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Educação:
fator determinante de desenvolvimento
por Antonio Mendes da Silva Filho
“The
foundation of every state is the education of its youth”.
Diogenes Laertius
Educação é um catalisador e, portanto, fator
determinante no desenvolvimento de qualquer nação. A educação é a
principal ferramenta para capacitar o capital humano qualificado,
cada vez mais necessário, na era atual. Sem qualificação é,
praticamente, impossível a uma nação se manter e competir na era do
conhecimento. Dados da
UNESCO mostram que a América Latina possui um
percentual 4.4%, do total do PIB(Produto Interno Bruto), de
investimento em educação. Já América do Norte e Sudeste Asiático
têm, respectivamente 3.6% e 5.6%. Esses números servem para
demonstrar as preocupações dos governos com a educação, pois ela
determinará quem dominará o século atual.
Três exemplos de países dessa região são destacados
com dados (extraídos do
FactBook da CIA) na tabela abaixo.
|
País |
PIB US$ |
Renda Per Capita
US$ |
% Atividade
Econômica |
|
Agricultura |
Indústria |
Serviços |
|
Brasil |
1.84 Trilhões |
9.7 mil |
5.1 |
30.8 |
64 |
|
Estados Unidos |
13.86 Trilhões |
46.0 mil |
0.9 |
20.6 |
78.5 |
|
Cingapura |
222.7 Bilhões |
48.9 mil |
0.0 |
33.7 |
66.3 |
Observem os dados acima. Brasil e Estados Unidos são
dois países que possuem dimensões continentais. Dados da UNESCO
apontam que ambos têm investido aproximadamente 5% do PIB em
educação. Se olharmos esses números e verificarmos os PIB’s das duas
nações, percebe-se que os EUA têm significativa vantagem sobre o
Brasil, mas não tanta sobre Cingapura. Apenas para dar uma idéia, os
países do Sudeste Asiático investem menos de 3% em educação e ainda
assim têm resultados melhores. Os países dessa região e, dentre
eles, Cingapura têm tido expressivo crescimento econômico.
Cingapura tem crescido a taxas de cerca de 10% ao ano
e tem investido pesadamente em educação e capacitação de pessoal. Em
outras palavras, em capital humano. Imagine esse pequeno país de 617
Km2 (um tamanho bem menor que o estado de Alagoas) ter
conseguido a proeza de ter renda per capita de quase US$ 49.000 e,
portanto, acima dos EUA. Isso é resultado de investimento constante
em educação ao longo das últimas décadas. Sua população é,
principalmente, de origem chinesa, apesar ter diversidade e
tolerância racial. Os fatores apontados acima e o baixo índice de
criminalidade têm motivado a atração de novos investimentos e
negócios.
Se observarmos cautelosamente os dados acima,
ver-se-á que os outros indicadores como elevada renda per capita,
baixo índice de criminalidade e atração de novos investimentos é
tudo resultado de uma população educada e capacitada. Mais de 95% da
população de Cingapura é alfabetiza (i.e. tem capacidade de ler e
escrever). Além disso, o Inglês é usado em ambientes de trabalho e
negócios.
Você deve estar se perguntando como o Brasil pode
atingir os níveis de renda per capita dos EUA e Cingapura. Não há
outro caminho senão pela educação. Dados do MEC indicam que o
Brasil investe cerca de 4% em educação. É pouco, muito pouco, pra
não dizer pouquíssimo. O país precisa elevar os níveis de educação
do país a fim de dar suporte a tendência de crescimento econômico
que começamos a vivenciar. Se isso não for feito ontem, o Brasil
continuará a amargar o velho adágio de “o país do futuro”.
O governo brasileiro precisa ser mais ousado e
investir pesadamente em educação nos três níveis, ou seja, 1º, 2º e
3º graus. As escolas públicas devem prover suporte maior na educação
básica. O ensino de 3º grau (nas universidades) precisa ter sua
qualidade melhorada de modo a capacitar melhor os profissionais
necessários pelo mercado. Do contrário, num futuro bem próximo (digo
em 2 a no máximo 3 anos) haverá a necessidade de importar mão de
obra qualificada a fim de atender as necessidades das empresas.
Desenvolvimento se faz com conhecimento, com profissionais
qualificados e isso requer um pilar que é a educação.
Espero que o nosso presidente Luís Inácio Lula da
Silva (pernambucano que nem este autor) tenha oportunidade de ler
esse artigo e que seja suficientemente ousado como fez os governos
da Coréia do Sul e Irlanda que investiram cerca de 8% do PIB em
educação. Trata-se de um investimento cuja colheita virá ao longo da
próxima década. O Brasil é o país do futuro, mas é preciso fazer
agora, plantar agora para que nossos filhos possam colher os frutos
amanhã.
Leitores interessados no tópico podem encontrar mais
informações no sites:
http://portal.mec.gov.br/
http://www.espacoacademico.com.br/075/75amsf.htm
http://www.sg/explore/profile_people.htm
http://www.uis.unesco.org/template/pdf/EducGeneral/Factsheet07_No6_EN.pdf |