|
ANTONIO MENDES DA SILVA
FILHO
Doutor
em Ciência da Computação (UFPE) |
|
Internet: conectividade e comportamento humano
Antonio Mendes da Silva Filho
“Never let the
future disturb you. You will meet it, if you have to, with the
same weapons of reason which today arm you against the present.”
Marcus Aurelius Antoninus
O ser humano é por natureza um elemento
que necessita viver em sociedade e pode-se até afirmar que também
precisa de comunicação por ser esta uma necessidade intrínseca do
homem. O século XX foi marcado por grandes tragédias e avanços da
humanidade e, especificamente, a última década, i.e. dos anos 90,
marcaram o advento e crescimento em escala quase exponencial da
Internet. Ela tem sido responsável pelo redesenho de como as
organizações atuam assim como mudança de hábito de seus usuários. E,
esse (novo) comportamento dos internautas é a tônica desse artigo.

Figura 1 – Distribuição de usuários da
Internet.
Atualmente, a população mundial é
estimada em aproximadamente 6,6 bilhões de pessoas. Desse total,
cerca de 1,4 bilhão são internautas (isto é usuários da Internet),
segundo dados do
Internet World Stats que monitora dados da
rede. Hoje a América Latina conta com quase 10% dessa fatia o que
corresponde a aproximadamente 140 milhões de usuários. O Brasil,
especificamente, tem 42,6 milhões desse total. Hoje a população
internauta brasileira é de 22,4%. Ainda segundo dados da
Internet World Stats o Brasil é 6º. País em
número de internautas ficando apenas atrás dos EUA, China, Índia,
Japão e Alemanha.
Essa população brasileira de internautas
(de 42,6 milhões) considera o uso em vários ambientes como em casa,
trabalho, escola, universidade, dentre outros. Se o uso for restrito
apenas ao ambiente residencial este número cai para aproximadamente
22 milhões. Dados da
Nielsen/NetRatings apontam que o tempo médio
mensal de navegação na Internet dos brasileiros é de 22 horas e 24
minutos, um líder nesse aspecto. Desse total, segundo dados do
IBGE, mais de 50% é composto de jovens, onde
1/3 tem idade entre 15 e 17 anos. Ainda, conforme IBGE, a idade
média do internauta brasileiro é de 28 anos.
Dados da
Internet World Stats mostram que o crescimento
de uso da Internet foi de 290% a nível mundial e de 660% na América
Latina (incluído o Brasil). Todos esses índices apresentados servem
para fundamentar a mudança de hábito de seus usuários. É ótimo ter
uma ferramenta como esta que nos permite acessar informações, entrar
em contato com amigos, trocar mensagens, fotos e tantas outras
utilidades. Mas, esse crescimento desenfreado tem tornado parte de
seus usuários em verdadeiros "viciados" da Internet, pois eles não
conseguem mais viver sem ela. De excelente ferramenta, a Internet
começa a se tornar uma compulsão, um vício e, porque não dizer, uma
doença.
Uma doença? Sim isso mesmo. A
edição do American Journal of Psychiatry de março de 2008
traz um alerta sobre essa questão que colocam o uso de modo
compulsivo da Internet em jogos, envio de emails, ansiedade por
recepção de emails e mensagens instantâneas, uso intensivo de salas
de bate-papo como sintomas do que compreende um vício ou uma doença.
Esse tipo de dependência ou vício da Internet se enquadra no que é
denominado na Psiquiatria de DSM (Diagnostic and Statistical Manual
of Mental Disorders ou Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens
Mentais). Esse documento lista categorias de desordens mentais e
critérios para se fazer o diagnóstico.
Eu, particularmente, adoro utilizar a
Internet, mas ela nada mais é do que uma ferramenta. Ela me permite
conversar com pessoas amigas e profissionais que estão longe (em
outros cidades e países), permite-me descobrir informações, mas não
todas, pois as informações indexadas pelos engenhos de busca ou
buscadores como Google, Yahoo e outros compreendem uma ínfima
parcela da
Deepnet ou Web invisível (não acessada por
esses buscadores). A Internet é um mundo de informações para os mais
diversos gostos e necessidades. Pode-se brincar (jogar), conversar,
expressar opiniões, assistir a filmes e, obviamente, pesquisar.
Pode-se fazer tanta coisa que, às vezes, alguns ficam um tanto
obcecados. Portanto, seu uso requer cautela. Afinal ninguém quer ser
dependente dela. O uso da Internet de maneira compulsiva ocorre
quando o indivíduo:
-
vive numa grande ansiedade por
recebimento de emails ou mensagens instantâneas;
-
tem obsessão pelo que está
acontecendo na Internet;
-
acessa e usa a Internet por longos
períodos de tempo num dia;
-
troca atividades sociais ou vida
social pela navegação na Internet;
Saber empregar bem o tempo é uma arte. A
vida é feita de escolhas. Você faz suas escolhas e suas escolhas
fazem você. Portanto, faça da Internet uma ferramenta aliada e bom
uso.
Leitores interessados no tópico
podem encontrar mais informações nos sites:
Internet World Stats
Compulsão à Internet
Edição do American Journal of Psychiatry de
março de 2008
O
Profissional da Informação na Era da Conectividade
|
|
versão para imprimir (arquivo em pdf) |