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RICARDO RIBEIRO
Psicólogo,
pós-graduando em Gerontologia pela Universidade do Planalto
Catarinense - UNIPLAC

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Alzheimer – Que
doença é esta?
Ricardo Ribeiro
Resumo:
A Doença de Alzheimer (DA), incide em idosos, é
um tipo de demência conhecida por leigos pelo termo "esclerose"
ou caduquice. É uma doença degenerativa que afeta a atividade
dos neurônios e reduz os níveis das substâncias que afetam as
ligações químicas entre os neurônios, os neurotransmissores. O
diagnóstico da provável DA, se realiza através da exclusão das
outras causas de demências. Os sintomas começam por pequenos
esquecimentos e vão se agravando gradativamente, dentro de um
quadro crônico, até o paciente perder a capacidade de
reconhecimento das coisas, locais e pessoas e chegar ao óbito.
Palavras-chave:
Alzheimer; Doença; Tratamento.
A Doença de
Alzheimer (DA), foi descrita pela primeira vez em 1907, pelo
neuropatologista alemão Alois Alzheimer, ao observar em uma mulher
de 51 anos um quadro de demência de evolução lentamente progressiva.
Sua causa ainda é desconhecida. Esta doença acomete
preferencialmente as pessoas idosas. E faz a cada ano maior um maior
número de vítimas em todo o mundo, crescendo na mesma proporção em
que aumenta a expectativa de vida da população.
O Mal de Alzheimer é
um tipo específico de demência a qual é conhecida para o público
leigo pelo termo "esclerose" ou caduquice, embora seja a forma mais
comum de demência existem outros tipos diferentes de demências.
O processo
degenerativo da doença de Alzheimer afeta a atividade dos neurônios
e reduz os níveis das substâncias que afetam a ligação química entre
os neurônios, os neurotransmissores, assim, não se relacionando com
a circulação ou com a aterosclerose. Este
quadro é geralmente crônico e progressivo que interfere diretamente
na vida do indivíduo. A perda de células cerebrais é um
processo natural, mas em doenças que conduzem à demência isso ocorre
a um ritmo mais rápido e faz com que o cérebro da pessoa não
funcione de uma forma normal.
O Alzheimer atinge,
sem distinção de sexo, cerca de 10% a 20% da população com mais de
60 anos, sendo a quarta causa de morte
nos Estados Unidos, atingindo 1,5 a 2 milhões de americanos.
Estima-se que nos EUA existam cerca de 4 milhões de pacientes e no
Brasil, atinge 1 milhão de pessoas.
Embora a doença de Alzheimer não seja curável ou reversível,
existem formas de se aliviar os sintomas e o sofrimento do paciente,
de ajudar sua família e de diminuir a velocidade de progressão da
doença.
Os sintomas da
demência implicam, normalmente, numa deterioração gradual e lenta da
capacidade da pessoa para se comandar ou se estabelecer em pleno
funcionamento, estabelecendo um quadro crônico em que não há
melhora. O dano cerebral afeta o funcionamento mental da pessoa
(memória, atenção, concentração, linguagem, pensamento, etc.) e
isto, por sua vez, repercute-se no comportamento. A maior parte das
pessoas morre devido a "complicações", tais como pneumonia.
Sendo a cognição um
constructo que tem por objetivo a adaptação satisfatória em
situações específicas e em tarefas situacionais, que mudam através
do ciclo vital, é preciso saber como se caracterizam estas mudanças.
Então, é necessário identificar se estas mudanças constituem as
alterações normais esperadas durante o envelhecimento ou se
demonstram um processo provindo da patologia.
A
causa da doença de Alzheimer ainda não é conhecida. Existem várias
teorias, porém, de concreto aceita-se que seja uma doença
geneticamente determinada, não necessariamente hereditária
(transmissão entre familiares).
Relativo ao
diagnóstico não se aconselhável que as pessoas gastem o seu tempo e
o seu dinheiro em testes,
pois, não há um teste específico que estabeleça inquestionavelmente
a possibilidade de ter ou não a doença, mas ela pode ser
identificada a partir de exame de sangue
fazendo um teste ao marcador para o gene que encontra-se no
cromossoma 19, produtor da proteína
apolipoproteina
E (ApoE4).
Mas ele apenas indica que ele, ou ela, corre um grande risco, pois,
apenas metade das pessoas com a doença de Alzheimer têm ApoE4, e nem
todas com ApoE4 têm a doença.
O
diagnóstico certo da DA só pode ser feito por exame do tecido
cerebral obtido por biópsia
ou necropsia.
Deste modo, o diagnóstico de provável DA é feito excluindo outras
causas de demência pela história (depressão, perda de memória
associada a idade), exames de sangue (hipotireoidismo, deficiência
de vitamina b), tomografia
ou ressonância (múltiplos infartos, hidrocefalia) e outros exames.
Os sintomas começam
com pequenos esquecimentos, normalmente aceitos pelos familiares
como parte do processo normal de envelhecimento, que vão agravando
gradualmente. Outros sintomas iniciais são: diminuição do tempo de
atenção; problemas com matemática simples; dificuldade de expressar
pensamentos; humor inconstante, variável e imprevisível; menos
desejo de fazer coisas e conhecer pessoas.
Como sintomas
posteriores a medida que a doença evolui, tornam-se cada vez mais
dependentes de terceiros, apresentam: grande perda da memória –
inclusive dificuldades para se vestir, comer, lembrar dos nomes de
membros da família etc.; mudança de humor e personalidade -
explosões de ira, de insatisfação e desconfiança; perda total de
julgamento e concentração; incapacidade de completar tarefas
caseiras rotineiras e perda da habilidade de se ocupar com a higiene
pessoal; diferentes desordens, como reações a medicamentos,
depressão, infecções bacterianas, problemas renais e desnutrição, e
terminam por não reconhecer os próprios familiares e até a si mesmos
quando colocados frente a um espelho.
Para se tratar esta doença temos como uma
grande arma a
informação associada à solidariedade. Á medida que os familiares
conhecem melhor a doença e sua provável evolução, vários recursos e
estratégias podem ser utilizados com sucesso. Existem doenças
incuráveis, porém não existem pacientes "intratáveis".
O
tratamento da DA tem dois aspectos: um inespecífico, por exemplo, de
alterações de comportamento como,
ansiedade,
agitação e
agressividade, do humor como depressão e para a
alucinações, confusão e insônia,
que não
deve ser feito apenas com medicação mas também com orientação por
diferentes profissionais da saúde. O tratamento específico é feito
com drogas que podem corrigir o desequilíbrio químico no cérebro
como os ansioléticos
(benzodiazepínicos), neurolépticos (haloperidol, tioridazina),
hipnóticos, antidepressivos
este tratamento funciona melhor na fase inicial da doença e o efeito
é temporário, pois a DA continua progredindo.
Ao ter sido descoberto que os doentes de Alzheimer têm níveis
reduzidos de acetilcolina (neurotransmissor que intervém nos
processos da memória), introduziram em alguns países, determinados
medicamentos inibidores da enzima responsável pela destruição da
acetilcolina. Provou-se que estes medicamentos têm a capacidade de
abrandar temporariamente a progressão dos sintomas, mas não existem
provas de que interrompam ou revertam o processo de destruição das
células.
O tratamento fisioterapêutico pode ser
realizado através da cinesioterapia
e hidroterapia associado no padrão respiratório diafragmático. Para
função cardiorrespiratória, caminhada todos os dias com
acompanhante. Há outros exercícios que podem serem feitos como:
Padrão diagonal do Kabat para tronco; Pegar na parte do chão;
Frenkel – marcha para frente, para trás, com resistência e o ponto
chave quadril para facilitar o movimento; Andar sobre uma linha;
Frenkel – marcha com marcadores colorido no chão, associado a
coordenação, equilíbrio cognitivo; Trabalhar cognitivo, coordenação
e movimentos finos: o paciente diante de uma mesa com vários
objetos, onde o terapeuta mostra os objetos para que o paciente diga
o nome; Depois o terapeuta seleciona alguns objetos e pede para que
o paciente pegue o objeto com a mão dominante, realizando movimentos
funcionais; Mobilização passiva em todas as articulações; O
terapeuta coloca os fantoches na frente do paciente e pede para que
ele pegue os mesmos. Para estimular os movimentos, podemos usar
vários recursos entre eles, o tapping, gelo, etc.;
Para pacientes que
só conseguem ficar deitados o terapeuta utiliza o método Kabat
através dos padrões agonistas e antagonistas primitivos, associados
com o tapping e outro estímulo propioceptivo. Esse movimento pode
ser realizado com a ajuda de objetos colocados na mão do paciente,
estimulando assim o feedback visual. O terapeuta deve dizer para que
o paciente flexione e estenda uma perna deslizando o calcanhar por
baixo sobre uma linha reta no colchão; O paciente abduz e aduz o
quadril homogeneamente com o joelho estendido; O paciente na fase
final, em decúbito dorsal pode ser colocado na prancha ortostática;
Realizar as mobilizações passivas, em todas articulações, na prancha
ortostática; Nesse estágio, como fica confinado ao leito, o
terapeuta deve colocar o paciente em decúbito lateral e sempre deve
trabalhar o padrão extensor já que ele tem tendência a flexão; No
caso do paciente se encontrar espástico e não for funcional, deve se
utilizar órteses, usadas de acordo com o estado e situação do
paciente.
Na última fase o
paciente deve ser acompanhado por atendimento de fisioterapia
respiratória, devido a grande incidência de distúrbios respiratórios
como principalmente, pneumonia.
Enquanto aguardamos
uma cura para a Doença de Alzheimer, é preciso reconhecer que não é
impossível de tratar e pode-se verificar benefícios consideráveis
quando se valorizam os pormenores no tratamento diário do paciente.
A fisioterapia, como parte de uma abordagem de tratamento
multiprofissional integrada, tem muito a oferecer, particularmente
no tocante à preservação da postura, da boa forma física e da força
muscular, além da prevenção de deformidades.
Como estratégias de intervenções poderá o profissional executar
Palestras educativas, informativos como distribuição de folders,
orientação quanto a prática de atividades, Promoção de encontros e
orientação a família;
Orientações para o
estímulo ocupacional: Procurar atividades agradáveis com grau
crescente de complexidade; Utilizar ambiente neutro, sem muitos
estímulos visuais ou auditivos; Propor exercícios que ativem o
cérebro, por apenas quinze minutos ao dia, com atividades escolhidas
de acordo com sua história de vida; Estimular as habilidades
residuais (se tem gosto por artes, por artesanato, por leitura, por
escrita, dança, atividade física e outros); Falar devagar e de
frente, com tom de voz tranqüilo; Esperar que o cérebro responda ao
comando da atividade, sem apressar a ação, evitando a confusão das
idéias; Tocar o braço e falar novamente o comando da atividade;
Quando recusar a atividade, solicitar sua participação mais de uma
vez no dia, como se fosse a primeira tentativa; Relaxar antes das
atividades com alongamentos e respiração lenta e profunda; Oferecer
água com freqüência evitando a desidratação e conseqüente falta de
concentração; Elogiar a participação sem infantilizá-lo; Solicitar a
ajuda do portador nas atividades cotidianas da família e ajudá-lo a
executar.
Considerações
finais
A Gerontologia em um
estudo bio-psicossocial do idoso e do seu processo de envelhecer,
entende como envelhecimento saudável a interação entre saúde física
e mental, independência nas atividades de vida diária, integração
social, suporte familiar e independência econômica; dando suporte
para o idoso desenvolver seu potencial crítico, sendo visto como um
contribuinte ativo de seu desenvolvimento humano na busca por sua
emancipação e por seus direitos de cidadão pleno.
Cabe ao profissional
multidisciplinar da Gerontologia, oferecer um suporte teórico e
prático para uma discussão crítica e reflexiva sobre uma interação e
integralização entre longevidade e qualidade de vida, com vistas à
emancipação e empoderamento dos direitos do idoso, bastando, para
tanto, priorizar Políticas Públicas para este segmento etário,
respeitando a subjetividade de cada um, ao implementar projetos de
atenção ao idoso que se destinem a melhoria da qualidade e do
atendimento às necessidades, então atuando na promoção de saúde e
assim se prevenindo o estabelecimento da Doença de Alzheimer.
Os profissionais da área de saúde e familiares de portadores da
doença de Alzheimer devem realizar reuniões mensais com grupos de
apoio, atendimento pessoal à familiares, produção de boletim
informativo, site na Internet, etc.
O
profissional deve ter o propósito de ajudar as pessoas a entenderem
melhor a doença, favorecendo, assim, o melhor encaminhamento para os
pacientes e uma qualidade de vida mais digna tanto para o portador
como para sua família.
A grande arma no
enfrentamento dessa doença é a informação associada à solidariedade.
À medida que os familiares conhecem melhor a doença e sua provável
evolução, vários recursos e estratégias podem ser utilizados com
sucesso. É fundamental que os familiares saibam que sempre há algo a
fazer, sempre é possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes
e de seus familiares.
Existem doenças
incuráveis, porém não existem pacientes "intratáveis".
Referências
Alzheimer.
Disponível em:
http://netpage.em.com.br/gkepler/alz.html
Alzheimer.
Disponível em:
http://www.apaz.org.br/alzheimer.htm
MACCIONI, R. B.;
RODRIGUES, P.; O mal de Alzheimer: o ataque de proteínas às
células do cérebro. Ciência Hoje. V. 20, N. 115, pg. 34-38,
Novembro. 1995.
SANVITO, W. L.
Síndromes Neurológicas. 2ª Edição. São Paulo: Editora Atheneu,
1997.
SHIMM, E.; BECARI,
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São Paulo, v.4, N.47, pg. 52-55. Junho.1995.
Tabosa,
M. O que
fazer após receber o diagnóstico de doença de Alzheimer.
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