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RONALD CHIRA
RONI CHIRA, designer gráfico, é
membro do movimento Amigos
Brasileiros do PAZ AGORA.
Elaborou o hotsite da
‘Coletânea
Amós Oz’.
As idéias expostas pelo
autor não refletem necessariamente o pensamento do movimento. |
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Barack Obama não vai salvar Israel
e a Palestina de si mesmos
Ronald Chira
Os EUA, certamente
não deixarão de apoiar Israel na era Obama. Assim como os
governantes árabes que, mesmo divididos neste momento, continuarão,
a apoiar a causa palestina.
O fim desses
conflitos – que vem desde o momento em que a resolução da ONU de
1947 decidiu a partilha da ex-colônia britânica – deve dar-se na
mobilização dos dois povos que anseiam viver em paz. De nada adianta
voltarmos ao passado bíblico, à tragédia do holocausto ou aos
diferentes momentos de colonização da região, para reivindicar os
direitos legítimos de um lado ou do outro. Sempre viveram na região
árabes, cristãos e judeus, em torno dos monumentos sagrados.
São eles,
israelenses e palestinos, somente eles, que darão um basta à
violência que seus líderes lhes impõem há mais de 60 anos. Não
deverão olhar para trás, nem para seus vizinhos. Mas para o futuro.
Precisarão estancar ódio e ressentimentos do passado e compreender
que a única maneira de por um fim ao inútil e interminável
derramamento de sangue será a aceitação mútua de sua existência. O
discurso radical e religioso de ambos os lados não pode mais ecoar
em suas mentes. A palavra do futuro tem que ser: Coexistência.
Em Israel, os
movimentos pacifistas a favor de um Estado Palestino independente e
a favor da retirada dos assentamentos judeus da Cisjordânia devem se
estimulados e fortalecidos. Assim como deve ser estimulada a ANP
(Autoridade Nacional Palestina) e seu presidente Mahmoud Abbas, que
reconhece Israel e que estaria disposto a sentar à mesa para
negociar autonomia e fronteiras. É aí, somente aí, no diálogo, nas
negociações, que se dará a progressão que culminará no tão sonhado e
urgente Estado Palestino independente e soberano.
Israel é real. Não
só pelo poder militar. Mas por ser um país que tem 7 milhões de
habitantes, dos quais 20% são árabes. Nos livros de geografia, sua
área é de 20.770 km2 (desconsiderando os territórios ocupados na
Cisjordânia que devem ser devolvidos ao futuro Estado
Palestino). Em seis décadas de existência, trouxe o progresso em
todas as áreas do desenvolvimento humano. Trouxe agricultura
revolucionária a uma região desértica e estéril. E faria muito mais,
não fosse a inutilidade bélica à qual se submete. Deverá fazer muito
mais por si mesmo e pela futura Palestina quando finalmente
reconhecer o direito palestino de viver em sua própria Pátria.
Israel não pode ser
riscado do mapa como querem os terroristas islâmicos ou o delirante
presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Tampouco israelenses farão
suas malas e deixarão suas casas e sua jovem Pátria para uma nova
diáspora. Justo ou injusto, 60 anos depois de sua criação, o Estado
de Israel é tão real quanto o sol que nasce no horizonte daquela
paisagem. Não existem argumentos ou fórmulas que possam mudar este
fato.
A esquerda
alinhada
Ao contrário do
discurso infantil da velha esquerda "xiita", não é intenção de
Israel ou dos EUA dizimarem a população de Gaza e Cisjordânia. E
sim, incapacitar os terroristas de lançarem bombas cegas contra o
povo israelense; impossibilitar (com a construção do muro na
fronteira da Cisjordânia) a volta dos covardes homens-bomba que, até
bem pouco tempo, dirigiam sistematicamente suas ações assassinas
contra civis inocentes dentro de mercados, restaurantes, praças
públicas ou ônibus escolares no território israelense.
Essa mesma esquerda
"xiita", baseada na argumentação maniqueísta dos tempos da URSS e do
Muro de Berlim ("sou amigo dos inimigos dos meus inimigos e inimigo
dos inimigos dos meus amigos", preto ou branco, sem tonalidades ou
ponderação), oferece espaços que o terrorismo dos "mártires de Alá"
ocupa estrategicamente – embora pouco ou nada tenha de democrático
ou socialista o mundo muçulmano dos aiatolás, talibãs, Hamas ou
Hezbollah, sabemos bem. Ditaduras sanguinárias, machismo patriarcal
e selvageria primitiva governam a quase totalidade de suas
sociedades.
Olho por olho
A bestialidade da
guerra é desprovida de qualquer senso de equilíbrio e justiça. Não é
uma partida de futebol com 11 jogadores de cada lado submetidos a
regras e punições. Antes fosse assim!
Existem os que
acreditam que o "justo" seria uma guerra onde cada lado fosse
"vingado" nas mesmas proporções em perdas humanas. Os críticos
acusam Israel de ser desproporcional no revide ao Hamas. Mas, o fato
de Israel ser mais “poderoso” em seus ataques e mais "competente" em
sua defesa não diminui o grau de barbárie assassina do Hamas quando
lança bombas contra o território israelense com o objetivo de matar
o maior número possível de civis. O cidadão israelense já está
habituado, de longa data, a se proteger dessas bombas. Além disso,
depois de décadas de ataques, é lei que todas as construções em
Israel tenham, obrigatoriamente, ao menos um aposento que suporta
bombardeios.
Por outro lado, não
se justifica a arrogância brutal do exército israelense ao
"descobrir" em cada alvo uma célula terrorista. Mesmo que – ao
contrário do Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica ou Al-Qaeda – não use
como "moeda de troca" a vida humana; não use a tática de esconder
seus soldados entre civis e nem use homens-bomba doutrinados com a
idéia da recompensa de 20 virgens no céu de Alá em troca do
sacrifício no inferno terrestre.
Onde os
terroristas vencem
Sempre que Israel
entra em combate contra terroristas, quase invisíveis como de fato
são, a mídia recebe centenas de imagens chocantes de vítimas
inocentes que são distribuídas, quase que instantaneamente, aos
quatro cantos do planeta. Esta é a tática do Hamas e do Hezbollah: a
guerra na mídia, da qual saem amplamente vitoriosos.
Não é pelo fato de
ser judeu que condeno os grupos terroristas islâmicos. Os condeno
por oferecerem, covardemente, seu povo ao sacrifício como se fossem
cartuchos descartáveis, úteis apenas para a guerra da informação.
(Segundo a Agência de Notícias Reuters e os grupos de defesa dos
direitos humanos em Gaza, 60% das vítimas dos ataques israelenses
eram civis; portanto 40% deles eram terroristas que estavam entre
os civis.) Por que seu líder máximo – que vive à salvo em Damasco –
só aparece na TV Aljazira incitando seu povo a um enfrentamento
suicida com Israel? Provocam uma guerra que jamais podem vencer,
para depois receberem ajuda na reconstrução de suas cidades. Quem
pode garantir que parte dos milhões de dólares que serão destinados
a Gaza não sejam desviados para revitalizar a estrutura terrorista
do Hamas? Afinal, de onde vêm os mísseis que há mais de uma década
são lançados sobre as cidades de Israel?
E não é pelo fato de
ser de esquerda que condeno o belicismo selvagem do governo
israelense. Condeno porque tenho convicção de que, ao atacar o Hamas
e o Hezbollah, causando essa avalanche de mortes civis, Israel faz o
jogo ardiloso dos radicais islâmicos. É uma guerra que só faz
aumentar seus inimigos atuais e, mais grave ainda, seus inimigos
futuros. A morte de crianças e mulheres ao vivo e a cores que
recheiam os noticiários em todo o mundo se encarregará de demonizar
Israel junto à opinião pública mundial, caso seus governantes não
mudem urgentemente sua postura.
Onde todos perdem
Alimentados pela
intolerância de seus líderes e financiados por interesses externos,
israelenses e palestinos eternizam uma fórmula de enfrentamento
inútil e sanguinária décadas à fora – e que só os coloca a uma
distância cada vez mais abismal da solução para os anseios de seus
povos. O ódio entre eles tornou-se uma tradição que se transfere de
pai para filho, geração após geração.
Esperança
Barack Obama não
será o salvador dos fracos e oprimidos. Não será o Messias nem a
reencarnação do Profeta Maomé. Terá tarefas mais duras que muitos
presidentes que o antecederam. Em primeiro lugar, terá que
corresponder a uma expectativa de esperança mundial sem precedentes
na história. E, em segundo lugar, terá que recuperar a maior
economia do mundo, arrastada para o caos que contaminou a maioria
dos países desenvolvidos, com sua onda de irresponsabilidade
especulativa. E como se não bastasse, terá, ainda, que consertar os
enormes estragos feitos por Bush em seus delírios beligerantes.
Por isso tudo, por
tudo que já passaram estes dois povos, que israelenses e palestinos
aproveitem a onda de otimismo e esperança da posse de Obama e
iniciem, com as próprias mãos e mentes, a construção
da maior de todas as obras: a paz sólida, próspera e definitiva
naquele pedaço de chão tão sagrado para toda a Humanidade.
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