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EDIVALMA CRISTINA DA SILVA
Mestranda em Ciência
Sociais (PGCS/UFRN) e Bacharela e Licenciada em História pela
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CERES/UFRN)
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A alienação econômica: uma análise de seus aspectos nos
Manuscritos Econômico-Filosóficos de Karl Marx
por Edivalma Cristina da Silva
O
trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz,
(...) O trabalho não produz apenas mercadorias, mas também a si
mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria.
Salários,
lucros, capital, renda de terras, propriedade privada, alienação:
eis o “jovem” Marx. Os Manuscritos Econômico-Filosóficos, ou
Manuscritos de Paris (como ficaram conhecidos) apresentam-se
como um sistema in status nascendi,
fundamentando as bases do sistema teórico marxiano, centradas no
conceito da alienação. Nos Manuscritos, obra de caráter
multidimensional, Marx delineia as características de uma nova
ciência (humana), contraposta à parcialidade e fragmentações
reificadas das ciências naturais e a universalidade abstrata da
filosofia a partir de suas idéias-conceito chaves: alienação
(análise a partir do trabalho) e Aufhebeng (transcendência e
superação). Uma ciência com íntima ligação com a práxis humana, a
partir do método materialista-histórico dialético: concreto
(realidade) – abstrato (pensamento, estudo da realidade) – concreto
(um concreto mais livre de determinações).
Este artigo traz uma análise dos Manuscritos
Econômico-Filosóficos com o objetivo de se perceber de que forma
a alienação econômica se constitui, se reproduz e como esta pode ser
superada positivamente enquanto resultado de um tipo determinado
processo de desenvolvimento histórico: o capitalismo. Partindo desta
premissa busca-se entender o que é alienação econômica e como ela se
faz perceptível através do trabalho (tendo em vista que Marx
considera o trabalho como a objetivação primária do ser). Marx
percebe que ao invés do
trabalho tornar-se produtor de subjetividade transforma-se no
contrário: aliena o homem relativamente (perda do controle sobre) à
sua produção, à natureza, ao seu próprio trabalho, a outro homem e
assim a toda a sociedade, produzindo o individualismo e o egoísmo
enquanto manifestação ontológica da alienação do homem no trabalho.
A partir desta análise do trabalho alienado, Marx possibilita a
visualização de uma transcendência positiva
através da práxis humana (comunismo).
No entanto, segundo Mészáros a superação da alienação não se
dá de forma absolutamente definitiva, mostrando que o processo de
transcendência vai além da superação das mediações capitalistas de
segunda ordem (propriedade privada, troca e divisão do trabalho).
Para a superação da alienação é necessário um controle consciente e
humano destas mediações.
É necessário ressaltar que
o conceito alienação já havia sido trabalhado por economistas
antecessores a Marx, mas os construtos teóricos não transcendiam a
esfera abstrata e especulativa do conceito abstrato. Embora a
economia política tenha desenvolvido a idéia de trabalho como forma
única da essência da riqueza, e ter incorporado a propriedade
privada ao homem, Marx desenvolve um trabalho mais profundo ao
perceber o trabalho alienado enquanto a “liga” entre a
totalidade da alienação e o sistema monetário, sendo a propriedade
privada apenas produto desta inter-relação entre trabalhador e
natureza, conclusão a que a economia política não poderia chegar.
São nos Manuscritos de Paris que se concentram
as suas teorias da alienação. A alienação é um conceito
eminentemente histórico, abstraído dos processos sócio-econômicos
concreto-reais: trabalho e propriedade privada. Marx, diferentemente
de Feuerbach, toma o trabalho alienado como centro de reflexão,
transpondo a crítica da esfera religiosa para a esfera da economia
política. A alienação em seus desdobramentos, bem como na sua
superação constituem-se como os momentos do processo dialético que
possibilitam a base explicativa da história, da formação de uma
consciência crítica, bem como das próprias ações revolucionárias.
O trabalho aparece nos construtos teóricos de
Marx como uma objetivação primária do ser (atividade produtiva) pela
qual os homens edificam sua subjetividade através das relações
sociais humanas (acepção geral). Marx compreende que o caráter
genérico do homem é expresso através do trabalho, na sua produção e
reprodução da vida material: “A vida produtiva, entretanto, é a vida
genérica. É a vida criando vida. No tipo de uma atividade vital está
todo o caráter de uma espécie, o ser genérico do homem. A vida
revela-se simplesmente como meio de vida” (MARX, 2005: 116). Porém,
é na acepção histórica particular, imbricados nos sistema
capitalista (na forma de divisão do trabalho – troca – propriedade
privada) que o trabalho assalariado se torna a base de toda
alienação. Ao invés do trabalho
tornar-se produtor de subjetividades (consciências) a partir da
objetivação, transforma-se no contrário: aliena o homem, o priva de
sua faculdade natural, torna-se mutilador e escravizante. Tudo foi
reificado, e o indivíduo passa a ser visto como objeto, coisa,
mercadoria: “a valorização do mundo das coisas aumenta a
desvalorização do mundo dos homens” (MARX, 2005: 111). É necessário
ressaltar que a passagem de um sistema de relações feudais para as
relações capitalistas leva a formulação de um novo “contrato”,
normas de fixidez que asseguram ao senhor (proprietário capitalista)
usar como coisa os seres humanos “livres”, segundo o desejo e
necessidade do último. Dessa forma, o homem primeiro foi reificado,
tornou-se coisa, para poder ser dominado. Este contrato é o próprio
trabalho assalariado, ou seja, o assalariamento alienado no
contrato. Assim confirma MESZÁROS:
A alienação humana foi realizada pela
transformação de tudo em objetos vendáveis, em escravos da
necessidade e traficantes egoístas. A venda é a prática da
alienação (...). A reificação de uma pessoa e, portanto da
aceitação “livremente escolhida” de uma nova servidão – em lugar
da velha forma feudal, politicamente estabelecida e regulada de
servidão – pode avançar com base numa sociedade civil
caracterizada pelo domínio do dinheiro, que abriu as comportas
para a universal “servidão a necessidade egoísta”. (1981: 36).
A divisão do trabalho e a troca são as mais
perceptíveis expressões alienadas da atividade humana na esfera
econômica. Através delas o homem torna-se alienado relativamente
(perde o controle sobre) à sua produção, à natureza, ao seu próprio
trabalho, a outro homem e assim a toda a sociedade, constituindo-se
em uma forma de auto-alienação. A alienação age de forma
inconsciente na natureza humana, através da realização do próprio
trabalho, como mostra MARX:
Como resultado da divisão do trabalho, por um
lado, e da acumulação do capital, por outro, o trabalhador
torna-se mesmo mais inteiramente dependente do trabalho e de um
tipo de trabalho particular, demasiadamente unilateral,
automático. Por esse motivo, assim como ele se vê diminuído
espiritualmente e fisicamente a condição de uma máquina e se
transforma em ser humano, em simples atividade abstrata e em
abdômen, também se torna progressão mais dependente de todas as
oscilações no preço corrente, no emprego do capital e nos
caprichos do rico. (2005: 68)
Enquanto a produção capitalista produz, através do
trabalho assalariado, o crescimento da riqueza da sociedade
concentrada nas mãos de poucos (propriedade privada – proprietário
capitalista), ocorre reciprocamente o empobrecimento da totalidade
de uma parte da população: os trabalhadores. Este empobrecimento
exterior-interior do homem materializa-se não apenas na
miserabilidade do seu corpo, mas na perda de si, tornando-se coisa.
A alienação (trabalho assalariado) está imbricada na relação entre o
operário e seu produto de trabalho e no próprio ato da produção, no
qual o objeto produzido opõe-se a ele como um ser estranho, uma
força alheia, passando a existir independente de si: a objetivação
do trabalho e ao mesmo tempo um “estranhamento da coisa”. Quanto
mais o trabalhador produz, menos ele pode possuir, caracterizando a
apropriação do objeto como a alienação.
Se o produto do trabalho é alienação, da mesma forma,
a atividade
produtiva é a “alienação ativa”.
O homem nega-se no trabalho, pois este
é exterior a si, não se sentindo pertencente ao trabalho (atividade
produtiva), mas a outro. No entanto, este se constitui como o único
meio de satisfazer as suas necessidades de existência,
contrapondo-se à idéia da vida genérica humana; o trabalho alienado
(trabalho assalariado) aliena a natureza do homem (a essência
natural humana), transformando a vida genérica em meio de vida
individual, egoísta. Marx analisa o princípio do individualismo como
uma manifestação ontológica da alienação do homem no trabalho.
No modo de produção capitalista, o trabalho torna-se
estranho e alienado a partir das contraposições dialéticas entre
capital e trabalho nas relações de produção. O capital e o trabalho
se opõem, mas se relacionam reciprocamente, em que um depende do
outro para a sua existência. “É contraditória a situação do capital
que não pode subsistir como capital, senão pelo aumento crescente da
miséria do operário; e não é menos contraditória a situação do
operário, a não ser pelo aumento do capital”. (CALVEZ, 1962: 363).
Para Marx, todo o trabalho na história social do homem é a própria
história da alienação. Logo, a alienação da humanidade não se
constitui enquanto uma força externa e natural, mas enquanto
resultado de um determinado tipo de desenvolvimento histórico, que
pode ser modificado de forma positiva pela intervenção consciente na
transcendência da auto-alienação do trabalho.
Dessa forma entende-se que a alienação decorre de
quatro “momentos” que resultam em uma forma de auto-alienação:
perda do controle do processo de trabalho, “o operário perde-se
como homem e torna-se coisa, no acto econômico da produção” (CALVEZ,
1962: 359); perda do controle do produto do trabalho, os
produtos de seu trabalho tornam-se objetos estranhos que o dominam e
sua atividade torna-se alheia a si; perda efetiva de si, de
forma que o trabalho (atividade propriamente humana) escapa ao
operário, expulsando sua humanidade e reduzindo a sua liberdade a
funcionalidade animal ou maquinal, alienando-o; e a perda da
civilização humana (essência humana), alienação do homem em
relação à sociedade e a outro homem, quando “na proposição de que a
natureza da espécie do homem está alienada significa que um homem
está alienado do outro, significa que todos eles estão alienados da
essência humana” (MÉSZÁROS, 1981: 16).
Os manuscritos vão além de simples comentários
críticos da teoria hegeliana e das teorias dos
economistas-políticos. A crítica a essas teorias o ajudou a
desenvolver os vários temas (salários, propriedade privada, lucro,
capital, divisão do trabalho) os inter-relacionando, e criando uma
teoria da alienação a partir do trabalho (fonte de alienação
econômica) e da superação da alienação. A
idéia central do sistema teórico marxiano é a “sua crítica da
reificação capitalista das relações sociais de produção e a
alienação do trabalho através das mediações reificadas do trabalho
assalariado, propriedade privada e troca”
MÉSZÁROS, 1981: 88).
A dimensão ontológica geral da auto-alienação está presente em todos
os manuscritos, sentida em sua universalidade no último manuscrito
através da desmistificação que Marx faz do “sistema monetário”. O
dinheiro (motor de troca e de uso), esta “proxeneta entre a
necessidade e objeto, entre vida e os meios do homem”, eleva ao grau
máximo a “confusão de todas as qualidades humanas e naturais”,
tornando-se o caráter auto-alienante da humanidade. “O dinheiro
converte as representações pensadas para o modo de existência
sensível”, concreto, efetivo. É ele, o “mediador final de todas as
mediações alienadas”: o fetichismo do dinheiro.
Na economia política o trabalho aparece somente sob a
forma de atividade de aquisição, analisando-o abstratamente como uma
coisa. “O trabalho é uma mercadoria; se o preço é elevado, a procura
é grande e se o preço é baixo a oferta é grande. Como acontece com
as outras mercadorias” (MARX, 2005: 77). Podemos pensar, então, que
a dialética hegeliana está no âmago da análise crítica que Marx faz
à economia política, e mais precisamente no núcleo do trabalho
assalariado, através da análise dos movimentos contraditórios (ser –
ter, meios – fins, produção – consumo), pois a economia política
não “compreende” esta interface do
movimento. A economia política tem origem no fator da
propriedade privada, mas não o esclarece, bem como não fornece
explicações para aos fundamentos da divisão do trabalho e do próprio
capital. Estas lacunas são abstraídas por Marx para “entender” a
alienação no trabalho através da dinâmica da dialética (atuação da
contradição) num processo de superação positiva da alienação
(comunismo).
Hegel antecipou a visão marxista da história na
construção teórica da superação da alienação, muito embora só tenha
conseguido encontrar expressões abstratas, lógicas e especulativas
para o movimento histórico, uma transcendência apenas imaginária da
alienação, permanecendo numa posição não-crítica perante as bases
materialistas e reais da sociedade. Marx vai além, estabelece uma
concepção de superação da alienação liberada dos postulados morais
abstratos de seus antecessores a partir do entendimento da base
ontológica objetiva do processo histórico por meio da práxis humana,
do momento concreto (economia capitalista – proletariado),
percebendo o caráter desumanizante da alienação. Logo, completa
MESZÁROS:
A universalidade da visão de Marx tornou-se
possível por ter ele conseguido identificar a problemática da
alienação, do ponto de vista do trabalho, adotado criticamente,
em sua complexa totalidade ontológica, caracterizada pelos
termos objetivação, alienação e apropriação. Essa adoção crítica
do ponto de vista do trabalho significou uma concepção do
proletariado não simplesmente como uma força sociologicamente
contraposta ao ponto de vista do capital – e com isso permanece
na órbita deste último – mas como força histórica que transcende
a si mesma e que não pode deixar de superar a alienação (isto é,
a forma, historicamente dada, de objetivação) no processo de
realização de seus próprios objetivos imediatos, que coincidem
com a reapropriação humana. (1981: 62)
O trabalho, segundo Marx, é a essência subjetiva da
propriedade privada. Esta é resultado do trabalho humano que
produziu conseqüentemente o processo da alienação do próprio homem.
A propriedade privada dos meios de
produção precisa ser abolida para se chegar à redenção humana, a uma
sociedade baseada na coletividade positiva, através da práxis
humana (teoria mais práxis) pela classe operária (força histórica
autotranscendente), chegando-se à superação da alienação.
O comunismo é a expressão da propriedade geral e a superação das
alienações, constituindo a
superação positiva da propriedade privada,
enquanto auto-alienação do homem, e por isso como apropriação
efetiva da essência humana através do homem e para ele; por
isso, como retorno do homem a si mesmo enquanto homem social,
isto é, humano; retorno acabado, consciente e que veio a ser no
interior de toda riqueza do desenvolvimento até o presente. Este
comunismo é como acabado naturalismo = humanismo, como acabado
humanismo = naturalismo; é a verdadeira solução do antagonismo
entre o homem e a natureza, entre o homem e o homem. (MARX,
1978: 08)
A propriedade privada é a expressão material e
sensível da vida humana alienada, sua superação positiva representa
a apropriação da essência humana natural, o retorno do homem
enquanto homem: do ser social, consciente, confirmada através da sua
exteriorização. Através disso, o homem converte para si seu modo de
existência natural em humano. A superação positiva significa a
apropriação da efetividade humana de forma que o objeto torna-se
objeto de si próprio, sua subjetividade, superando as suas
contradições dialéticas (só alcançável através do homem social). O
anseio de Marx é que o homem saia do nível da necessidade
desumanizante produzida pelo trabalho. Essa é a ação dinâmica da
dialética, em que as contradições atuam nos processos de superação,
seja a nível intelectual, corporal-natural ou espiritual-cultural. A
superação da alienação (propriedade privada) só é possível através
da práxis humana, para não se tornar novamente alienante e abstrata.
Dessa forma, tanto a
alienação quanto a sua transcendência (superação) são necessidades
objetivas e ontológicas na teoria de Marx, constituindo-se em
conceitos que estão intimamente relacionados. Segundo Mészáros a
alienação não é superada de forma absolutamente definitiva. A
abolição da propriedade privada, assim como outras mediações
capitalistas de segunda ordem (troca, trabalho assalariado, o
caráter fetichista da mercadoria etc) são condições necessárias, mas
não suficiente para a transcendência da alienação. Como mostra
Mészáros estas mediações de segunda ordem, devem ser radicalmente
superadas por serem instrumentos incontroláveis do capitalismo. A
superação da alienação se encontraria na substituição dos
instrumentos incontroláveis reificados, por instrumentos
controláveis (conscientemente) do intercâmbio humano. Esta superação
radical é lenta: “a expropriação dos expropriadores não é mais do
que o primeiro ato de um processo longo e imensamente complexo de
modificação, caracterizado pela dialética da continuidade na
descontinuidade”. Complementa ainda que “a substituição das
‘mediações de segunda ordem’ capitalistas, alienadas, reificadas,
por instrumentos de intercâmbio humano conscientemente controlado é
o programa sócio-historicamente humano concreto da superação da
alienação”. (MÉSZÁROS, 1981: 225). Dessa forma, afirma que nenhuma
conquista que represente superação da alienação deve ser tida
enquanto
absolutamente definitiva de todas as formas de alienação.
Os Manuscritos são a fonte da teoria da alienação em
Karl Marx, embora tenham o caráter de textos de auto-esclarecimento,
carregam em si a base do sistema teórico marxiano, a constituição de
uma teoria ainda em nascimento, in status nascendi,
que tende a ser aprimorado no decorrer de sua produção. A análise da
alienação e de sua superação é um convite ao homem a conhecer a
natureza íntima do capital e o desdobramento da alienação nas
esferas social, estética-moral, religiosa e política.
Referências bibliográficas
CALVÉZ,
Jean-Yves. A alienação econômica. In:_____. O pensamento de Karl
Marx. Porto: Livraria Tavares Martins, 1962. P. 339 –
464.
MARX,
Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São
Paulo: Martin Claret, 2006.
________.
Manuscritos Econômico-Filosóficos. São Paulo: Martin Claret,
2005.
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Os Manuscritos econômico-filosóficos: O terceiro manuscrito.
Filosóficos e outros textos escolhidos. São Paulo: Abril
Cultural, 1978. (Col. Os Pensadores).
MÉSZÁROS,
István. A teoria da alienação em Marx.
Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981.
SÈVE, Lucien. Análises marxistas da alienação. São Paulo:
Edições Mandacaru, 1990.
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