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JOÃO
DOS SANTOS FILHO
Bacharel em Turismo pelo
Centro Universitário Ibero-Americano de São Paulo (Unibero) e
bacharel em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC/SP). Mestre em Educação: História e
Filosofia da Educação pela PUC/SP. É professor do quadro efetivo
da Universidade Estadual de Maringá, PR - UEM. Autor do livro
“Ontologia do turismo: estudo de suas causas primeiras”
publicado pela EDUSC.

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Reciprocidade X Irresponsabilidade: os
marqueteiros do Turismo brasileiro
João dos Santos Filho
Mais
uma vez, parte do trade de turismo coloca em xeque a política
de concessão do visto consular praticada pelo Ministério das
Relações Exteriores em situação de embate, pois questiona o seu
fundamento jurídico e ideológico a “Reciprocidade”, e propõe a sua
revogação. Esqueceram que a sociedade dos homens se transforma ao
longo de sua história em “Estados-nações”, caracterizando, culturas,
economias, povos e territórios diferentes e específicos. Que devem
ser respeitados em sua idiossincrasia, sendo assim, a única maneira
de procurar manter o equilíbrio de respeito ao outro no campo da
hospitalidade mútua entre países é por meio da “Reciprocidade”..
A reciprocidade é à base do respeito
entre diferentes nações que buscam manter um equilíbrio da
“hospitalidade possível”. Fazendo que, com isso as relações de
eqüidade se mantenham afastadas formalmente das relações de
subordinação e subsunção do poder, por isso a reciprocidade é o
instrumento necessário para garantir a pseudo-igualdade.
Esta acalorada discussão se dá no
interior do governo, que por sinal vem desenvolvendo uma política
exterior consciente de aproximação dos países emergentes, mas não
consegue impedir que seu primeiro escalão tenha propostas
antagônicas no que se refere à necessidade do visto consular. De um
lado o Ministério do Turismo, que de forma insistente defende a
lógica da flexibilização da lei do visto, alegando que se não
houvesse à cobrança da taxa de 100 dólares por turista americano,
poderiam pular de 700 mil para 2 milhões de turistas. E de outro a
política sensata desenvolvida pelo Ministério das Relações
exteriores pela defesa da manutenção do visto segundo o principio da
“Reciprocidade”.
È inacreditável como o Ministério do
turismo consegue fazer previsões matemáticas inflacionadas, e
afirmar que a escolha do americano em visitar o Brasil é retraída em
virtude da cobrança da taxa. Mais uma vez, o Ministério de Turismo e
a própria EMBRATUR apostam no critério do achismo. Se não é verdade!
Que apresentem as pesquisas e suas respectivas metodologias, bem
como a tabulação e as conclusões, que entendemos estarem formuladas
em um projeto de pesquisa.
Não podemos voltar ao velho esquema de
metas e dados em geral subestimados relativos ao turismo, na qual
foi prática que apareceu desde o nascimento da EMBRATUR, ou ficar a
mercê dos delírios marqueteiros de programas que, em vez de ajudar a
consciência do turismo brasileiro, foram desastrosos segundo próprio
depoimento de um de seus presidentes.
Devemos registrar também que, esse
embate entre MRE e MT ocorre desde quando a EMBRATUR criou os
Escritórios Brasileiros de Turismo (EBTs) que são unidades avançadas
de promoção, marketing e apoio à comercialização de produtos,
serviços e destinos turísticos brasileiros no mercado internacional.
E sem concurso público ou princípio parecido nomeou para ocupar os
cargos, apadrinhados políticos que acabaram tomando e privatizando
um espaço que era antes do MRE.
A irresponsabilidade é tão marcante para
aqueles que pedem a não exigência do visto, pois só enxergam o
turismo dentro da escala estatística com uma metodologia secreta,
que só eles têm acesso. Além do que, insistem em fazer uma análise
simplista da política exterior brasileira construindo atritos com o
Ministério das Relações Exteriores.
Sabem que outro dia, um professor amigo
foi a EMBRATUR para apresentar o projeto de um grande evento
nacional, após ter explicado minuciosamente os objetivos e sua
importância cultural, pedagógica e artística. O funcionário que
estava atendendo fez à seguinte observação: Certo, gostei de sua
explicação, mas o que importa é saber, qual é a imagem desse evento
para o desenvolvimento do turismo brasileiro.
Enquanto o turismo não for pensado com
seriedade teremos os seguintes desastres que vão ocorrendo:
-
A destruição de parte do litoral
brasileiro por complexos hoteleiros Resort´s criados sem
qualquer padrão de sustentabilidade turística, expulsando
ribeirinhos, destruindo a mata nativa e obrigando a população a
viver nos manguezais;
-
O nepotismo histórico praticado
dentro da EMBRATUR;
-
Depois de mais de um ano de
denúncias a EMBRATUR e o Ministério de Turismo denunciam o Guia
turístico Rio For Partiers;
-
A falta de uma “Política Nacional
para o Turismo” global, e não parcial. Na verdade a Política
Nacional de Turismo esta fragmentada em uma dezena de ações que
levam ao um perfeito Bricouleur.
-
Indicações políticas para o
preenchimento de cargos da área do turismo que por direito
deveriam ser por concurso. Como as diretorias dos EBT´s nos
países Portugal, Japão, Inglaterra, Itália, Espanha, Estados
Unidos Costa Leste, Estados Unidos Costa Oeste, Alemanha,
França.
Enquanto não existir uma Política
Nacional de Turismo que contemple de fato o interesse do turismo
doméstico e as estruturas Federais responsáveis voltarem suas ações
para o povo brasileiro. Estaremos a mercê de sermos sempre
preteridos do turismo de nosso próprio país.
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