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ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI
Professor do Mestrado em Educação
nas Ciências da UNIJUÍ - RS e da Universidade Johannes Kepler de
Linz (Áustria). Doutor em Ciências Econômicas e Sociais pela
Universidade de Osnabrück (Alemanha)

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Debate ambiental é destaque no
Fórum Social Mundial 2009
Antônio Inácio Andrioli
A
sétima edição do Fórum Social Mundial (FSM), realizada em Belém,
reafirmou a importância da sustentabilidade ambiental para que um
“outro mundo” seja possível. Considerando a peculiaridade local
desta edição do FSM, a proteção da Amazônia e a defesa dos direitos
dos povos indígenas tiveram um destaque especial, desde a caminhada
de abertura, as mais de 2.300 atividades propostas e as conclusões
finais da assembléia dos movimentos sociais. Participaram do evento
150 mil pessoas de 142 países, incluindo 1,9 mil indígenas de 120
etnias e nações, 1,4 mil quilombolas (descendentes de escravos), mil
artistas e 4,5 mil jornalistas de 800 veículos mundiais de
comunicação. Outra característica importante desta edição do FSM foi
a boa distribuição continental das 4 mil organizações inscritas: 491
da Europa, 489 da África, 334 da Ásia, 27 da Oceania, 155 da América
do Norte, 119 da América Central e o restante, como era de se
esperar em um evento realizado no Brasil, pertencente à América do
Sul.
O FSM segue a sua tradição de se
constituir em espaço de reflexão, proposição e encontro de
movimentos sociais empenhados na construção de alternativas à
hegemonia neoliberal em curso desde a década de 1980. Diferente do
Fórum Econômico Mundial, que há várias décadas reúne a elite
dirigente dos países (governos, empresários e economistas) na cidade
suíça de Davos, o FSM, já descentralizado em continentes, países e
regiões, mantém o seu caráter de integrar e fortalecer a mobilização
social dos atingidos pelos problemas decorrentes da mundialização do
capital. A crise financeira mundial, tema central em Davos nesse
ano, já era tema de Fóruns Sociais anteriores e as alternativas
propostas, como o controle dos fluxos de capital, a taxação das
transações financeiras e um maior controle público dos bancos,
entretanto, jamais foram aceitas como alternativas pelos apologistas
do livre mercado. As atuais conseqüências da liberalização da
economia, das privatizações e da mundialização do capital agora são
evidentes e em Davos, mais uma vez, a conclusão é de que não existem
alternativas. A atual realidade mostra que o FSM tinha razão e,
mesmo nunca tendo existido um documento final único, pois a
diversidade dos movimentos que o integram precisa ser preservada, os
diversos documentos temáticos apresentados alertavam desde 2001 para
os problemas em curso.
Para
além das principais discussões que caracterizam o FSM desde sua
primeira edição em Porto Alegre, a grande novidade do Fórum de Belém
foi, de fato, o foco centrado na necessidade da sustentabilidade
ambiental em nível local e global. Ao lado de seus temas clássicos,
como democracia participativa, economia solidária e direitos
humanos, pela primeira vez, problemas sociais e ambientais foram
considerados como sendo associados e, por isso, conclui-se que
propostas de uma nova sociedade precisam considerar essa implicação
mútua.
Os presidentes do Brasil, Venezuela,
Bolívia e Equador ocuparam um espaço significativo em um dos dias do
evento, demonstrando claramente que a sociedade civil organizada não
pode esperar por propostas de governos, mesmo que esses tenham sido
resultado de um processo de mobilização social e política dos
últimos anos. Fundamental é que os governos sejam pressionados a
adotar propostas elaboradas pela sociedade civil organizada. A
tentativa de adaptação à ordem vigente, constituindo alianças
políticas que impedem avanços programáticos e sua opção pelo
desenvolvimentismo, evidenciam a fragilidade dos atuais governos de
esquerda na América Latina. Por outro lado, a descriminalização dos
movimentos sociais e os programas de estímulo à mobilização e
auto-organização da sociedade, contribuem para a democratização e a
maior participação política nesses países. Os limites desses
governos, no entanto, estão evidenciados e as propostas do FSM se
chocam com a macro-política em curso e as prioridades assumidas
pelos seus líderes políticos. A política ambiental, que ocupou o
centro dos debates do FSM em Belém tem sido um dos principais
aspectos negativos do governo Lula, centrado em políticas de
estímulo ao crescimento econômico e no aumento de exportações
agrícolas, seguindo a cartilha do desenvolvimentismo e do
produtivismo já presente em governos anteriores.
Para o FSM, que mostrou mais uma vez seu
vigor em território brasileiro, a edição realizada em Belém
fortaleceu uma tendência em curso desde a sua ampliação em 2002: a
necessidade de descentralização, da organização local e da definição
de agendas globais. Nesse sentido, o FSM se fortaleceu e continua
sendo historicamente o mais importante espaço de elaboração política
e social da esquerda anti-capitalista mundial. |
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