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Mundo virtual requer inclusão digital
Antonio Mendes da Silva Filho
“Gravitation cannot be held responsible for people falling in
love. How on earth can you explain in terms of chemistry and
physics so important a biological phenomenon as first love? Put
your hand on a stove for a minute and it seems like an hour. Sit
with that special girl for an hour and it seems like a minute.
That's relativity.”
Albert Einstein
Há relatividade no ato de explorar o
mundo virtual e o mundo real? A citação de Einstein acima explica o
que é relatividade. Note que a natureza humana instiga o homem a
buscar um semelhante. Essa necessidade de comunicação e convivência
com seres serve como catalisador para busca de comunicação. Os
significativos avanços tecnológicos das comunicações permitem que as
pessoas estejam em contato permanente com entes ou profissionais que
elas desejam contatar. Perceba que a comunicação é uma necessidade
intrínseca do homem. Esse mesmo avanço da tecnologia tem também
proporcionado a (re-)criação de mundos virtuais a partir do real e
tem sido cada vez maior a quantidade de pessoas que interagem com o
mundo virtual. Esse artigo explora o porquê do mundo virtual e
aponta necessidades de inclusão digital para que toda sociedade
possa se beneficiar deste recurso.
O tempo não pára e, portanto, empregar
bem o tempo é mais que arte, é sabedoria. A vida é feita de
escolhas. Você faz suas escolhas e suas escolhas fazem você.
Portanto, é preciso escolher bem como vamos dedicar nosso tempo,
seja no mundo real ou virtual.
O que é um mundo virtual? É um ambiente
no qual o usuário incorpora algum avatar (isto é, o usuário assume o
papel de um personagem de um jogo ou ambiente virtual) e a partir
dessa personificação ele passa a atuar e interagir como se aquele
avatar tivesse vida, ou em outras palavras, você faz de conta que é
o personagem daquele ambiente ou jogo. Um dos principais exemplos de
mundo virtual é o Second Life (http://secondlife.com/) que permite
ao usuário criar seu próprio avatar o qual poderá explorar o que
esse ‘mundo’ (virtual) oferece, encontrar outras pessoas (outros
avatars), fazer negócios, colaborar, divertir-se, enfim explorar o
mundo virtual. Imagine você (um avatar) como parte de uma equipe
médica interessada em recuperar a saúde de um paciente virtual
(outro avatar) ou perseguindo um avião com sua asa delta, como
ilustrado na figura 1.
 
Figura 1 – Exemplos de mundo virtual.
O mundo virtual é bom? Qual sua
percepção do mundo virtual?
Ao tentar responder essas questões,
devemos considerar a diversidade humana que tem diferentes demandas
e, portanto, é preciso refletir, pensar e explorar esses mundos
virtuais, sem prejuízo do mundo real e do tempo.
O virtual é bom quando você quer
realizar alguma simulação ou algum experimento e observar o
comportamento da resposta de alguma função matemática, física,
química ou mesmo se divertir (fazendo de conta como acontece no
Second Life e jogos). Mundo virtual é bom, pois nos permite
explorar, aprender, treinar, exercitando algumas habilidades no
virtual antes de fazê-las no real.
Agora, se considerarmos o âmbito das
comunicações entre as pessoas, o virtual é bom para aqueles que
estão distantes (em outras cidades e países) de amigos ou familiares
assim como de profissionais, pois a Internet e redes de
telecomunicações aproximam essas pessoas, permitindo-lhe a
comunicação (mesmo que não seja tetê-à-tête). Note o quanto a
comunicação virtual proporciona aos usuários, ela tem o poder de
aproximar as pessoas.
Por outro lado, vale observar que
virtual é tudo que susceptível de ser real, de se concretizar, mas
não se concretiza. Por exemplo, o beijo e o abraço virtual
simplesmente não existem. Não existe o toque, não existe o contato e
nada se concretiza. Além disso, o virtual é artificial. No virtual,
você vive num mundo do faz de contas.
Vida digital é uma tendência global e
nisso precisamos estar abertos a explorar mundos digitais.
Observa-se que governos de todo o mundo têm concentrado esforços no
desenvolvimento de políticas e definições de padrões em termos de
tecnologias da informação e comunicação (TIC’s), visando construir
uma infra-estrutura que ofereça suporte a interoperabilidade a fim
de munir as pessoas com acesso a informações e serviços. A aplicação
das TIC’s no provimento de acesso a informações e serviços é
denominada de governo eletrônico (ou governo digital como um
conceito mais amplo).

Figura 2 – Distribuição de usuários da
Internet.
Hoje, a América Latina tem cerca de 10%
de todos usuários da Internet ou quase 140 milhões de internautas.
A população brasileira de internautas é estimada em 42,6 milhões se
considerado o uso em vários ambientes como em casa, trabalho,
escola, universidade, dentre outros. Quando o uso é restrito ao
ambiente residencial este número cai para cerca 22 milhões.
Apesar dos esforços e iniciativas do
governo brasileiro, suas preocupações e ações estão mais
concentradas no aspecto técnico. Entretanto, há também o aspecto
social que é essencial a inclusão digital e, conseqüentemente, a
vida digital. Como apresentado no artigo “Inclusão Digital: Em Busca
do Tempo Perdido” em
http://www.espacoacademico.com.br/040/40amsf.htm,
TIC’s não é tudo. Parece que o governo não entendeu as necessidades
apontadas no artigo “Os Três Pilares da Inclusão Digital (http://www.espacoacademico.com.br/024/24amsf.htm)
que são: TIC’s, renda e educação. Sem esses três pilares, apenas
parcela da população terá vida digital. Vida digital requer TIC’s e
inclusão social. Apenas assim, mais brasileiros podem explorar o que
os mundos virtual podem proporcionar.
Leitores interessados no tópico podem
encontrar mais informações nos links:
http://secondlife.com/
http://www.2collab.com/
http://www.myexperiment.org/
http://network.nature.com/ |