|
por
ANTONIO OZAÍ DA SILVA
Docente
na Universidade Estadual de Maringá (UEM), Doutor
em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e Pós-graduado em
História das Religiões (DHI/UEM)
|
|
Em
defesa da REA e da liberdade de expressão
por Antonio Ozaí da Silva
Primeiro,
é necessário esclarecer que escrevo esta reflexão enquanto indivíduo
e não na qualidade de editor. Sei que essa afirmação é dilemática,
afinal um e outro são a mesma pessoa. Porém, é preciso afirmá-la
para que fique claro que este texto é de minha única e exclusiva
responsabilidade, isto é, não expressa a posição da revista,
considerada enquanto tal, nem muito menos o pensamento do coletivo
dos membros do conselho editorial da mesma.
A
Revista Espaço Acadêmico surgiu em 2001 a partir da iniciativa
de um grupo de amigos e colegas que tinham em comum o fato de
estarem vinculados à Universidade Estadual de Maringá. Nasceu
política e academicamente heterogênea e não se propunha a
representar qualquer coletivo político e/ou grupo envolvido na luta
política acadêmica e extra-acadêmica. Queríamos apenas um espaço
para expressar e divulgar nossas idéias e opiniões, nem mesmo
pretendíamos que a REA tivesse o perfil academicista. Como afirmado
no
Expediente:
Embora adotemos o nome Espaço Acadêmico, não nos
restringimos apenas ao meio acadêmico. Procuramos superar o
academicismo e estabelecer vínculos com os movimentos sociais.
Afinal, uma revista que se pretende crítica, não cumprirá seu
objetivo se reduzir a teoria à pura abstração diletante.
Lembramos que o termo acadêmico tem origem filosófica –
se refere à escola filosófica fundada por Platão, em 388 a.C.,
assim chamada porque ele ensinava filosofia nos jardins do herói
ateniense Academus; com o passar do tempo a palavra
acadêmico passou a ser utilizada tanto pelas sociedades
científicas, literárias ou filosóficas quanto por outras
sociedades desvinculadas do mundo universitário, como as
Academias de Artes Marciais, as Escolas de Samba etc. Ou seja, a
Revista Espaço Acadêmico não se restringe aos espaços formais
onde se produz e se reproduz o conhecimento, hoje excessivamente
disciplinares ou especializados, mas considera de igual
importância os espaços informais, onde também se produz e
se reproduz conhecimentos e saberes e cultura.
Com o passar do tempo, e muito trabalho, a REA
conquistou seu espaço no campo acadêmico e entre a militância das
diversas organizações política e movimentos sociais. O crescimento
acarreta problemas e... mais trabalho. A REA terminou por agregar
outros membros ao seu conselho editorial e precisou adotar
procedimentos que possibilitassem melhor organização e relação com
os leitores e autores-colaboradores; medidas que permitissem manter
a qualidade da revista e garantir o seu caráter plural e
democrático, presente desde as origens. Novamente, recorremos ao
Expediente:
Pluralista desde sua gênese, a Revista Espaço
Acadêmico recusou o enquadramento ideológico e
político-partidário. O debate acadêmico não pode ser autêntico e
dinâmico se estiver prisioneiro dos ismos e da miopia
política ideológica dos que se imaginam senhores da verdade,
amparados em seus castelos de areia construídos dogmaticamente.
A Espaço Acadêmico não se vê na função de converter ninguém a
quaisquer cânones nem se dirige apenas aos convertidos.
Entendemos que a realidade é mais complexa do que os fáceis
maniqueísmos e que os preconceitos e os dogmatismos não são
terrenos férteis para o debate democrático aberto a novas
perspectivas frente a um mundo que exige ir para além do
pensamento convencional.
Eis um aspecto fundamental na trajetória da REA e que
define bem o seu caráter. Existem publicações que funcionam como
espécies de “ilhas” isoladas no mesmo campo político-ideológico –
muitos se referem a elas como “panelinhas”. Os que freqüentam tais
“ilhas” são geralmente os mesmos; são territórios bem-delimitados
cujas fronteiras são protegidas por discursos ideológicos simbólicos
e medidas concretas que impedem o acesso dos “outros”, isto é,
aqueles que não comungam dos mesmos dogmas, que não compartilham das
mesmas verdades e configuram-se em tipos heréticos que devem ser
excomungados ou mantidos à distância. É preciso manter a pureza! São
pequenas fortalezas protegidas contra o impuro e a heterodoxia, mas
que revelam controle dos meios reais e simbólicos necessários à luta
político-ideológica.
Não obstante, considero legítimo que os “iguais”
organizem suas “ilhas”, suas revistas e outros tipos de publicações.
É perfeitamente compreensivo que somem esforços e recursos para
defender opiniões e ideologias políticas. Até compreendo que se
recusem a abrir espaço aos que pensam diferentemente. Ora, que
organizem suas próprias revistas. Aliás, com o advento da internet
essa possibilidade é ampla. É, portanto, um direito legítimo que os
diversos “ismos” se organizem em torno de espaços próprios, mas
pressupõe-se que também reconheçam este direito aos demais. Não é
aceitável que queiram impor suas idéias em espaços que se abrem à
divulgação das mesmas, mas que não se restringem a nenhum “ismo”. É
um absurdo, por exemplo, almejar adaptar a REA à imagem e semelhança
desta ou daquela ideologia específica.
A REA está aberta à manifestação dos diversos
pensamentos presentes no campo acadêmico e extra-acadêmico, mas
recusa a unilateralidade. A REA expressa a soma de diversas
manifestações e o direito dela ser assim, plural e democrática, com
os riscos inerentes a esse caráter, é tão legítimo quanto o direito
de se organizarem revistas restritas a este ou a aquele “ismo”.
Sendo claro, a REA não é marxista, anarquista, nem
muito menos liberalista ou outro “ista” presente no mercado dos bens
simbólicos, mas abre-se à contribuição de todos. A REA não solicita
atestado ideológico nem contrata qualquer instituto de pesquisa para
averiguar a procedência político-ideológica dos seus
autores-colaboradores, nem mesmo em relação ao Conselho Editorial. A
riqueza da REA reside na prática de garantir a expressão plural,
política e temática, a partir do seu corpo editorial. Isso não
significa que concordemos em tudo, muito pelo contrário. Sabemos das
divergências e nem todos nos identificamos com a mesma ideologia,
mas cultivamos o respeito e a tolerância em relação ao que pensa
diferente.
A REA também é criticada por ser excessivamente
“marxista”. Fosse pela vontade de alguns leitores ela não publicaria
textos de autores vinculados ao marxismo. Isso revela incompreensão
quanto ao caráter da revista. A REA não professa a ideologia marxista,
mas também não se define como liberal. Isso não significa que a REA
esteja, como se diz popularmente, “em cima do muro”, mas apenas que
o seu caráter pluralista impõe a recusa a se tornar a expressão de
uma corrente político-ideológica específica. E, se considerarmos as
divergências existentes em cada campo ideológico, a coisa é ainda
mais complicada. Se a REA se definisse pelo “caráter marxista”,
caberia perguntar: qual marxismo? E como atestar a autenticidade de
cada marxismo? Qual se vincula exatamente à tradição? Em que
consiste essa tradição? No marxismo-leninismo, stalinista ou
trotskista? Na obra de Marx e Engels? Mas essa não teria que ser
interpretada ou adotaríamos uma das exegeses disponíveis? Por outro
lado, se ela se assumisse liberal, a questão permaneceria: qual
liberalismo? De qualquer forma, se esta definição ocorresse, seria o
fim da REA.
O caráter pluralista da REA indica também a abertura
para manifestações crítica ao liberalismo, mas também aos marxismos.
Recusamos são os maniqueísmos inerentes às exigências dos que
dividem o mundo entre os “puros” e os “impuros”, entre os salvadores
da humanidade e os bárbaros, o bem e o mal, o justo e o injusto, os
que adotam a “linha justa” e os que precisam ser combatidos pelos
seus erros “objetivos” e/ou subjetivos. A REA não se presta a esse
enquadramento, mas isso não significa que advogue a neutralidade:
É simples: não somos, nem pretendemos ser, uma
organização política-partidária e/ou sindical. Também não
aceitamos o pensamento monolítico, seja à esquerda ou à direita.
Mas, não temos ilusões. A realidade mundial e os ventos que
sopram em nossa época exigem posicionamentos. Uma teoria crítica
não será crítica se utilizar o biombo da propalada neutralidade
científica. Tomamos posições, mas não obrigamos os outros a
tomar as mesmas posições. Nos situamos no mesmo campo do
pensamento crítico à realidade política-social vigente e às suas
manifestações (Do
Expediente).
Mais claro impossível!
A organização da REA
“Como é possível que “fulano” publique na REA todo
mês enquanto que o meu artigo ainda não foi publicado?”, questionou
o autor-colaborador. Outro criticou o fato da REA ter publicado
texto que, em sua avaliação, não teria méritos acadêmicos,
comprometeria a qualidade da revista, além de expressar uma postura
política de direita, isto é, antimarxista.
A respeito dessa última crítica, parece-nos
suficiente a argumentação anterior. Contudo, é interessante observar
que a crítica ao que seria uma postura política direitista na REA é
apresentada em casos bem específicos, ou seja, na medida em que ela
publica textos que polemizam com setores marxistas. Na luta
política, os rótulos não são inocentes e tachar alguém de direita
implica em desqualificá-lo enquanto interlocutor legítimo. Por outro
lado, também devemos considerar que, em certas circunstâncias,
questões pessoais ganham significado político e o status de
“divergência ideológica”.
Chamo a atenção a este fato porque mensalmente são
publicados diversos artigos “acadêmicos” sobre os mais diversos
temas e, é claro, não é a posição política dos seus autores que está
em foco. Nem sempre o tema sobre o qual escrevo implica na exposição
explícita da minha postura política ideológica; o que escrevo, a
depender do assunto e da forma como abordo, não indica
necessariamente qual a minha posição político-ideológica. O que
fazer? Investigar se cada autor é de direita ou de esquerda? Qual
esquerda? Numa revista como a REA espera-se que a avaliação se
restrinja ao mérito acadêmico do trabalho proposto à publicação. Não
me incluo entre os que advogam a neutralidade científica, mas seria
ridículo estabelecer esse tipo de censura. Se esse ou aquele autor
se esconde sob a fachada da cientificidade e do academicismo, cabe
ao leitor desvendar esse aspecto e, se considerar oportuno, fazer a
crítica.
Não cabe à REA perguntar sobre a posição política do
autor, enquanto critério para a publicação do seu trabalho. Como
qualquer revista ela tem critérios de avaliação e procedimentos
padrões. Se uma revista se declara “marxista”, por exemplo, ela
simplesmente recusa considerar os trabalhos que não se encaixam em
seu perfil – aliás, os próprios autores têm o bom senso de, se não
se enquadram nessa perspectiva teórica, política e ideológica, não
enviar textos à apreciação da mesma. É legítimo e um direito da
revista delimitar seu campo de ação e aceitação de artigos. Porém, a
REA, enquanto uma revista aberta, pluralista e democrática, deve
adotar procedimentos que correspondam a este caráter. O modo como
ela funciona responde às indagações colocadas e é preciso expô-lo
para que, definitivamente, afaste as confusões que, ora ou outra,
são manifestadas.
Em primeiro lugar, e isto está relacionado ao caráter
da REA, é necessário ter bem claro que os artigos publicados
expressam apenas e tão somente a opinião dos respectivos autores.
Como está escrito no próprio site: “Os artigos publicados não
expressam necessariamente a opinião da revista e são de
responsabilidade exclusiva dos autores”.
Segundo, os membros do Conselho Editorial da REA são
considerados colunistas fixos e, enquanto tal, todos têm o direito
de publicar mensalmente. Os textos dos colunistas não passam por
processo avaliativo interno; o editor recebe e, simplesmente,
publica. Não cabe ao editor entrar no mérito do texto, nem muito
menos censurar, mas apenas organizar a publicação. É claro, mas é
necessário afirmá-lo, que dada a pluralidade da REA e o critério
adotado, os textos publicados não contam necessariamente com a
concordância do editor ou dos demais membros. Como afirmado acima, e
com o risco de ser redundante, os artigos são de responsabilidade
dos seus respectivos autores.
Terceiro, a REA também está aberta à apreciação de
artigos enviados por autores que não compõem o seu Conselho
Editorial, isto é, dos “autores-colaboradores”. Há dois tipos
de colaboração: 1) a que é solicitada, como por exemplo a publicação
de dossiês, e, eventualmente, contribuições que correspondem ao
interesse editorial da revista; 2) textos enviados por iniciativa
dos autores. Neste último caso, o procedimento padrão consiste em:
1º. Confirmar se o artigo é inédito e
encaminhá-lo à apreciação do comitê editorial, composto por três
membros do conselho editorial, os quais exercem essa função por
determinados períodos;
2º. Se aprovados pelo comitê editorial, são
encaminhados à apreciação de um dos consultores da revista (a
avaliação é cega, isto é, não é identificado a autoria do autor
e nem do parecerista);
3º. Se o parecer for desfavorável, o autor tem a
opção de dar prosseguimento à avaliação e, a depender do seu
interesse, é encaminhado a segundo parecerista;
4º. Em caso de divergências entre os pareceres
cabe ao comitê editorial avaliar e decidir.
5º. O fluxo é permanente, os interessados podem
submeter seus trabalhos à apreciação a qualquer momento.
É assim que a REA se organiza e, como qualquer
revista, tem o direito de decidir a forma que considera mais
apropriada para tal. Perante esta, a única maneira de não publicar
um artigo/resenha de um dos membros do Conselho Editorial, é que o
mesmo deixe de fazer parte deste, ou seja, que não seja mais
colunista e, assim, passará a ser avaliado segundo os procedimentos
adotados para os autores-colaboradores. Parece-me que isto responde
às indagações acima.
Em suma, e para que fique bem claro, os colunistas
(membros do Conselho Editorial) são autores fixos e permanentes,
publicam na medida em que enviam e não há qualquer avaliação interna
a respeito dos seus artigos. Pautamo-nos pelo critério da confiança
recíproca, responsabilidade mútua e o respeito à liberdade de
expressão de cada individuo que compõe o conselho editorial.
Sobre liberdade de expressão
A garantia da liberdade de expressão implica
desresponsabilização do editor e/ou do conselho editorial diante do
que é publicado por um dos seus membros? Em qualquer sociedade e
circunstância a liberdade nunca é plena. A liberdade descomprometida
e desvinculada da responsabilidade e responsabilização diante dos
atos que cometemos não é liberdade, mas licenciosidade e, no limite,
indica irresponsabilidade. Partimos do pressuposto de que os membros
do conselho editorial, considerados individualmente, não têm a
intenção de prejudicar a REA e, neste sentido, são responsáveis
perante a mesma; ou seja, exercem o direito de publicarem
respeitando o caráter e a política editorial da mesma. Na medida em
que firam a confiança reciprocamente depositada poderão ser cobrados
pelos demais.
O limite que a política editorial impõe não diz
respeito à posição política e ideológica; não é uma condição que o
membro do conselho editorial declare concordância com esta ou aquela
ideologia, este ou aquele “ismo”. Aliás, se este fosse um critério
condicionante, a REA simplesmente não existiria enquanto tal, não
teria sobrevivido por sete anos de publicação mensal e ininterrupta.
Os colunistas devem levar em consideração o que está escrito no
expediente da revista:
Se do ponto de vista político-ideológico travamos
o bom combate pelo respeito ao outro e o debate conseqüente em
torno das idéias (e não das pessoas), não aceitamos a postura
inconseqüente de que na democracia tudo é permissível. A
Espaço Acadêmico não veicula conteúdos racistas, sexistas ou
que firam a integridade das pessoas.
Eis os critérios aos quais todos os membros do
conselho editorial, considerados também individualmente, se
responsabilizam. Considerações de cunho político-ideológico devem
ter ampla liberdade de expressão. Se, por exemplo, defendo o voto
nulo, não é preciso que os demais concordem; se sou crítico do
governo petista ou declaro simpatias libertárias, a responsabilidade
diante disso é minha e, na medida em que me manifesto, me sujeito à
crítica tanto de colegas do conselho editorial quanto dos leitores
em geral. Da mesma forma, seria inconseqüente obstruir a publicação
deste ou daquele artigo porque o mesmo revela uma postura
autoritária, ainda que de esquerda, do autor; e, ainda, criar
constrangimentos ao autor que porventura revele uma postura crítica
ao marxismo autoritário daquele. Todos devem ter a liberdade de se
exprimir, de manifestar-se. Este é um princípio básico da REA, o que
não significa que tudo seja permitido. O debate, por exemplo, deve
obedecer a determinadas normas que o bom senso indica, como evitar
as agressões verbais e pessoais.
A liberdade de expressão, bem claro, diz respeito à
liberdade política, isto é, ao direito de divergir politicamente de
qualquer ideologia; nenhum “ismo” deve ser tomado como absoluto,
sagrado ou dogma. A REA está aberta inclusive aos dogmáticos e deve
garantir a liberdade deles expressarem; o que não é aceitável é que
estes, em nome das verdades que acreditam, queiram impor e limitar a
liberdade dos seus críticos se manifestarem na REA.
Concluindo
Nestes sete anos da sua existência a REA seguiu esses
princípios e me parece que isto constitui a sua originalidade e um
dos principais aspectos que contribuíram para o seu reconhecimento e
consolidação. A diversidade temática e política amplia as
possibilidades do diálogo crítico em torno das mais variadas
manifestações no campo acadêmico e extra-acadêmico. Esse perfil a
predispõe às pressões de todos os lados, mas isso é normal e
inerente ao seu modus operante . A REA deve, inclusive
garantir o espaço para que as pressões se manifestem e, claro,
esclarecer – até porque certas críticas revelam simplesmente
ignorância quanto ao seu caráter e funcionamento, o que leva a
confundir a posição do autor “X” com a revista em seu conjunto.
Não precisamos gostar uns dos outros nem muito menos
concordarmos sobre questões políticas. Não obstante, é preciso que
façamos o esforço de respeitar uns aos outros, tolerar e compreender
que todos temos o direito de pensar diferente. Do contrário,
corremos o risco de que a nossa utopia nada mais seja do que a
repetição, de maneira trágica, do pesadelo totalitário tão bem
descrito em obras como “A revolução dos bichos” e “1984”, de George
Orwell. O melhor antídoto contra o obscurantismo, da direita ou da
esquerda, é garantir as condições para que a liberdade de expressão
seja efetivamente praticada. Essa liberdade, como afirmou Rosa
Luxemburgo, é sempre a liberdade de quem pensa diferente. A
restrição à liberdade de expressão fortalece o obscurantismo, e não
o contrário.
|
|
versão para imprimir (arquivo em pdf)
|