Viagens, França, IUFM y otras cositas más
por Afrânio Mendes Catani
Logo que terminei o bacharelado em
Administração Pública na Escola de Administração de Empresas
de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), em
meados de 1975, na qualidade de bolsista do governo do
Estado de São Paulo, fui para a França, num momento político
não dos mais tranqüilos no Brasil, ainda em plena ditadura
militar. Aproveitei o preço relativamente barato do bilhete
aéreo e a oferta de um amigo, hospedando-me por um bom tempo
em Paris, permitindo que eu me familiarizasse com o campo
acadêmico francês, que conhecia apenas precariamente,
através da leitura de trabalhos vinculados à sociologia da
educação e da cultura e de aulas com professores da
graduação, em especial com Sergio Miceli e José Lessa Mattos
Silva. Em seguida viajei para outros países da Europa e
regressei no final do ano, iniciando em 1976 o mestrado em
Sociologia na FFLCH da USP.
Fui seguindo minha carreira acadêmica em
várias instituições de educação superior e publicando
artigos em periódicos, livros e capítulos de livro, além de
ter defendido o mestrado (1984) e o doutorado (1992) em
Sociologia. Trabalhando na Faculdade de Educação da USP
desde 1986, no início dos anos 90 passei a integrar a
Comissão de Graduação da unidade e, em razão de um acordo de
cooperação entre o Institut Universitaire de Formation des
Maîtres de Reims e a FEUSP, fui designado, em 1994, para ser
o docente responsável para chefiar a delegação brasileira,
com mais 11 de nossas alunas. Na realidade, o referido
acordo de cooperação havia chegado a bom termo graças aos
esforços da Professora Marília Pontes Sposito e dos colegas
franceses Elie Bajard e Jean-Luc Mathieu, sendo o Prof. João
Theodoro d´Olim Marote, da FEUSP, quem delineou os primeiros
intercâmbios, envolvendo estudantes de ambos os países. Com
minha colega Helena C. Chamlian fiquei responsável por duas
idas de brasileiros à Europa e pela recepção de duas
delegações francesas que nos visitaram.
Bem, mas o fato é que fiquei quase vinte
anos, de 1975 a 1994, sem retornar à França, embora sempre
tenha mantido contatos com a literatura sociológica e
artística que me interessava, com colegas que lá residiam e,
também, com outros que vinham com freqüência ao Brasil,
através dos vários intercâmbios que foram se estabelecendo
ao longo desse tempo.
Corte rápido, 6 de setembro de 2007: estou em
São Bernardo do Campo, na Universidade Metodista de São
Paulo (UMESP), na Biblioteca Vergueiro, organizando minhas
notas para argüir uma dissertação de mestrado orientada por
meu amigo Décio Azevedo Marques de Saes, docente e
pesquisador junto ao Programa de Pós-Graduação dessa
instituição. Passo os olhos pelas publicações que ali estão
expostas e me deparo com a revista Nuances: estudos sobre
educação, periódico do Curso de Pedagogia e do Programa
de Pós-Graduação em Educação: Formação de Professores, da
Faculdade de Ciências e Tecnologia – UNESP (Universidade
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”) – Campus de
Presidente Prudente. Como já havia publicado artigo na
revista, em co-autoria com Mário Luiz Neves de Azevedo, por
solicitação do Professor Divino José da Silva, membro do
conselho editorial, logo sou atraído pelo exemplar que se
encontra à minha frente, e começo a folheá-lo. Sinceramente,
“não perdi a viagem”, como se diz na região do interior do
Estado de São Paulo onde fui criado, pois encontro uma
dezena de artigos significativos. Na impossibilidade de me
deter em alguns deles, acabo por me fixar naquele que mais
me interessa no momento, qual seja, “A experiência dos IUFM
na França (1991-2004). Balanço sócio-histórico e
perspectivas”, de autoria de André Robert, “Professor de
L´Université Lyon II – Membre de L´ÚMR Éducation et
Politiques (Lyon 2/ INRP)”.
Aos poucos fui me lembrando de nosso(a)s
colegas francese(a)s, docentes no IUFM de Reims e de
Chalons-sur-Marne (hoje, Chalons-on-Champagne), onde
estagiamos em 1994, ao longo dos meses de janeiro e
fevereiro. A amabilidade dos docentes e alunos do Instituto
durante nossa estada se prolonga, de certa maneira, até os
dias atuais, uma vez que os intercâmbios transpuseram o
domínio pedagógico, resultando em três matrimônios de
franceses com brasileiras...
André Robert escreve que no final dos anos
1980 tomou-se a decisão, na França, de constituir os
Institutos Universitários de Formação de Professores (IUFM),
sendo que “três IUFM experimentais foram criados no início
de 1990 (Grenoble, Lille, Reims), antes da sua generalização
em território nacional, no ano seguinte” (ROBERT, 2005,
p.87). Prossegue o autor: “Projeto extremamente criticado,
estes institutos, uma vez criados, tiveram dificuldade, de
início, em se fazerem identificar, num contexto de crise
intensa de recrutamento de docentes em que as Escolas
Normais de professores do ensino primário mantinham, aos
olhos do público em geral e ao longo do tempo, o monopólio
mítico da formação dos professores do ensino primário, donde
estavam excluídos os professores do secundário. Alguns
destes últimos acomodavam-se de boa vontade a esta exclusão,
decorrente de uma tradição que eles queriam elitista e que
reservava a pedagogia aos professores primários. Pouco
depois, em 1993, com o retorno ao poder de uma maioria
governamental de direita, uma ameaça pesou sobre a
manutenção destes institutos encarregados da formação de
todos os professores primário e secundários, porque remetiam
a sua origem a uma decisão vinda de um governo de esquerda e
sustentavam uma velha solidariedade ideológica, remontando
ao princípio do século, com os ideais democratizantes da
escola única”(ROBERT, 2005, p.87).
O governo resultante das eleições
presidenciais de 1988 “tomou a decisão de instituir um novo
tipo de profissionalidade docente de caráter geral, através
de uma lei de orientação (10/julho/1989) que começava a
desenhar o que chamo de uma nova ‘lógica do sistema’ (de
Estado)” (ROBERT, 2005, p.88). O autor que está sendo citado
tem visão bastante otimista a respeito, escrevendo que ao
colocar “o aluno no centro do sistema de ensino”, a lei de
“Jospin” de 1989 procede “a uma espécie de revolução
coperniciana na educação nacional francesa”, uma vez que, no
seu entender, através deste texto “operava-se uma verdadeira
ruptura epistemológica com a visão há muito tempo dominante,
de uma escola inteiramente ligada à exclusiva difusão,
reputada igualitária e estandardizada, de saberes objetivos,
só querendo, por isso, assegurar nos alunos a sua igualdade
como sujeitos de direito, deixando de lado tudo o que os
pode particularizar. A esta visão sobrepõe-se a visão de uma
escola que recusa a ficção jurídica da igualdade formal em
favor de uma aproximação dinâmica diferenciadora partindo da
diversidade natural dos alunos e exigindo de todos os
professores o pôr em prática competências ligadas a estas
novas missões. Esta nova visão exige uma nova maneira de
exercer a profissão de professor. No mesmo movimento, a lei
cria os IUFM, encarregados de profissionalizar a formação
dos professores (talvez mais do que participar na
profissionalização das Universidades)” (ROBERT, 2005, p.88).
O IUFM, a partir de então, distribui os
tempos de formação em dois anos: “um terço para estágios
(incluindo preparação, análise, acompanhamento), os outros
dois terços dedicados ao ensino disciplinar, ao trabalho de
aprofundamento, tendo como resultado a construção de uma
monografia profissional, na formação geral e transversal,
comum ou não. Nesta formação geral e transversal podem ter
lugar a Filosofia, a Psicologia (social, clínica,
cognitiva), a Psicopedagogia, as Ciências da Educação, a
Sociologia” (ROBERT, 2005, p. 90).
É interessante notar, no artigo de André
Robert, a análise das razões que envolvem as críticas,
ameaças de encerramento e de sobrevivência dos IUFM, que
conhecem incertezas já desde o seu início, em princípio dos
anos 1990, uma vez que os professores mais titulados, “uma
parte que não é de desprezar, do secundário, organiza contra
os IUFM uma verdadeira frente de recusa, tendo a
Sociedade dos Agregés [grupo de elite dos professores do
ensino secundário] como centro, cujo presidente se
interroga: ‘Os professores vão deixar de ser professores?’”
(ROBERT, 2005, p. 94). Prosseguindo, afirma que um grupo de
intelectuais influentes, filósofos próximos da atual “Escola
Republicana” (E. Badinter, R. Debray, A. Finkielkraut, E.
Fontenay e C. Kintzler) são autores do artigo ‘Souvenez-vous
des professeurs’, (Le Monde, 25/novembro/1990),
bastante crítico, onde pode-se ler o seguinte: “Ainda é
necessário (...) deixar de desqualificar os futuros
professores para fazer bons professores, como é o caso dos
IUFM, onde, sob o pretexto de ‘profissionalização’, o ensino
da psicologia, da pedagogia e da comunicação marginaliza o
ensino das disciplinas e onde se trata, segundo os mesmos
autores, de ‘transformar os professores em animadores
socioculturais e os estabelecimentos em lugares de vida ?’”
(ROBERT, 2005, p. 94-95).
Para o docente e pesquisador da Universidade
de Lyon II, “ligado a toda uma tentativa de reforma da
formação, que dura um século, o espectro de um alinhamento
do secundário com o primário é explicitamente temido (primarização)”
(ROBERT, 2005, p. 95). Como afirma Antoine Leon (1980,
p.231), “a tradição intelectualista, aristocrática e
hierárquica que afeta o funcionamento do sistema educativo
em França”, para a qual “é suficiente ao mestre que saiba
realmente o que está encarregado de ensinar”, perdura,
“estendendo-se, ao saber-fazer pedagógico e à formação
profissional dos professores, desprezo de que sofre toda a
técnica” (Robert, 2005, p. 95).
Uma série de “rearranjos” é efetuada e os
IUFM continuaram em suas atividades, conseguindo inclusive
reverter vários prognósticos que se lhe apresentavam, de
início, desfavoráveis. Entre 1991-1992 e 1997-1998, o número
de inscritos passou de 55 mil para 83 mil; no ano de 1993,
por exemplo, registrou-se um aumento de mais de 26% em
relação ao ano anterior, sendo que em 3 IUFM o incremento
foi ainda maior: Paris, + 141%, Montpellier, + 86%, Limoges,
+ 94%. Nos concursos para a obtenção dos Certificados de
Aptidão para professores, mais de 60% dos aprovados cursavam
o segundo ano em algum dos IUFM, enquanto nas academias
regionais, a parte dos estudantes admitidos era, em mais de
50%, originária de algum IUFM – por exemplo, 87,8% em
Clermont-Ferrand, 81,1% em Reims, 75% em Estrasburgo, 73,4%
em Besançon etc. A direita acabou se rendendo, pois era mais
econômico (quer em termos políticos, quer em termos
financeiros) para ela manter os institutos do que
extingui-los (ROBERT, 2005, p. 96-97).
A partir do final da década de 1990 os IUFM
se consolidam, com o desenvolvimento de setores de
investigação autônomos, também assumindo a responsabilidade
em matéria de formação contínua (a partir de 1999),
iniciando verdadeiros procedimentos de avaliação “e a
integrar uma cultura de avaliação”. São realizadas
avaliações interna e externa. “A avaliação interna aponta,
não sem dificuldades compreensíveis, para uma análise
crítica pelos responsáveis locais dos projetos dos
estabelecimentos, incluindo os planos de formação”. A
avaliação externa, por sua vez, assume as mesmas formas que
se aplicam às universidades: “grupos de peritos entram em
contato com os responsáveis dos institutos, o pessoal
docente e não docente, os estudantes e os estagiários;
organizam também contatos com os principais parceiros
(reitor, presidentes da universidade, inspetores,
representantes das coletividades locais” (ROBERT, 2005, p.
100). Todo esse processo conduz a um procedimento cada vez
mais presente nas instituições de educação superior nos dias
atuais – e que não deixa de ser problemático –, qual seja, a
contratualização. Nas palavras de André Robert, o
trabalho realizado com vistas à avaliação, “além de
contribuir para a ancoragem universitária dos IUFM,
submetidos ao mesmo regime que as universidades, (...)
constitui um ponto de apoio importante para entrar num novo
processo no qual os inscritos foram, por sua vez,
recentemente convidados: a contratualização. Esta consiste
na assinatura pelo estabelecimento de ensino superior de um
contrato quadrienal com o Estado que fixa, com base num
projeto, o desenvolvimento previsível do estabelecimento e
define os compromissos respectivos de um e do outro”
(ROBERT, 2005, p.100-101). A partir daí, há todo um
detalhamento de passos e etapas que devem, necessariamente,
ser cumpridos. No ano de 2004, 26 dos 31 IUFM já haviam sido
avaliados, os pontos problemáticos detectados e várias
propostas de soluções apontadas, implicando, por exemplo, na
aproximação progressiva das profissões do ensino, com a
introdução de uma pré-profissionalização – que atualmente
não existe –, com a relativização das “teorias pedagógicas
abstratas”, que “parece ultrapassar a formação prática”,
além de outras formas de validação da formação docente,
apoiada em vários itens: “a monografia profissional”, “a
totalidade dos estágios efetuados pelo estagiário”, além de
“outras vertentes da formação que podem traduzir-se em ECTS
[dispositivo de atribuição de créditos] europeus”. Além
disso, nos dois primeiros anos de exercício da função
docente, após a saída do aluno do instituto, haveria um
“processo de acompanhamento formativo”, que deveria ter
prosseguimento sob responsabilidade do IUFM” (ROBERT, 2005,
p.101-102).
O pesquisador francês conclui seu artigo
considerando que, se é pertinente se falar de uma
transformação nos IUFM, dois princípios gerais devem
norteá-la, quais sejam: “a unicidade dos centros de
formação” e “o caráter universitário da formação dos
professores de todas as categorias”. Entretanto, reconhece
que a aplicação de tais princípios levanta muitas
dificuldades e muitas reservas – e, portanto, a discussão
deve continuar. Os atuais IUFM devem ser vistos na sua
singularidade e no seu conjunto, considerados no seu passado
e no seu futuro. Segundo a fórmula de Pascal, o célebre
filósofo francês do século XVII,“nem anjos nem bestas”.
Seriam, assim, construções humanas com os seus sucessos e as
suas derrotas, exigindo sempre a análise crítica e a
expressão democrática no seu interior, a fim de procurar a
sua melhoria permanente”. Além do mais, a formação de
professores na França, entende, “é a alavanca principal do
sistema educativo”. Isso se torna de extrema relevância se
se tiver no horizonte que, naquele país, nos próximos dez
anos, quase a metade dos seus professores do ensino básico e
do secundário deve deixar o sistema, em razão de
aposentadoria”, implicando em elevadíssima taxa de renovação
dos docentes (ROBERT, 2005, p.102).
A escola dos próximos anos depende, em grande
medida, da “profissionalização dos professores”, que “é o
princípio de justificação dos IUFM”, requerendo a construção
simultânea das “competências necessárias à construção de
situações de transmissão de saberes, o discernimento
pedagógico e uma verdadeira identidade profissional dos
professores do século XXI” (ROBERT, 2005, p.102-103).
Entretanto, tais competências – “situadas no
entrecruzamento das aquisições disciplinares e das
contribuições da pedagogia e da didática, da experimentação
e da análise das práticas, assim como da avaliação dos seus
efeitos” – devem aliar-se ao discernimento
pedagógico, “sem o qual as competências não seriam mais
do que saber-fazer mecânico inoperante”. Tal discernimento é
adquirido “através de um dispositivo de formação por
alternância, supondo idas e vindas permanentes da teoria à
prática (...) a fim de serem dados os meios de avaliar como
agir em situações humanas jamais idênticas”. E identidade
profissional que possibilite, ao menos, responder a
algumas questões essenciais: “que sociedade, que escola para
que sociedade?, poderia cristalizar-se em torno do valor da
Razão Científica e de uma laicidade refundada” (ROBERT,
2005, p.103).
Quando penso na escola republicana laica
francesa, nos investimentos realizados para a formação de
seus professores, nos salários pagos aos docentes e no
status conferido a esses profissionais, não posso deixar
de lamentar a situação em que se encontra a maioria dos
professores brasileiros que atua nos ensinos fundamental e
médio. O sociólogo Pierre Bourdieu, em seu pequeno livro de
combate Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão
neoliberal , escreve no artigo “A mão esquerda e a mão
direita do Estado” que “o desprezo por uma função se traduz
inicialmente na remuneração mais ou menos irrisória que lhe
é atribuída” (BOURDIEU, 1998, p.11). Tal juízo aplica-se
como uma luva ao caso brasileiro, em que um(a) professor(a),
no entender das autoridades educacionais, pode ser
formado(a), em nível superior, em apenas três anos; no que
se refere ao salário, em parte significativa dos casos,
beira o ridículo, obrigando tais docentes a jornadas duplas
ou até mesmo triplas, impedindo que tal profissional
mantenha-se minimamente atualizado em seu domínio de
atuação, além de realizar uma série de cursos (com
freqüência reunidos sob a rubrica geral de “capacitações”)
que as burocracias estatais lhes impingem.
Não sei se existe (ou se acredito n) o acaso.
Evidentemente só me aproximei do estimulante texto de André
Robert porque sou professor, porque estive na França, porque
estava na biblioteca da Universidade Metodista etc. Enfim,
poderia listar uma série de outros porquês a respeito disso.
Talvez uma das riquezas de nossa profissão seja a
possibilidade de vivenciar essa espécie de desencadeamento
que ocorre quando nos lembramos de algo que nos toca ou nos
diz respeito, em termos de nossa memória. Mas, como
será que nos recordamos das coisas? Como age nossa
memória em situações como essa? O escritor Enrique
Vila-Matas, em Paris não tem fim, escreve o seguinte:
“Escutei [Jorge Luis]Borges dizer que recordava uma tarde em
que seu pai havia lhe dito algo muito triste sobre a
memória; havia lhe dito: ‘Pensei que podia recordar minha
meninice quando pela primeira vez cheguei a Buenos Aires,
mas agora sei que não posso, porque creio que se recordo
algo, por exemplo, se hoje recordo algo desta manhã, obtenho
uma imagem do que vi esta manhã. Porém se esta noite recordo
algo desta manhã, o que então recordo não é a primeira
imagem, mas a primeira imagem da memória. Assim é que, cada
vez que recordo algo, não estou recordando realmente, e sim
estou recordando a última vez que recordei, estou recordando
uma última recordação. Assim é que na realidade não tenho em
absoluto recordações nem imagens da minha meninice, da minha
juventude’” (VILA-MATAS, 2007, p.152-153). Continua o
romancista espanhol: “Depois de evocar essas palavras de seu
pai, Borges se calou durante alguns segundos que me
pareceram eternos, e logo acrescentou: ‘Tento não pensar em
coisas passadas porque, se o faço, sei que o estou fazendo
sobre recordações, não sobre as primeiras imagens. E isso me
deixa triste. Me entristece pensar que talvez não tenhamos
recordações verdadeiras de nossa juventude’” (VILA-MATAS,
2007, p. 153).
Referências
Bibliográficas
BADINTER, E.;
DEBRAY, R.; FINKIELKRAUT, Al.; FONTENAY, E.; KINTZLER, C.
Souvenez-vous des professeurs. Le monde, Paris, 25
nov. 1990.
BOURDIEU,
Pierre. Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão
neoliberal (trad. Lucy Magalhães). Rio de Janeiro: Jorge
Zahar Editor, 1998.
LEON, Antoine.
Introduction à l´histoire dês faits éducatifs. Paris:
PUF, 1980.
ROBERT, André.
A experiência dos IUFM na França (1991-2004). Balanço
sócio-histórico e perspectivas. Nuances: estudos sobre
educação. Presidente Prudente, SP: Curso de Pedagogia e
Programa de Pós-Graduação em Educação – Formação de
Professores. Faculdade de Ciências e Tecnologia – UNESP, Ano
XII, v.12, n o. 13, p. 86-104, jan./dez. 2005(trad.: Alberto
Gomes – UNESP, Brasil e Isabel Sanches – Universidade
Lusófona de Humanidades e Tecnologia, Portugal.
VILA-MATAS,
Enrique. Paris não tem fim (Trad. Joca Reiners Terron). São
Paulo: Cosac Naify, 2007.