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DANÚBIA MENDES ABADIA
Mestranda em
História - Universidade Federal de Goiás, UFG.

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O jornal O COMBATE e as lutas
autônomas desenvolvidas em Portugal na Revolução dos Cravos
(1974-1978)
Danúbia Mendes
Abadia
Esse artigo faz
parte de uma pesquisa de mestrado onde tento compreender como as
lutas autônomas dos/as trabalhadores/as portugueses/as desencadearam
relações sociais de produção de novo tipo em meio a Revolução dos
Cravos, isto é, através das páginas do jornal Combate é
possível acompanhar o processo de auto-organização dos/as
trabalhadores/as portugueses/as. Assim, abre-se a problemática sobre
o sentido geral da existência do jornal como expressão de
contra-revolução dentro da própria revolução, baseando-se nas lutas
autonomistas em contraposição à consolidação das formas burocráticas
de organização que
a esquerda portuguesa apresentava na condução formal dos aparelhos
de Estado. Ao
perceber como a sociedade portuguesa se
auto-organizava produtivamente, nosso objetivo fundamental será o de
captar como esse movimento determinava a própria configuração
organizatória do jornal.
Dessa forma, enquanto
fonte principal dessa pesquisa, o Jornal Combate
esteve presente na Revolução de forma orgânica, quer dizer, ao
analisar as lutas autonomistas que ali se desenvolviam, este não
esteve presente como um elemento externo ao processo. Sendo uma
experiência gerada no movimento clandestino antifascista, o coletivo
COMBATE foi indissociável do movimento anticapitalista português de
1974 a 1978. Nesse artigo, foram utilizadas algumas edições do
jornal que tratavam especificamente das lutas autônomas e uma
análise do processo de mudança do capitalismo privado para o
capitalismo estatal. Dentre as edições consultadas, temos: o
Manifesto inaugural
junto com a primeira edição do Jornal, 21/06/1974; Editorial nº 37,
05/03/1976;
Editorial nº 33, 26/12/1975; Editorial, nº24, 30/05/1975; Editorial
nº 18, 28/02/75; Edição nº 51, 02/1978.
Convém tecer algumas considerações que
foram se intensificando na formação social portuguesa no período
anterior ao golpe de 25 de Abril, e que nos ajudam a compreender o
significado do golpe que pôs fim ao regime fascista
em Portugal. O agravamento das condições que impulsionaram o golpe
está associado ao modo de produção capitalista,
que se consolida e torna dominante. Em Portugal, em meados da década
de 60, o processo de industrialização capitalista foi acompanhado
pela concentração e centralização do capital que, no caso português,
se configurou na tentativa do regime salazarista em controlar os/as
trabalhadores/as e reprimir as lutas sociais como forma de garantir
a acumulação do capital.
No início do século
XV, Portugal fundou um grande império colonial que se estendia do
sudeste da Ásia, América do Sul e grandes partes da África. A
burguesia mercantil logo associou-se à classe de proprietários
fundiários, no entanto, os efeitos da Guerra Peninsular (1807-1814)
abalou as bases do colonialismo português. Perdida uma grande parte
do império, Portugal foi obrigado a submeter-se ao capitalismo
britânico, o qual havia confiado durante a guerra a proteção das
suas colônias. A redução do fluxo da exploração colonial fez surgir
a necessidade de uma certa industrialização no país, que fez-se de
maneira limitada, sem nunca ter-se efetuado em grande escala.
Segundo Phil Mailer, as lutas operárias e a incapacidade dos
chefes republicanos para tratarem da frágil e doente economia
conduziram apenas à intervenção militar de 1926 e à subseqüente
proclamação do 'Estado Novo' por Salazar (1978: 57).
O tipo de fascismo
de Salazar era a forma que melhor se adaptava a um país
subdesenvolvido. O salazarismo tinha como base a aliança do capital
financeiro-colonial e do capital agrícola; sua política destinava-se
a enfraquecer o movimento operário em Portugal e o controle da
exploração nas colônias portuguesas. A lógica da industrialização
portuguesa na década de 1960 não tinha condições de transformar as
matérias-primas vindas das colônias em produtos acabados para a
exportação, o que impossibilitava concorrer com as outras
indústrias. Junto a isso, os custos da guerra colonial cresciam e a
debilidade no setor industrial provocaram um déficit da balança de
pagamentos e um aumento considerável da inflação. Assim, como
afirmam Santos, Lima e Ferreira, o impasse econômico, ideológico
e político, as sucessivas comissões militares nas colônias, o
isolamento internacional, o aumento acelerado dos custos de vida e o
sentimento de descontentamento crescente das massas populares
apressam a tomada de consciência, por parte dos quadros médios das
Forças Armadas, da mistificação que se rodeia a justificação da
guerra colonial e da impossibilidade de solução militar (1976:
20).
Dessa forma, os dispêndios da guerra
colonial, a emigração em massa de mão-de-obra portuguesa para os
países capitalistas dominantes, a situação dos/as trabalhadores/as
portugueses/as, que já vinham se mobilizando anos antes do golpe de
Abril, contribuíram incisivamente para a ruptura com o regime
fascista. Em 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas
aparece enquanto principal protagonista do golpe que passou para a
história como a Revolução dos Cravos. A questão da guerra colonial
foi fundamental na gênese do movimento dos capitães: o seu programa
tinha por objetivo o fim da guerra colonial e, como corolário, a
instauração de uma democracia política que superasse a crise da
sociedade portuguesa originada pela ditadura durante cerca de 50
anos.
O papel que o Movimento das Forças
Armadas (juntamente com elementos dos partidos políticos e
organizações sindicais que formaram os governos provisórios)
exerceu, foi o de garantir a acumulação e a exploração do sistema
capitalista em outras condições. O golpe de 25 de Abril insere no
país um novo padrão de acumulação em que aos poucos a economia
portuguesa vai passando do capitalismo privado para o capitalismo de
bases estatais. É nesse contexto que destacamos o coletivo que
organizou, no período da revolução, o Jornal
Combate,
pois foi este jornal quem melhor diagnosticou in loco essa
processualidade no modo de produção capitalista em Portugal.
A crítica à
Revolução portuguesa formulada pelo coletivo Combate materializou-se
a partir da publicação de seu Manifesto inaugural junto com a
primeira edição do Jornal, em 21 de junho 1974, e manteve-se no
formato de jornal impresso até meados de 1978, momento de refluxo do
processo em questão. O objetivo do COMBATE foi, desde seu início, o
de divulgar as lutas da classe trabalhadora e as suas formas
organizativas com foco nos processos de autogestão nas fábricas e no
comércio e nas lutas autônomas desenvolvidas nos bairros
portugueses.
Já em seu primeiro
Manifesto, o coletivo alertava os/as trabalhadores/as portugueses no
que se refere aos caminhos que a Revolução de 25 de Abril seguia.
Dessa forma, a crítica ao Movimento das Forças Armadas (MFA) e aos
partidos e instituições de esquerda, controladores do processo
'revolucionário', baseou-se na crítica à transição do capitalismo
privado para o desenvolvimento do capitalismo de bases estatais. De
seu manifesto inaugural, o COMBATE assim definia a “revolução” em
curso:
O 25 de Abril
não assentou em formas organizacionais produzidas na luta dos
trabalhadores, mas sim nos oficiais do exército, numa
organização burguesa rigidamente constituída que nada tem a ver
com a nossa luta. E nem podia ser de outra maneira, pois o golpe
de 25 de Abril não se integra na luta dos trabalhadores contra o
capitalismo, e sim nas tentativas dos capitalistas para
continuarem a exploração dos trabalhadores em novas condições”
(Manifesto do Combate, 21/06/74).
O golpe de 25 de
Abril decorreu ainda da necessidade que as classes dominantes
sentiram em remodelar as instituições governamentais e o próprio
governo, adequando suas instituições políticas às novas necessidades
do processo de acumulação capitalista em Portugal: o projeto de
passagem do salazarismo a um regime liberal, isto é, um regime onde
fosse possível 'libertar' as forças produtivas que o desenvolvimento
do capital reclamava. Para o COMBATE, o 25 de Abril foi a data
decisiva para a generalização do capitalismo de Estado em Portugal
(Editorial nº 37, 05/03/76). Na concepção desse jornal, o Estado
é um elemento chave da estratégia do capital. O Capitalismo de
Estado
(...) representa
mais do que um sistema de propriedade; significa uma forma
particular de gerir a economia. O principal no capitalismo de
Estado é que a economia é gerida centralizadamente, portanto
planificadamente; as organizações governamentais no sentido
restrito, ou então as instituições administrativas, no sentido
mais largo, têm nessa gestão um papel cada vez mais importante;
as funções de gestão, e, portanto de controlo da economia são
cada vez menos executadas pelos capitalistas privados e mais a
cargo de uma classe especial de gestores, tecnocratas e
burocratas. A propriedade do Estado não é uma causa destas
transformações econômicas, mas uma conseqüência (...). O
capitalismo de Estado é, portanto uma forma de desenvolvimento
do capitalismo. Não é algo exterior ao capitalismo, que se
imponha a ele. É o próprio capitalismo na fase contemporânea do
seu desenvolvimento (idem).
A administração
estatal da economia para o COMBATE é realizada pela "classe especial
de gestores, tecnocratas e burocratas", funcionando como "uma
terceira classe" que no capitalismo de Estado configura-se como a
classe dominante. Segundo João Bernardo, é preciso verificar as
transformações no interior do campo de exploração,
E aí o problema
central reside no novo equilíbrio social originado pelo
desenvolvimento das condições gerais de produção. Esta é a terra
mãe dos gestores, o ponto onde melhor se afirma a sua coesão de
classe, o núcleo mais sólido que em volta de si polariza os
restantes elementos da classe (1977 : 49).
No caso português, a mudança na base do
capitalismo privado para o desenvolvimento do capitalismo de Estado,
tem nos gestores o centro de sua administração, e estes representam
o papel de organização dentro do sistema produtivo. Como afirma João
Bernardo,
o marxismo das forças produtivas fundamenta o Capitalismo de
Estado, já que o processo revolucionário limitou-se a estender
ao mercado do livre arbítrio os fundamentos organizativos da
racionalidade administrativa do espaço produtivo. Não se definem
aqui relações sociais de novo tipo. Reproduzem-se societariamente as
mesmas formas de poder existentes no capitalismo, só que agora, esse
poder passa a ser controlado institucionalmente pelas representações
políticas formais da classe operária, isto é, os Sindicatos e/ou o
poder dos Partidos Comunistas, tal como nas experiências históricas
do socialismo contemporâneo. Nesse momento, a classe operária não
encontra mais apenas a burguesia como antagonista de classe,
encontra agora também, a classe dos gestores (a burocracia
dos sindicatos, dos partidos e das empresas estatais).Para o
COMBATE, os partidos e sindicatos aparecem como elementos chave no
enquadramento das lutas autônomas em Portugal; em seu 33ª Editorial,
o jornal argumenta que
Face à repressão
que se abate sobre o movimento operário autônomo, os partidos
permanecem silenciosos. Quando as tempestades se aproximam, os
partidos só pensam em defender os aparelhos burocráticos,
garantia da sua força na luta entre os vários setores políticos
pela repartição da mais-valia. Este silêncio prova a quem não
queria acreditar que os partidos não só são inúteis para o
movimento proletário, como são agentes activos da construção do
capitalismo de Estado. (Editorial nº 33, 26/12/75)
Em contrapartida ao
processo institucional instaurado no parlamento pelas forças armadas
e pelos partidos de esquerda, o golpe de abril rapidamente deu
passagem a um processo revolucionário. Quando as massas populares
passaram a movimentar-se, as fábricas, os quartéis, e os latifúndios
começaram a ser ocupados.
O lugar que a classe
operária começava a tomar dentro da relação de forças
capital-trabalho, tornava urgente para o primeiro apelar para o
fortalecimento de uma organização sindical que pudesse controlar, no
seu interesse: a ação autônoma dos trabalhadores. Segundo o COMBATE,
os sindicatos já não atuam enquanto organização dos trabalhadores na
resistência contra o capital. Ao contrário, passaram a ser a grande
instituição de recuperação das lutas dos trabalhadores na dinâmica
do capitalismo, numa estrutura que existe para disciplinar o
trabalhador, para situar suas lutas na legalidade capitalista.
Assim, como afirma Lúcia Bruno (1983, p.49), a atividade sindical se
expressa enquanto “agente da produção”, e a classe operária,
enquanto "agente de destruição" do capitalismo, organiza-se fora das
instituições vigentes e contra elas.
A mobilização das
classes populares na luta contra a exploração, dependência, a
marginalização e o colonialismo aparece em Portugal, anos antes da
Revolução de Abril. A partir do último trimestre de 1973, as lutas
dos/as trabalhadores/as portugueses/as alcançaram um volume e uma
capacidade de movimentação cuja importância se percebe pelo
extraordinário surto de conflitos – greves operárias, reivindicações
de salários mínimos, formas de resistência, comportamentos de baixa
produção, desorganização oculta do processo de trabalho, conflitos
ligados à habitação (ocupações), à saúde, aos transportes, ao
ensino, à imprensa e as lutas no campo, desagrega o bloco social que
sustentara o fascismo (SANTOS, LIMA e FERREIRA p.20-21).
Desta perspectiva,
Lúcia Bruno caracteriza a situação portuguesa imediatamente após o
25 de Abril pela existência de dois campos de luta bem definidos. De
um lado, o combate que a classe trabalhadora já tratava antes do 25
de Abril, no seu próprio terreno – o da produção; e por outro lado,
os "exploradores" ao nível dos órgãos do governo e de partidos
reformistas (PS e PCP especificamente) seguem numa ação de
enquadramento das lutas operárias (1983, p.3-4). Logo após o 25 de
Abril, a reorganização das novas estruturas de poder e a retomada do
processo de acumulação do capital era desestabilizada por um vasto
processo de auto-organização dos trabalhadores. Conforme Sardá
(2005, p.74), essa auto-organização materializava-se nas empresas
através da constituição de milhares de comissões de trabalhadores.
Criadas antes do 25 de Abril, essas novas instituições ocupam espaço
importante na abordagem do COMBATE como forma privilegiada de
organização, "dão à generalidade dos trabalhadores envolvidos na
luta, uma prática que desenvolve a experiência do controle direto da
produção e da vida social, bem como os conceitos teóricos dessas
experiências" (Editorial, nº24, 30/05/75).
As experiências de
organização operária surgidas em Portugal com a criação dos
'conselhos ou comissões de fábricas' indicam, segundo o COMBATE, o
descrédito que caíram os sindicatos e os partidos políticos, ao
mesmo tempo em que expressam o grau de independência da classe
proletária com relação às instituições capitalistas. Ainda que as
comissões aparecessem para o jornal como estruturas sociais de novo
tipo, não se tratava de mistificá-las, e sim realizar uma análise
prática do funcionamento de algumas delas, apontando seus problemas
e nos indicando a complexidade dos processos de transformação
social, "que inviabilizam qualquer tentativa de impor um modelo
acabado de organização" (BRUNO, 1983 p.72-73).
A partir do
acompanhamento da organização por comissão, fica evidente que a
organização dos/as trabalhadores/as surge no próprio processo da
luta e se desenvolve na medida em que esta avança, quer dizer, não
basta eleger comissões de trabalhadores se estes não a controlam
diretamente. Os/as trabalhadores/as não devem lutar por delegação,
mas pela democracia operária e pelo controle direto da produção e da
gestão das lutas. As comissões dos trabalhadores no entendimento do
COMBATE são as vias institucionais de realização da autogestão da
produção.
No contexto de desenvolvimento autônomo
das lutas, muitos proprietários e gerentes, diante dos problemas que
já se arrastavam no país antes do 25 de Abril e também pelo
agravamento da crise internacional em 1974, se encontram obrigados a
abandonar as empresas.
Este é sem dúvida um dos fatores que contribuíram de maneira
decisiva para o grande surto de empresas geridas pelos
trabalhadores.
As práticas de recuperação e autogestão das empresas aparecem com
grande destaque nos números do COMBATE. E não são apenas as práticas
de auto-organização nos espaços de produção que ganha dimensão: as
movimentações nos bairros e no campo, assim como as lutas autônomas
nas colônias portuguesas, estão presentes em muitas edições do
jornal.
É neste campo, fora
das instituições capitalistas, que a classe trabalhadora desenvolve
a sua ação revolucionária, seja em seu local de trabalho ou de
moradia, definindo-se a sua autonomia com relação ao mundo do
capital. Para o COMBATE, a partir do momento em que os/as
trabalhadores/as assumem a gestão da produção, "estão a desenvolver
as relações sociais novas criadas no decorrer da luta prática,
alargando-as ao próprio processo de trabalho. É este o sentido da
tão debatida autogestão" (nº 51, p.38).
É então a partir
dessas novas relações que se estabelece um ponto de partida para
novos desdobramentos da radicalização das lutas, onde a autogestão
(...) significa
serem os próprios trabalhadores a gerirem e organizarem
globalmente a produção e o trabalho da empresa. Autogestão é uma
forma bem avançada de luta em que os trabalhadores por si só
organizam o trabalho, podendo acabar com as hierarquias, impor
novos horários de trabalho, organizar de outra forma a produção,
criando entre si novas relações e avançando no caminho da
democracia operária (Editorial nº 18, 28/02/75).
A auto-organização
das lutas em Portugal atingiu grande parte da classe trabalhadora,
desenvolvendo-se nos bairros e no campo. Porém, o COMBATE parte da
análise de que é impossível atingir um processo mais amplo de
transformação se essas práticas mantiverem-se isoladas; a prática da
autogestão implica necessariamente na sua generalização e na
desestruturação permanente do Estado e de todas as instituições do
capitalismo. O processo português demonstrou aos trabalhadores que
não se trata de trocar uns dirigentes por outros, de operar com
formas gerenciais mais ou menos democráticas, de transformar a
propriedade privada pela estatal.
A autogestão só tem
sentido se alterar o sentido do próprio trabalho, tornando-o tão
importante quanto a participação política nos assuntos do bairro e
da cidade. Como afirmou Marx, luta econômica e luta política
estão unificadas, pois a dominação política dos trabalhadores
pressupõe o fim da sua escravidão social (Marx e Engels, 1986,
p. 75). É nesse sentindo que o jornal Combate afirmava que a
emancipação dos trabalhadores só será possível se realizada pelos
próprios trabalhadores. Assim, é possível assinalar que o jornal
COMBATE se expressa enquanto importante registro de divulgação e
acompanhamento das lutas sociais desenvolvidas na Revolução dos
Cravos, e que têm seu fim junto com o declínio das iniciativas
autônomas da classe trabalhadora, encerrando-se em fevereiro de 1978
com a publicação (copiografada) da sua última edição.
A partir da
trajetória do coletivo Combate, observamos os mecanismos
através dos quais o capitalismo em Portugal se reorganizou, durante
a revolução, em capitalismo de Estado. Assim, a experiência
portuguesa entre 1974 e 1978, mostra que a atividade revolucionária
emerge no decurso da própria luta, e que a não unificação e expansão
das lutas para além das fronteiras portuguesas acabou por determinar
a integração subordinada, ou melhor, a assimilação dessa nova
estrutura em desenvolvimento pela estrutura capitalista.
Referências
BERNARDO, João.
Labirintos do Fascismo. Na encruzilhada da ordem e da revolta.
Edições Afrontamento/Porto, 2003.
__________.
Marx, crítico de Marx – livro primeiro. Epistemologia, classes
sociais e tecnologia em “O Capital” - Afrontamento/Porto, Agosto
1977.
__________.
Para uma teoria do modo de produção comunista. Edições
Afrontamento/Porto, Agosto 1974.
BRUNO, Lúcia.
Portugal: O COMBATE pela autonomia operária - dissertação de
mestrado, Lúcia Bruno - 1983.
COMBATE.
Capitalismo Privado ou Capitalismo de Estado Não É Escolha!
(Manifestos e Editorias do Combate). Porto:
Afrontamento, 1975.
FERREIRA, José
Maria Carvalho. Portugal no contexto da “transição para o
socialismo”: história de um equívoco. Blumenau: Editora da
FURB, 1997.
MAILER, Phil,
Portugal: Revolução Impossível? Porto: Afrontamento,
1978.
PINTO, João
Alberto da Costa. A propósito do marxismo de João Bernardo.
In. Revista Espaço Acadêmico N° 43, dezembro de 2004.
SARDÁ, Maurício
de Faria. AUTOGESTÃO, COOPERATIVA, ECONOMIA SOLIDÁRIA: avatares
do trabalho e do capital. Tese de doutoramento em
Sociologia Política da UFSC. Florianópolis-SC, 2005.
Jornal Combate,
do Ano I, 19 a 25 de julho de 1974 ao Ano IV, fevereiro de 1978. In.
Coleção Combate (CD Room).
VIANA, Nildo.
Escritos Metodológicos de Marx. Edições Germinal. Goiânia-
Goiás, 1998.
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