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LAURENI CONCEIÇÃO
TAVARES
Graduada em
Fonoaudiologia
pela Universidade de Uberaba e pós-graduada em Saúde Coletiva
pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

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Fonoaudiologia: estreita relação
com a Educação
Laureni
Conceição Tavares
A lei 6965/81 reconhece o fonoaudiólogo
como o “profissional com graduação plena em Fonoaudiologia que atua
em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológicas na área
da comunicação oral e escrita, voz e audição, bem como em
aperfeiçoamento dos padrões de fala e voz”. Em relação ao espaço
escolar, segundo esta lei, é de competência do fonoaudiólogo
desenvolver trabalho de prevenção no que se refere à área da
comunicação escrita e oral, voz e audição, participar da equipe de
orientação e planejamento escolar, inserindo aspectos preventivos
ligados a assuntos fonoaudiológicos.
Berberian (1995)
esclarece que a defesa e a construção da língua nacional foram
apreendidas entre meados da década de 1910 e no
final dos anos 1940. Neste contexto, as variações contidas
nas falas dos imigrantes, dos próprios brasileiros, das diferentes
regiões do país, precisavam ser homogeneizadas. Esta medida
influenciou fortemente os educadores e políticos da época. Na
verdade, segundo Giroto (2001), “muitos professores se
descaracterizaram enquanto educadores e assumiram o papel de
reabilitadores, atendendo aos programas de correção dos distúrbios
da comunicação apresentados pela população escolar.
Convém salientar que
as referidas variações nas falas de imigrantes e brasileiros, das
diversas regiões do Brasil, eram, como afirma Giroto (2001),
variações dialetais e estrangeirismos, que assumiam um caráter
patológico por serem considerados desvios da língua padrão vigente
no país. Uma conseqüência deste fato foi que a escola tornou-se o
local ideal, não só para a detecção, mas também, para a correção
destes desvios.
Frente a este
histórico, interessamo-nos pelas questões em torno das necessidades
e possibilidades atuais da Fonoaudiologia escolar. Dois grandes
eixos permearam o fazer fonoaudiológico na escola: a patologização
dos distúrbios da comunicação, com papel predominantemente curativo
e o papel do professor como “agente detector de problemas”. Uma das
conseqüências, sem entrar nos aspectos mais qualitativos da questão,
é que, muitas vezes, foi atribuída às crianças com dificuldades
escolares – nem sempre com algum tipo de alteração de linguagem – a
responsabilidade pelo fracasso escolar.
O que se preconiza,
atualmente, em se tratando da atuação do fonoaudiólogo no espaço
escolar, é uma ação conjunta com o educador e, como afirma Giroto
(2001), garantindo-lhe o controle do espaço e do processo educativo.
Faz-se necessário “estabelecer um paralelo entre o que o
fonoaudiólogo oferece e o que a escola, representada pelo professor,
espera dele”. Essa parceria valoriza as várias possibilidades que
levem a um melhor desenvolvimento da linguagem e, conseqüentemente,
um melhor desempenho escolar.
Deve-se levar em
conta que, para uma ação fonoaudiológica efetiva, há a necessidade
de medidas coletivas de prevenção que englobe, não só os escolares,
mas, a escola como um todo. Como Giroto (2001) assegura, estas
medidas preventivas precisam priorizar o processo de aprendizagem da
leitura e da escrita dos discentes, enfatizando tanto a normalidade
quanto as dificuldades. Muitas vezes, as dificuldades que
freqüentemente são encaradas pelo professor e também pelo
fonoaudiólogo como “erros” e transformados em distúrbios,
representam etapas de um processo natural de aprendizagem. O
objetivo maior deve estar direcionado à compreensão dos aspectos
fonoaudiológicos que, de alguma forma, contribuem para dificultar a
aprendizagem escolar.
É preciso enfatizar
que o fonoaudiólogo pode contribuir para o planejamento pedagógico,
não no sentido de tomar para si a responsabilidade do professor, mas
no sentido de enriquecer o processo de aprendizagem e alfabetização.
A quem interessa
a linguagem?
O território da
linguagem, como diz Aimard (1986), é comum a diversas disciplinas.
Silva (1999) discute que a lingüística é a ciência que investiga os
fenômenos relacionados à linguagem e que busca determinar os
princípios e as características que regulam as estruturas da língua.
A Fonoaudiologia é a
área de conhecimento que, tendo como base a lingüística, trabalha
com aspectos relacionados à patologia da fala.
Interessante
compreender que há várias hipóteses ou teorias que estudam e tentam
explicar a linguagem sob vários ângulos. Muitos foram os estudiosos
que, com suas teorias sobre aquisição, desenvolvimento e alterações
da linguagem, influenciaram e influenciam o saber e o fazer
fonoaudiológico, entre eles: Burrhus Frederic Skinner, Jean Piaget,
Lev Semynovich Vygotsky, Henri Wallon, Noam Chomsky, Sigmund Freud.
Durante décadas,
houve uma avalanche de estudos empíricos sobre o desenvolvimento da
linguagem, porém, Peña-Casanova (1997) comenta que esses estudos vêm
recuperando o sujeito que fala, a criança que atua. Para o autor,
“ao invés de ter por objeto de estudo a linguagem como sistema
abstrato de sinais, tende-se a estudar a atividade verbal de pessoas
e indivíduos ou coletividade”.
A co-parceria do
professor com o fonoaudiólogo, mais do que nunca, tem que dedicar
atenção e suporte ao sujeito que fala, à criança que atua, com o
conhecimento do máximo de variáveis envolvidas na linguagem deste
indivíduo. Esta parceria deve ser pautada nos vários estudos ou
testes de linguagem, mas nunca permitir que uma teoria ou teste
tenha mais valor do que a realidade, as expectativas do sujeito em
si, que está integrado a uma gama de aspectos sócio-econômicos e
culturais.
Neste sentido, a
afirmação de Acosta et al (2003) de que “provavelmente vamos nos
deparar com o fato de que não existe uma teoria que explique,
satisfatoriamente, como a criança adquire e desenvolve sua linguagem
e quais são as causas que originam as perturbações neste processo”,
corrobora a afirmação acima.
Peña-Casanova (1997)
adverte que a linguagem foi “excessivamente formalizada e
medicalizada”, pois se tentou durante muito tempo entender a
linguagem como uma entidade separada e independente do sujeito que
fala. Essa é uma realidade que, sabemos, trouxe inúmeros fracassos
terapêuticos e na alfabetização.
Etapas do
desenvolvimento da linguagem
Acosta et al (2003)
ressaltam que a linguagem é uma das funções do ser humano que
apresenta uma evolução das mais complexas em sua aquisição e
desenvolvimento, devido à interação de enorme número de variáveis,
tais como maturidade neurológica, afetividade, desenvolvimento
cognitivo, correta maturação dos órgãos periféricos da linguagem ou
os contextos nos quais a criança está inserida.
A literatura aponta
que a linguagem do adulto pode ser considerada como atividade
plenamente desenvolvida, portanto, todo desvio de conduta normal é
indício de patologia. Porém, como nos diz Peña-Casanova (1997), na
criança a situação é diferente e a avaliação da linguagem deve ser
realizada de acordo com o esperado para cada idade.
O autor, referido
anteriormente, afirma que “a aquisição da linguagem e da comunicação
se desenvolve segundo etapas de ordem constante, ainda que o ritmo
de progressão possa variar de caso a caso”. Outro aspecto que o
autor ressalta é que, em qualquer trabalho educativo e de
diagnóstico, há a necessidade de um bom conhecimento dos estágios do
desenvolvimento normal da comunicação e da linguagem, a fim de
situar a criança, avaliar seus progressos e orientar quanto à melhor
estratégia diante da necessidade de intervenção terapêutica.
Observa-se, no
entanto, que a opinião dos autores, conforme afirma Peña-Casanova
(1997), não coincide no que diz respeito à divisão cronológica dos
diversos estágios de desenvolvimento da linguagem. É sabida a
dificuldade em determinar quando termina a aprendizagem da
gramática. Para alguns autores, por volta dos seis aos sete anos de
idade, as estruturas básicas da linguagem já foram totalmente
adquiridas. Contudo, para autores como Crystal (1981), determinados
componentes da linguagem não são consolidados antes da puberdade.
É sabido, também,
que vários são os fatores que interferem, direta ou indiretamente,
na aquisição da linguagem de cada indivíduo: ritmo de
desenvolvimento de cada um, estimulação em geral, condições
emocionais e maturidade social, hereditariedade, doenças. (ZORZI,
2002:67).
Fala e escrita – fonética e fonologia
A fala é o ato motor
que expressa a linguagem. É um processo complexo que envolve o
sistema neuromuscular. O sistema nervoso central e periférico
comanda os músculos que produzem sons isolados ou em seqüência. A
fala depende, ainda, de estruturas como: os lábios, a língua, as
bochechas, o palato mole, os dentes, a mandíbula, a faringe, a
laringe e os músculos da respiração. Essa colocação ilustra a
complexidade do que é falar, tendo em vista que para uma correta
produção dos sons da fala, além dos aspectos cognitivo e fonológico,
estão envolvidos os sistemas: respirador, fonador e articulatório, a
ressonância e a prosódia. (MARCHESAN, 2004 in FERREIRA, 2004:292).
Do ponto de vista
fonoaudiológico, ressaltamos que, para estudar e trabalhar com a
fala, é necessário saber como ela é produzida e ainda mais:
diferenciar a fonética da fonologia, dentre outros conceitos
importantes para a melhor compreensão da fala e de suas alterações.
Abaixo, a definição
dos termos, segundo Marchesan (2004) in Ferreira (2004: 293).
-
Fonética: é dirigida ao estudo dos sons lingüísticos que são
produzidos pelo aparelho fonador e captados pelo ouvinte. Cabe a ela
descrever os sons da linguagem e analisar suas particularidades
articulatórias, acústicas e perceptivas. É a fonética que estuda,
analisa e classifica a produção e a percepção dos sons da fala.
-
Fonologia: é a ciência que estuda os sons da língua do ponto de
vista de sua função no sistema de comunicação lingüística, estudando
elementos fônicos que distinguem, numa mesma língua, duas mensagens
de sentidos diferentes, como mala-bala ou sábia-sabia-sabiá, ou uma
mesma palavra realizada com vozes ou pronúncias diferentes. Ou seja,
preocupa-se com os contrastes e oposições dessas unidades
distintivas.
Seguem-se outras
abordagens dos termos, segundo outros estudiosos, como se pode
contatar a seguir.
Silva (1999)
considera que a fonética é a ciência que apresenta os métodos para a
descrição, classificação e transcrição dos sons da fala. A fonética
estuda a produção da fala do ponto de vista fisiológico e
articulatório. Neste sentido, é de interesse da fonética analisar os
sons envolvendo o aparelho fonador, os articuladores passivos e
ativos, a cavidade tanto oral quanto nasal, faringal e glote.
Com relação à
fonologia, Mota (2004) in Ferreira (2004) explica que a linguagem
compreende cinco subsistemas: pragmática, semântica, sintaxe,
morfologia e fonologia. “Fonologia é a parte da linguagem que se
refere ao modo como os sons se organizam e funcionam nas diferentes
línguas. As alterações de fala que envolvem a organização do sistema
de sons, isto é, a fonologia, devem, portanto, ser consideradas
problemas de linguagem”.
Para esta autora a
intervenção terapêutica para problemas no nível fonológico da
linguagem, em geral, é diferente da abordagem nos demais subsistemas
lingüísticos. No entanto, é preciso considerar que os cinco
subsistemas da linguagem não podem ser completamente separados. Por
exemplo: nas abordagens de tratamento voltadas para a fonologia, os
sons ou as estruturas silábicas são estimulados em palavras
(morfologia), em sentenças (estruturas silábicas), em atividades que
valorizam o significado dos enunciados (semântica) e seu uso em
situações comunicativas reais (pragmática). Vamos além, ao deixar
clara a importância de se incluir, nos estímulos lingüísticos,
outros aspectos do processo de comunicação, tais como “alguns
parâmetros de produção da fala, ritmo adequado, articulação correta,
padrões apropriados de entonação, que possam contribuir para uma
comunicação efetiva”.
Este é um fator de
extrema relevância a ser considerado na alfabetização, na otimização
das capacidades de cada um, bem como nas intervenções de alterações
de linguagem. Evitar uma visão fragmentada, com partes dissociadas
umas das outras, é alcançar um todo com mais e melhores chances de
sucesso. É integrar os muitos aspectos que constituem o individuo. É
valorizá-lo em sua totalidade lingüística.
Silva (1999) alega
que um dos objetivos centrais da fonêmica é fornecer aos seus
usuários o instrumental para a conversão da linguagem oral em código
escrito. Esclarecemos que “ambos os termos, fonêmica e fonologia
referem-se a modelos que tratam do estudo da cadeia sonora da fala”.
A correlação
existente entre a fonologia e a escrita é a tônica do que será
abordado a seguir.
É conhecido o fato
de que:
Durante a aquisição
fonológica, a criança desenvolve um sistema de contrastes de sons
cuja função é assinalar contrates de significados, isto é, ela
organiza seu sistema fonológico e não apenas aprende a pronúncia
correta. Nesse processo, ela descobre semelhanças entre os sons
contrastivos e entre as seqüências de sons, o que lhe dá as bases
para agrupar os sons em classes e as seqüências de sons em
estruturas silábicas. (GRUNWELL, 1985 apud MOTA, 2004 in FERREIRA,
2004:788).
Coerentemente com o
conhecimento referido sobre os princípios anteriormente descritos,
Mota (2004) in Ferreira (2004) destaca a necessidade de conhecer a
natureza do desenvolvimento fonológico, tanto normal como em
desvios, o que contribuiria para uma maior compreensão do mecanismo
de aprendizagem e dos processos envolvidos quando as crianças estão
adquirindo seu sistema de sons ou passando por dificuldades nesta
aquisição.
Segundo Morais
(1995) apud Avila (2004), “a chave para o aprendizado da escrita
encontra-se em sua relação com a linguagem oral, uma vez que o
alfabeto é uma representação gráfica da linguagem no nível do
fonema”.
Para que essa
representação gráfica ocorra, segundo Avila (2004) in Ferreira
(2004), é necessário que o aprendiz do código escrito já possa, de
alguma forma e em algum nível, objetivar a palavra (ou o enunciado),
direcionar a atenção para sua estrutura, perceber seus segmentos e
manipulá-los de diferentes formas. Essa capacidade de percepção
dirigida aos segmentos da palavra chama-se consciência fonológica.
E como se dá o
desenvolvimento da consciência fonológica? Ávila afirma que, para
compreender as relações existentes entre a linguagem oral e a
escrita, é preciso considerar que estas duas modalidades de
comunicação se desenvolvem contínua e ininterruptamente. Entender
esta relação é compreender que escrita e oralidade mantêm entre si
relações mútuas e equivalentes e precisa ser considerada sob duas
circunstâncias:
-
A
primeira diz respeito à circunstância histórica do surgimento da
escrita. De acordo com levantamento realizado por Santos e Navas
(2004), a escrita, como um método de comunicação criado pelo homem,
apareceu relativamente tarde na história do seu desenvolvimento,
provavelmente, muito tempo depois da capacidade da linguagem ter
sido adquirida. A escrita é uma invenção “decorrente de um laborioso
processo que levou aproximadamente três mil anos, até o aparecimento
do alfabeto de 23 letras usado pelos romanos durante o primeiro
século a.C. e que fora inventado pelos gregos, que o adaptaram do
silabário fenício”. As autoras nos lembram que todos os povos
desenvolveram a comunicação oral, porém, nem todos desenvolveram a
escrita.
-
A
segunda circunstância, que explicaria a relação existente entre a
linguagem oral e a escrita, referida por Avila (2004) in Ferreira
(2004), se relaciona com a idade em que a criança, provavelmente já
exposta à escrita, começa a mostrar sinais de que pode compreender
notações gráficas – ao menos no mundo ocidental –, até completar o
aprendizado do princípio alfabético.
Para Avila (2004) in
Ferreira (2004), quando a criança começa o aprendizado formal do
código escrito, o desenvolvimento fonológico da linguagem oral tem
que estar finalizado e espera-se que a criança já use, corretamente,
as regras gramaticais da língua. Neste sentido, espera-se que a
criança, quando chega à época de aprender a ler e a escrever, seja
um falante bem sucedido de sua própria língua nativa, domine um
complexo conjunto de regras fonológicas para a pronúncia de milhares
de palavras, além de conhecer seus significados.
“A consciência
fonológica é, portanto, umas das instâncias do processamento
fonológico, o qual diz respeito à utilização da informação
fonológica para o processamento da linguagem oral e escrita”. (AVILA,
2004 in FERREIRA, 2004: 819).
Vamos continuar a
abordagem deste assunto com a seguinte colocação:
Aprender a ler e
escrever não se restringe a uma técnica de ensino, mas sim à
aquisição de uma nova modalidade de linguagem. Estão em jogo
habilidade e conhecimentos lingüísticos que vão desde o domínio da
linguagem oral até novas aprendizagens típicas da língua escrita.
Isto quer dizer que o desenvolvimento da leitura e da escrita vai
muito além de habilidades perceptivas, como a percepção visual e
auditiva, implicando conceitos de natureza metalingüística, ou seja,
conhecimentos a respeito da própria língua. Numa visão atual, a
leitura e a escrita são concebidas como processos eminentemente
lingüísticos, assim como uma série de distúrbios que possam
dificultar tal desenvolvimento, como é o caso da dislexia. (ZORZI,
2001 in GIROTO, 2001: 53).
Zorzi comenta que as
escritas de natureza alfabética, como é o caso da escrita da língua
portuguesa, caracterizam-se por uma série de relações entre os sons
da fala e as letras empregadas para representá-los. Essa colocação
evidencia a clara ligação entre fonemas e letras, o que significa
que não é possível separar os processos auditivos dos processos
visuais no processo de aquisição do código gráfico. Este fato é
importante na compreensão de que “a escrita implica, ao mesmo tempo,
relações auditivas e visuais que não se restringem a habilidades
perceptivas como memória e discriminação”. Sendo assim, observa-se a
incorreta classificação das alterações ortográficas em trocas de
origem auditiva e em trocas de origem visual ou pedagógicas.
Para aprender a ler
e a escrever, as crianças precisam chegar à noção de fonema, o que
isto implica uma capacidade para analisar os sons da fala em suas
unidades constituintes (consciência fonológica); implica chegar à
noção de letra enquanto símbolo gráfico que representa os sons;
precisa estabelecer a correspondência entre letras e sons. Aprender
a escrita implica em identificar, na fala, a seqüência dos fonemas e
a posição de cada um, as quais irão determinar a posição das letras
dentro das palavras escritas. Significa compreender como as sílabas
se compõem, que características entonacionais elas apresentam.
Implica, também, entender as variações fundamentais que existem
entre os modos de falar (a pronúncia das letras) o os modos de
escrever, o que corresponde à influência da oralidade sobre os
padrões de escrita. Estas são capacidades de caráter lingüístico que
estão na base do aprendizado da escrita e que, se não se
desenvolvem, estarão causando uma série de alterações de ordem
ortográfica, que vão muito além de questões de ordem perceptiva
visual ou auditiva. (ZORZI, 2001 in GIROTO, 2001: 54-55).
Pelo exposto, fica
clara a importância de se estimular o desenvolvimento das crianças
de uma forma geral, sejam elas crianças com desenvolvimento normal
das suas habilidades, sejam crianças que apresentam algum tipo de
alteração neste desenvolvimento. De qualquer forma, como apregoam
Santos e Navas (2004), é preciso respeitar as características e
necessidades pessoais das crianças e garantir que encontrem prazer
nas atividades de leitura e escrita.
De acordo com Zorzi
(1998), pode-se dizer que aprender a escrever implica compreender os
diferentes usos que as pessoas fazem da escrita, que neste caso, não
se reduz a cópias, ditados, redações. Isto implica em permitir que a
criança compreenda que a escrita possui funções sociais, ou seja,
que “as pessoas lêem e escrevem para dar ou receber informações,
para questionar, para convencer, para instruir, para se organizarem
no tempo e no espaço, assim como para o próprio lazer ou diversão”.
É preciso ter em
mente que os problemas escolares não estão limitados aos indivíduos
que chegam ao fonoaudiólogo como portadores de algum distúrbio.
Por outro lado, as
condições de trabalho de um professor, aliadas ao esforço vocal,
favorecem um desgaste tanto físico quanto psicológico, que
compromete a qualidade de sua atuação. Somado a este fator,
observa-se que, raramente, o professor está preparado para realizar
aulas ou apresentações fazendo uso de recursos eficientes de
comunicação.
A partir destas
colocações de Zorzi (2000) in Giroto (2001) certifica-se da
importância da atuação do fonoaudiólogo no sentido de otimizar,
também, as condições de trabalho do professor. Desta maneira, a
Fonoaudiologia, aplicando seus conhecimentos sobre aquisição e
desenvolvimento da linguagem, voz, fala, audição, técnicas de
apresentação e controle ambiental de ruídos, poderia, em muito,
contribuir para a modificação de tal quadro.
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BRASIL. Lei nº 6965 – Regulamentação da profissão do
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