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ADRIANA LOPES RAMOS MACIEL
Bacharel em Ciências Sociais pela
Universidade Estadual do Norte Fluminense - Darcy Ribeiro.
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Paradoxos da mulher moderna: a estigmatização da personagem “Pit”
do programa “Sob Nova Direção” da “Rede Globo”
por Adriana Lopes Ramos Maciel*
Apresentação
“Pit”, uma personagem do Programa Sob Nova Direção,
veiculado pela Rede Globo de Televisão aos domingos, é caracterizada
como uma mulher independente. Iniciou diversos cursos superiores,
mas não terminou nenhum, teve vários empregos, dos mais variados,
mas não exerce nenhuma profissão específica, vive à procura de um
namorado, mas está sempre sozinha. Como se trata de um programa
humorístico, dados como estes são apresentados de forma
caricaturada. Ela divide a sociedade de um bar, o Espaço Pit
Bela, com sua amiga “Belinha”, com quem também divide
apartamento.
Pit é solteira, se encontra na casa dos 30 anos de
idade e se intitula uma mulher descomplicada, quando se trata de
viver a sua sexualidade. A escolha da personagem se deve a
determinadas características aparentemente contraditórias para uma
mulher moderna de classe média,
como, por exemplo, a crise com a idade. Sempre repete a frase: “Até
conhecer alguém, 31, até casar, 32, ter filho, 33...”. Seu maior
sonho é casar e ter filhos, mas consegue apenas relacionamentos
relâmpagos. Geralmente conhece um homem, tem relações com ele na
mesma noite e sempre espera uma ligação no dia seguinte.
Esse perfil pode ser considerado como fruto de um
trabalho social de construção de uma identidade de mulher
independente, capaz de viver sozinha e de encarar uma relação sem
compromisso. Isto se contrasta radicalmente com o perfil de mulher
destinada, principalmente, ao espaço privado de reprodução do lar,
voltada para o cuidado do marido e dos filhos. A convivência de
traços de ambos os perfis é o que caracteriza a identidade paradoxal
da personagem. A construção estigmatizante de tal identidade é o que
passo a analisar agora. Cabe ressaltar ainda que Pit é um personagem
caricaturado que exagera traços pessoais facilmente identificados em
qualquer mulher “moderna” que se aproxime de seu perfil.
A estigmatização dos papéis sociais
Diante dos dados apresentados acima, um ponto a ser
destacado é que a personagem é portadora de diferentes estigmas.
Defino estigma como uma imagem cristalizada de um determinado
indivíduo ou grupo, sendo configurado por uma série de fatores como
aparência, vestuário, maneira de se portar, falar, gesticular, bem
como através de uma relação de pertencimento a uma determinada
classe ou gênero. O estigma prende um indivíduo ou grupo a um padrão
de enquadramento socialmente consensuado.
Um destes estigmas se remete à condição de mulher
moderna que sofre por se sentir “encalhada”, enquanto que o outro se
remete a uma mulher mais tradicional, “feminina” e “desequilibrada”,
tendo todas as características atribuídas à “natureza” do gênero
feminino, pois é sensível, romântica, sonhadora, delicada,
facilmente influenciável, emotiva, inconstante e, em determinados
momentos, irracional e inconseqüente.
Para melhor entender como estes estigmas se
constituem e se perpetuam, usarei os conceitos de Erving Goffman em
seu livro A Representação do Eu na Vida Cotidiana, de
modo tal que possa demonstrar a personagem como fruto de um processo
de estigmatização, onde são cristalizadas várias identidades, o que
a faz entrar em constantes crises. Em seguida, pretendo evidenciar a
importância da análise histórica da permanência de estruturas
invisíveis que perpetuam a lógica de divisão sexuada de papéis
utilizando, para tanto, a análise de Pierre Bourdieu em sua obra
A Dominação Masculina (2005).
Goffman está preocupado em analisar a maneira como
indivíduos apresentam a si e as suas práticas cotidianas às demais
pessoas, chamadas de platéia. Dará enfoque aos artifícios pelos
quais o indivíduo “dirige e regula a impressão que formam a seu
respeito e as coisas que podem ou não fazer, enquanto realiza seu
desempenho diante delas” (GOFFMAN, 2004).
Primeiramente, Goffman observa que quando indivíduos
encontram-se na presença dos outros, vários itens passam a ser
analisados, como, nível de confiança, status e condição
sócio-econômica. Assim, é reunido o máximo de informações possíveis
para se traçar um perfil, de modo que se possa ter em mente o que se
pode esperar deste indivíduo observado e como este pode ou deve ser
tratado, ou simplesmente visto.
Isso pode ocorrer a partir do que Goffman define como
interação, ou seja, em presença física imediata, ou através da
observação, já que o indivíduo, consciente ou inconscientemente,
emite uma imagem de si mesmo, causando uma determinada impressão em
quem o observa. Conforme diz GOFFMAN, (2004:12): “Muitos fatos
decisivos estão além do tempo e do lugar da interação, ou
dissimulados nela.”
A partir daqui, podemos desdobrar o que o autor chama
de atividade significativa, que se divide em dois tipos, estando
diretamente ligada à expressividade do indivíduo: a primeira se
refere ao que o indivíduo transmite, uma vez que, considerada a
comunicação no sentido formal, o indivíduo se utiliza
propositadamente de símbolos verbais ou não-verbais de forma a
veicular uma determinada informação compreensivamente, por ele e
pelos outros, ligada a estes símbolos. Já a segunda diz respeito a
ações não necessariamente ligadas ao que o indivíduo está preocupado
em transmitir. Em ambos os casos, o indivíduo pode estar querendo
transmitir uma falsa impressão, de modo que estas atividades
significativas podem ser consideradas como fraude, no primeiro caso,
e como dissimulação no segundo. Nestes casos, o indivíduo pode ter
uma forte influência perante os outros de forma a induzi-los a agir
conforme interesses próprios (GOFFMAN, 2004).
“Ocasionalmente, expressar-se-á
intencional e conscientemente de determinada forma, mas,
principalmente, porque a tradição de seu grupo ou posição social
requer esse tipo de expressão, e não por causa de qualquer
resposta particular (que não a de vaga aceitação ou aprovação),
que provavelmente seja despertada naqueles que foram
impressionados pela expressão.” (GOFFMAN, 2004:15)
Esta passagem expressa exatamente o que ocorreu com
Pit em um dos episódios transmitidos em 2005.
Preocupada em agir conforme a “tradição de seu grupo”, Pit
conscientemente tenta agir de modo a causar determinada
impressão em seu companheiro de interação, na intenção de obter uma
resposta específica, neste caso, um telefonema no dia seguinte.
No referido episódio, Pit e Belinha vão a uma casa
noturna e conhecem dois homens. Pit mostra-se bastante animada com a
possibilidade de passar a noite acompanhada. Quando chega o fim da
noite as duas dialogam sobre se vão ou não passar o resto da noite
com eles. Parece que para Pit passar a noite fazendo sexo com um
homem que acabou de conhecer é muito normal, algo que faz parte do
perfil que ela traçou como o de uma mulher “descomplicada”.
O problema surge quando, diante do perfil que Pit
chama de “descomplicada”, Belinha afirma que os homens consideram
como “fácil”, portanto, algo que não deve se dar valor: “(...),
você não pode agir assim, pensa bem. A mulher tem que ser difícil,
fazer um jogo duro. É por isso que os homens não te ligam no outro
dia. Se você não fosse tão fácil eles te ligavam”.
Considerando que Pit tem como principal sonho casar e
ter filhos, e um primeiro passo seria arranjar um namorado, ela
resolve, por influência da amiga, aderir ao papel de mulher que deve
se “preservar”, fazer jogo duro, mesmo que contrariada.
Assim, quando Pit se encontra dentro do carro do
rapaz, e este a pergunta se irão para a casa dele ou para a dela,
ela, mesmo contrariada e insatisfeita, afirma que irá para a casa
dela e deixa claro que não fará sexo com ele, pelo menos naquela
noite, incorporando o papel de mulher “difícil” e induzindo o rapaz
a entrar no jogo da conquista, ligando para ela e demonstrando seu
interesse.
Encontramos aqui uma exemplificação do que Goffman
chamou de tradição de grupo. Neste caso, o grupo a que me refiro é o
gênero feminino, em que é reservado um determinado papel a ser
representado em determinada circunstância. Neste caso, enquanto
mulher que pretende namorar, casar e ter filhos, ela não poderia, se
deixar levar pela vontade de fazer sexo com aquele homem no primeiro
encontro. Assim, se “preservando” ela transmite a mensagem de que
está interessada em algo mais duradouro.
Na cena mencionada, houve o que Goffman chama de
“consenso operacional”. De forma alguma o rapaz com quem ela estava,
embora contrariado, insinuou que ela pudesse estar fingindo quanto a
seus princípios. O consentimento dele, por outro lado, fez com que
ela acreditasse que ele estava disposto a entrar neste “jogo da
conquista”, buscando uma próxima interação.
Isso se deve ao fato de que durante a interação,
conforme vimos anteriormente, os indivíduos se vêem influenciando e
sendo influenciados de modo a que possam realizar algumas projeções
em relação ao outro. Diante disso, não podemos nos esquecer que
estas projeções estão submetidas a um caráter moral de avaliação.
Goffman se utiliza da ligação que Robert Ezra Park
fez em relação ao termo pessoa com a idéia de máscara para
demonstrar que estamos sempre desempenhando um determinado papel, e
que esta máscara que usamos passa a ser a melhor referência do que
somos ou do que almejamos ser, passando a fazer parte de nossa
personalidade.
A partir deste ponto, podemos utilizar o termo
fachada, que seria uma espécie de recurso expressivo, utilizado pelo
indivíduo no desempenho de sua representação, de forma intencional
ou não. Temos, então, a “fachada pessoal” que, variando em
determinadas ocasiões ou sendo relativamente fixa, passa a ser um
artefato que teria a característica de acompanhar o ator.
“... deve-se observar que uma
determinada fachada social tende a se tornar institucionalizada
em termos das expectativas estereotipadas abstratas às quais dá
lugar e tende a receber um sentido e uma estabilidade à parte
das tarefas específicas que no momento são realizadas em seu
nome. A fachada torna-se uma ‘representação coletiva’ e um fato,
por direito próprio.” (GOFFMAN, 2004:34)
Assim, a construção de estereótipos e de estigmas só
é possível diante de um contexto de prescrição social de papéis
distintos a serem incorporados pelos indivíduos. No caso de Pit, sua
condição de mulher contraditória, sintetizando aspectos modernos e
tradicionais, é imposta pela necessidade que tem de jogar no campo
da sedução, conciliando seus anseios com as armas que lhe são
permitidas socialmente. Se suas intenções de mulher “descolada”
forem totalmente expostas, ela pode ser considerada “fácil” e assim
perder o jogo. No entanto, mesmo que tente se valorizar neste jogo,
Pit não consegue esconder completamente sua condição carente de
mulher tradicional, e sempre que isto vem à tona ela se torna presa
fácil do estigma de gênero, que não poupa a maioria das mulheres
modernas de classe média como ela. Para compreender melhor este tipo
de punição social, é preciso falarmos um pouco sobre a trajetória da
dominação masculina.
A construção social dos estigmas de gênero
A partir disso, pensemos novamente na condição de Pit.
A grande questão que podemos levantar em torno da personagem é que,
como nos mostra Bourdieu (2005), Pit pode até, em algumas
situações, tentar mudar de “fachada”, como tentou fazer no trecho do
episódio acima descrito. Porém, ela já é estigmatizada, primeiro,
devido à sua condição de gênero, que por si só já pressupõe uma
série de caracterizações pré-definidas socialmente. Segundo, é
estigmatizada devido à condição de mulher que se diz “descomplicada”,
que de acordo com valores morais que seguem a lógica da dominação
simbólica do homem sobre a mulher, pode ser rotulada de “fácil” e,
portanto, desvalorizada pelos homens, o que talvez justifique o fato
de ainda estar solteira. Assim:
“Os esquemas do inconsciente
sexuado não são alternativas estruturantes fundamentais
(fundamental estructuring alternatives), como quer Goffman, e
sim estruturas históricas, altamente diferenciadas, nascidas de
um espaço social por sua vez altamente diferenciado e que se
reproduzem através da aprendizagem ligada à experiência que os
agentes têm das estruturas destes espaços.” (BOURDIEU, 2005:124)
Estas estruturas históricas são construídas através
de relações de oposição, que são divisões secundárias à divisão
principal entre masculino e feminino, como: forte/fraco,
grande/pequeno, ativo/passivo, público/privado, racional/emocional,
dominante/dominado. Notemos que estas divisões são hierarquizantes,
colocando o homem em posição privilegiada e colaborando para a
perpetuação da dominação simbólica a que nos referimos.
Entender a fundo os mecanismos e a eficácia do
caráter moral de avaliação que constitui a mulher enquanto
hierarquicamente inferior ao homem não é tarefa muito simples. As
distinções de gênero no senso comum apontam para um essencialismo,
excluindo-se o caráter histórico de construção. Por outro lado, há
uma politização superficial em torno da idéia muito comum em nosso
imaginário cotidiano, de um jogo eterno entre homens e mulheres, que
passam a se identificar como adversários, excluindo-se, entretanto,
o caráter pré-reflexivo da internalização dos valores.
“é preciso realmente
perguntar-se quais são os mecanismos históricos que são
responsáveis pela des-historicização e pela eternização das
estruturas da divisão sexual e dos princípios de divisão
correspondentes. (...) Lembrar que aquilo que, na história
parece como eterno não é mais que o produto de um trabalho de
eternização que compete a instituições interligadas tais como a
família, a igreja, a escola (...).” (BOURDIEU, 2005:4)
Nesta relação, dominante e dominado reconhecem-se
como tais, de forma pré-reflexiva, na medida em que há uma série de
instrumentais que irá trabalhar no subjetivo de ambos. O habitus,
constituído por esquemas de percepção, avaliação e ação,
incorporados irrefletidamente, traduz o lugar social que cada um
deve ocupar. Portanto, o dominado aceita a dominação não
simplesmente por conformar-se com ela, mas por incorporar valores
que realmente o fazem acreditar na legitimidade da dominação,
levando-o também a reproduzi-la.
As diferenças biológicas e os efeitos que um longo
trabalho coletivo de socialização do biológico e de biologização do
social trabalha tanto nos corpos como nas mentes fazem ver uma
construção social naturalizada, como “fundamento in natura
da arbitrária divisão que se encontra no princípio não só da
realidade como também da representação da realidade” (BOURDIEU,
2005:9).
O que muitas vezes Goffman não enfatiza, mas que
Bourdieu faz muito bem, é que a divisão entre os sexos encontra-se
presente ao mesmo tempo em estado objetivado em todas as coisas, mas
primeiramente, ao próprio corpo. Nesta realidade de divisão do mundo
em dois sexos, a sociedade trabalha a fim de construir o corpo como
realidade sexuada e como depositário de princípios de visão e de
divisão baseada nestes dois sexos.
Assim, as práticas e as representações dos dois sexos
de maneira nenhuma poderiam ser simétricas, pois se encontram
construídas por oposição: “a identidade social se define e se afirma
na diferença” (Bourdieu, 2005:170). As identidades distintivas que a
arbitrariedade cultural institui se encarnam em habitus
diferenciados de acordo com este princípio de divisão e capazes de
perceber o mundo a partir dele.
Conclusão: por que a mulher moderna é um paradoxo
Com esta ajuda de Bourdieu, podemos compreender
melhor os anseios e a maneira de se comportar da personagem
analisada. Sua necessidade de buscar um casamento e sua forte crença
no instinto materno são grandes exemplos da internalização de um
papel naturalizado, conforme podemos ver nas seguintes falas: “Ah,
Belinha eu te falei que eu não posso ficar com essa roupa a essa
altura. Eu tenho trinta anos sabe. Até eu conhecer alguém é 31,
casar 32, ter filho...”.
“Um filho é uma coisa muito importante
na vida de uma mulher..” e “é o sentimento materno, toda mulher
sente isso um dia...”.
Vemos aqui frutos de um trabalho de internalização de
valores, constituintes do habitus feminino: uma mulher, por
mais moderna que acredite ser, apenas consegue ver-se “completa”
quando em condição de esposa e mãe, reforçando assim a sua condição
de instrumento de algo a realizar-se fora dela, e não de agente.
Aqui encontramos presente o que Bourdieu chama de
violência simbólica, extremamente eficaz, visto que trabalha no
plano ideológico sendo endossada e legitimada pelas instituições
modernas. A violência opera-se principalmente no momento em que os
dominados incorporam valores construídos do ponto de vista dos
dominantes fazendo com que os valores pareçam naturais. Ela se
institui, assim, por intermédio da adesão que o dominado faz ao
esquema de valores da dominação, reproduzindo e justificando sua
condição de objeto, e não de sujeito, de instrumento, e não de
agente “(...) ou melhor, como símbolos cujo sentido se constitui
fora delas e cuja função é contribuir para a perpetuação ou o
aumento do capital simbólico em poder dos homens”. (BOURDIEU,
2005:55)
Portanto, não há atuação alguma que supere a condição
essencial de divisão entre os sexos, pois o que podemos ver muitas
vezes é que uma mulher tenta dissimular determinados comportamentos
ou crenças, porém não escapa a si própria em suas avaliações, visto
que sua subjetividade também foi construída de acordo com a lógica
da dominação. De outro modo, ela precisaria constantemente encobrir
seus comportamentos e concepções que fogem à regra para que pudesse
escapar de um estigma social pelo qual pode “pagar” um alto preço,
como o caso da personagem.
É este caráter moral de avaliação que prende a
personagem a dois tipos de estigmas, constituindo assim a mulher
moderna enquanto um paradoxo, pois (1) ao mesmo tempo em que deseja
ser independente (e a ideologia de tal independência é em grande
parte sexual), pode sofrer a caracterização de “fácil”, quando
mostra seus reais anseios, ou de “solteirona”, se fizer o contrário,
ambas fazendo com que se sinta incompleta; por outro lado (2) o de
mulher fútil e irracional, portanto inferior ao homem, o que faz com
que Pit se encontre constantemente em crise.
Note-se que a concomitância destes dois rótulos
aparentemente dicotômicos, serve para a afirmação e reprodução da
dominação a que nos referimos, principalmente por ser veiculada de
forma tão natural e sem questionamentos como é o caso do programa
humorístico Sob Nova Direção, que apenas reflete a forma
naturalizada em que se encontram as distinções de gênero no senso
comum.
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