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ELIANE SEBEIKA RAPCHAN
Doutorado em
Ciências Sociais (UNICAMP) e Pós-Doutorado em Psicologia (IP/USP).
Professora do Departamento de Ciências Sociais da UEM.

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Darwin, materialismo radical e
singularidade humana
Eliane Sebeika
Rapchan
Charles
Darwin está entre um dos primeiros a sugerir a relevância de se
promover o estudo comparativo do comportamento dos animais, seres
humanos incluídos, como um procedimento adequado para se compreender
os processos evolutivos e o próprio comportamento. A expansão desta
abordagem nas últimas décadas, em especial a desenvolvida pelos
primatólogos, tem se tornado particularmente incômoda para os
cientistas sociais já que têm circulado publicações que afirmam a
existência de “tradições” entre os grandes símios (Fragaszy, 2003),
“culturas de chimpanzés” (Whiten et al., 1999, Wrangham et al.,
2001) e “disputas maquiavélicas” entre os chimpanzés (De Waal,
2000), sexo por prazer entre os bonobos (De Waal, 2007 ) temas, por
assim dizer, tidos como marcadores da humanidade e tomados como
matéria-prima exclusiva dos cientistas sociais.
Em fevereiro de 2009
completaram-se 200 anos do nascimento de Darwin e as idéias deste
homem gentil, discreto e amistoso, pensador criativo e pesquisador
rigoroso (Browne, 2007) estão entre os mais polêmicos produtos
intelectuais já produzidos. Ainda nesse ano, em outubro, seu mais
famoso livro, A origem das Espécies completará 150 anos desde
sua primeira publicação. E, apesar da grande polêmica gerada em
torno desse trabalho, vale lembrar que nele, Darwin evitou
intencionalmente tratar de duas questões espinhosas, desdobramentos
esperados de sua abordagem, mas que ficaram ocultos no texto: o
problema da origem da vida e o tema da origem humana (Browne, 2007).
Foi somente anos mais tarde, em 1871, que veio a público o livro
A origem do homem e Seleção em relação ao sexo seguido, em
1872, por A expresssão das emoções nos homens e nos animais.
No conjunto, estas três obras simplesmente afirmam a origem da vida
a partir de causas exclusivamente materiais, conduzem à idéia de
evolução a partir de um ancestral comum aplicando esse princípio a
todas as formas de vida inclusive a humana, incluindo o ser humano
na categoria animal e, por fim, associam comportamentos e emoções,
inclusive os humanos, aos processos evolutivos. Assim, enquanto
muitos festejam e celebram os aniversários de Darwin e d'A origem
das espécies muitos, se pudessem, fariam tudo para silenciar
definitivamente o aniversariante e suas idéias.
Vou explorar aqui
duas idéias darwinianas, entre as mais radicais. A primeira
refere-se à concepção materialista de que toda a vida origina-se e
modifica-se, desde sua origem, a partir de causas absolutamente
materiais. A segunda, desdobramento da primeira, inclui todo o
comportamento, inclusive o humano, no conjunto de fenômenos
resultantes de causas materiais. Sem entrar no mérito do
efervescente debate Evolucionismo versus Criacionismo, que
resultaria em outro tipo de artigo, gostaria de encaminhar o debate
para um terreno em que as fronteiras são mais sutis, complexas e
movediças. Trata-se da crescente vaga que tem estimulado, desde
1960, a ampliação das comparações entre o comportamento humano e o
comportamento dos grandes símios a partir de perspectivas
evolucionistas das relações (possíveis) deste fenômeno com as
ciências sociais, particularmente a antropologia sociocultural.
A perspectiva
materialista não é, absolutamente, estranha aos cientistas sociais
mas, em que pesem as várias facetas de suas manifestações no
pensamento antropológico, político ou sociológico, sob a influência
de Marx ou não, que aliás ao lado de Engels era um grande entusiasta
do materialismo à moda darwiniana, desde o início do século XX e
mais homogeneamente a partir do final da II Guerra Mundial, a
causalidade materialista nas ciências sociais restringe-se à
causação dos fenômenos sociais a partir da determinação exclusiva da
ação humana, consciente ou inconsciente, organizada ou caótica,
individual ou coletiva. Ou seja, parte-se do humano pronto,
“evoluído”, produtor e produto da sociedade e da cultura em que está
inserido para daí abordar questões de cultura, sociedade ou
política.
Não há grandes
questionamentos acerca da validade das idéias darwinianas sobre a
origem humana mas é como se, a partir da emergência da cultura e da
vida social, e quase nenhum cientista social quer realmente saber
como se deram os processos evolutivos e/ou adaptativos para
chegarmos a ser o que somos, tivesse surgido uma “segunda natureza”
– a cultura e a sociedade – que se impõe sobre a “primeira
natureza”, o corpo biológico, a herança genética, as predisposições
inatas. Aliás, o que predomina é a concepção de que o recém-nascido,
que já se desenvolve no útero imerso em uma cultura, é uma espécie
de “tábula rasa” sobre a qual se deposita sua herança humana. Em
resumo, para a maioria dos cientistas sociais, não importam os
processos evolutivos anteriores à cultura, não se discute se o ser
humano continua evoluindo (em silêncio acredita-se que não) e
afirma-se constantemente a total autonomia dos fenômenos
socioculturais em relação aos fenômenos biológicos.
Essa homogeneização
de concepções em relação às biociências da parte dos cientistas
sociais é, em parte, resultado de uma reação, legítima, aos
processos perversos que resultaram da associação etnocêntrica entre
determinados grupos étnicos, de fato todos aqueles que não se
classificavam entre os europeus ocidentais urbanos, e certos traços
de caráter e comportamento apresentados de modo pejorativo, a partir
de perspectivas etnocêntricas. Com base nesta premissa, muito
preconceito e muita xenofobia manifestaram-se tanto em idéias
artísticas e acadêmicas quanto em ações de grupos dominantes e de
Estados promovendo o genocídio e o etnocídio.
Assim, à medida em
que as ciências sociais estabeleciam-se como formas autônomas de
pensamento, os modelos biológicos foram sendo abandonados e foram
sendo reunidos subsídios para criticar consistentemente o
determinismo geográfico e o evolucionismo cultural resultando num
distanciamento crescente entre as ciências sociais e as biociências.
O problema é que a recusa em reconhecer o conhecimento produzido
pelas biociências nas últimas décadas têm levado os cientistas
sociais a uma espécie de 'biofobia' e tem fixado suas concepções
numa biologia pré-darwiniana. Em contrapartida, o isolamento das
biociências frente às ciências sociais faz com que as primeiras
ignorem mais de um século de estudos antropológicos e sociológicos
minuciosos e rigorosos sobre comportamento humano, ignorando o poder
teórico e metodológico dos trabalhos de campo orientados pela
etnografia para tratar de relações complexas no interior de um grupo
ou entre grupos.
Em que pesem as
observações sobre as coincidências e dissidências entre estas duas
grandes áreas do conhecimento, por exemplo, as influências de
Lamarck tanto sobre as ciências sociais americanas (Stocking, 1984)
quanto sobre as análises de Darwin acerca do comportamento sob
perspectiva evolucionista (Richards, 1989) ou as diferenças
metodológicas e epistemológicas entre as ciências sociais e as
biociências, o que temos hoje é uma expansão consistente dos estudos
de comportamento, que incluem os grandes símios (bonobos,
chimpanzés, gorilas e orangotangos) e os humanos sob perspectiva
evolucionista e comparativa.
Ou seja, desde a
década de 1960, as pesquisas continuadas e prolongadas sobre
comportamento de grandes símios (e outros primatas, outros mamíferos
e mesmo aves) realizadas em seus habitats originais ou em cativeiros
controlados que oferecem condições mínimas de bem estar como é o
caso de alguns zoológicos, parques, santuários e laboratórios (NOTA
1), revelaram que muitos dos comportamentos que se acreditava serem
exclusivamente humanos são encontráveis em outras espécies.
Com referência
apenas aos chimpanzés, os animais mais estudados (depois dos
humanos) e os que possuem o genoma mais semelhante ao nosso (entre
95 e 98%) há elementos fascinantes e surpreendentes. A adoção de
métodos que contemplam observação prolongada, sistemática e
desenvolvida pelo mesmo núcleo de pesquisadores, associada à
identificação dos primatas por nomes, a caracterização de grupos e
famílias e a produção de histórias de vida tornou-se, então, uma
prática disseminada nos estudos sobre comportamento de grandes
primatas. Esses procedimentos interferem significativamente na
qualidade e no volume do material coletado.
Desde que Jane
Goodall relatou a Louis Leakey o uso de ferramentas entre os
chimpanzés de Gombe, ao que ele teria replicado com uma frase mais
ou menos assim: 'Bem, se é isso, ou teremos que rever nossa
concepção de ferramenta ou teremos que rever nossa concepção de
humano' (Goodall, 1991), muito mais se descobriu. Das ferramentas a
abordagem expandiu-se para o uso e produção de outros objetos em
outros contextos, como a construção de ninhos. Identificou-se,
também, que cada grupo de chimpanzés possui padrões próprios para a
fabricação e utilização de objetos. Assim, em diferentes grupos, os
primatólogos verificaram a utilização de folhas como esponjas para
absorção de líquidos, como proteção envolvendo pés, mãos ou
servindo como assentos além da confecção e disposição de ninhos e a
utilização de galhos ou folhas para “pescar” formigas e cupins.
Entretanto, há questionamentos sobre se a escolha de folhas
enroladas ou gravetos para “pesca” e a utilização de folhas como
“calçados”, “luvas” e assentos não está mais relacionada a
variações ambientais do que a escolhas intencionais dos chimpanzés.
Outras surpresas
seguiram-se quando as atenções dos pesquisadores voltaram-se para a
dimensão coletiva da vida dos chimpanzés. Na África, as populações
chimpanzé organizam-se em unidades de 19 a 106 membros, formados por
diversos machos e fêmeas que adotam estratégias reprodutivas
diversas. Toshisada Nishida, que desenvolve, desde 1965, trabalho
no Parque Nacional das Montanhas Mahale, propôs um modelo para a
organização dos grupos de chimpanzés que chamou “unit-group”,
rebatizado de “community” pelos primatólogos ocidentais. A partir
daí, os dados de campo sobre chimpanzés foram somando-se em favor de
apontar evidências que levaram os pesquisadores a defender a
existência de organização social, bem como a importância da vida
social para seu pleno desenvolvimento e bem estar.
O pequeno grupo
formado por fêmeas e seus filhotes dependentes é o mais estável no
interior de uma população chimpanzé e costuma estender-se até a vida
adulta. Os outros grupamentos, constituídos na base da afinidade,
aliança e atração sexual são mais fluídos, o que fez os
pesquisadores adotarem a expressão sociedade de fusão-fissão. Os
vínculos entre machos adultos costumam ser mais fortes que entre
fêmeas e desempenham papel central na patrulha das fronteiras e no
controle sexual das fêmeas, pois um grupo chimpanzé costuma
manifestar intensa animosidade contra seus vizinhos de mesma
espécie, o que não quer dizer que não haja uma espécie de “sexo na
fronteira” para as fêmeas que conseguem burlar a vigilância. Por
outro lado, apenas as fêmeas saem de seu grupo de nascimento e o
fazem quando são adolescentes e estão no estro, mas as fêmeas cujas
mães possuem alto status social não costumam abandonar seu grupo. O
alto status de uma mãe pode também beneficiar seu filhote macho,
aumentando suas possibilidades de tornar-se alpha. Nesse processo, o
comportamento sexual dos chimpanzés, que já foi classificado como
promíscuo e instintivo, passou a ser observado pela ótica das
estratégias reprodutivas.
Quando os grupos de
chimpanzés passaram a ser identificados como grupos sociais, foi
possível analisar as interações que estabelecem entre si pelas
chaves da aliança e do conflito, observando a importância do
status e das vantagens adquiridas por cada chimpanzé no interior
de seu grupo, bem como os ganhos advindos de suas capacidades de
dissimular diante dos mais fortes, o potencial para reagir diante do
inesperado e a transmissão de conhecimento adquirido aos mais
jovens, mediados pelo que os pesquisadores têm chamado de
“tradição”.
A observação
sistemática e prolongada do comportamento de cada grupo associada a
análises comparativas, possibilitou aos pesquisadores a
identificação de padrões de comportamento próprios a cada população
de chimpanzés. As comparações possibilitaram, ainda, a definição de
variações, padrões e permanências, de grupo a grupo, com relação a
fenômenos tais como a catação ou 'cafuné' (grooming), as
capacidades cognitivas e comunicativas, as motivações para
conflitos, os mecanismos de apaziguamento, o cuidado parental, as
práticas de forrageio, as estratégias de reprodução, as expressões
corporais como formas de comunicação, a produção e o uso de
ferramentas, as relações entre fêmeas, filhotes, irmãos e o resto do
grupo, a dinâmica e os mecanismos de produção de status e
hierarquia.
Estas “tradições”
comportamentais, para as quais os chimpanzés estão habilitados ao
nascer mas que são aprendidas no interior do próprio grupo, são
repassadas no interior do mesmo grupo, de geração a geração, e
caracterizam-se pela variabilidade e pela pluralidade. Ou seja,
variam de população a população e são plurais com relação ao mesmo
quesito. Por exemplo, as posturas corporais adotadas no grooming
ou as ferramentas utilizadas para “pescar” cupins de um grupo não
são idênticas, se comparadas a outros. Além disso, quando se trata
de chimpanzés que vivem em seus habitats originais, os
pesquisadores têm tomado o cuidado em verificar se os comportamentos
não foram adquiridos de seres humanos.
Apesar de existirem
debates com relação à importância das pressões do meio sobre a
dinâmica dos comportamentos, a importância da descoberta é inegável
e o passo seguinte tem sido investigar os mecanismos acionados na
transmissão de comportamentos, o que implica observar os processos
cognitivos, a capacidade de imitação, a facilitação aos filhotes
pela mãe da observação de algumas de suas condutas e a existência,
ou não, de uma “pedagogia dos chimpanzés”. Os indícios levantados
até o momento favorecem a identificação da existência dos três
primeiros, mas há sérias dúvidas com relação à existência de
aprendizado e de uma atitude intencional em ensinar. Ou seja,
provavelmente, cada pequeno chimpanzé “reinventa a roda”, pulando
algumas etapas graças ao que pôde observar com os mais velhos.
Em laboratório, os
primatólogos também têm coletado um arsenal de surpresas. Têm, por
exemplo, verificado que os chimpanzés são capazes de reconhecer
faces de outros chimpanzés e de seus parentes próximos,
exclusivamente através de fotografias. Chimpanzés que aprenderam a
ALS (Linguagem Americana de Sinais) ensinam aos menores e são
capazes de intuir palavras ou criar outras (Fouts e Mills, 1998).
Chimpanzés conseguem avaliar situações diversas e são capazes de
dissimular a presença de alimento diante de um macho alpha para, em
sua ausência, poder comer sozinho ou ainda usam critérios sobre
condutas anteriores de seus companheiros com relação à divisão de
alimento para distribuir, no presente, o alimento obtido.
A reunião e a
abordagem comparativa do material recolhido referente ao
comportamento de diferentes grupos de chimpanzés levou um conjunto
de alguns dos maiores estudiosos do assunto a afirmarem a existência
de “culturas de chimpanzé”, devido à identificação dos fenômenos
relacionados à aquisição, à variabilidade e à transmissão de
comportamentos duráveis e generalizáveis em populações distintas.
A questão é, além de
surpresa de uns e da indignação de outros, o que se pode pensar
sobre tudo isso, a partir de perspectivas antropológicas de
orientação social e cultural? Em primeiro lugar, reconhecer a
importância e o alcance das idéias de Darwin, inclusive no que se
refere ao comportamento humano pois, se há uma autonomia na dinâmica
dos fenômenos socioculturais, parece estar cada vez mais próximo o
momento em que precisaremos reconhecer que a predisposição à vida
social e a capacidade para produzir cultura são resultantes de
processos evolutivos.
Em segundo lugar,
analisar cuidadosamente a concepção de “culturas de chimpanzé” e
verificar que há um limite nas evidências levantadas que impede a
aceitação do termo. Isso porque a riqueza do comportamento dos
chimpanzés, o repasse do mesmo de geração a geração e mesmo a
variabilidade identificada entre diferentes grupos não dão conta de
um fator essencial na concepção antropológica de cultural, ou seja,
a sua dimensão essencialmente simbólica. A capacidade simbólica
humana, quando surgiu, invadiu todos os setores da vida e se
reproduz em todos eles. Os chimpanzés, ao contrário, apresentam
inteligências especializadas altamente desenvolvidas mas não
integradas entre si através de uma “fluidez cognitiva” (Mithen
2002). Por isso, não é possível aceitar a concepção de que os
comportamentos de chimpanzés sejam culturais.
Por fim, parece que
o único consenso a que chegaram os antropólogos socioculturais
acerca das inúmeras concepções distintas de cultura é realmente
válido, ou seja, a cultura é um fenômeno essencialmente simbólico,
mesmo sob uma perspectiva evolutiva (Rapchan e Neves 2005).
__________
(NOTA 1): Para
se saber um pouco mais sobre os maus tratos e a violência praticados
contra animais em cativeiro, pode-se ler Nossos Irmãos
Esquecidos, vários autores, publicado pelo GAP – Great Ape
Project – Brasil (2004) ou Libertação Animal de Peter
Singer (2004).
Referências
Browne, J. 2007.
A Origem das Espécies de Darwin [Uma biografia], Rio de
Janeiro: Zahar.
De
Waal, F. B. M. 2000. Chimpanzee Politics: Power and Sex Among
Apes, Baltimore: The Johns Hopkins University Press.
De Waal, F. B. M. 2007. Eu primata. Por que somos como somos,
São Paulo: Cia. das Letras.
Fouts, R. e Mills, S. T. 1998.
O parente mais
próximo,
Rio de Janeiro: Objetiva.
Fragszy, D. 2003. Making Space for Traditions, Evolutionary
Anthropology 12: 61 – 70.
Goodall, J.
1991. Uma janela para a vida: 30 anos com os chimpanzés da
Tanzânia, Rio de Janeiro: Zahar.
Rapchan, E. S. Neves, W. A. 2005.
Chipanzés não
amam! Em defesa do significado, Revista de Antropologia
2(48), São Paulo, USP.
Richards, R. J. 1989. Darwin and the emergence of Evoltionary
theories of mind and behavior, Chicago: University of Chicago
Press.
Stocking, G. W. 1984. Lamarckianism in American Social Science,
1890-1925, Race, Culture, and Evolution, Chicago, University
of Chicago Press.
Whiten, A. et al. 1999. Cultures in chimpanzees, Nature 399:
682-5.
Wrangham, R. W. et al. 2001.
Chimpanzee Cultures,
Chicago: Harvard Univeristy Press/Chicago Academy of Sciences.
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