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FERNANDA GOMES
TEIXEIRA
Professora de Educação Física da Rede
Estadual e Municipal de Ensino da Cidade do Rio Grande/RS;
Especialista em Treinamento Desportivo, UFPel/RS; Mestre na Área
da Saúde, FURG/RS

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A dança e a ginástica como práticas
pedagógicas na Educação Física
Fernanda Gomes Teixeira
Resumo:
Este artigo caracteriza a Educação Física como a área do
conhecimento que tem como objeto de estudo o movimento humano,
tomando como foco central a importância da dança e da ginástica como
práticas pedagógicas, avaliando suas possibilidades e limites no
ambiente escolar.
Palavras-chave:
dança, educação física, movimento, prática pedagógica
Abstract:
This article characterizes the Physical education as the area of the
knowledge that has as study object the human movement, taking as
central focus the importance of the dance and of the gymnastics as
pedagogic practices, evaluating their possibilities and limits in
the school atmosphere.
Key Words:
dance, physical education, movement, pedagogic practice
1. Considerações
iniciais
A educação tem como tarefa formar
cidadãos críticos, éticos e com aptidão para a inserção no contexto
social do qual fazem parte, de modo que os tornem capazes de exercer
seus direitos, promovendo uma ação de forma integrada entre a pessoa
e o seu ambiente. Logo, a Educação Física, que é uma área do
conhecimento cujo objeto de estudo e de aplicação é o movimento
humano, com foco nas diferentes formas e modalidades do exercício
físico, da ginástica, do jogo, do esporte, da luta, da dança...
tem, ainda, como enfoque para suas atividades as perspectivas da
prevenção de problemas de saúde, promoção, proteção e reabilitação
da saúde; da formação cultural; da reeducação motora, do rendimento
físico-esportivo, do lazer, da gestão de empreendimentos
relacionados às atividades físicas, recreativas e esportivas, além
de outros campos que oportunizem ou venham oportunizar a prática das
atividades físicas, recreativas e esportivas. Sendo, em suma, uma
das maneiras de educar.
2. Educação Física Escolar e seu
discurso pedagógico
O discurso pedagógico da Educação Física
Escolar encontra seu embasamento legal tanto na Lei 9394/96 – Lei de
Diretrizes e Bases da Educação brasileira (LDB), como nos Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs).
A LDB, em seu Art. 26 – “caput”
–, trata da base nacional dos currículos e, o parágrafo 3º refere-se
à Educação Física em especial. Assim está expresso na Lei:
Art.26
Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base
nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e
estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida
pelas características regionais e locais da sociedade, da
cultura, da economia e da clientela.
§ 3º
A educação física, integrada à proposta
pedagógica da escola, é componente curricular da Educação
Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da
população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos. (In:
CARNEIRO,1998,p.84)
Tal determinação legal funciona como uma
idéia-matriz que enseja flexibilidade e pluralidade de fontes,
propondo, também, uma abertura que dá espaço a características
sócio-culturais; a articulações entre disciplinas e traços
psicopedagógicos, ou seja, especificidades psico-evolutivas dos
alunos e suas respectivas competências. Esse espaço sócio-educativo
não impõe fronteiras a manifestações tanto artísticas, como de
Educação Física Escolar o que permite citar a dança, a coreografia e
outras tantas manifestações populares como a própria corrida de rua.
Por sua vez, a Introdução dos PCNs
(1998 , p.62) expõe:A Educação Física, dentro do que se propõem
nos Parâmetros Curriculares Nacionais, é a área do conhecimento
que introduz e integra os alunos na cultura corporal do
movimento, com finalidades de lazer, de expressão de
sentimentos, afetos e emoções, de manutenção e de melhoria da
saúde.
Para tanto, rompe com o tratamento
tradicional dos conteúdos que favorece os alunos que já têm
aptidões, adotando como eixo estrutura da ação pedagógica o
princípio da inclusão, apontando para uma perspectiva
metodológica de ensino e aprendizagem que busca o
desenvolvimento da autonomia, da cooperação, da participação
social e da afirmação de valores e princípios democráticos.
Nesse sentido, busca garantir a todos a possibilidade de
usufruir de jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas em
benefício do exercício crítico da cidadania.
A linguagem clara do texto expõe, creio
eu, que a função da Educação Física Escolar seja a de oferecer ao
alunado todas as possibilidades de conhecimento e vivências
corporais possíveis, desde que orientados conheçam seus limites,
para que possam no extramuros escolar, – em seu meio de convivência
social –, dar continuidade à prática da atividade física que lhes
convier, o que poderá inclusive transformar-se em exercício
profissional.
Fica bastante claro que o discurso
pedagógico adotado segue a filosofia educacional pertinente e
atinente ao momento histórico. Entretanto, o que não se pode negar é
que a cada nova tendência, a cada novo movimento pedagógico, a
Educação Física Escolar vem notadamente se afastando da vertente
tecnicista, esportivista e biologista.
Hodiernamente abordagens como a
Desenvolvimentista, a Construtivista e a Biológica Renovada além de
um enfoque centrado na psicomotricidade, têm um eixo em comum: a
busca de uma Educação Física que articule as múltiplas dimensões do
ser humano, privilegiando a interação dos domínios cognitivo,
afetivo e motor.
O foco, segundo Gaspari (2002, p.24) é,
[...] a educação pelo movimento
[...] que empregada na escola tem por finalidade a regulação
entre o aprendente e seu meio, dispondo, assim, do grau de
plasticidade do sistema nervoso, relacionada com as
possibilidades de adaptação motora frente a novas situações.
A autora afirma literalmente que
[...] assim permite ao homem utilizar os movimentos espontâneos,
fugindo do movimento motor estereotipado.” O que vem a reforçar;
sensibilidade, imaginação e criatividade, tanto em práticas
cotidianas e triviais, bem como na aquisição e aprimoramento de
valores pessoais e sociais (sociabilidade). Tais valores que são
trabalhados no processo educativo de modo geral, em todos os campos,
áreas e disciplinas, como é possível verificar, têm seu destaque,
também, na Educação Física Escolar.
3. A dança como prática pedagógica:
suas possibilidades e limites
No XI Encontro Anual da Iniciação
Científica realizado na Universidade Estadual de Maringá em 2002,
foi revelado por Demenighi e Queirós que:
[...] na maioria dos Cursos de
Graduação em Educação Física a dança não faz parte da grade
curricular enquanto disciplina específica, apresenta-se apenas
como conteúdo que integra as matérias de Rítmica e Atividades em
Academia [...]
Tal constatação soou como um desafio,
tornou-se foco de meu interesse e busca; motivo pelo qual iniciei
pesquisa bibliográfica e documental sobre a temática. A leitura de
artigos científicos trouxe sedimentação ao que já pensava e supunha,
em outras palavras vieram a reforçar minha tese; ou confirmar a
minha hipótese de que a dança é uma das mais importes catalisadoras,
tanto da manifestação como da expressão do movimento do ser humano.
Ouso afirmar que no âmbito educativo escolar, ela é pedagógica e
ensina tanto quanto os esportes, jogos e brincadeiras. A dança é um
meio de aprendizagem praticamente ilimitado, está ligada à estética
e à plástica por ser processo performativo, trabalha com sensações,
sentimentos. Seja ela clássica (balé), popular (dança de rua),
folclórica (chula, fandango, forró...), a dança traz forte estímulo
às percepções sensoriais, tendo em vista que ritmo, sonoridade,
visão e expressão são capacidades levadas ao extremo nessa prática
corpórea.
Outra constatação que fiz ao longo de
meu estudo e de minha experiência profissional é que não podemos
dissociar totalmente o ensino da dança do ensino das ginásticas, uma
vez que ambas se complementam em termos de movimento corporal. Logo,
sendo a Educação Física uma área do conhecimento que está direta e
inevitavelmente relacionada com a corporeidade, preocupa-se com o
significado da materialização dos movimentos dos educandos.
Estudiosos da área revelam que estudando os movimentos humanos,
estaremos estudando o próprio homem.
Verderi a este respeito se posiciona
afirmando (2008):
Nossa conduta motora nos revela
aspectos biológicos e culturais que são determinantes na
evolução do corpo e da mente. Podemos dizer que as atividades
motoras dão lugar às atividades mentais e vice-versa [...]
Podemos perceber com isso que, o movimento humano, qualquer que
seja ele, é dotado de significados elaborados através da mentes
que, quando exteriorizados expressam sua linguagem através do
corpo.
Face ao exposto torna-se fácil
compreender que a Educação Física tem fundamentos concretos para
responder a diferenciadas situações com as quais se depara no
cotidiano das atividades esportivas, recreativas ou de qualquer
outra natureza, tais como a dança, as ginásticas, etc... em nível de
atividades escolares.
É fundamental para a perspectiva da
prática pedagógica, ou da dança, ou da ginástica o desenvolvimento
da noção de historicidade da cultura do movimento humano. É preciso
que o aluno entenda que o homem não nasceu pulando, saltando,
arremessando, dançando. Todas essas atividades corporais foram
construídas em determinadas épocas históricas, como respostas a
determinados estímulos, desafios ou necessidades humanas (COLETIVO
DE AUTORES, 1992).
Nesse sentido, tanto as danças como as
ginásticas, têm a finalidade de possibilitar ao aluno a visão de
historicidade, permitindo-lhe compreender-se enquanto sujeito
histórico, capaz de interferir nos rumos de sua vida privada e da
atividade social sistematizada. O conteúdo do ensino das danças,
ginásticas e das atividades físicas em geral são configurados pelas
atividades corporais institucionalizadas. No entanto, essa visão de
historicidade tem um objetivo: a compreensão de que a produção
humana é histórica, inesgotável e provisória. Essa compreensão deve
instigar o aluno a assumir a postura de produtor de outras
atividades corporais, que, no decorrer da história possam ser
institucionalizadas. O ensino das danças ou das ginásticas tem
também um sentido lúdico que busca instigar a criatividade humana na
adoção de uma postura produtiva e criadora de cultura, tanto no
mundo do trabalho como no do lazer (COLETIVO DE AUTORES, 1992).
As danças e as
ginásticas podem ser utilizadas como forma de reflexão sobre a
cultura do movimento humano, contribuindo para a afirmação dos
interesses das classes das camadas populares, na medida em que
desenvolvem uma reflexão pedagógica sobre valores como
solidariedade, cooperação, sentimento de equipe, liberdade de
expressão, negando a dominação e submissão do homem pelo homem.
Essa possibilidade de trabalho através das práticas corporais
possibilita aos alunos uma construção de consciência de classe e uma
luta organizada pela transformação estrutural da sociedade pela
hegemonia popular.
O movimento
humano, enquanto cultura corporal,deve ser tratado pedagogicamente
na escola de forma crítico-superadora, evidenciando-se o sentido e
os significados dos valores e das normas que o regulamentam dentro
do contexto sócio-histórico. Esta forma de produzir o conhecimento
do movimento humano não exclui de maneira alguma os elementos
técnicos, todavia não os coloca como exclusivos e únicos conteúdos
de aprendizagem. A técnica, o erro, o acerto, a vontade coletiva, a
habilidade podem ser utilizados como forma de crescimento
qualitativo de um grupo, sem se tornar excludente (COLETIVO
DE AUTORES, 1992).
Nesta
perspectiva da cultura do movimento humano, a expressão corporal das
ginásticas e das danças, é uma linguagem, um conhecimento universal
que precisa ser transmitido e assimilado pelos alunos na escola. A
sua ausência impede que o homem e a realidade sejam entendidos
dentro de uma visão de totalidade. Necessário se faz, portanto, a
elaboração de normas que correspondam ao novo objeto da Educação
Física Escolar, seja através das danças, das ginásticas ou dos
jogos: a expressão corporal como linguagem e como saber ou
conhecimento.
Precisamos de
uma renovação pedagógica que privilegie a inserção corporal, uma
educação que assuma a corporeidade humana e formule novos
paradigmas, abandonando o mecanicismo tradicional, uma educação que
se aventure a percorrer por caminhos desconhecidos, que busque novas
trilhas, novas descobertas e que não tenha medo de estar tornando
vivos os seus aprendentes.
A
possibilidade de tornar vivos os educandos/aprendentes, nada mais é
do que nos expõe Verderi (2008) quando afirma:
É chegado
o momento de ousarmos em busca de novos métodos e estarmos
abertos para as contribuições de outras ciências, ciências estas
que acompanhem a evolução do homem como um todo. [...[ convém
que adotemos uma proposta que considere o educando como um todo
que se movimenta, que pensa, age e sente, que explore suas
possibilidades naturais na prática das atividades, que
possibilite a liberação das emoções, o prazer da participação,
que favoreça ao educando condições para o novo, que através de
experiências ele possa perceber o que seu corpo é capaz de fazer
e desenvolver todas suas potencialidades.
Por óbvio que
tanto as danças como as ginásticas, ou qualquer outra forma de
expressão da Educação Física pode proporcionar uma educação
humanizante, uma educação onde os alunos possam ser psicológicos,
biológicos, e antropológicos. Uma educação que transforme seus
conhecimentos e que contribua para uma integração qualitativa no
meio social.
Os alunos
precisam de uma educação através do corpo. Porém, essa educação que
trata da corporeidade deve ter como foco central comprovar a nossa
existência e importância nesse mundo. Precisa ressaltar que
existirmos para que o mundo possa existir também. Uma Educação
Física que considere importante que os corpos se movimentem, se
transformem, para que possam transformar as coisas do mundo e, ao
mesmo tempo, estar organizando e desorganizando sua própria
construção e reconstrução.
As danças e as
ginásticas devem proporcionar oportunidades para que o aluno possa
desenvolver todos os domínios do comportamento humano, para que
possa tornar-se sujeito ativo de suas ações e de seu estar no
mundo. Esta interação de acordo com Nanni, apud Gaspari ( 2002,
p.123 ), é “[...] imprescindível para que o ser humano se
torne sujeito de sua práxis no desvelar a sua realidade histórica,
através de sua corporeidade.”
A verdadeira
educação deve formar o homem para a vida; as danças e as ginásticas
podem ajudar nessa formação de homem, poderão contribuir com a
formação biofísico-energético-social, dentro de seus pressupostos
pedagógicos e das atividades que o professor poderá estar aplicando,
associada às necessidades emergentes em sua fase escolar. As
atividades e propostas de trabalho das danças e das ginásticas na
escola são elaboradas e fundamentadas exclusivamente no movimento e
nas possibilidades da variação do mesmo; também, nas informações
concretas que esse movimento poderá fornecer para o aluno, quando se
falar em educação nas demais disciplinas.
Deve-se tentar
fazer com que as danças e as ginásticas se tornem uma transteoria
que embaladas ao ritmo de uma música propiciem a formação necessária
para o aperfeiçoamento dos processos cognitivos, motor e
sócio-afetivo, contribuindo para o despertar do interesse por parte
dos alunos no processo educacional. Afinal, onde não há interesse,
não há aquisição de conhecimentos.
Mesmo
reconhecendo as inúmeras possibilidades de trabalho na escola das
danças e das ginásticas a atual realidade mostra uma situação em que
ambas não ocupam um lugar de destaque nas aulas de Educação Física.
As danças em
geral são desenvolvidas como atividade extracurricular, são
apresentadas em formas de coreografias em datas especiais. Além
disso, os professores que ministram essas aulas não são aptos para
tal, geralmente são ex-bailarinos sem formação pedagógica e que dão
um caráter alienado e excessiva valorização do fazer artístico
mecânico e pré-determinado, por vezes na questão de práticas
espontâneas, sem fundamentação teórica alguma.
Em relação às
ginásticas, essas continuam tendo na escola um caráter competitivo,
ou ainda, sendo uma forma de preparação para outros esportes. E, na
pior das hipóteses são transformadas em atividade repetitiva e
enfadonha sem sentido algum, fazendo com que os alunos não sintam
prazer em realizá-la, negando assim o verdadeiro sentido do
trabalho.
Freire (1996),
em relação a esse trabalho de repetição, discute e nega a condição
de ensino no qual de um lado está um professor repetindo
interminavelmente lições e exercícios, e de outro, está o aluno
passivo, submisso ao conhecimento do docente. Assim, como relata o
pedagogo “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas
criar possibilidades para a sua produção ou sua construção.”
(p.25 – grifo do autor) Em se tratando do ensino da dança e das
ginásticas, não se deve restringi-lo à cópia de passos, de
movimentos, de flexões..., mas criar possibilidades que contemplem o
prazer pela criação, execução, compreensão, apreciação e
contextualização dos movimentos necessários a sua execução.
Essa postura
aponta para um compromisso que se deve ter enquanto educador,
assumindo uma atitude consciente na busca de uma prática pedagógica
mais coerente com a realidade, que leve o indivíduo a desenvolver a
sua capacidade criativa na descoberta pessoal de suas habilidades.
Esta contribuição é decisiva para a formação de cidadãos críticos,
autônomos e conscientes de seus atos, visando a transformação
social.
Neste
contexto, o profissional de Educação Física liberta-se do
estereótipo de que seu único espaço de atuação são as quadras de
esporte, identificando-se cada vez mais como educador.
4.
Considerações finais
No
desenvolvimento das idéias sobre dança e ginástica na Educação
Física Escolar afirmei que o movimento é um importante elo de
conexão entre as atividades internas do ser humano e o mundo a sua
volta. No entanto, o processo educacional, na maioria das vezes,
objetiva a transformação de comportamentos através de técnicas que
levam à aquisição de habilidades para o desempenho produtivo do
alunado. Logo, no que tange à Educação Física os corpos dos
aprendentes são preparados e treinados, de modo consciente, para a
aquisição e desenvolvimento de habilidades específicas.
Rengel e
Mommenshon (1992, p. 100) expõem,
Assim, a
criança é preparada para o trabalho sedentário da cidade
através de um estudo acadêmico que enfatiza principalmente suas
capacidades intelectuais. A Educação Física na Escola é
praticamente restrita ao esporte e à ginástica, e nela só têm
lugar aqueles cuja capacidade inata os habilita.
As autoras
supramencionadas trabalham com os princípios de Laban e seus
pressupostos teóricos sobre a análise do movimento em uma
perspectiva sóciocultural e afirmam que segundo este autor:
[...] o
corpo expressa a relação do indivíduo com o seu meio. É ele
veículo e conteúdo do indivíduo nas relações que estabelece.
Seja no trabalho, no lazer, na intimidade das ações orgânicas
básicas da sobrevivência, o ser humano tem para si um repertório
gestual que significa o seu elo social.
Logo, este
corpo é um organismo dinâmico que age e interage com seu meio por
intermédio de suas atividades. Isto posto é possível concluir que, a
Educação Física completa e equilibra o processo educativo como um
todo, acrescentando opções das mais variadas como as ginásticas, as
danças, os esportes em geral... e , por propiciar atividades plenas,
concorre de forma acentuada para o desenvolvimento integral do ser
humano.
As palavras de
Rengel e Mommenshon (1992) são elucidativas, elas mostram que tanto
a dança como as ginásticas são meios ilimitados de aprendizagem, no
entanto alertam que o professor ao trabalhar com estes conteúdos
educativos não pode de modo nenhum “[...] reforçar modismos[...]
”, tais influências geralmente chegam através dos meios de
comunicação de massa, cuja intenção é exclusivamente comercial. Atualmente,
as ginásticas e as danças de academia têm atraído vários adeptos,
impulsionados pela mídia que, além de divulgar os métodos que estão
na moda, através de propagandas, programas e noticiários, veicula de
acordo com os interesses do mercado, padrões de corpo a serem
buscados. Um criterioso filtro deve ser utilizado nestes casos, para
mostrar a nossos alunos prós e contras de determinados métodos. A
busca do corpo perfeito não pode ser confundida com a busca da
saúde, do bem-estar e do lazer. Deve, antes de tudo, ser buscada em
conjunto com saúde, bem-estar e lazer, pois não é elemento isolado.
Finalizo
lembrando que tanto as ginásticas como as danças têm evoluído
influenciadas pelas diferentes culturas, tendo sofrido
transformações ao longo do tempo. Existem várias formas de
manifestações de ginástica e danças, atendendo a interesses
diversos, que vão desde a estética e a performance até a busca da
melhoria da saúde. Não é raro considerar que esses objetivos possam
ser alcançados apenas pela prática contínua das ginásticas, danças
ou outras atividades físicas, sem se levar em conta outros fatores
contribuintes para a concretização dos mesmos.
Alguns estudos relatam que tanto as
ginásticas como as danças no Brasil vêm sendo predominantemente
sistematizadas pelo padrão esportivo e funcionalista, o que torna
sua prática altamente especializada e fragmentada, limitando seu
potencial formativo e lúdico na escola. Através dessa colocação
sobre como acontecem as práticas das ginásticas e das danças no
currículo escolar é que se justifica propor uma pratica pedagógica
diferenciada.
As ginásticas e as danças, nas suas
diferentes formas, devem fazer parte do conteúdo da Educação Física
nos diferentes ciclos do ensino básico e médio, tendo como principal
objetivo contribuir para à reflexão do aluno sobre a cultura
corporal e a realidade material que o cerca.
Na prática da Educação Física Escolar o
que se deve objetivar é que o aluno reflita sobre o acervo de formas
de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da
história, exteriorizadas pela expressão corporal, como jogo, dança,
luta, ginástica, esporte, malabarismo, contorcionismo, mímica e
outros, que podem ser identificados como formas de representação
simbólica de realidades vividas pelo homem, historicamente criadas e
culturalmente desenvolvidas.
Na perspectiva da reflexão sobre a
cultura corporal, a dinâmica curricular no âmbito da educação
física, tem características bem diferenciadas do que a visão
tecnicista. A reflexão sobre a cultura do movimento humano busca
refletir uma prática pedagógica sobre as formas que o homem, no
decorrer do tempo, tem se desenvolvido e exteriorizado, através da
expressão corporal, comprovando que essas manifestações são
historicamente criadas e desenvolvidas.
Referências
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Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais:terceiro e
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1998.
CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil:
leitura crítico-compreensiva: artigo a artigo. 3.ed. Petrópolis:
Vozes, 1998.
COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do
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DEMENIGHI, Solange; QUIERÓS, Ilse
Lorena V.B.G. de. Dança: prática pedagógica na Educação Física. IN:
XI ENCONTRO ANUAL DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 2002, Anais.
Universidade Estadual de Maringá –UEM ,Maringá, 2002.
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Paulo: Paz e Terra, 1996.
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RENGEL, Lenira Peral; MOMMENSOHN,
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Idéias, n. 10. São Paulo: FDE, 1992.
VERDERI, Érica. A educação Física
no ensino da dança. Cooperativa do Fitness – CDOF. Disponível em
http://www.cdof.com.br?dança3.htm.
Acesso em 03 maio 2008.
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