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JOÃO
DOS SANTOS FILHO
Bacharel em Turismo pelo
Centro Universitário Ibero-Americano de São Paulo (Unibero) e
bacharel em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC/SP). Mestre em Educação: História e
Filosofia da Educação pela PUC/SP. É professor do quadro efetivo
da Universidade Estadual de Maringá, PR - UEM. Autor do livro
“Ontologia do turismo: estudo de suas causas primeiras”
publicado pela EDUSC.

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A história como tragédia torna-se uma grande
comédia
João dos Santos Filho
Um dos maiores pensadores do século
XIX das Ciências Sociais Karl Marx, em seu livro “Crítica da
Filosofia do Direito de Hegel” afirma que a história pode se
apresentar diante de nós como tragédia ou como comédia. Na verdade,
esse velho pensador se torna novamente atual, em suas reflexões
sobre a sociedade capitalista, como diria meu saudoso professor e
amigo Florestan Fernandes: se pensarmos que Marx está superado,
então devemos pensar que a mais-valia, a manipulação econômica,
social e política do exército industrial de reserva, a concentração,
a centralização do Capital, a dominação de classe e o lobby
terminaram.
Obviamente, que esses processos estão
cada vez mais ativos no interior da economia-política brasileira, a
tragédia é o elemento clássico e permanente do seu cotidiano,
combinado com o poder econômico aliado aos interesses de classe dos
coronéis do compadrio. Essa é a característica hegemônica da
política brasileira, que está expressa no ceio do Congresso
Nacional, esses são os representantes do povo brasileiro; donos de
canais de televisão e cadeias de rádios; todos poderosos possuem o
poder para nomear, demitir ou torná-los capachos, alguns
representantes do poder judiciário, legislativo e do próprio
executivo, são proprietários de empresas prestadoras de serviços ao
governo federal. Praticam o lobby em setores que seu partido
ganhou da partilha política, em razão da coligação para o apoio ao
governo Federal e manipulam as emendas parlamentares com interesse
particular.
Com fórum privilegiado para responder
por sua conduta perante a sociedade civil, muitos armam verdadeiras
teias de relações de compadrio buscando favorecer a blindagem de
auto-proteção como o caso vergonhoso do presidente do Congresso
Nacional o senador Renan Calheiros. Em que, o Conselho de ética não
consegue achar um relator, pois um sai por licença de saúde, outro
desistiu por ser acusado de conseguir favores antigos do senador em
questão e o último senador Leomar
Quintanilha é acusado pelo Ministério
Público de receber propina para a liberação de emendas parlamentares
ao Orçamento da União em 1998, o alvo de investigação da
Procuradoria são três emendas do senador, do ano de 1998, que somam
R$ 280 mil. A acusação gerou dois inquéritos sigilosos no STF
(Supremo Tribunal Federal). (fonte: Folha online )
Além de trágico, indecente e imoral o
fazer e militar (militância) na política brasileira mancha a vida
pública de políticos comprometidos com a coletividade que é obrigada
a travar constantemente uma batalha para desviarem do lobby,
dos mimos, dos favores políticos e das tentações legais que podem
vir a se constituir armas de suborno para a vida parlamentar, essa
tragédia desenhada por essa acidez mordaz pode vir se constituir em
uma grande comédia. Ela possui algo licencioso e sensual como as
histórias de Giovanni Boccaccio, patético como graça infantil
despolitizante de Didi Mocó e imbecil como seriado de Chaves.
A comédia política trouxe um
desserviço à democracia brasileira com fatos caricatos,
comportamentos de deboche,
o mentideiro predileto
da tagarelice da desordem pública. A imagem denunciou, o áudio
comprometeu, a documentação falsa ou adulterada existiu, o flagrante
do transporte de valores monetários pela cueca aconteceu, o
empreendedorismo do político arrochado pecuarista que enriqueceu da
noite para o dia transformou-se em premio nacional pelo SEBRAE.
Nada substitui a consciência política
do povo brasileiro, hoje aditivada pelo processo de emulação e
calejada pelos fatos que ocorrem no cenário da política nacional. O
povo não é mais coadjuvante e sim ator principal do processo
político brasileiro, por isso, a linguagem irracionalista,
metafísica, idealista e existencialista só alimenta um rançoso e
falido discurso conformista, mentiroso e fétido.
O sucesso das CPIs quando transmitidas
pelos meios de comunicação revelam um alto índice de audiência, pois
é lá que podemos conhecer, quem é quem, na política nacional.
Presenciar aqueles senadores e deputados que se escondem em seus
mantras jurídicos, viajam para não emitir opinião, fogem quando
sentem a pressão popular, aumentam seus salários na calada da noite
e não abrem mão dos foros privilegiados para a defesa de seus atos
ilícitos.
Caro leitor, para que a nossa história
não permaneça como comédia, defenda o direito à liberdade de
expressão e opinião na democracia e não deixe que o patrulhamento
fascista invada as relações humanas e que o pensar atrasado vença o
novo. O discordar, o investigar, o fotografar, o gravar e o filmar
deve ser entendido como necessário para o combate ao crime
organizado que está instalada em todos os setores da sociedade
brasileira.
Referências
FERNANDES, Florestan. Nós e o
marxismo. In Cadernos Ensaio: Série Grande Formato. Marx Hoje.
São Paulo: Editor Ensaio, 1987.
MARX, Karl. Crítica da Filosofia do
Direito de Hegel. Portugal; Brasil. Presença; Martins Fontes,
1983.
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