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NIVALDO CORRÊA TENÓRIO
Mestrando em Educação
pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS),
Especialista em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de
Maringá (UEM) e professor efetivo do Estado de Mato Grosso do
Sul na área de Geografia.

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O Ensino no Brasil: da República Velha à
Reforma Francisco Campos
– Uma releitura
Nivaldo Corrêa
Tenório
Para que possamos entender as principais
Leis Educacionais que foram implantadas no Brasil a partir do início
da República em 1889 até os anos de 1930 com as Reformas de
Francisco Campos, ou seja, passando pelo período da chamada Era
Vargas, devemos nos reportar ao final Império e sua transição para a
República, contextualizando essa fase histórica que foi marcada por
grandes mudanças estruturais e econômicas ocorridas na sociedade
brasileira.
Um dos fatores marcantes do fim do
Império e início da República no Brasil foi, sem dúvida, o fim da
escravatura e a imigração em massa de povos europeus para o Brasil
(Manfredi, 2003, p. 79). Esse processo fez com que ocorresse a troca
do trabalho escravo para o assalariado no campo e, em alguns
segmentos, da cidade. Essa modificação estrutural no modelo de
trabalho escravista para o trabalho assalariado, além de mudar o
quadro econômico no Brasil, fez com que ocorresse, ao mesmo tempo,
um fluxo de entrada de imigrantes intensa e houvesse um grande êxodo
rural da população negra (antes escravizada) para os centros
urbanos. A mesma seria, a partir de então, novamente marginalizada,
visto que, os imigrantes europeus vão ocupar quase que na totalidade
as vagas de trabalho no campo e na cidade.
Nesse período, o avanço da economia
cafeeira, principalmente em São Paulo e em Minas Gerais, que gerou a
expressão “política café-com-leite (em alusão as principais
produções dos dois estados), conseguiu pôr a serviço dos plantadores
toda a máquina estatal, em especial no tocante à preocupação
obsessiva com a manutenção dos preços do café” (Linhares, 1990, p.
303). Adicionado a isso, a sua crescente evolução fez com que se
consolidasse o poder das oligarquias agrárias no País, garantindo
assim a acumulação de capital desse grupo, que a partir de então
veio, de maneira mais contundente, governar o País.
A grande lucratividade da cafeicultura
fez com que fossem criadas as condições necessárias para que uma
parte dos lucros obtidos com a cultura cafeeira fosse repassada a
outros setores econômicos do País. Foram contemplados: bancos,
construção de estradas de ferro, indústrias e usinas (Moraes, 2001,
p. 170). O país, principalmente o Sudeste, liderado pelo estado de
São Paulo, que nesse momento despontava como grande privilegiado
para que ocorresse a expansão de um parque industrial fortalecido e
com bases econômicas sólidas, ingressava numa nova fase econômica e
social, destacando-se a aceleração da urbanização caminhando junto
com a industrial.
[...] capital, mão-de-obra, mercado
relativamente concentrado, matéria prima disponível e barata,
capacidade geradora de energia e um sistema de transportes
ligado aos portos. Essa concentração de fatores tem o Sudeste –
São Paulo, sobretudo – sua melhor conjugação e, na medida em que
cresce e melhor se integra, a região vai receber maiores
investimentos, liderando a corrida industrial frente às demais
regiões do país (LINHARES, 1990, p. 304).
Os novos empreendimentos econômicos na
área industrial e a ascensão dos grandes centros urbanos estimularam
a infra-estrutura urbana de transportes e edificações em todo o país
(Manfredi, 2003, p. 79).
É necessário destacar que a
industrialização brasileira não nasce como substitutiva de
importações, devido a distúrbios e crises internacionais, como a
Primeira Grande Guerra Mundial. “A indústria brasileira nasce,
fundamentalmente, a partir de capitais nacionais e aproveitando-se
de condições favoráveis internamente” (Linhares, 1990, p. 304). O
que ocorreu foi que, durante a época de guerras e crises econômicas
mundiais, a indústria brasileira crescia aumentando a capacidade de
produção nas instalações já existentes.
Esses acontecimentos criaram a
necessidade de promover a educação profissional no Brasil para as
classes menos favorecidas economicamente, em detrimento aos outros
tipos de ensino. Visto que as novas necessidades de trabalho criadas
pelo capital, tanto na qualificação profissional (já que, agora o
trabalhador necessitava de ter instrução, mesmo que básica, para
poder executar o seu trabalho), como também para que se
disciplinasse a classe que seria colocada a serviço do capital, ou
seja, como trabalhadores “aptos” ao trabalho, que naquele momento
tornava-se necessário (Moraes, 2001, p. 178).
Com a República instalada no Brasil, a
partir de 1889, houve a necessidade de promulgar uma nova
Constituição que garantisse e estabelecesse a nova forma de governo
que ali se instalara. Em 1891, a Constituição da República é
promulgada instituindo o sistema federativo de governo. Desse modo
também reconhecia a autonomia dos Estados para elaborar suas
próprias leis sobre a educação em alguns graus de ensino.
A Constituição reservava à União o
direito de criar instituições de ensino superior e secundários nos
Estados, além de prover a instrução secundária no Distrito Federal.
Desse modo, concedia aos Estados da Federação a competência para
prover e legislar sobre a educação primária. Na prática, à União
cabia criar e controlar a instrução em toda a Nação, bem como criar
e controlar o ensino secundário acadêmico e a instrução em todos os
níveis do Distrito Federal. Já aos estados era atribuído o controle
do ensino primário e o ensino profissional, que, na época,
compreendia também as escolas normais de nível médio para moças e
escolas técnicas para rapazes (Romanelli, 1978, p. 41).
Logo, devido a essa formulação, é
instituído e reconhecido como sendo o sistema a ser seguido, o
modelo dual de ensino, que já era utilizado no período imperial.
Oficializou-se dessa forma a separação das classes sociais, ou seja,
entre a educação da classe dominante, escolas secundárias acadêmicas
e escolas superiores, da educação do restante da população, ou seja,
escola primária e profissional. O que ocorre é que a sociedade
brasileira já não tinha sua estratificação social tão definida, pois
já havia uma nova classe social que despontava, isto é, uma classe
emergente que já dominava os setores comerciais e intelectuais, além
de se aventurar na pequena indústria que despontava.
Devido a essa dualidade, a Primeira
República tentou elaborar, em um primeiro momento, algumas reformas
educacionais que não resolveram e tampouco atenuaram problemas
graves na educação brasileira, sendo que, a reforma proposta por
Benjamin Constant, que seria a primeira e a mais completa, não
chegou a ser posta em prática em todos seus aspectos. A reforma
tentou, porém, sem êxito, entre outros aspectos, a substituição do
currículo acadêmico por um currículo enciclopédico, com inclusão de
disciplinas científicas. Porém, faltou-lhe apoio político das
elites, que enxergavam nas idéias do reformador uma ameaça à
formação da juventude, cuja educação vinha sendo pautada nos valores
da mentalidade da aristocracia-rural (idem, p.42).
Nesse mesmo período, embora houvesse
vários problemas estruturais na educação no Brasil, ocorreu um
avanço na educação profissional, que ganhou nova configuração
(Manfredi, 2003, p. 79). Se antes eram incipientes e se dedicavam ao
ensino de ofícios artesanais e manufatureiros, agora eram
verdadeiras redes de escolas dirigidas para essa “nova” sociedade
que despontava como sendo industrializada, sob as diretrizes
impostas pelo capital, organizadas pelo Governo Federal e Governos
Estaduais.
Os positivistas foram os primeiros a
expressar sua posição sobre a educação profissional, pois juntamente
com os liberais divergiram dos católicos quanto à manutenção da
formação religiosa nas escolas profissionais.
Com o regime federativo, criado pela
República que despontava, criou-se a possibilidade de cada estado
confederado poder organizar e direcionar algumas normas
educacionais, principalmente, o que mais os interessavam que era o
ensino profissional. Visto que o estado federado era autônomo para
tal direcionamento, alguns estados criam suas próprias redes de
ensino.
No Distrito Federal, é criado o
Instituto Profissional João Alfredo, em 1892, servindo esse como um
parâmetro para implemento de novas propostas educacionais como a de
Fernando de Azevedo em 1929, que a transformou em um Instituto
Profissional Eletrônico e Mecânico e, também, a de Anísio Teixeira
em 1932, que a tornou uma Escola Técnica Secundária. Constitui-se na
“primeira tentativa, em nosso país, de superação da reprodução
escolar entre o trabalho manual e o trabalho intelectual” (Manfredi,
2003, p. 86). No entanto, nenhuma dessas reformas obtive êxito. A
reforma comandada por Fernando de Azevedo foi substituída pela de
Anísio Teixeira, que veria seu projeto naufragar com a entrada do
Ministro da Educação, Gustavo Capanema, durante o Estado Novo, isto
é, na ditadura varguista.
É importante salientar que houve,
durante os primeiros períodos do século XX, projetos de educação
profissional diferentes dos propostos pelo Estado e classes
dominantes. Esses projetos foram executados por alguns sindicatos,
que na época eram chamados de reuniões e que, embora não atingissem
uma grande parcela dos trabalhadores, realizaram um trabalho
educacional que se diferenciava dos moldes e projetos vigentes.
Visto que não eram regulamentados, portanto, não seguiam as
determinações impostas através de leis educacionais resoluções
impostas e/ou propostas pelo Estado.
Quanto à localização das escolas
profissionais propostas pelo Governo central para os estados da
Federação, essas foram dispostas seguindo um padrão de instalação
administrativo e político.
A localização das escolas obedeceu
mais a um critério político do que econômico, pois foram
instituídas nas capitais dos estados, embora, na época, poucas
capitais contassem com um parque industrial desenvolvido e os
estados tivessem suas atividades manufatureiras concentradas em
outras cidades. As escolas constituíam eficiente mecanismo de
“presença” e de barganha política do governo federal, nos
Estados, junto às oligarquias locais. (idem, 2003, p. 83).
Quanto à finalidade educacional das
escolas, que foram chamadas de escolas de aprendizes, estas tinham
bem claras as suas diretrizes e objetivos, ou seja, o de formação de
operários, por meio de ensino prático de conhecimentos técnicos
convenientes e necessários ao estado da Federação em que a escola
estivesse funcionando, sempre consultando os industriais locais.
Muitas dessas escolas permaneceram, mesmo após a Revolução de 30,
durante a chamada Era Vargas.
Ao assumir o poder em fins de 1930, o
Governo Provisório, a fim de estabelecer seu regime administrativo
(além de se estabelecer como poder vigente), já sob o comando de
Getúlio Vargas, cria através do decreto n° 19.402, de 14/11/30, o
Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública, não se
constituindo propriamente uma novidade, visto que no início da
Primeira República um Ministério com a mesma nomenclatura havia
existido. Naturalmente, não com todo o respaldo político agora
embutido, e, por curto espaço de tempo (Romanelli, 1978, p.131).
A esse novo Ministério criado pelo novo
Governo competia o estudo e o encaminhamento de todos os assuntos
referentes ao ensino, bem como aqueles atrelados à saúde pública e à
assistência hospitalar. Através desse mesmo decreto as Instituições,
Departamentos e Repartições públicas que estivessem de algum modo
atrelados à área educacional ficariam vinculados a esse Ministério.
O novo Ministério, sob o comando do Ministro Sr. Francisco Campos,
criado com poderes amplos e com controle sobre o setor educacional,
logo que surge, executa como uma das primeiras realizações a reforma
conhecida como Reforma Francisco Campos, que se tornou efetiva
através de uma série de decretos. Sendo eles os seguintes:
-
Decreto n°
19.850 – 11 de abril de 1931: cria o Conselho Nacional de
Educação.
-
Decreto n°
19.851 – 11 de abril de 1931: dispõe sobre a organização do
Ensino Superior no Brasil e adota o Regime Universitário.
-
Decreto n°
19.852 – 11 de abril de 1931: dispõe sobre a organização da
Universidade do Rio de Janeiro.
-
Decreto n°
19.890 – 18 de abril de 1931: dispõe sobre a organização do
Ensino Secundário.
-
Decreto n°
20.158 – 30 de junho de 1931: organiza o Ensino Comercial,
regulamenta a profissão de Contador e dá outras providências.
-
Decreto n°
21.241 – 14 de abril de 1932: consolida as disposições sobre a
organização do Ensino Secundário (Saviani, 2004, p. 32).
Até a Reforma Francisco Campos, o Brasil
não tinha uma estrutura de ensino organizado à base de um sistema
nacional (Romanelli, 1978, p.131). Cada estado da Federação tinha
seu próprio sistema, sem que este estivesse atrelado ao poder
central. Por isso, sem ter uma política nacional de educação, o
ensino secundário era ministrado na maior parte do território
nacional como curso preparatório de caráter propedêutico. Além do
mais, todas as reformas anteriores a de Campos, e que eram efetuadas
pelo poder central, eram direcionadas quase que exclusivamente para
o Distrito Federal. Eram colocadas como modelos para os estados, no
entanto, sem que esses fossem obrigados a adotá-las. Desse modo, o
Governo Central ficava sem ter o controle e sem direcionar a
educação dos estados.
À reforma educacional implementada por
Francisco Campos é creditado o mérito de, pela primeira vez, ser
colocada em prática no sistema educacional brasileiro uma estrutura
orgânica ao ensino secundário, comercial e superior, que foi imposta
a todo o sistema educacional do país, dando início à ação objetiva
do Estado na Educação (idem, ibidem).
Além das mudanças já mencionadas,
estabelecia definitivamente o currículo seriado; a freqüência
obrigatória; dois ciclos (um fundamental outro complementar), que se
constituiriam em pré-requisitos para o ensino superior (FEE, 1983,
p. 26). Fica claro na reforma apresentada a ênfase ao Ensino de
Nível Secundário, o que pode ser explicado devido às pressões que o
Estado sofria das classes médias urbanas que vislumbravam na
educação um canal, ou seja, um veículo de ascensão social (SÁ, 1979,
p. 56).
Apesar de já existirem à época
manifestações e reivindicações que apontavam, e de certo modo, viam
a necessidade de reestruturar e ampliar o ensino fundamental, é
necessário salientar que embora a Reforma Campos fosse, de certo
modo, mais objetiva na centralização do poder do Governo Central nas
questões educacionais, este, no entanto, não foi contemplado.
Os primeiros anos da década de 1930
foram marcados, no âmbito educacional, pelas idéias postas em
discussão pelo que foi chamado, Movimento Escola, que teve sua
gestação no início do Séc. XX, e que ganhou projeção em 1930, pelas
mãos de Lourenço Filho, publicando o livro “Introdução ao Estudo da
Escola Nova”.
Esse movimento, que era formado por
educadores da época, já havia se organizado, na década de 1920, em
uma associação intitulada de Associação Brasileira de Educação, sob
a sigla (ABE), tendo um papel importante como instrumento de pressão
sobre as autoridades governamentais, no sentido de renovação do
setor educacional. A Associação Brasileira de Educação realizou
várias Conferências Nacionais de Educação. A primeira delas, em
1927, deu-se em Curitiba/PR (Romanelli, 1978, p. 130).
Os integrantes desse movimento,
intitulado de Escola Nova, também foram chamados de Renovadores da
Educação e travaram um debate com os Educadores Tradicionais,
revelando, desse modo, um antagonismo entre os grupos, tendo os
“renovadores” uma visão mais adequada ao momento histórico, no qual
se apresentava (FEE, 1983. p.27). Assim, os renovadores “... se
opunham aquela concepção de educação de poucos, discriminada e
incapaz de dar solução aos problemas práticos, símbolo de elite, uma
educação fundamental, universal e ao mesmo tempo voltada para o
trabalho produtivo, através de uma escola comum a toda população”
(Sá, 1979, p. 62). E essa forma de pensar a educação no Brasil se
tornou o conteúdo principal do “Manifesto dos Pioneiros da Educação
Nova”, lançado em 1932 (Saviani, 2004, p. 33).
As idéias contidas no Manifesto dos
Pioneiros, que, em síntese, eram a ampliação da educação pública, a
gratuidade, o ensino laico, a obrigatoriedade e a igualdade de
direito de gênero à educação, foram o foco principal das lutas pela
transformação do sistema escolar vigente, o qual verá na
Constituição de 1934, no capítulo II sobre educação, algumas de suas
idéias contempladas.
Apesar de toda ebulição provocada
pelas idéias do Movimento Escola Nova, o que concretamente se
realizou nesse período foi a Reforma Francisco Campos, que,
mesmo conferindo uma nova estrutura ao sistema de ensino, não
conseguiu romper com o velho molde elitista do ensino que
caracterizou a fase anterior. À medida ignorou as necessidades
do ensino primário e que, dentro do ensino técnico, só cuidou do
comercial, deixando à margem o industrial – importante numa
sociedade que se voltava cada vez mais para a industrialização,
a Reforma acabou por aprimorar um sistema que atendia
basicamente à demanda da burguesia e das classes médias. (FEE,
1983, p. 28).
Mas, o Estado e o Movimento Escola Nova
pareciam ter suas consciências atadas em diversos pontos, pois viam
necessidade de atender às exigências que viriam com o avanço da
industrialização e com o desenvolvimento dos centros urbanos. Além
disso, os representantes dessa corrente de pensamento tinham a
percepção de que a ampliação do sistema educacional só se daria de
fato se fosse implementado pelo Estado e sendo a educação um
importante instrumento de difusão ideológico, deveria ser controlado
pelo mesmo (idem, ibidem).
Vale lembrar que a política educacional
do período privilegiou os níveis de ensino responsáveis pela
formação das elites nacionais, o que, de fato, foi muito relevante
para a formação dos quadros requeridos pelas novas atividades que
estavam surgindo naquele momento e que garantiam a elite
privilegiada um domínio cultural e econômico sobre o restante da
população.
Devido ao interesse do Estado,
principalmente pelo ensino profissionalizante, “o setor educacional
teve papel privilegiado no quadro das políticas sociais postas em
prática” (FEE, 1983, p. 64). Nos anos que antecederam a 1937, houve
no Brasil grandes debates sobre as diretrizes que deveriam orientar
a educação. Essas discussões tinham como pano de fundo as idéias do
movimento escolanovista, que de certo modo, viu-se representado na
Constituição de 1934, principalmente nos aspectos relativos à
gratuidade do ensino e sua universalização.
Já na Constituição de 1937, as
principais conquistas obtidas pela Escola Nova foram derrubadas,
pois, o Estado de acordo com o novo texto, se eximia praticamente de
ser o gestor educacional da sociedade, para ter um caráter mais
suplementar sobre a mesma.
Quanto ao ensino profissionalizante,
este não foi “abandonado” pelo Estado, ocorrendo no caso, inclusive,
o contrário, ou seja, o ensino profissional foi até implementado. O
que ocorre a partir daí é que o Estado deixava clara a divisão de
classes existente na sociedade. Pois esse nível de Ensino, como
transparece na Constituição de 1937, era destinado às “classes menos
favorecidas” (FEE, 1983, p. 65). Desse modo, tínhamos dois tipos de
ensinos diferentes, para públicos também distintos. O ensino
secundário tradicional, que formaria a elite dominante, ou seja, a
classe dominante; e, de outro lado, o ensino profissional
direcionado às classes que serviriam de mão-de-obra (idem, ibidem).
A mesma Constituição estabelecia também
que, as indústrias e sindicatos deveriam criar escolas
profissionalizantes para filhos de seus empregados e associados.
Assim, o Estado utilizava-se das empresas para fomentar o Ensino
Profissionalizante, visto que o investimento aplicado na criação
dessas escolas ficaria a cargo do empresariado, que sentindo a
necessidade de obter mão-de-obra qualificada aderiu a essa tarefa
imposta pelo Estado com o uso da lei, isto é, da Constituição em
vigor.
O Brasil tem sua gênese republicana,
provinda de uma aristocracia rural assentada na força de trabalho
escravo e não necessitava de meios e fórmulas educacionais
destinadas à população até aquele momento, pois esta não precisava
ter acesso educacional para executar o seu trabalho. Lembrando que,
até este momento, a Educação no Brasil ficava restrita a um pequeno
número de privilegiados, ou seja, estava direcionada e destinada,
quase que na sua totalidade, à classe burguesa que despontava neste
período.
Os altos rendimentos provindos do
sistema agrário resultaram, contudo, em acumulação de capital,
formando com isto uma nova elite econômica/política no Brasil.
Fazendo com que, mudasse a ordem econômica até então vigente. Ou
seja, os lucros antes investidos somente na área agrária, agora
serão investidos nas indústrias que começam a surgir nas grandes
cidades.
Com o aparecimento das indústrias no
Brasil, e com elas, novas formas e processos de trabalho. Houve a
necessidade de se criar condições, para que, o trabalhador fosse
qualificado e até disciplinado para essa nova realidade imposta pelo
capital. Essa mudança de comportamento por parte do capital (que
passava de agrário para urbano/industrial), fez com que, o Governo
Central, em conjunto com os Estados da Federação, desenvolvessem
planos e ações com a finalidade de direcionar a Educação no Brasil.
Deste modo, suprindo (em um primeiro momento), a falta de
mão-de-obra operária, bem como, deu condições para se criar um
contingente de reserva de trabalho, ou seja, possíveis empregados.
Outro fato marcante, ocorrido nesse
período, foi que o Estado, ao ditar as Leis e Diretrizes que seriam
empregadas na Educação Brasileira, deixou clara a divisão social
existente na sociedade. Pois diferencia, principalmente no Ensino
Secundário, os educandos que seguiriam seus estudos direcionados às
Universidades, que fariam curso propedêutico, dos que, seriam
destinados à área operária, que fariam cursos técnicos.
Não podemos nos esquecer que as Leis
Educacionais, também foram usadas para imposições políticas e
massificação ideológica, afim de, respaldar governos autoritários,
garantindo com isto o controle social.
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_________________. O Legado
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