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AFFONSO CARDOSO AQUILES
Graduado em Ciências Sociais pela Universidade
Federal do Paraná (2007), bolsista de iniciação científica (PIBIC/CNPq)
durante a graduação, membro do Grupo de Estudos em Trabalho e
Sociedade (GETS-UFPR), atuando no projeto O sindicalismo e o
movimento do capital: bancários, metalúrgicos e telefônicos no
Paraná . É fundamental registrar a contribuição da Profa.
Dra. Benilde M. Lenzi Motim (UFPR) para o desenvolvimento desse
artigo.

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Telecomunicações no Paraná:
Inovações Tecnológicas e Precarização do Trabalho
Affonso Cardoso Aquiles
Introdução
As transformações pelas quais as telecomunicações
brasileiras passaram nas últimas décadas reestruturaram
significativamente o setor, sob vários aspectos. A globalização da
economia e a reestruturação das relações e da organização, tanto das
empresas, como do trabalho, marcaram a passagem a um novo momento da
acumulação capitalista. A característica distintiva desta nova fase
é que ela opera em escala planetária como uma unidade em tempo real,
induzindo a transformação das formas de trabalho. A intensidade das
interações existentes na economia global tem como base material a
tecnologia da informação. A revolução tecnológica da década de 1970
caracterizou-se por produzir tecnologia voltada às novas demandas de
agilidade e flexibilidade da produção. O processamento da informação
por meio das novas tecnologias potencializou e acelerou, de forma
particular, o desenvolvimento destes processos produtivos em escala
planetária (CASTELLS, 2000).
A introdução de modernas tecnologias, com a
informatização das empresas e dos mais variados processos produtivos
respondeu a um novo contexto de desenvolvimento do capitalismo em
que a capacidade de competição, com redução permanente de custos e
flexibilidade para atender a uma demanda cada vez mais
diversificada, se tornaram a tônica dos mais variados ramos da
economia (COUTINHO et al., 1995; LARANGEIRA, 1998). A readequação do
setor de telecomunicações, necessária para acompanhar as mudanças
econômicas e tecnológicas das empresas, implicou novo arcabouço
jurídico-institucional que introduzisse uma nova lógica dos serviços
de telefonia, não mais vista como um bem público essencial a ser
oferecido pelo Estado através de políticas públicas, responsável
pela comunicação entre os indivíduos, mas como um serviço integrado
à lógica de desenvolvimento do capitalismo globalizado,
predominantemente voltado ao atendimento de demandas empresariais, e
regido pelas leis de mercado (LARANGEIRA, 1998).
A reestruturação do setor de telecomunicações no
Brasil, a partir do início da década de 1990, implicou crescente
racionalização e especialização das empresas, que desenharam uma
nova realidade, não apenas sob a ótica da estrutura de uma empresa,
mas essencialmente, na constituição de uma rede de empresas.
A introdução das terceirizações como meio de repasse de etapas do
processo produtivo, antes executadas por uma única empresa, a outras
participantes do processo, cada vez mais especializadas,
reconfigurou o setor de telecomunicações a partir da “lógica das
redes”. A flexibilidade exigida para dar resposta à fluidez das
demandas, em tempo cada vez mais reduzido, foi obtida a partir da
constituição de uma rede de relações interempresas em que a rigidez
do fordismo seria substituída pela maleabilidade resultante de
inovações organizacionais, forjadas de acordo com o momento recente
do desenvolvimento capitalista (CASTELLS, 2000; RUDUIT, 2001).
As inovações tecnológicas e organizacionais
das empresas tiveram, seguramente, impactos sobre a realidade
do trabalho. A privatização das telecomunicações, em 1998, foi um
marco na vida de milhares de trabalhadores, que assistiram, junto
com a derrocada de um modelo de organização do setor, ao surgimento
de profundas mudanças relacionadas ao seu trabalho. A racionalização
das empresas estatais, então privatizadas, bem como o crescimento
exponencial das empresas terceirizadas, lograram a readaptação dos
trabalhadores a um contexto marcado pela especialização funcional,
insegurança e, especialmente, uma nova realidade salarial (LARANGEIRA,
1998).
Terceirização e Re-arranjo organizacional nas
Telecomunicações do Paraná
A organização das telecomunicações no estado do
Paraná não fugiu das tendências de racionalização e reestruturação
observadas no cenário nacional.
Os níveis de terceirização cresceram a partir do final da década de
1980. Em um primeiro momento os serviços de apoio – caracterizados
como de manutenção da estrutura interna das empresas – foram
terceirizados. A segunda fase, ainda no período anterior à
privatização, foi caracterizada pela terceirização de boa parte dos
serviços de rede, incluídos os
departamentos de elaboração de projeto, instalação e manutenção de
cabos, além dos setores ligados à eletricidade, desde os processos
de força e comutação até a transmissão (TORRENS et al., 1999).
A Telepar
chegou a ter em seus quadros aproximadamente 5.000 trabalhadores
antes da privatização. Atualmente a subsidiária da Brasil Telecom
no Paraná não possui mais de 650 trabalhadores. A redução
significativa dos postos de trabalho na concessionária,
pós-privatização, apresenta-se como uma tendência geral no setor de
telecomunicações do país. Um fenômeno associado à racionalização da
Brasil Telecom foi o aumento exponencial dos trabalhadores
terceirizados. Apenas no setor de redes, implantação, transmissão e
comutação, no Paraná, o número de empregados em empresas prestadores
de serviço para a concessionária chegou a mais de 3.500 ao final de
2006.
Quadro 1 – Resumo Comparativo de Salário e
Benefícios entre os Trabalhadores do Setor de Redes na Brasil
Telecom e Empresas Terceirizadas no Paraná

Referências Bibliográficas
CASTELLS, Manuel.
A Sociedade em Rede.
São Paulo: Paz e
Terra, 2000.
COUTINHO, Luciano; CASSIOLATO, José
Eduardo; SILVA, Ana Lucia G. da (Coord.). Telecomunicações,
Globalização e Competitividade. Campinas: Papirus, 1995.
LARANGEIRA,
Sônia M. G.. Reestruturação no setor de telecomunicações: aspectos
da realidade internacional. Revista Latinoamericana de
Estudios del Trabajo: Relações industriais, análises
comparativas. Ano 4, no. 8, p. 159-178, 1998.
LOJKINE,
Jean. A Revolução Informacional. São Paulo: Cortez, 1999.
RUDUIT,
Sandro. Relações interfirmas e emprego: estudo de uma rede de
empresas em telecomunicações. Dissertação de Mestrado. Porto Alegre:
PPGS/IFCH/UFRGS, 2001.
______. Relações interfirmas e emprego
na rede de empresas: a experiência de externalização de uma
empresa no setor de telecomunicações. Sociologias. n. 8,
julho/dezembro de 2002, Porto Alegre, p. 400-431.
SINTTEL
– PR. Acordos Coletivos de Trabalho, 2006.
TORRENS,
Antonio Carlos; MOTIM, Benilde Lenzi; PICANÇO, Katya; ARAUJO, Silvia
P. de.;WAWRZYNIAK, Sônia Izabel.; OBARA, Sônia. A Racionalidade
das mudanças no setor de serviços: relações de trabalho e
mercados de trabalho no ramo das telecomunicações no Brasil, 1999.
Disponível em
http://www.alast-uy.org/PDF/Galin/RRLL-Wawrzyniak.PDF. Acesso
em: 15 de maio de 2007.
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