|
ANTONIO OZAÍ DA SILVA
Docente
na Universidade Estadual de Maringá (UEM), Doutor
em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de
Maurício Tragtenberg: Militância e Pedagogia Libertária
(Ijuí: Editora Unijuí, 2008)
|
|
A favor dos palestinos, contra o
maniqueísmo!
Antonio Ozaí da Silva
“A análise
verdadeiramente intelectual proíbe chamar um dos lados de
inocente, e o outro, de perverso”
(Edward W.
Said)
“Os sionistas e
o Ocidente pretendiam resolver na Palestina um problema cuja
origem não estava no mundo árabe. Na realidade, não fizeram
mais que criar um novo problema, uma grande injustiça: a
questão palestina. Na sua própria terra, os palestinos
transformaram-se nos “novos judeus” da nossa era”
(Helena
Salem, 1977, p.132).
As posturas maniqueístas opõem o mal ao
bem, os bandidos aos mocinhos, como num filme
hollywoodiano ou numa dessas novelas
mal-dubladas e ‘globais’. A ideologização das interpretações, a
favor ou contra um dos lados, é, no entanto, comum. E, na verdade,
aos que tem consciência da realidade, é fatal a exigência do
posicionamento político e ideológico. A recusa aos simplismos
maniqueístas não nos isenta de tomar posição. Não nos iludamos: o
‘silêncio’, a ‘neutralidade’, o ‘não tenho nada a ver com isso’,
também são posicionamentos políticos e têm conseqüências.
É impossível não se sensibilizar com o
drama vivido cotidianamente pelos palestinos. Há muito, as imagens
mostram enfaticamente os horrores a que são submetidos mulheres e
homens de todas as idades. O Estado de Israel, em nome da política
de segurança, expulsa os moradores, reduz suas moradias a escombros
e destrói suas plantações de oliveiras. Assim, estrangula
economicamente o povo palestino. Com a construção do “muro da
vergonha”, isola vilarejos e cidades, segrega famílias e retira-lhes
a possibilidade de sustento; massacra civis, dá cobertura à
violência sem limites dos colonos religiosos, fanáticos de
extrema-direita que ocupam o território reconhecidamente palestino,
e tudo fazem para atemorizar e expulsá-los de suas residências.
O recente conflito na Faixa de Gaza, com
a ocupação das forças militares israelenses, é a continuidade desse
círculo infernal de violência e massacre de civis, mas com maior
intensidade. É a força da violência suplantando a razão e os
melhores sentimentos humanos. O exército de Israel é uma força
superior e se impõe. O Hamas, por sua vez, faz o discurso dos que
precisam manter a luta em movimento. Para além dos argumentos de
ambos os lados, o fato é que a violência é o combustível que
alimenta ódios passados, presentes e futuros. É um tiro no pé! O
militarismo israelense produz os futuros combatentes, jovens
dispostos a tudo contra o inimigo. O que se pode esperar de crianças
e jovens que vêem seus irmãos, irmãs, pais, mães e familiares serem
mortos e violentados em sua humanidade? A violência produz a cultura
da violência e nutre-se de si mesma. Ela incuba o gérmen do ódio
mútuo entre os povos, que cresce e manifesta-se a cada geração. [1]
Por outro lado, os ataques do Hamas,
ainda que desproporcional à capacidade de destruição dos militares
israelense, também causam mortes e nutrem ódios recíprocos. Uma vida
humana de uma criança ou adulto israelense importa tanto quanto a
vida da criança palestina. Como alcançar a paz nessas
circunstâncias?
É muito difícil ficar insensível às
imagens que circulam na mídia e na Internet. O sofrimento e a dor
dos pais diante da morte e da destruição dos seus lares e das suas
vidas manifestam-se em suas faces e em seus gestos. Os argumentos
israelenses, fundados na incessante repetição das necessidades
impostas pela “política de segurança”, não são convincentes. [2]
As imagens demonstram-no.
Israel age como o exército francês na
“Batalha de Argel”. [3]. Como
identificar os “terroristas”? Ora, partindo do pressuposto de que
cada argelino era um ‘terrorista em potencial’ e, portanto, agir
como se todos os argelinos fossem membros da Frente de Libertação
Nacional (FLN). Israel adota a mesma postura e transforma todos os
palestinos, independente da idade e sexo, em inimigos a serem
combatidos e dizimados, como se todos fossem militantes do Hamas.
O militarismo favorece as forças
favoráveis à manutenção da guerra, os extremistas e fanáticos de
ambos os lados. O exército francês na Argélia desconsiderava que era
uma força de ocupação. O que fazia ali? Por acaso deviam esperar que
os argelinos aceitassem a dominação como uma dádiva da ‘civilização’
francesa? Deviam suportar pacificamente a presença dos franceses?
Israel também atua como força de ocupação e, como tal, não pode
esperar que os palestinos aceitem pacificamente sua presença e as
dificuldades que impõem às suas vidas – sem falar na violência
explícita.
A guerra real é também uma “guerra
midiática”. Da mesma forma que temos acesso às imagens dantescas da
destruição e morte, especialmente das crianças e jovens, também
recebemos imagens que buscam criminalizar os judeus em geral,
identificando-os com práticas nazistas. São montagens, cujas fontes
nem sempre são identificadas, que produzem o equívoco de identificar
o governo e as forças militares israelenses com o povo de Israel e
os judeus em geral. Ainda que não seja intencional, isso pode
contribui para alimentar o ódio e a intolerância anti-semita. É
preciso ir além das fáceis identificações que homogeneízam os povos.
O ‘povo judeu’, o ‘povo palestino’ não são homogêneos; da mesma
forma, é necessário observar as diferenças existentes entre
‘palestinos’ e ‘árabes’. [4]
Há divergências entre os israelenses
quanto à melhor estratégia para encontrar uma solução de paz; e há a
luta aberta entre os partidários do Hamas [5]
e o Al-Fatah [6]. A derrota do
Hamas, que controla a Faixa de Gaza, é do interesse do Al-Fatah. O
fato de o Hamas ter sido vitorioso nas eleições de 2006 [7],
imediatamente boicotado pelas chamadas democracias ocidentais, numa
clara e paradoxal demonstração antidemocrática [8],
é mais um problema para Israel.
As autoridades israelenses e ocidentais
preferem o Al-Fatah, ainda que enfraquecido internamente. O Hamas,
porém, conquistou a legitimidade entre os palestinos e é um erro
político desconsiderar este fato. A estratégia de isolamento do
Hamas pode tê-lo fortalecido ainda mais, a despeito do preço pago
com a perda da vida de milhares de palestinos. [9]
Ainda que o militarismo israelense tenha
o respaldo da maioria dos eleitores, há resistências. Nem todos os
judeus, dentro e fora de Israel, concordam com a política oficial.
[10] A crítica ao belicismo
israelense deve ter o cuidado de observar os riscos que tais
identificações sugerem, enquanto generalizações desvinculadas dos
seus respectivos contextos históricos. A complexidade da situação
não suporta reducionismos maniqueístas.
Mesmo a maioria da sociedade israelense
que apoiou a ação militar na Faixa de Gaza não está imune às imagens
do terror e mortandade das crianças e da dor e sofrimento. Se o
governo e os militares israelenses jogam a culpa no Hamas – que
teria rompido a trégua –, o líder deste, Khaled Meshal, censura a
impiedade dos generais inimigos e, do exílio em Damasco (Síria),
proclama a vitória do seu grupo. Já o presidente da Autoridade
Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, inculpa o próprio Hamas pela
recusa em renovar o armistício. De quem é a culpa? Como bem observou
Bernardo Kucinski: “Certamente a culpa não é das crianças e suas
mães”. [11] Os israelenses que
apoiaram a política do governo terão que se haver com as suas
consciências. [12]
“Não é uma guerra, não há exércitos se
enfrentando. É uma matança”, afirmaram José Saramago e outros
intelectuais.[13] E, de fato, os
números e as imagens evidenciam o caráter da “guerra”. A
demonstração de força da máquina militar israelense, mais uma vez,
destrói as frágeis pontes, porém necessárias, para o diálogo e a
negociação. Israelenses e palestinos, por mais que se odeiem, terão
que, em algum momento, dialogar. A solução militar, cada vez mais,
mostra-se ineficiente. Israel não conquistará a segurança que
precisa enquanto oprimir e colonizar a nacionalidade palestina; e
estes não estarão livres dos horrores causados pelo poderio militar
israelense enquanto não aceitarem a existência da nação israelense.
O ideal seria um mundo sem fronteiras, mas os nacionalismos ainda
são predominantes. Enquanto cada povo não tiver garantido o seu
Estado, não haverá paz.
A realidade é muito mais complexa do que
as afirmações simplistas e maniqueístas. A generalização favorece o
maniqueísmo. Mesmo as análises que pretendem superá-lo não estão
isentas do erro e, portanto, de serem criticadas. Na verdade, há
argumentos disponíveis para todos os lados, a depender da posição
político-ideológica. O dossiê publicado na
REA, nº 93, fevereiro de 2009, é uma amostra dessa
complexidade.
Mesmo nós, os que não estamos
diretamente envolvidos, devemos nos pronunciar e, responsavelmente,
assumir uma posição. Provavelmente isso não terá o menor efeito
sobre os acontecimentos e o cotidiano dos diretamente envolvidos,
mas eles saberão que não estamos cegos diante da barbárie. Quem tem
olhos que veja. Talvez todos precisemos de um pouco mais de lucidez.
Já deveríamos ter aprendido com a
história do século XX, para não voltarmos muito no tempo, que as
posturas maniqueístas podem até nutrir ideologias e justificá-las,
mas também podem alimentar o barbarismo e a desumanização. Os
‘nossos’ também cometem erros. Temos o direito de escolher um lado,
ou mesmo de silenciarmos. Nossas opções, porém, não nos isenta da
necessidade do olhar crítico e autocrítico.
O engajamento responsável pressupõe a
superação da lógica, tão em voga na época da ‘guerra fria’, do
“inimigo meu, inimigo teu” (também traduzida pelo silogismo “se és
amigo do meu inimigo, és meu inimigo”). A verdade é que o “meu
amigo” não está acima da crítica. Segui-lo cegamente é abdicar do
pensar crítico, é aderir ao sectário e ao fanático, sejam eles
religiosos ou seculares. As polaridades são insuficientes para
entender e explicar o mundo real. Há mais entre o bem e o mal do que
as vãs filosofias dos maniqueístas ousam pensar e admitir.
Referências
ALI, Tariq. “O Gueto de Gaza e a
hipocrisia ocidental”.
In: Socialismo e Liberdade –
Fundação Lauro Campos. Acesso em 15.01.09,
disponível em
http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/38-artigo/718-o-gueto-de-gaza-e-a-hipocrisia-ocidental-
AMARAL, Pedro. “Temor
e desejo no gueto de Gaza”.
Via Política, 15.01.2009. Acesso em 15.01.09, disponível em
http://www.viapolitica.com.br/artigo_view.php?id_artigo=95
BRICMON, Jean. “Trois idées simples
pour mettre fin au soutien politique aux crimes israéliens”.
In:
Voltairenet.org,
11.01.2009. Acesso em 17.01.09, disponível em
http://www.voltairenet.org/article158980.html
BURG, Avraham. “Por que não vencemos”.
REA, nº 93, fevereiro de 2009, disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_burg.htm
CHIRA, Ronald. “Barack Obama não vai
salvar Israel e a Palestina de si mesmos”. REA, nº 93,
fevereiro de 2009, disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_chira.htm
GOLDGRUB, Franklin. “Finkelstein, ou o
bumerangue como instrumento de análise”. REA, nº 93,
fevereiro de 2009, disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_goldgrub.htm
GROSSMAN, David. “Israel só provou a Força – não a Razão”.
REA, nº 93,
fevereiro de 2009, disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_grossman.htm
HUFFORD, Hufford. “O movimento de paz
de Israel necessita do apoio global”. REA, nº 93, fevereiro
de 2009, disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_hufford.htm
KUCINSKI, Bernardo. “Primeiro
inquérito sobre os horrores da guerra em Gaza”.
Agência Carta Maior,
23.01.09. Acesso em 28.01.09, disponível em
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4095
KUCINSKI, Bernardo. “Reflexões e
impressões sobre conflito entre árabes e judeus no Oriente Médio”.
Agência Carta Maior, 15.01.2009. Acesso em 19.01.09, disponível
em
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4079
LEVY, Gideon. “O próximo passo”.
Agência Carta Maior,
26.01.09. Acesso em 28.01.09, disponível em
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15510
LOSURDO, Domenico. “Quem recorre a
escudos humanos: o Hamas ou Israel?” In:
resistir.info, 19 de janeiro de 2009. Acesso em 20.01.09,
disponível em
http://resistir.info/palestina/scudi_umani_goebbels_p.html
MATTOS, Olgária. “Guerra e Paz: o
capitalismo sem espírito”.
Agência Carta Maior, 16.01.09. Acesso em 19.01.09, disponível em
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15489
METZGER, Fábio & TOYANSK, Marcos.
“Israel, Gaza e Obama”. REA, nº 93, fevereiro de 2009,
disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_metzger_toyansk.htm
RATTNER, Henrique. “Guerra dos cem
anos”. REA, nº 93, fevereiro de 2009, disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_rattner.htm
RATTNER, Henrique. Israel e a Paz no Oriente Médio: uma luz no
fim do túnel? São Paulo: Nobel, 2008.
RICCI, Rudá. “Salam?” REA, nº
93, fevereiro de 2009, disponível em
http://www.espacoacademico.com.br/093/93esp_ricci.htm
SAID, Edward W. Representação do
Intelectual: as Conferências Reiht de 1993.
São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
SALEM,
Helena. Palestinos, os novos judeus. Rio de Janeiro:
Eldorado-Tijuca, 1977.
SANTOS, Boaventura de Sousa. “Réquiem
por Israel?”.
Agência Carta Maior, 12.01.2009. Acesso em 19.01.09, disponível em
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15480
SARAMAGO, José et alli. “Sobre Gaza”.
In: Socialismo e Liberdade – Fundação Lauro Campos. Acesso em
04.02.09, disponível em
http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/38-artigo/740-sobre-gaza
SORJ,
Bernardo. “Oriente Médio: o caminho da paz não passa pelo
maniqueísmo”.
Simon’ Site, 05 de
janeiro de 2009. Acesso em 05.01.2009. Disponível em
http://www.schwartzman.org.br/sitesimon/?p=957&lang=pt-br
Bernardo Kucinski, que esteve na Cisjordânia e viu com os
próprios olhos “a saga dos palestinos que precisam passar
por postos militares de controle todos os dias ao transitar
entre suas próprias vilas, campos e cidades”, escreve:
“Sempre me impressionaram relatos como o do fanático judeu
que entrou numa mesquita e metralhou mais de uma dezena de
fiéis em plena oração. Ou o esfaqueamento de judeus num
ponto de ônibus por um árabe enraivecido. São claros sinais
de um ódio já instalado dentro do coração de cada um.” E,
após os últimos acontecimentos, a tendência é este ódio
enraizar-se ainda mais e reproduzir-se com as futuras
gerações. Ver: KUCINSKI, Bernardo. “Reflexões e impressões
sobre conflito entre árabes e judeus no Oriente Médio”.
Agência Carta Maior, 15.01.2009. Acesso em 19.01.09,
disponível em
http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4079
“Justificar as guerras de Israel contra os árabes é na
verdade prestar-lhe péssimo serviço e prejudicar seus
interesses a longo prazo. A segurança de Israel, permitam-me
repetir, não se garantiu com as guerras de 1956 e 1967; pelo
contrário, estas guerras a minaram e comprometeram. Os
‘amigos’ de Israel, na verdade, incitaram-no a uma aventura
perigosa”, escreveu Isaac Deutscher em “O judeu Não-Judeu”.
Citado in SALEM (1977), como epígrafe. Deutscher fez questão
de salientar que escrevia “como marxista de origem judaica,
que teve seus parentes sacrificados em Auschwitz e que tem
outros que vivem em Israel”.
Ver A Batalha de Argel
(La Battaglia di Algeri,
Argélia/Itália, 1965).
Direção:
Gillo Pontecorvo.
Produção:
Casbah Films, Argel, em colaboração com Igor Film, Roma.
Duração: 117
min.
Os diversos governos árabes nem sempre apóiam os palestinos,
pois tem interesses próprios a defender e não podem
descuidar diante da correlação de forças políticas e
religiosas em seus respectivos países. O professor Rattner,
no livro “Israel e a Paz no Oriente Médio: uma luz no fim do
túnel?” (2008), oferece dados sobre a ‘diáspora’ dos
palestinos e a situação que enfrentam. Ver, especialmente,
“A naqba dos palestinos ou um olhar para o outro lado
do muro”, p. 129-134.
Ḥarakat
al-Muqāwamat al-Islāmiyyah,
cujo significado é "Movimento de Resistência Islâmica". Foi
criado em 1987 pelos
Xeques
Ahmed Yassin,
Abdel Aziz al-Rantissi e Mohammad
Taha da ala palestina da
Irmandade Islâmica.
Harakat al-Tahrir al-Watani
al-Filastini
("Movimento de Libertação Nacional
da Palestina"), organização política e militar, fundada em
1964 por Yasser Arafat
e
Khalil al-Wazir (Abu Jihad),
juntamente com a criação da
OLP.
Em
janeiro de 2006 o Hamas surpreendeu o mundo ao conquistar 76
dos 132 assentos do parlamento palestino. O Al-Fatah ficou
com apenas 43. As eleições, legítimas, foram acompanhadas
por entidades internacionais.
“O entusiasmo ocidental pela democracia se detém quando os
que se opõem a suas políticas são eleitos para governar.”,
notou Tariq Ali. Ver: ALI,
Tariq. “O Gueto de Gaza e a hipocrisia ocidental”.
In: Socialismo e Liberdade – Fundação Lauro Campos.
Acesso em 15.01.09, disponível em
http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/38-artigo/718-o-gueto-de-gaza-e-a-hipocrisia-ocidental-
Tariq Ali reproduz, com algumas mudanças, as palavras de
William Shakespeare em “O mercador de Veneza”: "Sou
palestino. Não tem olhos o palestino?, Não tem mãos, órgãos,
dimensões, sentidos, afetos, paixões? Não come a mesma
comida, não morre pelas mesmas armas, não padece as mesmas
enfermidades, não sana do mesmo modo, não se esquenta no
mesmo verão e não se gela no mesmo inverno, como o judeu? Se
nos furam, não sangramos? Se nos fazem cócegas, não nos
rimos? Se nos envenenam, não morremos? Se nos fazem mal, não
nos podemos vingar? Se somos iguais em tudo, por que
reprovar-nos por ser iguais também nisso… a vilania que nos
ensinaram, a levarei a cabo; e será duro, mas melhorarei a
instrução."
Em artigo traduzido e publicado na
Agencia Carta Maior, em 26.10.09, o jornalista Gideon
Levy, do jornal israelense Haaretz, afirma:
“Nem o Hamas deveria ter sido
boicotado, nem Gaza deveria ter sido sitiada. Israel nada
ganhou nem com o boicote nem com o bloqueio. O resultado
está aí, a vista de todos: estamos olhando para ele.
Desde a questão com a OLP
(Organização de Libertação da Palestina), há anos, o
rejeicionismo israelense nada trouxe de bom; só trouxe mais
e mais violência, novos ciclos de violência e de
radicalização, tanto dos palestinos quanto dos israelenses.
Hoje, o Hamas é mais forte do
que era antes da guerra; a guerra sempre fortalece os
extremismos, de todos os lados, o deles e o nosso. Depois a
OLP converteu-se em Hamas e hoje é Jihad Mundial. Gaza não
se tornou "moderada", como interessaria a Israel; está
sangrando, devastada, e Israel nada lhe ofereceu, até hoje.”
Ver, “Primeiro inquérito sobre os horrores da guerra em
Gaza”, in
Agência Carta Maior, 23.01.09.
“Quando os canhões se silenciarem por completo e a escala
das mortes e da destruição se tornar totalmente conhecida,
ao ponto de mesmo os mais sofisticados mecanismos de
auto-defesa da psique israelense caírem, talvez alguma lição
se imprima nas nossas mentes”, diz no Haaretz o
escritor David Grossman. (Citado por Bernardo Kucinski no
texto indicado acima).
|
|
versão para imprimir (arquivo em pdf)

|