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ANTONIO MENDES DA SILVA
FILHO
Doutor
em Ciência da Computação (UFPE)
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Capital Humano: essencial para o
desenvolvimento sustentável
Antonio Mendes da Silva Filho
“If knowledge can create problems,
it
not through ignorance that we can solve them”.
Isaac
Asimov
As empresas, os governos e outras
instituições são marcadas pelas pessoas. As pessoas que atuam numa
organização, seja ela pública, privada ou do terceiro setor
compreendem o ‘DNA’ daquela organização. É o capital humano que o
principal combustível para movimentar uma organização. Nesse
sentido, observa-se que, atualmente, há uma falta de pessoal
qualificado no mercado de tecnologia da informação e especificamente
em engenharia de software, o que requer urgente qualificação para
suprir tal déficit. Enquanto a maioria dos países desenvolvidos,
além dos emergentes como Rússia, China e Índia têm planejado a
formação de profissionais qualificados, o Brasil ainda se depara com
quantidade insuficiente de profissionais qualificados para atender
essa demanda. Dentro desse contexto, este artigo discute questões
pertinentes a um desenvolvimento sustentável para o segmento de
tecnologia da informação.
É comum ouvir a atitude de governantes
de esperar que a próxima gestão resolva os problemas do agora. Isso
é observado, por exemplo, no campo do software e também na educação
profissional. É preciso que haja uma conscientização em torno de um
projeto estratégico do país que encaminhe desde já o problema da
área tecnológica no governo. Isso foi colocado com uma das
prioridades do novo governo norte americano. Aqui, contudo, isso não
acontece muitas vezes, em parte, pela lentidão brasileira em atacar
de maneira mais ágil os problemas existentes no campo tecnológico do
governo. Enquanto outros países já demonstram significativo avanço
estratégico para desenvolvimento de sistemas de software, o Brasil
carece, e ainda muito, de planejamento.
Então, qual a fórmula desses países para
o crescimento sustentável?
A resposta é: ações continuadas de
planejamento e investimento na formação de profissionais
qualificados, ou seja, investimento em educação. Perceba que o
governo não se distancia de suas atividades e obrigações e, mesmo
não estando no poder, os partidos de oposição devem entender a
necessidade de um trabalho contínuo e prolongado trazendo suas
contribuições aos diversos segmentos e, especificamente, no
tecnológico.
É notória uma
demanda crescente por pessoas qualificadas e isto exige um
crescimento similar de indivíduos em unidades educacionais que podem
ser as universidades tradicionais de tijolo e cimento, bem como
universidades virtuais (‘sem paredes’) e unidades de ensino a
distância a fim de atender tal demanda. Isto requer soluções
criativas. Cabe também destacar que uma única instituição ou
universidade não poderá prover todos os cursos demandados pela
sociedade. A quantidade e tipos de cursos ofertados e demandados
também determinarão mudanças na educação, tornando-a distribuída.
Uma possível conseqüência desse cenário
será a formação de ‘consórcios’ gerando a necessidade adicional de
mudanças na forma de gestão da educação. A educação tende a cruzar
fronteiras não apenas físicas, mas também culturais, fazendo o
educador ter um papel mais de ‘facilitador’. O educador
concentrar-se-á mais no processo de aprendizagem, uma vez que nesse
processo as pessoas terão ações mais independentes e autônomas. Note
que tais mudanças são vislumbradas para o ensino superior com foco
na capacitação profissional e educação continuada.
Perceba quão importante é atender a
demanda de formação de capital humano. Poucos sabem, mas quase
metade dos indicadores, utilizado pelo Banco Mundial, para aferir o
desenvolvimento de um país está relacionada à educação ou formação
de capital humano (que é parte do desenvolvimento humano). Dentre
eles, tem-se que o percentual de homens e mulheres alfabetizados, o
percentual de pessoal no ensino de 1º. Grau, o percentual de pessoas
no ensino de 2º. Grau, o percentual de pessoas no 3º. Grau, o
percentual do PIB investido na educação, o percentual de pessoas
(cientistas/engenheiros) envolvidas em atividades de P&D (Pesquisa e
Desenvolvimento), etc, etc. Observe que tudo gira em torno da
formação do indivíduo. Trata-se de um fator determinante para o
avanço de uma nação.
Aliado a esse fato, tem-se que os
principais propulsores do crescimento econômico englobam:
-
Nível
educacional com crescimento rápido
-
Taxas de
inovação tecnológica aceleradas
-
Meios de
comunicação mais rápidos e baratos, permitindo a quebra de
barreiras físicas e sociais, tanto a nível nacional quanto
internacional.
-
Informação, atualmente disponível, em quantidade e qualidade
maior do que jamais vista antes.
-
Abertura
de novos mercados com a globalização.
Cabe aqui ressaltar a mudança ocorrida
nos determinantes do desenvolvimento que tem sido testemunhado pela
sociedade, como ilustrado na Figura 1.

Figura 1 – Mudança dos determinantes
do desenvolvimento.
Adicionalmente a mudança acima, há um
conjunto de fatores que colocam conhecimento e qualificação
profissional como elementos importantes na economia de um país,
dentre os quais destaco que:
-
Conforme estimativas recentes, cerca
de 50 a 60% de toda produção industrial é baseada na informação;
-
Atualmente, empresas modernas
(inclusive as públicas) dependem bastante da gestão da
informação relacionada a qualidade, custo e tempo, a fim de
assegurar sucesso, similarmente a necessidade que tinham para
fazer a gestão de materiais e de produção;
-
O setor de serviços, o qual tem
mostrado grande potencial para criar novas oportunidades de
empregos e crescimento econômico na economia mundial, é
essencialmente baseada no conhecimento;
-
O crescimento vertiginoso do
potencial de empregos no século atual tem sido e,
principalmente, guiado pela rápida expansão de setores e
serviços que fazem uso intensivo da tecnologia.
O conhecimento e
habilidades da força de trabalho de um país são os principais
determinantes da taxa de crescimento econômico, além de definir os
tipos e quantidade de postos de trabalho criados. Quanto maior o
nível de qualificação profissional, maior é a produtividade, melhor
é a qualidade, e menor é o custo dos produtos e serviços gerados.
Observe ainda que as nações mais industrializadas têm entre 60 e 80%
de sua força de trabalho com qualificação profissional elevada. Já
no Brasil, estima-se que esse percentual seja de pouco mais de 1%.
Para finalizar, vale lembrar que a necessidade de capital
humano é premente não apenas para o Brasil, mas de qualquer nação
que visa se desenvolver ou se manter desenvolvida.
Leitores interessados no tópico podem
encontrar mais informações nos sites:
Capital Humano: necessidade essencial às empresas e
diferencial para competitividade
O profissional da informação na era da conectividade
Internet: catalisador da Educação e Comunicação
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