que a social-democracia
do início do século. Até 1914 a social-democracia nunca
ousou chamar a polícia para espancar trabalhadores. E havia
uma democracia incomparavelmente maior. Rosa Luxemburgo
não só podia publicar seu jornal como este era financiado
pelo próprio partido”.
É verdade que a direção hegemônica não puniu de forma exemplar
os que tomaram este tipo de atitude. Mas, também é fato
que as Tendências da esquerda petista – e mesmo expressões
individuais da ART – combateram este comportamento.
É verdade ainda que o regulamento de tendência proibia a
existência de jornais e finanças próprias. Mas, é outro
fato que esta regulamentação não impedia publicações formalmente
restritas ao público interno petista – a própria DS,
OT etc., continuaram editando seus jornais.
A partir da análise exposta por Arcary, fecharam-se as portas
à continuidade do entrismo e tornara ainda mais improvável
a hipótese da sua conversão ao projeto de construir o PT
estrategicamente. “Seguir no PT a partir de agora significará
a capitulação ou a expulsão. E significará atrasar a construção
de uma alternativa revolucionária para o movimento operário
brasileiro”, enfatizou. Sendo assim, a tarefa dos revolucionários
era construir a FR, compreendida como uma tática
para a formação de um novo partido.
De fato, como reconheceria depois aqueles que defendiam o
retorno da CS ao PT, ela “não fez nenhum esforço
real, ainda que formal, para permanecer no PT”. Estes setores
consideraram que isto foi facilitado pelo erro de encaminhamento
da direção petista. De qualquer forma, ainda não davam este
assunto por concluído. Isto porque, nessa avaliação, permaneciam
diferenciações na CS e sua proposta poderia se chocar
com a realidade:
“Consideramos
que o PT deverá ficar atento para identificar eventuais
movimentos da CS ou de parte dela para voltar ao
PT. Uma vez que a CS tem muitos militantes combativos
e valorosos, o nosso interesse é que voltem ao PT”.
A exclusão da CS acelerou o processo de construção
da FR. Em maio, foi lançado o Primeiro caderno
de Debate Rumo ao EN. Resultado de uma reunião nacional
entre diversas correntes, coletivos e militantes, este documento
apresenta os pontos estratégicos do Movimento Pela Construção
da Frente Revolucionária.
Esse movimento tem, nesse primeiro momento, uma estrutura
e funcionamento transitório com ampla flexibilização interna.
É facultado a cada corrente, coletivo ou indivíduos, total
independência política e organizativa. A base do acordo
entre eles seria os pontos programáticos definidos e a Carta
de Princípios.Estes princípios compõem um projeto estratégico,
cujos pontos principais são:
-
a idéia de que não existiu socialismo no Leste Europeu e
que este sistema só pode ser vitorioso em escala mundial;
-
a permanência da “disjuntiva reforma ou revolução”;
-
a negação da estratégia etapista (que estaria sendo retomada
pelo PT sob nova roupagem teórica tipo “modernidade”,
“hegemonia na sociedade civil”, ‘democracia como valor
estratégico” etc., combinado com uma descarada política
de pactos sociais e unidade das oposições no parlamento”);
-
afirmação da luta “pela revolução socialista que destrua
o estado burguês e seu sistema político, através da mobilização
e auto-organização da classe que toma o poder em suas
mãos e impõe um regime de democracia operária”.(grifos do original)
Em junho, este projeto foi assumido publicamente pela CS
e diversos agrupamentos, coletivos e militantes. A FR
caracterizou a expulsão da CS como a “morte política
do PT” das origens.Diante disso, só restaria às forças políticas
da esquerda petista abananarem o partido e aderirem à sua
construção.
Entre as forças que compunham a FR, a maior organização
era, sem dúvida, a CS. Outra organização com destaque
era o Partido da Frente Socialista (PFS) – ex-PLP.
Já em janeiro de 1992, esse partido lançara a proposta de
construção de uma alternativa dos trabalhadores. Entre outros
pontos, concluía que o PT abandonara de vez a “luta contra
o sistema capitalista” e partia para a tentativa de melhorá-lo.
Assim, conclamava os revolucionários a saírem do PT pois,
do contrário, estariam sendo “fiadores de um projeto que
engana os trabalhadores” e cometendo os mesmos erros dos
”companheiros de luta que ainda estão em partidos como o
PDT, PSB e PCB”.
As divergências no PLP-PFS refletem os embates teóricos
e práticos na FR.
Em sua trajetória, ela não conseguiu estabelecer uma intervenção
unitária na conjuntura. Esta dificuldade se fez presente
na campanha Fora Collor!, onde cada organização terminou
por participar com política e perfis próprios. Por outro
lado, também não manteve a unidade em torno do processo
eleitoral: enquanto a CS e o PFS propôs a
participação e o apoio crítico ao PT, a minoria defendeu
o voto nulo. Na questão do plebiscito de abril de 1993,
a posição inicial da CS foi pelo “parlamentarismo
democrático”. Vários setores defenderam o voto nulo (a CS
acabou assumindo esta proposta)
A FR, impulsionada pela CS e aliada a uma ala
da CUT pela Base e do PT, promoveram o Encontro
Nacional do Movimento Sindical e Popular. Realizado
em agosto de 1992, em Belo Horizonte, este encontro aprovou
a luta pela antecipação das eleições gerais e contra a posse
de Itamar.
A base comum que proporcionou a formação da FR, a
crítica à adaptação do PT à institucionalidade burguesa
e a sua Carta de Princípios, mostrou-se insuficiente.
Os desencontros concretos no cotidiano do desenrolar das
lutas sociais aliado às diferentes concepções em seu seio,
fruto das experiências e tradições diferenciadas, terminaram
por se constituir em entraves que paralisaram sua ação e
resultou na conformação de dois blocos em seu interior:
a maioria composta pela CS, PFS, o Movimento Socialista
Revolucionário, a Democracia Operária, a Liga, além de Edinaldo Leite (PB), Luiz Alvez
(fundador do PCB), Dário (Presidente da CUT-RN) e Enio Bucchioni
(Diadema-SP); a minoria integrada pelo Grupo Independente
de Diadema, o coletivo Luta
de Classes, o PLP (dissidência do PFS,
basicamente no Rio de Janeiro e Paraíba) e por militantes
de bairros de São Paulo.
Os setores minoritários formaram o denominado Alinhamento
e pressionaram a maioria a aceitar a participação na FR
de organizações como a CO, a T-POR, o Partido
da Revolução Operária (PRO)e outros agrupamentos menores. Este
setor criticou a política de vetos da CS e
da maioria da FR.
Para a CS a questão de fundo era a tática e a estratégia.
As propostas do Alinhamento e dos seus aliados estariam
deslocadas da realidade do movimento de massas, significava,
na prática, a recusa à disputa das massas ainda confiantes
no PT e na CUT. Isto pressupunha atuar no movimento real,
inclusive no campo institucional. Esta seria a forma de
construir o partido revolucionário e não um clube de
discussão. Para a CS :
“A
construção deste partido é incompatível com os projetos
de seitas, sejam pequenas, minúsculas ou inexpressivas,
que infelizmente se deformaram por muitos anos de marginalidade
social e política”.
A crítica da CS visa particularmente seus adversários
no campo do trotskismo, vetados desde a formação da FR:
a CO e a T-POR.Em defesa desses setores, o Alinhamento
argumentou que “uma frente não é um partido e tem objetivos
e práticas diferenciadas deste”. Expressa, assim, a idéia
de que a FR deveria flexibilizar sua estrutura organizativa,
garantindo a convivência dos diversos agrupamentos com fisionomia
própria. Na prática, questionavam o processo, já em andamento,
de aprofundar a centralização da
FR, no sentido de gerar as condições para
a formação do partido
revolucionário.
Na reunião de 05 de março de 1993, concretiza-se a ruptura
entre a maioria e a minoria. O bloco majoritário considera
inviável a manutenção da FR nos moldes anteriores
e decide lançar formalmente um movimento por um partido
revolucionário: a Frente Socialista – Por um Partido
Revolucionário. Essa organização aprova a intervenção
unitária no plebiscito de abril e na preparação do 1º de
maio; marca a data para um encontro nacional – que lançaria
o movimento pela formação do novo partido; e, elege uma
coordenação provisória composta por João Ricardo Soares
(CS), Lays Machado (Liga), Henrique Acker
(PFS) e Enio Bucchioni.
Diante da formalização da cisão, a maioria propôs à minoria
a não utilização do nome FR, sob a justificativa
de que este era patrimônio comum de um período importante
no pós-ruptura com o PT. No entanto, a minoria acabou por
resgatar a FR, procurando compô-la com aqueles setores
vetados.
A ruptura da FR original deu lugar à realização de
dois encontros nacionais no início de abril. O 1º Encontro
Nacional da FR patrocinado pelo Alinhamento,
teve a participação de noventa e oito pessoas (que assinaram
a lista de presença), além dos convidados que representavam
a CO, a T-POR, o PRO e militantes sindicais
com atuação no Sindicato dos Condutores de São Paulo.
Também foram convidados a Frente Socialista, a Corrente
Socialista dos Trabalhadores (CST) e o grupo
Rebelião Operária.
A CO, um dos principais motivos de toda a polêmica
no interior da ex-FR, exigiu que o Alinhamento fizesse
um balanço autocrítico e propôs a transformação da organização
formada por estes num Comitê pró-FR, recusando-se
a integrar um processo em andamento. Diante da rejeição
ao seu ultimato, se retirou do reunião.
No outro encontro, que reuniu cerca de 700 militanteslançou o Movimento Pró- Partido Socialista
dos Trabalhadores Unificado e aprovou uma resolução
política que declarava a oposição intransigente ao governo
Itamar, à política neoliberal e a todas as instituições
do regime democrático burguês; contra qualquer pacto social
e por um programa anti-capitalista.
A polêmica mais acentuada se deu em torno da tática eleitoral.
Vários militantes defenderam o lançamento de candidatura
própria, alternativa à do PT/FBP. Após várias intervenções,
foi aprovado por aclamação uma resolução que conclamava
o PT e outras forças políticas do movimento de massas a
se empenharem por um programa anti-capitalista. A decisão
do apoio à uma possível candidatura Lula ficou em aberto.
Outra discussão acalorada ocorreu quanto ao nome deste movimento.
Após inúmeras sugestões, o nome adotado surgiu por consenso
na reunião ampliada da Coordenação Nacional, no próprio
encontro. Os delegados aprovaram ainda a estrutura organizativa
e a edição de um jornal; pronunciaram-se favoravelmente
à garantia da independência política dos diversos coletivos
até o congresso de fundação do partido (a unidade deveria
se dar pela confiança mútua, na discussão do programa e
pela intervenção comum na conjuntura); e, elegeram uma coordenação
provisória composta por 27 membros e com a tarefa de preparar
o congresso.
À Coordenação Nacional coube ainda a tarefa de organizar
a discussão sobre a concepção de partido. Sobre este tema,
foram levantadas as seguintes questões: 1ª) qual o sujeito
social da revolução e que conseqüências tem esta definição
sobre a política e a forma da organização partidária; 2ª)
o que se entende por centralismo democrático e quais os
seus desdobramentos práticos.
O Alinhamento aprovou a reestruturação da FR
elegendo uma Coordenação Nacional de caráter executivo,
composta por dois representantes de cada organização e dos
independentes (com direito a um voto). Ainda em abril, a
FR divulgou um manifesto assinado por dez coletivos
e organizações, todos de abrangência e expressão social
limitada. Representam, sem trocadilho, a vanguarda da vanguarda.
O manifesto da FR defende as bandeiras clássicas do
marxismo, desfia um discurso ortodoxo e principista e apresenta-se
como uma instrumento que organiza os revolucionários para
intervir na luta de classes cotidiana e “garantir a unidade
dos explorados contra os exploradores”.A frente nem mesmo conseguiu garantir
sua unidade.
Passada a turbulência dos encontros nacionais, o Movimento
pró-Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado voltou-se
para a preparação do congresso de fundação do novo partido.
Em setembro foi lançado seu jornal e a CS cancelou
a publicação do seu periódico. Esse elemento demonstra a
intensificação da tendência à auto-dissolução das suas correntes
internas. O movimento lançou oficialmente a campanha de
filiação e de formação de núcleos em todo o país. Ainda
neste mês, conquistou o registro provisório: o PSTU poderia
concorrer nas eleições de 1994.
Paralelamente às atividades práticas e ao processo eleitoral,
desenvolve-se o debate em torno do programa, dos estatutos,
da concepção de partido etc. Realizam-se diversas reuniões,
seminários temáticos e publicam-se vários textos. Nesse
contexto, um grupo de militantes independentes (Diadema
e Santo André) e o Coletivo Luta Socialista (CLS),
que tinha entre seus membros o dirigente da Coordenação
Nacional do PSTU, Henrique Acker, polemizam com a maioria
da direção sobre o método de elaboração do Anteprojeto do
programa e dos estatutos. Eles afirmam que o processo descaracterizou
“a própria possibilidade de construção de um novo projeto
programático, já que, na prática, acabaram prevalecendo
as posições de um setor de dirigentes da CS e da
Liga, sem oportunidade aos demais coletivos e indivíduos
de expor suas dúvidas, posições, acordos e diferenças ao
conjunto da militância do MPSTU”.
Consideram ainda que as teses da maioria pecam por não levar
às últimas conseqüências a análise sobre a revolução russa,
embora se fundamentem nela. Teria faltado uma avaliação
“mais acurada” das razões que levaram-na “ao processo de
degeneração que redundou na supremacia da burocracia stalinista”.
Diante disso, propõem
que o congresso do PSTU limite-se a fazer um balanço da
sua construção, sem colocar o programa em votação. Ao mesmo
tempo, criticam a concepção de partido da maioria, a qual
teria um grave desvio:
“O
partido é entendido não pelos seus objetivos e metas que
propõe aos trabalhadores, mas ao que se propõe ser, ou seja,
direção da luta dos trabalhadores e demais explorados. Trata-se
de uma visão auto-proclamatória excludente e que pode nos
levara uma política sectária no movimento e no trato com
as demais forças revolucionárias”.
As conseqüências desta concepção se traduzem numa dada visão
de centralismo democrático, excessivamente centralizador
nas mãos do Comitê Central. Para a minoria, isso seria a
reedição do partido coluna de quadros, cuja matriz
teórica estaria na III Internacional. Esta deformação burocrática,
ainda na análise minoritária, estaria na estrutura do partido
sob a forma piramidal, no excessivo controle dos seus órgãos
de imprensa, no casuísmo que permite a determinados setores
manter relações internacionais – numa clara referência à
ligação da CS com a LIT e em flagrante contradição
com a proibição de tendências e frações internas.A crítica à proibição de Tendências e
frações é assumida por setores minoritários: Socialismo
Classista, Luta de Classes e o Núcleo de Independência
Proletária.
Este elemento é particularmente interessante. Como vimos,
a CS foi uma das mais aguerridas combatentes pelo
direito de tendência – e mesmo de fração. Agora, majoritária
no novo partido, restringe este direito ao período pré-congresso
e, suprema ironia, defende a mais rigorosa centralização
da atividade partidária, condição para superar a frente
de organizações e coletivos predominantes nesta fase. O
contrário seria repetir os erros do PT e correr o risco
do PSTU transformar-se de forma permanente numa frente
de tendências.
Os representantes da maioria Eduardo Almeida e Walter Toledo,
primeiro censuraram os críticos por esperarem sete meses
para pronunciarem-se e, mesmo assim, não estariam apresentando
sua posição “com a clareza que a defenderam em documentos
anteriores e nos próprios seminários”. (sic.) A minoria
estaria diluindo a questão central em “perguntas e problemas
menores”.
Qual, então, seria a problemática nuclear? Para a maioria
a resposta está na rejeição do “modelo de partido bolchevique
e da III Internacional”. A concepção da minoria, no entendimento
de Almeida e Toledo, deriva da visão de que “o stalinismo
não foi uma contra-revolução, mas uma continuidade do bolchevismo,
da qual tem origem”. Assim, ela estaria atacando os bolcheviques
pelos seus acertos e não por seus erros.
Segundo Almeida e Toledo, a minoria tem um “modelo de partido
semi-anárquico que, “ao se materializar em exemplos concretos,
se transforma em outra coisa, muito próxima da estrutura
social-democrata do PT” ou seja, da democracia para os dirigentes.
Contra o democratismo da minoria, reafirmam o centralismo
democrático bolchevique. Eles acusam-na de quererem transformar
o partido num clube de discussões, diluído em seu
próprio internismo. Admitem a constituição de grupos
provisórios e consideram que a discussão pode fluir
através dos organismos partidários.
O fundamental nesta polêmica é a compreensão de que ambas
as concepções de partido refletem não apenas balanços diferentes
sobre o processo revolucionário russo, mas também concepções
divergentes sobre o Estado, a sociedade e as estratégias
decorrentes.
Essa discussão programática consolida a posição da maioria.
Suas teses insistem na maturidade das condições objetivas
em contradição com as insuficiências das condições subjetivas.
Reafirmando uma velha tese trotskista, o problema principal
continua sendo a inexistência de uma direção revolucionária,
em nível nacional e mundial.
No quadro internacional, as teses afirmam a necessidade de
“uma nova revolução contra a burocracia” contra o processo
de restauração capitalista nos países do Leste. Sobre Cuba,
consideram que sua defesa diante dos ataques do imperialismo
passa pelo combate “contra a burocracia castrista”.
Neste quadro, a construção do partido internacional, torna-se
premente. De novo, reafirma-se a concepção de partido de
quadros: os profissionais da revolução, a vanguarda
organizada e consciente da classe, o “estado maior da revolução”.
É com esta concepção que o PSTU lança-se à tarefa de construir
a Internacional, abrindo a discussão interna e tendo como
referência seu próximo congresso.
Elaborada e publicada durante a campanha eleitoral de 1994,
as teses visualizam a possibilidade de se configurar um
governo da FBP liderado pelo PT e caracteriza como
um governo burguês diferente dos outros, mas com
uma política “globalmente contra-revolucionária”. A tática
contra este governo deveria ser a mesma que os bolcheviques
adotaram contra o governo Kerenski de fevereiro de 1917.
Contra um possível governo Lula, o PSTU aconselha o “método
de exigências e denúncias sistemáticas”.
Essa caracterização, admite as teses, é comum aos sectários.
A diferença estaria em que estes últimos não tomam em conta
a “característica específica do apoio das massas em seu
primeiro momento”. As ilusões das massas exigiriam uma adaptação
da política à realidade. Além do mais, o governo democrático
popular é concebido como uma oportunidade histórica para
a construção da direção revolucionária pois, a experiência
direta das massas
poderia abrir espaços para a demonstração cabal da falência
da política petista.
Essa perspectiva pressupõe que o PSTU acerte em sua linha
política. Caso contrário, prevê as teses, as hipóteses seriam
ou o seu desaparecimento, resultante de uma “política oportunista”;
ou sua consolidação como uma “seita, desligada dos processos
reais do movimento de massas”.
É com essa orientação política que o PSTU participará das
eleições. O partido apoiou criticamente a candidatura Lula,
defendendo o nome de Osmarino Amâncio como vice e reivindicando
que o MST assumisse essa proposta. Esta coligação deveria
passar por uma negociação com o PT, onde cada partido manteria
sua independência e em torno de um programa. “O PSTU defenderá
o voto em Lula, mas não assumirá compromisso algum com seu
programa de governo”, declarou.O partido defendeu ainda que o PT lançasse
candidaturas próprias aos governos estaduais; e se opôs
à revisão constitucional e ao Plano FHC.
O PSTU lançou candidatos nos Estados do Ceará – em aliança
com o PRO – Pernambuco e Maranhão. No primeiro caso, o PSTU
fez um acordo com Maria Luiza Fontenelli, candidata ao senado.Em Pernambuco o candidato foi Joaquim
Magalhães; no Maranhão, Francisco Chagas. Todos tiveram
uma votação inferior a 3%.
Em todo o país, o PSTU lançou cinco candidatos ao senado,
vinte a deputado federal e trinta e três candidaturas às
Assembléias Legislativas – incluindo os candidatos a deputado
distrital de Brasília. Entre os candidatos destacam-se:
Ernesto Gradella, Cyro Garcia (RJ), José Alvarenga (RS)
e Martiniano de Carvalho (GO). Dentre os que disputaram
para deputado estadual estava Valério Arcary. O desempenho
eleitoral do PSTU foi pífio: não elegeu nenhum candidato.
Numa primeira avaliação desse processo, o PSTU debitou o
insucesso eleitoral ao Plano Real (denunciado sistematicamente
em sua campanha) e ao fato da simpatia e apoio da vanguarda
dos trabalhadores não se traduzir em votos já que, como
reconheceu, o PT continuou sendo “a principal e maior referência
para esta militância”.
A não reeleição de Gradella – que era deputado federal pelo
PT – deveu-se a estes e outros fatores específicos da realidade
da sua base eleitoral (em São José dos Campos-SP): redução
do setor industrial, principalmente metalúrgico; a experiência
negativa dos trabalhadores com o PT a prefeitura; e o fortalecimento
da direita.
No segundo turno das eleições o PSTU defendeu criticamente
as candidaturas do PT no Espírito Santo (Vitor Buaiz), Rio
Grande do Sul (Olívio Dutra) e no Distrito Federal (Cristóvam
Buarque). Nos demais Estados, propôs o voto nulo contra
os patrões.
Essa política não evitou o rompimento com o governador eleito
Cristóvam Buarque. Os motivos alegados foram o método de
escolha dos ocupantes dos cargos diretivos (pela cúpula
e não pelos organismos dos trabalhadores, como queria o
PSTU) e a ampliação do leque de alianças que teria caracterizado
uma coalizão com os patrões.
Para o PSTU, a derrota de Lula ocorreu porque a burguesia
se mostrou capaz de unificar-se em torno de um projeto (o
Plano Real), de incorporar as camadas médias da população
e imobilizar o proletariado. Além disso, o lado de cá
vacilara. Esta vacilação se expressara no fôlego que o PT
dera ao governo Itamar, ao defender a sua governabilidade;
ao não apresentar um programa alternativo classista; e,
devido às alianças feitas e a necessidade de apresentar
a candidatura Lula como aceitável.
A derrota eleitoral decretara o fracasso da estratégia colaboracionista
fundada no seguinte tripé: a política de alianças; o respeito
á institucionalidade; e, o rebaixamento programático (política
distributivista). Por outro lado, a votação que Lula obteve
(27%), foi considerado como um fator positivo Este índice
foi superior ao que Lula atingiu no primeiro turno da eleição
de 1989 e, na avaliação do PSTU, representou a adesão de
mais de 70% dos setores sindicais, populares e estudantis
organizados. na base sindical, popular, camponesa e estudantil
organizada.
Ver: “Em Tempo e o encontro do PT-SP:
resoluções positivas?”. Convergência Socialista,
nº 144, 07 a 13.10.1987; e, “Ainda o documento do Encontro
Estadual do PT-SP. Resposta a João Machado”. Convergência
Socialista, nº 148, 04 a 10.11.1987.
“Editorial: Nossa posição”. Convergência
Socialista, nº 154, 20.01 a 03.02.1988, p. 03.
Bernardo Cerdeira. “Rompemos com essa
administração”. Convergência Socialista, nº 218,
22.07 a 02.08.1989, p. 03.
Esta política foi criticada pela Articulação
e por setores que a CS caracterizava como centristas.
Ver, por exemplo, a polêmica com a DS em: Américo Bernardes.
“O novo giro sectário da Convergência Socialista”. Em
Tempo, setembro de 1989, pp. 18-19; e, “Resposta ao
Em Tempo: o novo giro oportunista da DS”. Convergência
Socialista, 06 a 12.10.1989, p. 04.
A face pública deste evento foi a realização
de um ato no Palácio das Convenções do Anhembi, em São
Paulo, em 15 de julho. Nos dias 16, 17 e 18, realizou-se
a Conferência Nacional, restrita aos militantes e aos
convidados. Sobre as decisões desta Conferência ver: CN.
Resolução Política, s.d., 06 págs.
No primeiro semestre de 1989, setores
da CS apresentaram, num documento interno, a análise
de que o PT integrara-se à base de sustentação do regime
burguês. Estava aberta a hipótese de construção da Frente
Única Revolucionária com os setores que rompessem com
a Articulação e tivessem um curso à esquerda. “Apostar
em uma nova direção revolucionária é apostar na construção
de nossa organização como alternativa à direção da CUT
e do PT”, afirmam. (p. 20) Na linguagem interna, este
texto foi apresentado como de um grupo de companheiros
de São Paulo, sob a sigla MTR. Em nota introdutória, o
secretariado esclarece que a posição do CC é oposta ao
documento citado.
Apolônio de Carvalho. “Momento de exclusão”.
Teoria & Debate 9, jan./fev./mar. de 1990,
pp. 64-68.
Diretório Nacional. O PT e as Organizações,
op. cit.
Secretaria Nacional de Organização.
Instruções às instâncias sobre a dupla militância.
02 de abril de 1990
José Arbex. “Direção do PT quer ‘stalinizar’
o partido”. Folha de S. Paulo, 16.05.1990.
Referência à resposta da CS ao
artigo de Apolônio, feita por Valério Arcary, publicada
na Teoria & Debate 10, maio de 1990, na seção
de cartas, pp. 70-72. Nesse mesmo número, o dirigente
nacional do PT e da CS concedeu uma entrevista
à Ricardo Azevedo, na qual rebatia as críticas à sua Tendência.
Ver: Ricardo Azevedo. “Qual é a tua, Convergência?”, Teoria
& Debate 10, pp. 54-60. A resposta de Gushiken
está em: Luiz Gushiken. “As brumas de Moscou”. Folha
de S. Paulo, 25.05.1990.
Luiz Gushiken. “Luta em solo minado”.
Teoria & Debate 10, maio de 1990, pp. 02-05.
Essa
é a argumentação de Valério Arcary na entrevista, já citada,
a Ricardo Azevedo. Mais do que divergências organizativas,
temos aqui concepções diferentes sobre o papel e função
das administrações sob controle petista. Governar para
todos ou para a classe? Caso o partido se oriente pela
segunda opção, irá se confrontar com outra contradição:
aquela que envolve os diferentes interesses no interior
da classe trabalhadora. Como vemos, a questão não é simples.
De qualquer forma, a opção da CS insere-se dentro
da linha política adotada nessa fase: a prioridade era
resguardar a organização.
Comissão Executiva Nacional. A situação
da “Convergência Socialista. São Paulo, 14 de maio
de 1990.
Valério Arcary – pela Coordenação Nacional
da Convergência Socialista. Carta à Executiva Nacional.
São Paulo, 06 de maio de 1990.
Comissão Executiva Nacional. A situação
da “Convergência Socialista”, op. cit.
Sessenta e sete foram a favor da política
de adaptação ao PT, doze contra e houve duas abstenções.
Trechos do documento da maioria foram
publicados em: Joaquim Soriano. “O novo curso da Convergência
Socialista”. Em Tempo, julho/agosto de 1990,
pp. 13.14.
“Explodiu o Stalinismo”. Correio
Internacional, nº
05, abril de 1990, pp. 07-10.
“Editorial: A proposta do trotskismo”.
Correio Internacional, nº 07, julho de 1990, pp.
03-05.
A situação revolucionária é definida,
nos termos de Lênin, como uma conjuntura em que “os de
cima não podem
mais governar como antes e os de baixo não aceitam mais
viver como antes”. Essa análise pode ser encontrada na
resolução da maioria, citada acima. Ver: Joaquim Soriano.
“O novo curso da Convergência Socialista”, op. cit.
Id. A lógica que prevalece nesse raciocínio
continua sendo aquela da existência da crise de direção
e, portanto, da necessidade de construí-la a partir de
um núcleo revolucionário – ou seja, a própria CS.
Id. “Os companheiros que deixam de lado
a disputa pela maioria do PT na verdade fazem frente com
aqueles que, na Articulação, querem ter as mãos
livres para levar o partido ao caminho da conciliação
de classes. Não entendem a importância da disputa pela
direção do PT, para construir o partido como ferramenta
da emancipação dos trabalhadores e do socialismo com democracia.
Esse é o nosso caminho”, afirma a resolução da maioria.
Convergência Socialista. Em defesa
do socialismo com democracia. Por um PT de luta. In:
Teses para o 7º Encontro Nacional, op. cit. p.
22.
Reunido em maio, o DN aceitou o parecer
da CEN sobre a CS e
OT.
São documentos que, na época, tinham
circulação restrita à CS; a maioria sem datação
exata e/ou identificação de autoria. Pelo caráter dessa
documentação preferimos manter o anonimato dos seus atores
– isto quando eles se identificam – excetuando-se os casos
assumidos pela organização ou seus organismos dirigentes.
Convergência Socialista. Alerta aos
Petistas: Em defesa do PT das origens, 1991, mimeo.,
02 págs.
“Articulação
leva PT à domesticação”. Convergência Socialista,
06.12.1991 a 17.01.1992, p. 08. Embora recusem a caracterização
social-democrata da CS e
OT – e também o PC do B, Folha de S. Paulo
e outros – muitos na Articulação compartilham da afirmação
de que a fábula esquerdista do lobo social-democrata
tem fundamento na realidade partidária. A fábula do lobo
foi uma ironia de Pomar à esquerda e, ao mesmo tempo,
o reconhecimento do perigo social-democrata. “A distância
entre as bases e a direção, os impasses do sindicalismo
cutista, as pressões administrativas percebidas em nossos
governos municipais, os reiterados deslizes éticos que
têm ocorrido em nosso meio são alguns sinais do perigo”,
afirma. Pomar observa ainda que a propaganda da Folha
de S. Paulo sobre o pretenso caráter social-democrata
do PT, objetiva o fortalecimento dos setores que, em seu
interior, “defendem uma estratégia não-revolucionária”.
Ver: Valter Pomar. “O lobo, o calcanhar de Aquiles e a
Articulação”, op. cit., p.14
A relação dos signatários deste manifesto
ilustram a composição das forças políticas inicialmente
envolvidas neste processo. São elas: Coletivo Revolucionário
(RJ); Coletivo Petista da Paraíba: Rumo Socialista, Grupo
da Construção Civil e Independentes; Convergência Socialista;
Democracia Operária (POA); Grupo Independente (Diadema);
Luta de Classes (SP); Movimento de esquerda Independente
(RJ); Movimento Rumo ao Socialismo (PB); Movimento Socialista
Revolucionário (REC); Sociedade Diferente (SBC); Tendência
Socialismo Classista do PT (POA); Enio Bucchioni (PT-Diadema);
Isabel (Vice-presidente DCE UFF); Magno de Carvalho (Diretor
da FASUBRA e SINTUSP); e, Núcleo Independência Proletária
(Porto Alegre). Vale ressaltar que nem todos participaram
da formação do PSTU. Ver: Manifesto Por Uma Alternativa
Revolucionaria e Socialista, s.d. publicado em formato
jornal, 4 pp.
É evidente o peso determinante da CS
e, portanto,
do trotskismo. Mas há outras filiações e/ou simpatias
com outras vertentes do marxismo. Inclusive, há a presença
de setores sem experiência orgânica anterior ao PT: é
o caso do Grupo Independente de Diadema que, sob a liderança
do Tonhão, forjou-se nos embates do PT nessa cidade e
nos confrontos com a política oficial e a Articulação.
“Representação de Zé Dirceu contra a
CS ”. Convergência Socialista, nº 327, 11
a 24.04.1992, p. 03. José Dirceu, demonstrando seus dotes
advocatícios, conclui sua representação argumentando que:
“A justificativa para a presente proposta é a realidade,
e o que é público e notório, dispensa provas, como diz
o direito da gente, a tradição, os costumes e a própria
lei”
Que, segundo a CS, teria criticado
publicamente a decisão de romper relações com o PC chinês
após o massacre na Praça da Paz Celestial.
“Articulação quer expulsar Convergência
do PT”. Convergência Socialista, nº 327, 11 a 24.04.1992,
p. 03.
Valério Arcary. “Aonde vai o Partido
dos Trabalhadores?” Convergência Socialista, nº
328, 18 a 24.04.1992, pp. 10-11.
Id. Sem entrar no mérito do seu argumento,
é importante observar que a crítica à indisciplina da
CS não resulta automaticamente na aceitação da
indisciplina de outros. A DS foi contra a expulsão
da CS e,
entre as razões argüidas, estava o fato da direção petista
não ter combatido com a mesma veemência “outros setores
que se chocavam contra as posições do partido”. (João
Machado. “A CS deve
voltar ao partido”. É Hora da Frente Revolucionária
. São Paulo, CS Editora, formato jornal, junho de 1992, 04 págs.) A questão de fundo,
como fica evidente em vários textos da CS e da
DS é a
concepção de partido, ou mais precisamente como cada Tendência
caracteriza o PT.
Fora Collor Já! Por Um PT Revolucionário
e Socialista! 1º de Maio de 1992. (assinam vários
agrupamentos e militantes).
João Machado. “A CS deve voltar ao partido”,
op. cit.
A CEN, reunida em 18 de maio, fixou
o dia 25 daquele mês para a CS adaptar-se ao regulamento
sobre as tendências aprovado no 1º Congresso. Caso contrário,
ela perderia sua condição de tendência interna do PT e
passaria a ser tratada como uma “organização política-partidária
autônoma, estranha ao Partido”. Ver: Secretaria Geral
Nacional. Resolução sobre a CS . São Paulo, 19
de maio de 1992. In: Boletim Nacional, maio de
1992, p. 05.
“A Convergência está fora do PT”.
Boletim Nacional, maio de 1992.
Ver: “Recurso contra a expulsão apresentado
pela Convergência Socialista” e “A reposta da Executiva
ao recurso da CS” no jornal Convergência Socialista,
nº 332, 06 a 12.06.1992, p.11.
Ver a Declaração assinada por:
João Machado (DN), Jorge Almeida (DN), Joaquim Soriano
(DN), Renato Simões (CDN), Lauro C. Marcondes (CDN), Luiz
Eduardo Greenhalgh (DN), Valdisio Luís Caldas Fernandes
(DN), Alberto Bastos (DN), Tatau Godinho (CDN), Eduardo
Albuquerque (Executiva MG), Marcos Sokol (DN), Ronald
Rocha (DN), Ignácio Hernandes (Presidente PT/MG), Nelson
Vicente Portela Pelegrino (Presidente PT/BA), Arlete Sampaio
(DN), Edmilson Menezes (DN), Gilson Lyrio (CDN), Bruno
Maranhão (CDN) e Serys Slhessarenko (CDN). In: “CS é assunto
encerrado”. Boletim Nacional, agosto/setembro de
1992, p. 05.
“É errada porque a direção tem internamente
amplas condições de levar uma luta política com a Convergência
Socialista. Para isso é necessário que a CS esteja no
PT. Não se pode admitir processos disciplinares sumários
para o tratamento de divergências políticas que não são
exteriores, mas de fato, internas, ao Partido”, afirmou
Soriano. Ver: Joaquim Soriano. “Perigo: Convergência Socialista
fora do PT”. Em Tempo, maio/junho de 1992,
pp. 08-09.
Id. A proposta da DS teve o apoio
de Rui Falcão, Luís Eduardo Greenhalgh e Jorge Almeida.
Tilden Santiago (deputado federal-MG),
Ednaldo Leite (DR-PB), Rogério Correia (DR-MG); Maria
Laura (PT/DF), Eduardo Suplicy (senador por São Paulo),
Antônio Justino (Vice-prefeito de Diadema), Washington
Costa (Presidente da CUT/RJ), Luiz Eduardo Greenhalgh
(Vice-prefeito de São Paulo) também se pronunciaram publicamente
nas páginas do jornal CS . Ver: “Lideranças petistas
condenam expulsão da CS”. Convergência Socialista,
nº 329, 09 a 15.04.1992. “Mais petistas contra a expulsão
da CS”. Convergência Socialista, nº 330, 1º a 08.05.1992.
“A Convergência está fora do PT”. Boletim
Nacional, op. cit.
“O PT que construímos em 80 está morto”.
Convergência Socialista, nº 332, 06 a 12.06.1992,
p. 12.
Luta de Classes era composta
pela maioria da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores
da Universidade de São Paulo (SINTUSP), um grupo de militantes
com atuação no PT de Pirituba e Perus (SP), além de militantes
petistas da zonal do Butantã (SP). Entre outros, destaca-se
os dirigentes Carlos Bauer (membro da CUT-SP) e Magno
de Carvalho (diretor do SINTUSP).
Florestan Fernandes. “A Convergência
Socialista”. Folha de S. Paulo, 22.06.1992.
Citado in: A Convergência está fora
do PT. Boletim Nacional – PT, op. cit.
Valério Arcary. “É preciso construir
alternativa ao PT”. É Hora da Frente Revolucionária,
op. cit.
Referência à traição da social-democracia
na I Guerra Mundial. Essa é a argumentação de João Machado,
mas expressa a opinião das tendências que permanecem acreditando
que o PT ainda é um projeto em disputa. Ver: João Machado.
“A CS deve voltar ao partido”. In Id.
Valério Arcary. “É preciso construir
alternativa ao PT”, op. cit.
“CS
é assunto encerrado”. Boletim Nacional,
op. cit.
É reafirmado a análise anterior, só
que, agora, sem qualquer ambigüidade. Ver: Movimento pela
Construção da Frente Revolucionária. Primeiro Caderno
de Debate Rumo ao Encontro Nacional, maio de 1992,
08 págs.
Os princípios que fundamentam o acordo
mútuo são: 1) a independência de classe: contra todos
os pactos com a burguesia no movimento sindical, no campo
institucional etc.; 2) defesa da democracia operária:
total liberdade de expressão, proporcionalidade, assembléia
democrática para todas as questões importantes, contra
a burocratização dos sindicatos e da CUT; 3) por uma moral
e ética revolucionária: método coletivo de trabalho assentado
na lealdade e nos laços de confiança; contra os métodos
de calúnia, de dissimulação, de agressões físicas – aceitáveis
apenas contra os inimigos de classe, diante da necessidade
de preservar a organização revolucionária e a integridade
física dos seus militantes; 4) a necessidade estratégica
de um partido revolucionário – “que nada mais é do que
a forma organizada do programa revolucionário” – que agrupe
“a vanguarda mais consciente da classe operária”; e, 5)
caráter internacionalista do socialismo. (Idem., pp. 05-07).
“PT expulsa revolucionários”. É Hora
da Frente Revolucionária, op. cit., p. 02.
Partido da Libertação Proletária. Manifesto
por um Movimento dos explorados e Oprimidos. Fora Collor!
Construir uma Alternativa dos Trabalhadores! Janeiro
de 1992, 02 págs. A análise do PLP sobre o 1º Congresso
do PT coincidia com a CS. Em fins de 1991, sua
direção propôs a formação de um Movimento de Luta dos
Explorados, dentro do mesmo espírito do manifesto
citado.
Os integrantes desta organização atuam
basicamente nos bancários de Porto Alegre (RS). No PT
integravam o bloco de esquerda Alternativa PT Socialista
e Revolucionário. Um dos seus líderes era Victor Hugo
Ghiorzi, diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre.
A Liga formou-se a partir de
um setor da CUT pela Base com militância no PT
e que rompeu publicamente com este no início de 1993.
Das suas lideranças destacam-se: Júnia Gouveia (Executiva
Nacional da CUT e da Coordenação nacional da CUT pela
Base); Celso Lavorato (da Executiva da CUT-SP e também
da Coordenação nacional da CUT pela Base); Edmilson
Araújo (Confederação dos Trabalhadores Químicos de Sergipe);
Romulo Rodrigues (ex-diretor da CUT Nacional); Santiago
(Confederação dos Trabalhadores na Construção Civil do
Pará); Henrique Martins (da Executiva da CUT-MS); Lays
Machado (que era da coordenação estadual da TM em
São Paulo) e outros.
O PRO surgiu de uma cisão do
PRC, restrita ao Estado do Ceará. Seus militantes
foram expulsos do PT em 1988, devido a crise entre este
e a prefeita Maria Luiza Fontenelle, eleita por sua legenda.
Posteriormente, a ex-prefeita aderiu ao PSB, elegendo-se
deputada federal.
“Os sectários em geral e os incorrigíveis
em particular”. Convergência Socialista, nº 357,
11 a 17.02.1993, p. 07.
Esta é uma briga antiga. Neste
ponto, as acusações da ambos os lados são infindáveis.
A CS, por exemplo, acusou a Causa Operária de utilizar
métodos que feriam a ética e a moral revolucionária (calúnia,
falsificação , agressão física etc.). Ver: “Causa Operária:
deformações incorrigíveis”. Convergência Socialista
nº 356, 04 a 10.02.1993. O Alinhamento saiu em defesa
da CO, e dos demais. Afirmam que não se deve imputar a estas organizações
a “total responsabilidade sobre o comportamento desleal,
intempestivo ou desprovido de ética revolucionária de
alguns dos seus militantes”. Admite, portanto, a existência
destes desvios, mas seriam atos isolados que não abalariam
a confiança. Ver: “Alinhamento responde artigo da CS”.
Convergência Socialista, nº 359, 04 a 10.03.1993,
p. 10.
A Frente Socialista, por motivos
óbvios, nem se dignou a se manifestar sobre o convite;
os demais, apesar de não enviarem representantes, se dispuseram
a entabular negociações.
A CS não perdeu a oportunidade.
“É incrível! Depois de dez anos conseguem, enfim, alguém
que queira se aliar a eles e publicam um encarte atacando
publica e implacavelmente seus novos aliados”, ironizou.
A CS refere-se ao jornal da Causa Operária publicado
às vésperas da reunião onde, além das críticas habituais
à CS, se dedicavam a apontar os “limites do
Alinhamento”. Ver: “Causa perdida”. Convergência
Socialista, nº 365, 23 a 29.04.1993. A T-POR também
condenou o comportamento da CO, a qual não teria compreendido
o caráter do Alinhamento, surgido justamente por
sua oposição aos “vetos da CS e seus satélites”.
In: “09 e 10 de abril de 1993: Dois encontros das esquerdas”.
Massas, 2ª quinzena de abril de 1993, pp. 06-08.
Destes, 442 militantes eram de São Paulo,
sede do evento; 57 do RJ; 54 de MG; 49 do RS; 20 de Goiânia;
18 de Brasília; e, 32 da região nordeste.
As resoluções do I Encontro Nacional
deste movimento foram publicadas em formato caderno, 23
pp.
São eles: Luta de Classes, Grupo Independente
de Diadema, Partido da Libertação Proletária, Grupo Marxista
leninista (GRUMALE), Liga dos Comunistas, Coletivo dos
Independentes da Zona Sul (SP, capital); Frente Revolucionária
do Butantã (SP, capital), Partido da Revolução Proletária,
Tendência pelo Partido Operário Revolucionário e militantes
independentes da FR. Posteriormente, a maioria do coletivo
Luta de Classes retomou o processo de construção
do PSTU, rompendo com a FR.
Manifesto da Frente Revolucionária,
s.d., 10 págs.
“Crítica ao Ante-Projeto de Programa
do PSTU”. Rumo ao PSTU: Encarte preparatório do congresso
de fundação do PSTU”, 8 págs. Jornal do PSTU,
nº 15, de 20 a 26.05.1994.
“Crítica aos estatutos”. In ib.
“Contribuição sobre o centralismo democrático”,
in Ib.
Eduardo Almeida e Walter Toledo. “Duas
concepções de partido opostas”. In ib.
“A crise da humanidade continua sendo
a crise da direção revolucionária”, reafirma as teses.
Ver: Teses Programáticas para a Revolução Proletária.
Cadernos Desafio, 2. São Paulo, Editor Desafio,
agosto de 1994, p. 06. Essas teses, apresentadas como
um programa ainda inacabado, aberto à discussão com outras
forças revolucionárias, foram aprovadas no congresso de
fundação do PSTU.
“O PSTU nas próximas eleições”. Jornal
do PSTU, nº 7, 10 a 24.02.1994.
Maria Luiza havia rompido com o PSB
e o PRO não tinha registro eleitoral. A coligação não
representava unificação formal.
Gradella teve 19.200 votos – pouco abaixo
dos 19.723 votos conquistados nas eleições de 1990, mas
insuficientes para elegê-lo pela legenda do PSTU; Valério
Arcary teve 9.830 votos; dos candidatos ao senado os mais
votados foram Francisco Rocha (SE), com 8,1%
e Maria Luiza (CE), com 7,8%.
“PSTU se afirma como esquerda revolucionária”.
Jornal do PSTU, nº 28, de 14 a 20.10.1994,
p. 10.
Antônio Ricardo Guillen. “Por que o
PSTU não participará do governo Cristóvam Buarque?” Jornal
do PSTU, nº 33, 23 a 30.11.1994.
“Por
que Lula não venceu?” Jornal do PSTU, nº 28, 14
a 20.10.1994, p. 02. Em meio à campanha eleitoral de 1994,
na madrugada de 02 de julho, dois dirigentes do PSTU foram
barbaramente assassinados em São Carlos, interior paulista:
José Sudermann e Rosa Hernandes Sudermann.
“O fracasso da estratégia de colaboração
de classes”. Jornal do PSTU, nº 28, 14 a 20.10.1994,
pp. 06-07.
ANTONIO
OZAÍ DA SILVA
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