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CARLOS EDUARDO THEOBALDO
Doutorando em Letras (Teoria e Crítica da
Literatura e da Cultura) – UFBA, professor da Universidade
Salvador – Unifacs

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A contribuição Jesuítica na implantação do português do Brasil
Carlos Eduardo
Theobaldo
Com
a descoberta do Brasil, os colonizadores trouxeram o seu idioma.
Houve uma grande resistência dos nativos, que falavam o Tupi, entre
outras línguas. Até os missionários tiveram de aprender o falar dos
silvícolas a fim de catequizá-los ou elaborar negociações. O jesuíta
Padre. José de Anchieta chegou a compor uma gramática da língua tupi
impressa em Coimbra, em 1595 (Arte da gramática da língua mais
usada na costa do Brasil). Mas, o número de colonizadores foi
aumentando e a língua portuguesa foi conseguindo dominar a chamada
língua geral (Tupi e Português mesclados), até tornar-se língua
padrão (mais tarde a língua geral foi extinta por decreto do Marquês
de Pombal). Depois, outros elementos contribuíram para seu
enriquecimento, como os elementos africanos.
Falar das primeiras
escolas no Brasil, como escreveu Serafim Leite, é “evocar a epopéia
dos jesuítas do séc. XVI” (LEITE, 1937:
38). Enquanto se
fundava a cidade de Salvador, quinze dias após a chegada dos
jesuítas, funcionava uma escola de ler e escrever. Essa política
eles manteriam sem alterações durante anos: sempre abrir uma escola
onde quer que erigissem uma Igreja.
Quinze dias depois da chegada do Padre Manuel da
Nóbrega ao Brasil, havia, na Bahia, a Escola de ABC, do Ir. Vicente
Rodrigues, o mestre dessa primeira escola - historicamente o
primeiro mestre-escola do Brasil, dedicando mais de 50 anos de
serviços prestados. E, quando o Padre Nóbrega aportou em São
Vicente, mandou que se ensinasse a ler e escrever, antes de fundar
São Paulo. No fim de 1549, em São Vicente, é fundada por Leonardo
Nunes, com o incentivo do Padre Nóbrega, um seminário-escola
(escola-média).
Ao falecer em 1570, após 21 anos de Brasil, o maioral
dos padres da Companhia de Jesus, Padre Manuel da Nóbrega, sua obra
já estava bem avançada, abrangendo cinco escolas de instrução
elementar, estabelecidas em Porto Seguro, em Ilhéus, no Espírito
Santo, em São Vicente, e em São Paulo de Piratininga, e três
colégios, no Rio de Janeiro, em Pernambuco e na Bahia que, além de
uma “classe preliminar, apresentava outra, de Latim e Humanidades”,
conforme nos explica Fernando de Azevedo (AZEVEDO, 1963: 504). Após
cinco anos da morte do ilustre jesuíta, houve colação de graus de
Bacharel em Artes, no colégio da Bahia, e no ano seguinte, 1576, se
conferiam os de licenciado.
Foram nessas escolas
elementares, como no colégio de Piratininga, que “não passava, em
1554, de uma barraquinha de caniço e barro, coberta de palha, longa
14 pés, larga 10”, de acordo com Fernando de Azevedo (AZEVEDO,
1963: 506), em que,
informava em carta a Ignácio de Loyola, o Pe. Anchieta,
comprimiam-se às vezes mais de vinte companheiros do apostolado. Mas
já em 1555, um ano após a fundação do colégio na aldeia de
Piratininga, orgulhava-se o Padre Anchieta de terem ali os jesuítas
“uma grande escola de meninos índios bem instruídos na leitura,
escrita e bons costumes”. Realmente, o Padre Anchieta se tornou
mestre na língua dos índios, para melhor os instruir.
Nessas escolas elementares
germinava a base de todo o sistema colonial de ensino ainda em
formação. Funcionavam não só nos colégios, mas em todas as terras
onde existisse uma casa da Companhia. Lá aprendiam a ler, escrever,
contar e falar Português não só os filhos dos índios. Recebiam a
primeira instrução, também, os filhos dos colonos. Segundo o Padre
Anchieta aprendiam não só a ler, escrever, contar e falar em
Português. Eles também aprendiam a dançar à portuguesa, a cantar e a
ter seu coro de canto e flauta para as suas festas.
A preocupação básica nos séculos XVI e XVII, além de
formar uma elite culta e religiosa, era de difundir a Língua
Portuguesa. Os padres utilizavam a influência dos meninos brancos,
órfãos ou filhos de colonos, sobre os meninos índios, postos em
contato nos mesmos colégios. Também a ação dos colomins
que, ensinados pelos padres, percorriam as aldeias e ensinavam os
pais na própria língua.
Com essas escolas, fixas
ou ambulantes, nas aldeias e sertões, começou no Brasil uma
unificação, uma educação literária popular, sob o cunho religioso,
poderoso instrumento de penetração e pelas aulas de gramáticos
mantidas em todos os colégios. Todos aprendiam o Português. E essas
crianças, órfãs trazidas de Lisboa, também contribuíram para a
difusão e estímulo dos pequeninos índios à instrução. Os padres
desde o séc. XVI aprenderam a língua dos índios, não só para
instruir, mas também para conquistar através dela com mais
facilidade os selvagens à sua fé, e às suas idéias religiosas e
sociais. Elementos da cultura européia foram penetrando a cultura
indígena.
Gilberto Freyre,
examinando a questão do choque cultural, diz que os missionários,
mais que os outros, foram os grandes destruidores de culturas não
européias do séc. XVI ao atual, agentes europeus da desintegração de
valores nativos. Realmente, a cultura nativa dos índios e caboclos
estava em desacordo com a moral católica e convenções européias,
segundo Padre Anchieta. Passadas as tentativas de invasão da
Colônia, no sul lutavam pela liberdade dos escravos, no norte
lutavam contra o despotismo dos senhores de engenho (séc. XVII).
No séc. XVII os jesuítas
possuíam, além das escolas para meninos e outros estabelecimentos de
ensino menores, onze colégios: Todos os Santos, na Bahia, fundado em
1556; São Sebastião, transferido para São Vicente em 1567, e
instalado com esse mesmo nome no Morro do Castelo, no Rio de
Janeiro; o de Olinda, que se elevou de escola-residência a colégio,
em 1568; Santo lnácio, em São Paulo (1631); São Miguel, Santos
(1652); São Tiago, Espírito Santo (1654); N.S. da Luz, São Luis do
Maranhão (1652); Santo Alexandre, Pará (1652), elevados à categoria
de colégios perfeitos,
em 1670; N.S. do Ó, Recife (1678); Paraíba (1683); Seminário
de Belém, Cachoeira (1687).
Acrescentem-se a esses
estabelecimentos os seminários fundados no século seguinte, na
Paraíba, Paranaguá, Bahia, Pará, Maranhão; sobe para dezessete o
número de instituições de ensino que mantinham os jesuítas, quando
foram expulsos do Brasil.
Os mais importantes eram o
de Todos os Santos, na Bahia, onde se educou o Padre Antônio Vieira,
e o de São Sebastião, no Rio de Janeiro, pois apresentava uma
estrutura montada voltada para o ensino jesuítico, desde o curso de
Letras Humanas, Artes, Teologia e Ciências Sagradas. Até no séc.
XVIII os jesuítas fundaram seminários para o clero secular na última
fase da Campanha no Brasil, até a época de sua expulsão (seminário
da Paraíba, 1745; Pará, 1749; Maranhão, 1751; Paranaguá, 1754; uma
vice-província da Companhia, com dois grandes colégios e dois
seminários) (AZEVEDO, 1963: 526-527).
A proibição do
governador-geral de visitar as diversas capitanias sem a permissão
de El-Rei (Carta Régia, 19/03/1614), a recusa de equiparação do
colégio da Bahia ao de Évora, em Portugal (1675), pois os
brasileiros formados tinham de completar seus estudos no Reino, e a
queima e destruição do primeiro estabelecimento gráfico que se
instalou no Brasil (1747), jogou o país numa época de trevas, assim
como estava o Reino, que não abria suas portas às transformações, às
agitações intelectuais e científicas que ocorriam na Europa. Nesse
contexto é expulsa do Brasil a Companhia, que tinha 24 colégios, 17
casas de residência.
O primeiro século foi de
adaptação e construção, e o segundo o de desenvolvimento e extensão
do sistema educacional, o qual foi alargando progressivamente com
unidades escolares novas a sua esfera de ação. Portanto, o séc. XVI
foi o da catequese, obra de conversão do “gentio”, a instrução e
organização do sistema de ensino jesuítico; no séc. XVII, a expansão
horizontal desse sistema, quase todo montado no primeiro século; no
séc. XVIII, a organização de seminários, de que apenas um se
estabelecera anteriormente, o de Belém, da Cachoeira (Bahia),
fundado em 1687, a instâncias ou por iniciativa de Alexandre de
Gusmão.
O governo de um país como
Portugal, que se exauria em tentativas coloniais desproporcionais
com seus recursos em homens e meios materiais, tendia forçosamente a
concentrar todo o seu pensamento e todos os seus esforços na
exploração e defesa das colônias. A educação não lhe interessava
senão como um meio de submissão e de domínio político, que mais
facilmente podiam alcançar pela propagação da fé com a autoridade da
Igreja e os freios da religião.
Além do domínio na
casa-grande (grandes fazendas dos senhores de engenho), cuja
influência da religião fez a Companhia penetrá-la para educar os
meninos, muitos elementos saíam do campo para as cidades em busca de
um diploma de Bacharel, da ascensão social, o que foi um forte
elemento de urbanização. Mais tarde, entre o fim do séc. XVII e a
primeira metade do séc. XVIII, os jesuítas, explorando suas
fazendas, montando os seus engenhos, tomaram-se os grandes
produtores coloniais, garantindo seu sustento.
O ensino estava calcado na
casa-grande, e os meninos, forçados a uma precocidade literária,
tomavam gosto pela disciplina e ordem que impunha essa educação
patriarcal, tão favorável para a ação da Igreja, o que terminou por
contribuir como elementos de urbanização e universalização, num meio
influenciado poderosamente pelos autocratas das casas-grande, no
sentido da estagnação rural e extrema diferenciação regional.
Houve esse ensino não especial (profissional), apenas
destinado a formar uma instrução básica, livre e desinteressada, sem
preocupações profissionais, igual e uniforme em todo o território. A
cultura importada, européia, não nacional, se espalhava sobre todo o
território, principalmente nas elites coloniais, inspirada por uma
ideologia religiosa, católica, baseada nas humanidades latinas e
sobre obras de Aristóteles, vistas num sentido cristão; neutra do
ponto de vista nacional (mesmo portuguesa), mais voltada à Europa,
da Idade Média.
Apesar disso, foi fator de educação geral e uniforme,
e pelo seu raio de ação atingiu até o norte e a Amazônia, o sul até
Desterro, o avanço português e a expansão geográfica do país
constituíram um dos elementos de integração e unidade nacional. Ela
exerceu, através do ensino nos colégios de padres, uma função
unificadora, dissolvente das diferenciações regionais, e nesse
aspecto, não foi ameaçada, senão pelos progressos da língua Tupi
como língua geral, ensinada também nos colégios e pela concentração
dos índios em aldeamentos, governados pelos padres.
Enquanto, na primeira metade do séc. XVIII, a obra
educadora dos jesuítas atingia no Brasil seu auge de expansão, na
Europa já havia um movimento contra a Companhia, que culminaria em
sua extinção, atacada por todos os lados, pelas universidades,
parlamentos, autoridades civis e religiosas. Alegava-se que a
Companhia de Jesus, perdido o antigo espírito de seu fundador,
entrara em decadência, e que, dominada pela ambição do poder e de
riqueza, procurava manejar os governos como instrumento político, às
suas conveniências, indo contra os interesses nacionais.
O ensino jesuítico, na opinião de seus adversários,
envelhecera e “petrificara” em várias gerações, e já se mostrava
incapaz de adaptar os seus métodos às novas necessidades. Em
Portugal, dois fortes elementos de propaganda contra os jesuítas
foram apontados: o monopólio do ensino que eles exerciam desde 1555,
quando D. João III lhes confiou a direção do Colégio das Artes, e a
miséria econômica e intelectual do Reino, das quais eles eram
apontados como responsáveis. As novas concepções filosóficas e
científicas se difundiam por quase toda a Europa, atraindo os
portugueses mais esclarecidos. Devido ao atraso intelectual e
empobrecimento econômico, produzido talvez por uma série de causas,
entre elas, o fanatismo religioso, as perseguições do Santo Ofício,
levaram o Marquês de Pombal, em 1759, a expulsar os jesuítas do
Reino e dos seus domínios, inaugurando com a sua política radical
uma série de medidas, adotadas pela França, 1763; Nápoles e Sicília,
1767; e outros governos, e que culminaram na total supressão da
Companhia de Jesus pelo Papa Clemente XIV.
Assim acabou, no período colonial, com a expulsão da
Companhia, a obra dos missionários que em mais de dois séculos,
educaram os jovens brasileiros e auxiliaram os portugueses a
colonizar o Brasil, amaciando os rudes e ásperos costumes em uma
época de violências, por espalhar a fé, com o tempero da caridade,
ajudando a implantar a ordem e a disciplina. Com o decreto do
Marquês de Pombal, houve a expulsão dos jesuítas da Colônia, por
alvará datado de 28 de junho de 1759. Foram confiscados os bens,
fecharam seus colégios, ficaram livres só os edifícios. Em suma,
houve um desaparelhamento do sistema de ensino em todo o território
brasileiro.
No Brasil, os jesuítas possuíam, nessa época, 25
residências, 36 missões, 17 colégios e seminários, sem contar os
seminários menores e as escolas de ler e escrever, instaladas em
quase todas as aldeias e povoações onde existiam casas da Companhia.
Apenas a escola de Arte e Edificações Militares, criada na Bahia, em
1699, talvez a primeira instituição leiga de ensino no Brasil, uma
aula de artilharia criada em 1738, no Rio de Janeiro, além dos
Seminários de São José e de São Pedro, estabelecidos em 1739, na
mesma cidade, estavam fora do domínio dos jesuítas. A não ser os
estudos elementares de arte militar, dois ou três seminários e
outros, de Filosofia, em conventos carmelitas e franciscanos, o
ensino no Brasil até 1759 se concentrava quase em sua totalidade nas
mãos dos padres da Companhia, sendo seu sistema de organização
escolar o único do país. Em 1759, com a expulsão dos Jesuítas, o
Brasil não sofreu uma reforma do ensino. Aconteceu a destruição pura
e simples de todo o sistema colonial de ensino jesuítico. Uma
organização escolar se extinguiu sem que se tomassem medidas
imediatas para atenuar os efeitos ou reduzir sua extensão. Em 1727,
por provisão datada deste ano, o governo da Metrópole, “alarmado”
com o abandono do Português pelos próprios portugueses, proscrevera
expressamente o Tupi, proibindo o uso da língua brasileira.
Não houve reformas, mas medidas tardias e
fragmentárias que, em 1759 e 1772, o governo da Metrópole começou a
trabalhar, querendo dar a ilusão de substituir o aparelho
desmantelado. Com essas medidas de emergência, que o alvará batizou
de “reformas”, visava El-Rei “não só reparar os mesmos estudos para
que não acabassem de cair em total ruína a que estavam próximos, mas
ainda restituir-lhes aquele antecedente lustre que fez dos
portugueses tão conhecidos na República das Letras, antes que os
ditos religiosos se intrometessem a ensiná-los, com os sinistros
intentos e infelizes sucessos” (ALMEIDA, 1989: 79).
Só em 1772, treze anos após a expulsão da Companhia e
desse alvará que se pretendeu reorganizar os estudos da humanidade,
uma ordem régia mandou estabelecer essas aulas, de primeiras letras,
de Gramática, Latim, Grego, no Rio de Janeiro e nas principais
cidades das capitanias. A criação do “subsídio literário”
(10/11/1772), imposto criado para a manutenção do ensino primário
médio, cobrado no ano seguinte, não chegou a cobrir, em Portugal e
na Colônia, os custos totais. Mais tarde se inauguraram aulas-régias
de Latim em Minas, Filosofia no Rio, etc. Mas a fiscalização das
aulas-régias, embora determinadas pelo alvará de 1759, só foi
efetivada em 1799, quando o governo português atribuiu ao Vice-Rei a
inspeção geral da Colônia.
A reforma pombalina, planejada para o Reino, atingiu
na Colônia o ensino básico geral, com suas aulas de disciplinas
isoladas (aulas-régias) sem qualquer plano de estudo atingindo
também a evolução pedagógica natural, acabando com o desenvolvimento
do ensino em planos superiores. Até os programas e a escolha de
livros vinha de cima, do Reino, o “poder supremo”. Salvo raras
iniciativas e sem maiores influências, todo o período de quase meio
século desde a expulsão dos jesuítas (1759) à transferência da corte
portuguesa para o Brasil (fugindo da invasão das tropas
napoleônicas), é de decadência e de transição. A herança dos
jesuítas através dos padres-mestres ainda resultava numa educação
exclusivamente literária, baseada nos estudos de Gramática, Retórica
e Latim. Entre a expulsão dos jesuítas em 1759 e a transplantação da
corte portuguesa para o Brasil em 1808, houve um grande hiato, de
quase meio século, caracterizado pela desorganização e decadência do
ensino colonial. Só havia aulas isoladas de matérias fragmentárias e
dispersas em raros colégios religiosos.
O sistema de ensino jesuítico parecia satisfazer às
emergências básicas da sociedade daquele tempo, estruturada na
agricultura e escravidão, em que o estudo, quando não era um luxo do
espírito, para o grupo feudal, e aristocrático, era apenas um meio
de “classificação social” para os mestiços e para a burguesia
mercantil das cidades. O ensino, tradicional, se transferiu das mãos
dos jesuítas para os padres seculares, frades, franciscanos e
carmelitas (a porção mais letrada da sociedade colonial). Dentre as
transformações na Colônia, em alvará datado de 06/07/1747, funda-se
a Imprensa Régia, em que se imprimem as primeiras obras editadas no
Brasil, iniciando, com a publicação da Gazeta do Rio de Janeiro,
em 1808, o jornalismo brasileiro.
As teorias dos enciclopedistas, o recente exemplo da
independência dos Estados Unidos da América (1776), exerceram
influência marcante na conjuração mineira de 1789. Todas essas
idéias, mais a reforma pombalina que fizeram o Bispo Azevedo
Coutinho criar o Seminário de Olinda, em 1798, e fundado em 1800.
Foi esse seminário o primeiro e tardio reflexo na Colônia, da grande
renovação educacional que se processou no reino por iniciativa do
Ministro D. José, com a colaboração principal de parentes do Bispo
Azeredo Coutinho. Reformuladas, tendências pedagógicas e novas
matérias conviviam ao lado de matérias do currículo tradicional,
entre elas a Gramática, o Latim, a Retórica, a Poética, a Filosofia,
mas já segundo novos pontos de vista. Da importância do Seminário de
Olinda e seu criador, escreve Capistrano de Abreu: “Sem Azeredo
Coutinho, não surgiria a geração idealista de 1817” (ABREU, 1954:
45).
Os jesuítas tiveram relevante papel na difusão da
língua portuguesa, não só no tocante ao desbravamento, mas
principalmente de unificação do país pela língua, rompendo mais
tarde, os laços com o Tupi e o africanismo, nas idéias de disciplina
e nos ideais educacionais da Companhia. Era um difusor de idéias e
cultura européia, mas, como instrumento político, crescendo, a
Companhia se tomou um grande latifundiário. O ensino retrógrado, por
parte dos jesuítas, em relação aos mais recentes acontecimentos na
Europa, foi fator decisivo, entre outros, para que se levantasse a
bandeira contra a Companhia, numa grande campanha, encabeçada pelo
Marquês de Pombal, culminando no alvará que a extinguiu e expulsou
do Brasil. Os jesuítas, apesar do seu papel pioneiro, se esgotaram
no seu tradicionalismo rígido e pelo fanatismo religioso. Após um
período de aulas esparsas, uma nova metodologia surge, trazida de
Portugal pelo Bispo Azeredo Coutinho, através do Seminário de
Olinda, fundado em 1800. A Gramática, já sob nova orientação, fazia
parte deste novo currículo, reformulado sob a luz das mudanças que
ocorriam na Europa.
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da história colonial. 4.ed. rev. aum.
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