Leon
Trotsky. A História da Revolução Russa
(2 volumes). São Paulo, Editora Sundermann, 2007
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A
Revolução Russa, por Leon Trotsky
O
livro de Leon Trotsky que a Editora Sundermann nos presenteia, em
uma nova tradução, no nonagésimo aniversário da revolução de
Outubro, permanece um dos melhores livros sobre a história da
Revolução Russa. Nas suas páginas, os leitores encontrarão uma
narrativa envolvente sobre a seqüência dos acontecimentos
imponentes que levaram ao triunfo da primeira revolução socialista
vitoriosa do século 20. Porque, em primeiro lugar, a Revolução de
Outubro demonstrou que, aquilo que tinha sido, até então, somente
uma possibilidade na teoria marxista, uma aposta para a esquerda
revolucionária que se reorganizava depois da ruptura com a II
Internacional, ou um projeto no programa bolchevique, era possível.
Trotsky
escreve sobre a revolução da sua vida unindo a serenidade do
historiador que deve esclarecer o que aconteceu, com a lucidez do teórico
que precisa explicar porque aconteceu, sem camuflar o compromisso do
militante que esteve na primeira linha de acontecimentos que mudaram
os destinos do século 20. Das linhas desta obra imperdível, surge
a conclusão de que a Revolução Russa não foi prematura, mas
atrasada. As sociedades não se transformam na medida em que a mudança
é necessária. As mudanças em condições políticas reacionárias,
como eram as da Rússia sob o tzar depois da derrota da revolução
de 1905, por mais necessárias que sejam, parecem por anos e anos
como impossíveis. Surgem como extravagâncias de visionários. Toda
ordem político-social se apoiou, portanto, no extremo
conservadorismo das sociedades humanas. Os tempos da política estão
sempre atrasados em relação aos tempos da História. Um atraso
maior ou menor separa o momento em que o agravamento da crise histórica
se manifesta, do momento em que as forças sociais em luta estão
dispostas a medir forças, e chega a hora da revolução.
A
arquitetura das instituições perde então a sua aura de
legitimidade e tudo o que parecia impossível, passa a ser inadiável.
Nas linhas deste livro o leitor desvendará como, ao mesmo tempo em
que se derrubava a monarquia e se proclamava a República, surgiram
os sovietes de operários, soldados e camponeses; descobrirá os
interesses que impediram que os vários governos provisórios entre
fevereiro e outubro, de Lvov aos vários gabinetes formados por
Kerensky, foram incapazes de garantir a paz; acompanhará a
transformação dos bolcheviques – o mais extraordinário partido
revolucionário do século 20 – de força minoritária em um
instrumento de luta capaz de interpretar e organizar a vontade de
milhões; e compreenderá porque a estabilização de um regime
democrático-liberal, depois da queda do Tsar, não poderia ser a
estratégia da burguesia russa, e como a alternativa nas ruas de
Petrogrado e Moscou foi entre o que seria uma ditadura fascista
liderada pelo general Kornilov – que teria sido uma terrível
antecipação do que Hitler impôs à Alemanha em 1933 - ou a
ditadura revolucionária liderada por Lenin.
Mas,
sobretudo, o leitor poderá conferir nestas páginas porque a Revolução
de Outubro alimentou a esperança política mais grandiosa do século
passado: o projeto da revolução mundial ao serviço do
igualitarismo social e da liberdade humana.
por
VALÉRIO
ARCARY