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FERNANDO LUIZ VALE
CASTRO
Doutor em História pela PUC-Rio e
Professor da Faculdade de Formação de Professores da UERJ

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Uma Revista para pensar o Continente Americano
Fernando Luiz Vale Castro
Este artigo tem como objetivo
estabelecer algumas reflexões sobre a Revista Americana,
publicação oriunda das fileiras diplomáticas brasileiras, que
circulou entre 1909 e 1919, tornando-se local de divulgação, dentre
outros aspectos, da política, da cultura e da história sul-americana
e tendo contado com participação de uma série de intelectuais e
diplomatas de destaque no cenário brasileiro e estrangeiro tais
como: Rio Branco, Araújo Jorge, Delgado de Carvalho, Joaquim Nabuco,
Oliveira Lima, Araripe Júnior, Silvio Romero, José Veríssimo, Lima
Barreto, Afrânio Peixoto, Jackson de Figueiredo, José Oiticica,
Paulo Barreto, Pedro Lessa, Clovis Beviláqua, Amaro Cavalcanti,
Gilberto Amado, Ataulpho de Paiva, Rocha Pombo, Ronald de Carvalho,
Hildebrando Accioly, Coelho Neto, Evaristo de Moraes, Renato
Almeida, Alberto de Faria, Menotti del Pichia, Barbosa Lima
Sobrinho, Amadeu Amaral. Em relação aos estrangeiros, entre outros,
podemos citar: Ramon Cárcano, José Ingenieros, Rubem Dario, Benjamin
Vicuña Subercaseaux, Francisco Felix Bayon, Francisco Garcia
Calderón.
Antes de nos determos na Revista
Americana propriamente dita cabe salientar que, como toda
construção cultural, um periódico pode ser entendido pela dialética
entre a produção e a recepção da mensagem, em que coexistem sempre
várias formas de apropriação pelos vários grupos e subgrupos que
formam uma dada comunidade de leitores. Ao se observar uma revista
como local onde se realiza uma prática social de produção de sentido
sobre a experiência coletiva, torna-se fundamental observar a
questão da produção do discurso. Nesta perspectiva é necessário
recuperar a identidade das obras intelectuais, por meio de uma
metodologia histórica e intertextual, ou seja, que apresenta como
objetivo alcançar o sentido do texto em seu tempo, afastando-se,
portanto, de visões anacrônicas e reducionistas. ( SKINNER, 1996 ;
POCOCK, 2003)
Em síntese, estamos considerando
os articulistas da Revista Americana como enunciadores de
atos de fala em resposta a determinadas questões em discussão no
período. Nesse sentido os autores que fizeram parte da publicação
contribuíram para a criação de uma determinada “comunidade
argumentativa”, elaborando e emitindo “lances”
específicos. Para se compreender tal construção cabe investigar a
historicidade da sua produção associada à intencionalidade da sua
escrita.
Portanto, entender os atos de fala
presentes na Revista Americana a fim de percebê-la
como uma comunidade argumentativa de uma determinada época e
referida a um determinado locus social, político e cultural,
nos remete à reflexão sobre a visão diplomática do Itamaraty naquele
período. Esta se construiu a partir da estratégia
riobranquiana, de estabelecer uma presença diplomática brasileira na
América Latina, em especial na América do Sul. Soma-se a isso a
ampliação do número de diplomatas estrangeiros no Rio de Janeiro,
com o objetivo de transformar a Capital Federal no local com
"mais numeroso corpo diplomático da América Latina" (BUENO &
CERVO 2002).
Este projeto de aproximação gerava a
necessidade de se debater determinados conceitos que se mostraram
extremamente caros à diplomacia do período, dentre os quais alguns
foram abordados sistematicamente nas páginas do periódico, a saber:
o Pan-americanismo, a arbitragem na formação do território, e a
defesa de um Direito Internacional Público de viés americano. Este
último estabeleceria uma nova perspectiva para as questões
relacionadas ao arbitramento internacional, abrindo espaço,
inclusive, para o debate de temas como soberania, alianças e
hegemonia, inseridos no processo de discussão da delimitação das
fronteiras sul-americanas dentro de uma perspectiva de manutenção da
paz e do equilíbrio político no continente. (CASTRO 2007)
Ao considerarmos a cooperação e o
intercâmbio cultural e intelectual entre as Américas, com especial
destaque para a América do Sul, como sendo um dos principais
objetivo da Revista, faz-se mister compreender como os
intelectuais que escreveram no periódico pensaram questões
referentes ao continente associadas ao papel da ação diplomática na
construção de uma identidade brasileira e sul-americana. Trata-se,
principalmente, de uma reflexão sobre o papel que a diplomacia
deveria assumir no continente e este no novo concerto das nações que
vinha sendo redefinido na Europa quando do momento da circulação do
periódico.
Em face dos limites físicos de um artigo
destacaremos, apenas, o reconhecimento da importância da
contribuição da Revista Americana como instrumento de
compreensão do projeto político e cultural do Itamaraty. Trata-se de
pensá-la como parte integrante de uma estratégia de formulação de um
projeto que consistia em estabelecer parâmetros acerca da função a
ser exercida pelo corpo diplomático, associada ao papel que caberia
à América do Sul na ordem mundial que se forjava nos primeiros anos
do século XX. Em síntese, em como o periódico pode servir como
referencial para a elaboração de um ideal americano evidenciado em
suas páginas.
A Revista Americana deve ser
compreendida como uma comunidade argumentativa com um sentido geral
para a sua publicação, sentido este relacionado com a possibilidade
de execução de um “lance” importante, a saber: a valorização da
diplomacia como norteadora de um processo que passaria por uma
aproximação cultural cujo objetivo último seria indicar os caminhos
para o Brasil e a América do Sul no cenário internacional. Tais
caminhos teriam como premissa pensar o continente sul-americano, a
partir de uma moral e uma cultura próprias, apresentando-o como um
exemplo a ser seguido em uma época que se anunciava como altamente
belicosa.
Tal posição, no entanto, só seria
alcançada quando as nações sul-americanas estabelecessem uma
cooperação fruto de um conhecimento mútuo que teria no corpo
diplomático seu principal artífice. Essas premissas, na nossa
concepção, aproximam a proposta da Revista com aquilo que,
décadas mais tarde convencionou-se chamar de Diplomacia Cultural.
Elaborando uma estratégia: a
Diplomacia Cultural e a Criação da Revista Americana
De acordo com Sérgio Danese, tão logo
foram resolvidas as questões das fronteiras, coube à diplomacia
brasileira se constituir, também, em instrumento do desenvolvimento
dos demais projetos do Estado passando o Itamaraty, em suas
palavras: “a trabalhar intensamente para colocar o Brasil no
caminho da integração regional com uma contribuição expressiva na
dimensão cultural da construção da nacionalidade que tem relação
direta com o avanço do projeto de desenvolvimento em suas
ramificações externas”. (DANESE, 1999)
Corrobora com essa perspectiva o
início de certo processo de profissionalização
do corpo diplomático brasileiro posto em prática por Rio Branco. Na
época do Barão, o Itamaraty passou a se preocupar com a formação
cultural e política de seus diplomatas que, até então, ingressavam
na carreira quase sempre por meio de relações pessoais. Outrossim, o
gabinete do Barão incentivou a intermediação nos processos de
definição da nacionalidade, que se fez em função de relações
capitais no plano externo, capitais porque ofereciam elementos de
contraste, de competição, de cooperação, de resistência, de
influência que ajudaram a forjar uma nacionalidade.
Nesse ponto aparece para nós o conceito
de Diplomacia Cultural que de maneira bastante objetiva pode ser
pensada como um instrumento, uma estratégia de difusão de aspectos
culturais de uma nação no exterior associada à divulgação interna de
culturas estrangeiras. Diante dessa perspectiva seu universo
temático pode ser resumido pelo: intercâmbio de pessoas; pela
promoção da arte e dos artistas nacionais; pela divulgação geral de
elementos culturais, pelo apoio a projetos de cooperação intelectual
etc.(TELLES RIBEIRO, 1989)
Em síntese podemos afirmar que a
Diplomacia Cultural pode ser pensada como um instrumento que
efetivamente possibilite a inserção externa de uma nação,
contribuindo para consolidar sua identidade e reforçar a aproximação
de nações em torno de um patrimônio, de um referencial comum,
desempenhando papel de extrema utilidade no esforço de desempenhar
uma função aglutinadora, que, segundo o autor, nenhum outro
componente do instrumental diplomático consegue preencher
satisfatoriamente.
Inserimos a Revista Americana na
lógica de aproximação das nações sul-americanas em busca da
construção de uma estratégia diplomática voltada para o equilíbrio
do continente, garantidora da paz, em um contexto de enorme
instabilidade com um mundo sofrendo com as conseqüências da Corrida
Imperialista que levaria as nações centrais para uma guerra
generalizada e uma América, especialmente do Sul, buscando se
inserir nesse cenário, tentando consolidar suas instituições.
É a partir da inserção nesse contexto
que ganha importância a Revista Americana, periódico
dirigido, inicialmente, pelos diplomatas Araújo Jorge, principal
responsável pela Revista, e Delgado de Carvalho, bem como
pelo jornalista Joaquim Viana, editada, no Rio de Janeiro. Julgamos
a Revista de extrema relevância para a compreensão do cenário
político e cultural da época, bem como pensamos ser ela uma das
primeiras, senão a primeira, manifestação organizada por um órgão
ligado ao Estado que objetivava pensar a cultura e identidades
nacionais, sendo que estas deveriam ser inseridas num projeto
intercontinental, fato que demonstra certo vanguardismo em relação à
boa parte da intelectualidade daquela época.
No período no qual ela circulou, a
Revista Americana foi uma das mais importantes publicações que
apareceram na cena cultural brasileira. Além de divulgar idéias, seu
principal objetivo era, conforme dito no primeiro número do
periódico: “aproximar intelectuais, congregar espíritos, revelar
identidades e promover formas de integração cultural entre os
diversos povos da América”. Ao longo dos seus dez anos de vida,
foram tratados os mais variados assuntos, com temas que versavam
desde a diplomacia, propriamente dita, à crítica literária, passando
pela publicação de poesias e contos que, na maioria das vezes,
tratavam de problemáticas sul-americanas. É possível afirmar que ela
foi pioneira e única, no Brasil, em seu gênero no período.
Seu vanguardismo pode ser observado a
partir do fato da diplomacia ao longo dos novecentos ter se tornado
um dos segmentos mais atuantes no cenário político e cultural do
continente, assim como vários intelectuais, de diferentes gerações e
nacionalidades, ao longo do século XX, terem buscado responder
perguntas que eram preocupações básicas da Revista Americana
tais como: o que são as Américas no contexto da cultura ocidental?
Quais são as aproximações possíveis entre elas? Quais são os seus
distanciamentos? Qual é a identidade americana? Qual deve ser o
futuro do continente? etc. Manoel Bonfim, Darcy Ribeiro, Leopoldo
Zea, Octavio Paz, Richard Morse, Nestor Canclini, entre outros,
realizaram grande esforço no sentido de responder essas questões,
sendo o legado de suas obras a maior prova disso.
Nesse sentido vemos a publicação da
Revista Americana como uma tentativa de se encontrar, senão uma
resposta satisfatória a tais dúvidas, ao menos um caminho de debate
que levasse, doravante, a um possível denominador comum que
representaria, em síntese, uma cooperação e solidariedade
continental, molas mestras para se estabelecer a paz no continente..
A Revista Americana surgiu como
um projeto inovador de cooperação intelectual internacional
desempenhando, durante dez anos, “papel de grande relevância, e
único, em nosso cenário cultural”, sendo núcleo de cooperação entre
intelectuais americanos. Esta cooperação teria funcionado, segundo
Costa Franco, como alicerce da política de aproximação com os
“vizinhos” do Brasil. Essa perspectiva pode ser observada no
editorial do primeiro número no qual era afirmado que Revista
tinha como objetivo:
“Divulgar as diversas manifestações
espirituais da América e seguir ao mesmo passo, paralelamente, o
traçado superior da sua evolução política e econômica,
tornando-se um traço de união entre as figuras representativas
da intelectualidade desta parte do mundo.
Ela facilitará ao historiador e ao
geógrafo, ao político e ao jornalista, ao artista e ao filósofo,
elementos seguros determinantes de uma noção exata e precisa dos
múltiplos e paradoxos, aspectos da nossa vida espiritual.
”(SENADO FEDRAL, 2001)
Ainda no primeiro editorial é possível
observar que havia uma necessidade de se criar uma identidade
própria para o Brasil e a América, na medida em que:
“... as idéias, para serem
aceitáveis, necessitam trazer a marca européia e transpor os
mares nos bojos dos transatlânticos, o descaso injustificável
pelas coisas do nosso continente; a indiferença pela sua
história; o desamor às suas tradições; o desprezo pelos
incontáveis aspectos de sua natureza e ter - se -á um quadro
quase completo de várias causas por que as gentes americanas se
desconhecem voluntariamente. [...]
Quando os povos americanos tiverem
uma noção mais exata do valor das suas fortes qualidades
originarias e nativas, ainda não de todo esmaecidos ao influxo
das culturas exóticas; quando reconhecerem que o nosso
continente, tão mal conhecido e ultrajado, constitui, por si só,
uma matriz perene de estudos, exames, indagações... ”(SENADO
FEDERAL, 2001)
O grande lance do periódico
foi valorizar a diplomacia e indicar caminhos para o Brasil e a
América do Sul, que deveriam ser trilhados, construídos. Ao se
perceber as estratégias e os rumos do Itamaraty nas décadas
posteriores à publicação do periódico, fica claro qual o maior
legado da Revista Americana. Ela representou a primeira
experiência brasileira do que se denominou, posteriormente,
“diplomacia cultural”, articulada a um projeto de aproximação
sul-americana. Capitaneada pelos corpos diplomáticos do continente,
tal política baseou-se na elaboração de uma moral e uma cultura
próprias, da e para a América do Sul.
Corroborando essa perspectiva, há
aspectos presentes na própria estrutura da publicação que apontam
para essa aproximação entre as nações sul-americanas. Nesse
particular devemos, inicialmente, destacar a lógica divulgadora
explicitada pelo próprio periódico, especificamente nas seções
denominadas “Bibliografia”, que consistia em uma espécie de boletim
acerca dos livros que chegavam ao conhecimento da redação, na seção
“Revistas” que consistia em resenhas de alguns periódicos publicados
na América e na Europa e, finalmente, na seção “Notas” direcionada
aos leitores versando sobre assuntos diversos, com especial destaque
para resenhas críticas sobre publicações a respeito da própria
Revista Americana.
Outrossim, encontramos textos de caráter
mais literário, versando desde a história da literatura e da crítica
literária propriamente dita, até a poesia e a ficção. A maioria
desses textos trazia consigo uma preocupação em divulgar elementos
culturais, históricos e sociológicos, das várias nações da América
do Sul, presentes no debate intelectual desde o último quartel dos
oitocentos.
Um aspecto que merece destaque era o
sentimento de americanidade que ganhava relevo, em diversas
publicações que simultaneamente à defesa da pátria, da integridade
territorial e da soberania nacional, projetavam a defesa de um ideal
americano, especialmente em artigos que versavam sobre temas
diplomáticos.
O interesse em divulgar questões do meio
intelectual sul-americano, aparece em obras como: “Solidariedad
Intelectual de América” e “Intelectuales latinoamericanos”, de Félix
Bayon; “La intelectualidad en Chile”, de Pedro Pablo Figueroa;
“Porvenir cultural de América”, de Luis Arquisám e “Poetas
brasileños actuales” de Manoel Benavante.
Aspectos artísticos e de cultura popular
sul-americanos foram, embora com menor ênfase, igualmente
apresentados na Revista. Trabalhos referentes aos legados das
culturas pré-colombianas, indígenas e, até mesmo ao folclore nos
diferentes países, tiveram algum espaço no periódico, fato que
revela certa preocupação com as respectivas identidades culturais
sul-americanas e o papel do popular nas mesmas. Dentre os artigos
que foram publicados com essa perspectiva temos: “Civilizacion
preincaica”, de Carlos Wiesse; “Las lenguas indígenas de la cuenca
del Amazonas y del Orinoco”, de Rodolfo Schüller; “Lendas del
diabo”, de Fabio Luz; “O engenho do tinhoso: lendas da serra e da
baixada”, de Salvador de Mendonça; e “El folk lore argentino:
importância de su estúdio”, de Adán Queiroga.
A busca de um ideal americano era
preocupação de vários autores e, em nossa opinião, serviu de base
para o projeto da publicação. Tal premissa nos permite perceber a
importância da Revista Americana para a análise dos
intelectuais que formaram as fileiras da diplomacia sul-americana,
em especial a brasileira nos primeiros anos dos novecentos e que
serviram de base para o pensamento e a ação diplomática nas décadas
seguintes, uma vez que não podemos esquecer que foi justamente ao
longo do século passado que o Itamaraty estabeleceu uma política
institucional de formação permanente de quadros com a consolidação
da profissionalização da carreira diplomática.
Data do período imediatamente posterior
ao fim da publicação da Revista, anos 20 e 30, o início dessa
preparação sistemática para a formação efetiva de um corpo
diplomático, uniforme e, principalmente, altamente qualificado,
sobretudo nos campos da História, da Geografia e do Direito, além,
obviamente, das questões internacionais, tanto para representar o
Brasil no exterior, quanto para legitimar, internamente, as ações do
Ministério. Nesse cenário, edificou-se a criação do Instituto Rio
Branco que, a partir dos anos 40, tornou-se o órgão responsável, por
excelência, pela formação do corpo diplomático brasileiro.
Outrossim, convém frisar os constantes intercâmbios entre as nações
sul-americanas, inegavelmente, um dos pilares da diplomacia ao longo
do século passado.
Bibliografia:
BUENO, Clodoaldo & CERVO,
Amado. História da Política Exterior no Brasil. Brasília, Ed
UnB, 2002.
CASTRO, Fernando L. Vale.
Pensando um continente: A Revista Americana
e a criação de um projeto cultural para a América do Sul.
Rio de Janeiro, PUC- Rio, Tese de Doutorado em História, 2007.
SENADO FEDERAL Revista
Americana: uma iniciativa pioneira de cooperação intelectual (1909 –
1919) Seleção de artigos fac-silimar. Brasília, FUNAG / CHDD,
2001.
SKINNER, Quentin. As
Fundações do Pensamento Político Moderno. São Paulo, Cia das
Letras, 1996.
POCOCK, J.G.A . Linguagens do
ideário político. São Paulo, EDUSP. 2003
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