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PAULO MEKSENAS
Sociólogo e Doutor em
Educação. Pesquisa as temáticas que envolvem a Cidadania de
Classe Social; a Relação Estado e Sociedade Civil e temas
correlatos à Modernidade no Brasil. Atualmente é professor
adjunto IV do Centro de Educação da Universidade Federal de
Santa Catarina, lecionando na Graduação em Pedagogia

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O Conceito de
Homem Público para Antonio Vieira: entre o justo e o iníquo
por Paulo Meksenas
Vieira inicia o Sermão do Bom Ladrão
destacando a diferença de estar ali, pregando na Igreja da
Misericórdia de Lisboa
com uma prédica cuja referência mais oportuna seria a Capela Real.
Detrás desta afirmação o leitor percebe, no desenrolar dos
argumentos vieiranos, que a sua crítica dirige-se ao fato de, a
Capela Real, ser visitada e freqüentada por reis e homens públicos e
é a eles que Vieira quer dedicar essa predica. Já na Introdução
afirmou:
Nem os reis podem ir ao Paraíso sem levar consigo
os ladrões, nem os ladrões podem ir ao inferno sem levar consigo
os reis. Isto é o que hei de pregar: Ave Maria. [...] Mas o que
vemos praticarem todos os reinos do mundo, é tanto pelo
contrário, que vez de os reis levarem consigo os ladrões ao
Paraíso, os ladrões são os que levam consigo os reis ao Inferno
(VIEIRA, 1945, tomo V: 60 e 61).
O
homem público deveria agir de modo a coibir a ação gatuna. Seu
exemplo poderia angariar adeptos ao uso da honra e honestidade, mas
ocorre justamente o contrário e Vieira propõe-se a investigar o
fato: seriam reis a inspirarem os ladrões ou estes seriam os
inspiradores dos primeiros? Ou, ainda, em termos hodiernos
indagamos: o contexto sócio-político do exercício do poder não
oferece outro recurso senão ao governante corromper-se como o preço
que paga para manter-se no poder ou, é a ação corruptora do homem
público que produz uma estrutura que impele a sociedade para a
gatunagem? Veremos adiante como Vieira respondeu ao problema que
formulou no século XVII. Entretanto, vale lembrar que o filósofo
José Arthur Giannotti escreveu, recuperando uma velha frase de
Lênin, em artigo publicado na Folha de São Paulo no ano de 1995, que
“não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos” e o
escreveu para defender a presidência de Fernando Henrique Cardoso,
justificando a sua recente opção por reformas conservadoras e
designadas por neo-liberais e, à par disso, defendendo a onda de
privatizações das empresas estatais e que ora iniciaram, entre as
quais, a histórica Siderúrgica Vale do Rio Doce. (AZEVEDO, 2006).
Esqueceu-se Giannotti de afirmar que o “quebrar ovos” significava
ceder aos atos de malversação do dinheiro público e na garantia do
que, ironicamente, chamavam por “utopia do possível”. Vemos que essa
atitude voltou à cena no primeiro mandato do presidente Luis Inácio
Lula da Silva e frente ao escândalo do “mensalão”.
Nesse outro episódio a tal frase voltou a ser utilizada, agora pela
esquerda. Ora é justamente contra a “ética” do “quebrar os ovos para
se fazer uma omelete” que Viera já se insurgia no século XVII, tendo
na corte portuguesa no seu foco. Ou seja, Vieira não admitia a
possibilidade do governante corromper, como se essa atitude fosse o
preço a pagar para manter-se no poder. Assim, o autor em destaque
oferece elementos à crítica do “fazer a utopia do possível”.
Assim é que a obra de Vieira, no que concerne ao
estudo da administração de Estado, emerge na contra corrente do
pensamento da ciência política moderna que floresceu a partir de
Maquiavel, sobretudo, quando realiza a crítica do príncipe [o homem
público] tendo em mente os conceitos de lei positiva e justiça, que
decorrem de Tomás de Aquino.
Nessa linha de pensamento, define-se a Lei
Positiva com aquela que é elaborada pela humanidade de modo a
possibilitar a vida societária. Esta lei se subordina à Lei
Natural e não pode contrariá-la sob pena de se tornar em lei
injusta. Ora, como não há a obrigação em obedecermos à lei
injusta, a lei positiva, torna-se o fundamento objetivo e racional
da verdadeira objeção de consciência. Nesse contexto a Justiça
consiste na disposição constante da vontade em dar a cada um o que é
seu - suum cuique tribuere - e se classifica em Comutativa,
Distributiva e Legal, conforme se faça entre iguais, do soberano
para os súditos e destes para com aquele, respectivamente.
É interessante notar que o Pe. Antonio Vieira partiu
da noção de justiça comutativa e justiça distributiva para criticar
o modo pessoal, centrado no privilégio, que era utilizado para a
distribuição dos cargos públicos e que, a seu ver, deveria seguir
uma outra lógica, a do profissionalismo em lugar do mandonismo.
Aqui, o sermonista constatou que o governo-geral da Colônia,
distante da Metrópole, poderia cometer abusos que o rei de Portugal
sequer suspeitasse e nesse caso, diz,
Mas se os reis tão fora estão de tomar o alheio,
que antes eles são os roubados, e os mais roubados de todos,
como levam ao Inferno consigo maus ladrões a estes bons reis?
Não por um só, senão por muitos modos, os quais parecem
insensíveis e ocultos, e são muito claro e manifestos. O
primeiro, porque os reis lhes dão os ofícios e poderes, com que
roubam: o segundo, porque os reis os conservam neles: o
terceiro, porque os reis os adiantam e promovem a outros
maiores: e finalmente porque sendo os reis obrigados, sob pena
de salvação, a restituir todos estes danos, nem na vida, nem na
morte os restituem. E quem diz isto? Já se sabe, que há-de ser
S. Tomás (...) Aquele que tem a obrigação de impedir que se não
furte, se não o impediu, fica obrigado a restituir o que se
furtou. E até os príncipes, que por sua culpa deixarem crescer
os ladrões, são obrigados à restituição; porquanto as rendas com
que os povos servem e assistem, são como estipêndios instituídos
e consignados por eles para que os príncipes o guardem e
mantenham em justiça
(VIEIRA, 1945 – tomo V: 70).
O leitor pode observar claramente que o inaciano em
questão, ao criticar o modo como os cargos públicos são preenchidos
por razões pessoais e muito pouco técnica, fundamenta uma outra
prática e que, a seu ver, orientaria o preenchimento de tais cargos
de modo ético: a meritocracia. Isso nos remete a uma indagação: ato
corrupto deve-se mais à ação do corruptor ou decorre de estruturas
corruptas? Veira parece indicar que o problema é mais institucional
e menos do sujeito. Neste ponto é preciso aprofundar e relacionar a
questão da ocupaçao do cargo público na ordem institucional que
responde pela adminstração da coisa pública
Em época que a idéia de competência sequer existia,
Pe. Antonio Vieira lançou as bases, agora com matiz moderno, do que
entendia como o antídoto da corrupção de Estado: a reparação da
injustiça que busque a afirmação do justo por meio do merecimento
que o homem público deve ao cargo público. E Vieira começa a
exemplificar isso por meio do mito aonde Deus busca reparar uma
injustiça cometida por Adão ao gênero humano. Este último, ao comer
a maçã proibida,
lançou a humanidade em miséria e Deus foi obrigado a vestir-se no
corpo humano e a padecer na cruz para reparar o erro de Adão. Diz o
sermonista, e com tudo isso, pagava o que não furtou: Adão foi o
que furtou e Deus foi quem pagou. Ora, se até o Príncipe
dos príncipes foi obrigado a reparar uma injustiça da qual não a
cometeu, mas apenas designou o homem de oficio e este, por sua vez,
foi quem o fez, então o que dizer dos simples mortais? Indagou
Vieira! E com essa parte de sua prédica ainda insistiu:
Porque quero dar este exemplo e documento aos
príncipes; e porque não convém que fique no mundo uma tão má e
perniciosa conseqüência, como seria, se os príncipes se
persuadissem em algum caso, que não eram obrigados a pagar e
satisfazer o que seus minstros roubassem
(VIEIRA, 1945 – tomo V: 72).
Novamente, este pesquisador repete e, agora,
literalmente: em
época que a ideologia da competência inexistia. o Pe. Antonio Vieira
lançou as bases do que entendia como o antídoto da corrupção de
Estado: a ação pública meritocrática, isto é, apenas a realização de
concursos públicos com base na competência de oficio é que permitirá
ao príncipe obter um corpo de funcionários profissionais. Estes, por
sua vez, poderiam cometer delitos? Sim, Vieira não o nega, mas a
chance sempre é menor do que ao se evitar a ordem meritocrática no
preenchimento dos cargos de Estado, pois,
A porta por onde legitimamente se entra ao
ofício, é só o merecimento; e todo o que não entra pela porta,
não só diz Cristo que é ladrão: Fur est, et latro. E porque é
duas vezes ladrão? Uma vez porque furta o ofício, e outra vez
pelo que há-de furtar com ele. O que entra pela porta, poderá
vir a ser ladrão, mas os que não entram por ela já o são. Uns
entram pelo parentesco, outros pela amizade, outros pela valia,
outros pelo suborno, e todos pela negociação. E quem negocia não
há mister outra prova; já se sabe que não vai a perder. Agora
será ladrão oculto, mas depois ladrão descoberto, que essa é,
como diz S. Jerônimo, a diferença de fur a latro
(VIEIRA, 1945 – tomo V: 73).
Há muita semelhança nessa advertência com a dinâmica
do poder no Brasil contemporâneo. Uma pesquisa antropológica
indicou que a idéia da troca de benefícios públicos por votos e
apoio político marca a dinâmica que se estabelece na Comissão de
Orçamento do Congresso Nacional do Brasil, com os demais
Congressistas, divididos segundo a força de alguns poucos. Diz
Bezzerra,
Assim, as relatorias responsáveis pela realocação
de recursos em áreas como educação, saúde, infra-estrutura
(saneamento, eletrificação) e órgãos como DNER e Rede
ferroviária são disputadas e ocupadas por parlamentares dos
maiores partidos. (...) A pressão dos parlamentares sobre os
relatores é um elemento essencial no processo de definição das
emendas que passam a constar no projeto de lei. Quando deixa de
ser realizada, o parlamentar automaticamente tem suas emendas
excluídas do processo de avaliação (1999: 85).
Em outros termos, o que define o movimento dos
recursos financeiros no interior do Legislativo Federal no Brasil
Contemporâneo – a citada pesquisa é de 1998 – não refere-se a
competência da emenda orçamentária a que se relaciona, mas de quem a
escreveu: o interesse na ação é substituído pelo interesse na
pessoa. É a lógica patrimonial e que ainda impera no Brasil, muito
depois de Vieira. Um importante sociólogo registra tal
característica da formação social brasileira:
A história contemporânea do Brasil tem sido a
história da espera do progresso. Como o progresso não veio,
senão de um modo insuficientemente lento, essa história se
transformou na história da espera da revolução. Mas a revolução
também não veio (afinal, devia ser esperada ou devia ser
feita?). Na verdade, a história da sociedade brasileira tem sido
uma história inacabada, uma história que não se concluí uma
história que não chega ao fim de períodos definidos, de
transformações concluídas. Não é uma história que se faz. É uma
história sempre por se fazer (MARTINS, 1994:11).
Vale notar que a origem desta história, que está
sempre por se fazer, deita suas raízes no clientelismo político
constituído como uma relação de troca de favores políticos por
benefícios econômicos, não importando em qual a escala. Diz ainda
Martins,
A Coroa portuguesa, por pobreza ou avareza,
recorria ao patrimônio dos particulares para a realização dos
serviços públicos, pagando, em troca, com o poder local e
honrarias, isto é, com nada. Esse nada, porém, tinha a virtude
real ou potencial de poder ser convertido em riqueza, terras e
dinheiro (...) na sociedade brasileira, a modernização se dá no
marco da tradição, o progresso ocorre no marco da ordem.
Portanto, as transformações sociais e políticas são lentas, não
se baseiam em acentuadas e súbitas rupturas sociais, culturais,
econômicas e institucionais (1994: 30).
É possível questionar as opiniões do eminente
sociólogo José de Souza Martins no que se refere ao fato de que a
Coroa Portuguesa recorria ao financiamento privado na garantia do
bem público [da Coroa] por “pobreza” ou “avareza”. Na verdade um
estudo mais atendo indicaria que a Metrópole Portuguesa não era nem
pobre e menos ainda, avara. Aqui devemos lembrar que a expansão
mercantil no reino lusitano deu-se geograficamente de forma extensa,
se pensar em termos do espaço colonial efetivamente colonizado. Por
outro lado, deu-se também modo pouco intenso, uma vez que os
contingentes populacionais portugueses não eram significativos
frente à abrangência territorial da empresa colonial.
Conclusão: por ma ação
política ética
Escrevendo cronologicamente após Maquiavel e mesmo
sem citá-lo, Vieira afirma-se como um anti-Maquiavel no
sentido de formular a crítica à racionalidade moderna, que reduz a
política às operações de cálculo e faz dela um espaço em que a ética
e a moralidade sucumbe à estratégia. Representante de outro
projeto de modernidade, o vencido, Vieira, não abdica da ética
política em favor da estratégia política.
O que está em jogo neste ponto é: deve a postura
ética subordinar-se às estratégias de governo ou, ao contrário, toda
e qualquer estratégia deve submeter-se ao crivo da postura ética?
Antes de refletir sobre o modo como Vieira tratou desta questão,
vale indicar que estratégia é um conceito sociológico e a
indicar uma determinada qualidade da ação social frente aos
processos de racionalização, presentes no mundo moderno. Segundo Max
Weber, n’A ética Protestante e o Espírito do Capitalismo (1983),
agir de acordo a priorizar a estratégia consiste em calcular
uma ação de forma a adequar os meios aos fins propostos. Aqui, os
meios não possuem um valor intrínseco, isto é, não podem ser
avaliados em si mesmos, isto é, no âmbito de uma estratégia nunca
podemos julgar se os meios para atingir um determinado fim são bons
ou maus, apenas se funcionam ou não, pois são medidos à luz de sua
eficácia. Já a postura ética centra-se no julgamento da ação
e, nesse caso, caberia discernir se os meios para atingir um
determinado fim são bons ou maus; justos ou injustos. Conclusão, a
postura ética é incompatível com estratégia. Bem assim, retornemos a
questão em foco: deve a postura ética subordinar-se às estratégias
de governo ou, ao contrário, toda e qualquer estratégia deve
submeter-se ao crivo da postura ética? É óbvio que essa pergunta não
se coloca quando pensamos nos termos vieiranianos, pois, como um é
incompatível com o outro podemos apenas escolher entre a adoção de
estratégias ou de posturas éticas no exercício de governo. Frente a
essa escolha é óbvio que Vieira fica com a segunda, isto é, descarta
a estratégia de governo e assume a defesa da postura ética
de Estado. Porém, essa escolha não era tão óbvia no seu tempo,
assim como hoje também não o é. Se voltarmos à tradição da ciência
política moderna, que começa com Nicolau Maquiavel (1469-1524),
escrevendo muito antes de Antonio Vieira (1608-1697), é de se notar
que a estratégia de governo supera ao ideal ético de Estado.
Diz o Florentino:
Não pode um príncipe de prudência, nem deve
guardar a palavra empenhada quando isso lhe é prejudicial e
quando os motivos que o determinam deixarem de existir. Se todos
os homens fossem bons, tal preceito seria mau. Mas, considerando
que são pérfidos, e não guardariam a teu respeito, também não
estás obrigado a cumpri-la para com eles. Nunca faltaram aos
príncipes motivos para dissimular quebra de fé jurada. De tal,
incontáveis exemplos modernos poderiam ser dados, demonstrando
quantas convenções e promessas tornaram-se írritas e vãs pela
infidelidade dos príncipes. E, dentre estes, aquele que melhor
se valeu das qualidades da raposa, venceu. Necessário,
entretanto, é disfarçar muito bem esta qualidade e ser bom
simulador e dissimulador (MAQUIAVEL, 1977:99).
Ao atentarmos para a citação de Maquiavel, vale
destacar a frase onde afirma que nunca faltaram aos príncipes
motivos para dissimular quebra de fé jurada, quer dizer, os fins
podem ser alcançados quando os meios são eficazes para tal. Vemos a
defesa da estratégia de governo como atitude que é medida por sua
eficiência e diz respeito à funcionalidade ou não da ação política.
Tal frase nunca poderá ser entendida sobre a perspectiva da
moralidade. Em direção oposta, Vieira nos lembra:
porque não convém que fique no mundo uma tão má e
perniciosa conseqüência, como seria, se os príncipes se persuadissem
em algum caso, que não eram obrigados a pagar e satisfazer o que
seus minstros roubassem
(VIEIRA, 1945 – tomo V: 72). Desse modo que entre
estratégia e ética, Vieira escolhe a segunda e com isso, torna-se um
anti-Maquiavel. Aqui poderíamos indagar: quais os riscos da atitude
defendida por Vieira, caso ela seja adotada por um homem público?
Aqui recorremos a Agnes Heller já prelecionou,
A vida cotidiana está carregada de alternativas,
de escolhas. Quanto maior é a importância da moralidade, do
compromisso pessoal, da individualidade e do risco (que vão
sempre juntos) na decisão acerca de uma alternativa dada, tanto
mais facilmente essa decisão eleva-se acima da cotidianidade e
tanto menos se pode falar de uma decisão cotidiana (2004:24).
Se aquilo que pauta a ação do príncipe
[governante – o homem público, responsável pela administração da
coisa pública] são valores, obviamente ele defrontará as
possibilidades que se estabelecem entre as dicotomias do bom e do
mau; do certo e do errado; do justo e do injusto; do bem e do mal.
Nesse caso, suas escolhas responderão ao fato de que ele deseja ou
não romper com a vida cotidiana, pois a sua meta é a revolução. Em
caso afirmativo o príncipe [governante – o homem público,
responsável pela administração da coisa pública] tornar-se-á um
militante e descartará a estratégia do seu horizonte de ação para
adotar a postura ética, sabendo que, uma escolha pessoal sempre
sucumbe aos imperativos da história e, portanto, uma escolha
pessoal, quando militante, é uma escolha de risco e apenas
assim, a sua escolha pode elevar-se acima da cotidianidade
[por ser revolucionária] e tanto menos se pode falar de uma
decisão cotidiana.
E assim, esta conclusão se encerra com uma pergunta:
qual a possível relação da crítica dos administradores públicos com
a crítica do trabalho do intelectual? Ou, é possível admitir que o
sujeito da administração pública pode afirmar-se como o mesmo
sujeito do trabalho intelectual e militante? Ora, se admitirmos tal
indagação como afirmativa, restará pensar como Vieira poderia nos
ajudar a pensar o modo como se dá e as conseqüências da articulação
entre trabalho da administração pública e trabalho dos intelectuais
institucionalmente inseridos no Estado, mas este é um tema para
pesquisa posterior.
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