Após
duzentos anos de restrições espanholas, as colônias americanas
adentraram o século XVIII em um novo período da sua história, que
viria se estruturar a partir do “absolutismo ilustrado”
implantado com a ascensão da dinastia dos Bourbons ao trono
espanhol.
Este
período, para as colônias, caracterizou-se pelo aumento da população,
incremento das áreas desde muito negligenciadas e abandonadas pelas
autoridades, que, nesse momento, voltaram-se para a produção do açúcar,
cacau, tabaco, e pela expansão da exploração mineradora. Tais
fatores atraíram as atenções da Inglaterra e da França, forçando
as autoridades metropolitanas à revisão das políticas coloniais,
caso quisessem manter o comércio colonial perante seus concorrentes
da Europa Ocidental, o que foi fundamental para pôr em xeque as
relações entre a Espanha e suas colônias. Em rigor, fazia-se
necessário articular transformações para não destruir o seu
sistema colonial: reformular as relações para não perder
importante fonte de benefícios para a Metrópole (PEREIRA MELO,
1990: 54-55).
Nesse
sentido, a reforma do sistema de monopólio mercantil passou a ser
discutida, tendo em vista aberturas e liberalizações. Os
comerciantes de Sevilha perderam seus privilégios. A Casa de
Contratación foi removida daquela cidade para Cádiz. O regime de
frota foi abolido em 1798. O direito de comércio transatlântico
foi estendido a alguns portos espanhóis em 1764 e logo a outros
treze portos em 1778. Em 1768 decretou-se a liberdade de comércio
entre os vice-reinos de Nova Granada e do Peru e logo a seguir aos
de Nova Espanha e Rio da Prata. Vários portos americanos foram
sendo abertos ao comércio ultramarino com a Espanha e, em parte, ao
internacional. Em 1778 instituiu-se a liberdade de comércio entre
as colônias e destas com a Espanha. Em 1797 a Espanha, arrastada à
guerra com a Grã-Bretanha por sua aliança com a França, viu-se
isolada de suas colônias e, para burlar o bloqueio inglês, abriu
os portos americanos aos navios neutros. Esta medida permitiu
principalmente a penetração dos navios, mercadorias e idéias dos
Estados Unidos e implicou a quebra do regime monopolista, a qual se
tornou praticamente irreversível. Paralelo ao comércio legal,
desenvolvia-se um ativo contrabando ou comércio direto com as colônias
americanas, numa estratégica manobra de ludibriar as imposições
tributárias da Metrópole espanhola, o que contribuiu para criar
uma certa prosperidade geral e estimular o desenvolvimento econômico,
social e demográfico das colônias, tanto no campo como nas
cidades. Criaram-se ou ampliaram-se mercados regionais e as
produções locais foram incrementadas. A oferta e a demanda das colônias
aumentaram e se diversificaram, enquanto as novas necessidades não
foram absorvidas nem satisfeitas pela Metrópole. Cada vez mais,
esta aparecia como intermediária ineficiente e onerosa, em termos
econômicos e fiscais (KAPLAN, 1974: 88-89).
A
política administrativa, em todos os setores do Império, mas,
sobretudo nas colônias, apresentava um esgotamento da capacidade de
ordenação da sociedade segundo os interesses do Império Espanhol.
A corrupção acelerava o processo de ruína dos referenciais políticos
espanhóis, que os Bourbons com uma nova política objetivavam
recuperar, pois os administradores coloniais se enriqueciam
explorando as colônias, tendo em vista interesses pessoais. Para os
reformadores Bourbons, à custa desses maus administradores, a Metrópole
havia chegado a uma condição de decadência e perda de controle
que se aproximava da ruína total (CASTILLO, 1986: 304).
Com
o objetivo de uniformizar o sistema público do Império foram
criadas onze Intendencias, o que representou a versão
latino-americana das secretarias de Estado da Espanha. Dava-se início
ao processo de restabelecimento da monarquia absolutista. Designados
pessoalmente pelo monarca, os superintendentes (nos vice-reinos) e
os intendentes (nas cidades) envolviam-se diretamente nos pormenores
administrativos burocráticos, sempre com o mesmo objetivo –
assegurar o fluxo das rendas para o rei e controlar os agentes do
poder real. Os superintendentes e intendentes eram verdadeiros
executivos do mercantilismo, com a incumbência de agilizar a
emperrada burocracia colonial e impedir a evasão de impostos. Nos
municípios, o equivalente do intendente foi o subdelegado, que
assumiu a tarefa de vigiar os índios e cuidar da administração,
zelando por que a liberdade de ação das oligarquias locais não
viesse em detrimento do físico real.
Com
a criação e remodelamento das superintendências, das intendências
e subdelegacias, ficava clara a intenção do rei de cuidar para que
a arbitrariedade e a corrupção não se apropriassem da parte do
excedente econômico que lhe pertencia, como desde muito vinha
acontecendo (LOPES, 1986: 62-63).
Essas
ações demonstravam o tom da política de remodelamento do Império
pela centralização dos mecanismos de controle e modernização do
aparato burocrático. Sua transferência para as colônias foi
iniciada em Cuba, em 1764 e, até 1790 foram introduzidas na maioria
das principais jurisdições da América Espanhola (SCHWARTZ;
LOCKHART, 2002: 406).
A
partir dessas mudanças competia aos intendentes as funções
administrativas, jurídicas e militares, bem como a arrecadação de
impostos e a coordenação das atividades pertinentes às suas
intendências. Dentre suas obrigações básicas, destacavam-se:
levantamento de mapas topográficos de suas respectivas províncias,
realização de estudos econômicos regionais, construção de
caminhos e obras de infra-estrutura, preocupação com o aspecto das
cidades, divulgação entre a população de informações científicas
e técnicas e castigo aos ociosos. A manufatura, que havia começado
a decair desde 1760, recebeu incentivos do Governo Espanhol, no
sentido de despertar o interesse dos proprietários das minas e
promover o aumento da produção. Em 1768, reduziu-se de um quinto
para um décimo a parte da produção que era descontada para o
fisco real. Nova redução de impostos foi implantada em 1785, bem
como a abolição das taxas sobre máquinas e materiais necessários
para a exploração mineradora. Reduziram-se, também, os preços do
mercúrio e da pólvora. A produção têxtil alcançou
desenvolvimento significativo em diversas cidades das colônias,
onde se incrementaram as atividades dos teares. O crescimento também
foi extensivo à fabricação de louças, do ferro forjado, da
aguardente, e o tabaco encontrou prosperidade no período. A
agricultura criolla avançou timidamente: aceitaram-se novos
cultivos e novas técnicas para a agricultura.
As
medidas encetadas pelos reformistas espanhóis no âmbito econômico
e político-administrativo com o intuito de racionalizar a
administração e levar à prosperidade econômica obtiveram
relativo sucesso. O caráter unilateral dos interesses visava ao acúmulo
de benefícios na Metrópole e minimamente para as colônias. Isso
na prática resumia-se em benefícios para os espanhóis e os
setores dominantes criollos, enquanto a maioria da população
continuava marginalizada nas fazendas, explorada nas manufaturas e
escravizadas nas minas e engenhos (PEREIRA MELO, 1990: 60).
À
medida que a nova política, de inspiração iluminista, ia sendo
aplicada, aumentava o processo de enfrentamento com o clero, que
passava pela ruptura de privilégios e imunidades. A Coroa,
interessada nos bens da Igreja, passou a confiscar as riquezas que
esta havia acumulado com as doações dos fiéis e das autoridades.
No
reinado de Carlos III, os jesuítas tinham seus privilégios
suprimidos na Espanha e, em 1767 eram expulsos da América
Espanhola. Para os Bourbons, a Igreja tinha um poder que
representava uma força paralela ao governo imperial, representava
um perigo iminente que a Coroa precisava controlar.
Com
a lei de Consolidação de 1804 os Bourbons passaram a desapropriar
as terras de posse direta da Igreja emprestadas a leigos. O clima
intelectual dos setores influenciados pela Igreja e de parte do próprio
clero tornava-se cada vez mais hostil ao Império. Entre esses
setores passava a ser comum a publicação de textos contestatórios
à política bourbônica (SCHWARTZ; LOCKHART, 2002: 405).
Com
a morte de Carlos III, as incipientes reformas executadas pela Coroa
Espanhola chegaram ao seu final, já que seu sucessor, Carlos IV,
temeroso em relação aos levantes revolucionários, sobretudo na
França, se intimidou em dar seqüência às reformas que se haviam
projetado no período anterior. Desta forma, o governo espanhol
recuou em suas mudanças e melhorias, assumiu uma postura despótica
e intentou conter a “ilustração” e o desenvolvimento de suas
possessões. Acrescente-se a isso que os modestos intentos
objetivando incrementar a economia colonial foram seguidos de
medidas restritivas das autoridades centrais, destinadas a manter e
controlar a situação (PEREIRA MELO, 1990: 60-61).
Para
tentar impor seu controle e resolver as urgências de domínio
colonial, a Metrópole formou uma organização militar, motivada
pela ocupação britânica de Havana entre 1762 e 1764. Foram
criadas unidades militares regulares para todas as principais
possessões espanholas na América. Para isso, o Governo espanhol
contou com o ingresso de espanhóis peninsulares na colônia e,
posteriormente, o recrutamento da população local para a formação
de milícias. Essa participação da população colonial nas milícias
contrariava a tendência dos Bourbons de diminuir a força dos criollos
nas questões administrativas, o que foi alvo de preocupação para
a Metrópole, empenhada em suprimi-la. Embora os principais postos
de comando estivessem preenchidos por oficiais peninsulares, aos
poucos os oficiais criollos chegaram a estar bem
representados entre os oficiais das unidades regulares do exército,
fato visto como séria ameaça pela Metrópole, no momento em que se
intensificaram os conflitos colônias, dada a tendência criolla
à insubordinação à Metrópole. Entretanto, o elemento concreto
que abriu espaço à manifestação dos descontentamentos dos
setores criollos foi a decadência da Metrópole, que o
reformismo dos Bourbons não logrou deter (SCHWARTZ; LOCKHART, 2002:
412-413).
Diante
do clima cada vez mais hostil e de contestação a Metrópole impôs
um controle rigoroso a partir de cargos criados para a fiscalização.
A resistência às medidas vinha dos setores e estruturas
tradicionais, sobretudo daqueles atingidos em seus privilégios, que
viam diminuir cada vez mais a sua participação nos conselhos
coloniais, direito que já lhes estava garantido, com participação
ordinária, quando não predominante. Tal questão tornou-se
importante para fomentar a insatisfação desses setores, que
radicalizaram a crítica ao sistema colonial, transformando-se em
importantes figuras do processo de emancipação.
O
clima social tornava-se mais tenso à medida que não conseguiam
encontrar na Espanha uma fornecedora, a contento, de produtos
manufaturados e, mais ainda, uma parceira comercial; e viam na
Inglaterra, que experimentava um grande crescimento comercial, uma
parceria ideal.
Expressivas
nesse sentido foram as críticas do criollo José Ganzález
Castañeda, que, numa Representación na impressa em Madrid
no ano de 1786, deixava entrever a posição dos criollos
ante a nova política do absolutismo ilustrado dos Bourbons. Seu
discurso era objetivo e assumia linhas de protesto declarado ante a
suspeita de que seriam excluídos das linhas eclesiásticas, das
mitras e das primeiras dignidades da Igreja, dos empregos militares,
do governo e dos postos de primeira ordem. Para Castañeda, os
europeus que governavam as províncias americanas só tinham olhos
para seus próprios negócios e deveres na Metrópole. Preocupados
em voltar para a sua pátria, colocavam todo o seu conhecimento para
enriquecer-se, deixando de se ocupar com a sorte da província que
governavam (CASTILLO, 1986: 318).
Castañeda
reclamava para os criollos a condição de descendestes das
primeiras famílias que para as colônias foram enviadas com
responsabilidades que agora lhes eram tiradas.
¿Quién
no sabe que, luego que se conquistaron estos dominios, fue uno de
los primeros cuidados de nuestros soberanos su población, a que
consultaron, haciendo para ella pasar los mares limpias de la Corona
de Castilla? [...] Si en orden a esto se le concede a la generación
e índole de los padres algún influjo, siéndolo nuestros los españoles
europeus, es fuerza que por esta parte se nos concedan las mismas
calidades, genio e inclinación que a los nacidos en la Antigua España
(CASTILLO, 1986: 319).
Neste
discurso defendia a capacidade, a inteligência e a aplicação dos criollos
para assumirem os mais altos postos da Coroa na América. Pedia ao
rei que concedesse aos nascidos na América os empregos honoríficos,
eclesiásticos e seculares. Percebia quanto a nova política havia
provocado a confusão tanto entre os setores peninsulares, com
interesses coloniais, como entre os criollos. O alerta que
levava à Coroa dizia respeito à exploração, que só fazia
cultivar o sentimento de ódio entre os setores coloniais.
Com
o aumento do antagonismo entre a Metrópole e as colônias, também
crescia a insatisfação, e com ela o movimento de reivindicações
pela liberdade econômica e pelo autogoverno, momento em que se
instalava nas colônias um forte conflito interno. Para os setores criollos
as reivindicações correspondiam a uma transformação de cunho
econômico em que seus privilégios seriam mantidos, se não
ampliados, enquanto os setores autonomistas de caráter popular
convocavam para um processo de levante social.
Do
ponto de vista ideológico existiam tendências divergentes. Alguns
setores estavam mais ligados ao republicanismo radical, enquanto
outros se identificavam com o referencial monarquista liberal. O
fato é que, em geral, não possuíam características ideológicas
definidas.
Um
levante da massa popular era temido pelos criollos, pois
tiraria o cunho independentista que lhes interessava, por isso eram
cautelosos no trato com as massas populares.
Os
líderes criollos temiam, agora, as massas, que freqüentemente
irrompiam com violência (quer no meio urbano, quer no rural) e que
racionalizavam a repressão e exploração de que eram vítimas
através do mito de sua inferioridade (STEIN; STEIN, 1977: 89).
Encarregavam-se,
pois, de manobrar cautelosamente as massas indígenas, por
entenderem que, cooptando esses setores e as demais classes da
sociedade colonial, seriam maiores as chances de um processo de
transição pacífico, para o bem de seus negócios, sem transformações
radicais de classe na América.
Apesar
do temor de que explodisse uma guerra com contornos populares, os criollos
percebiam que estavam criadas as circunstâncias necessárias da
guerra de independência. Por isso, aproveitavam o momento de
enfraquecimento do Governo espanhol para se organizar, lançando-se
na luta.
Nessas
circunstâncias, quando a monarquia entrou em crise em 1808, os criollos
não puderam permitir que o vácuo político se instaurasse, nem que
suas vidas e propriedades ficassem sem proteção. Convencidos de
que, se não aproveitassem a oportunidade, forças mais perigosas o
fariam tiveram de agir rapidamente para antecipar-se à rebelião
popular (BETHELL, 2001: 53).
A
perspectiva de autonomia econômica e o ideal de liberdade política,
sobretudo entre os criollos, parecia terem chegado. Segundo
Stanley e Bárbara Stein (1977: 86): “Para as elites criollas situadas
nos diversos pontos de pressão chegara finalmente o momento da
verdade”.
As
contradições inerentes ao sistema faziam aparecer, de forma
acentuada, os pontos de fragilidade de uma política que tentava
manter uma estrutura de dominação que se tornara precária e
onerosa, sem condições de permitir a obtenção de rendimentos que
os vastos recursos e potencialidades da América acenavam como prováveis
para a economia daquele momento.
A
insatisfação e a insubordinação eram cada vez mais crescentes no
início do século XIX, atribuídas, sobretudo, às condições críticas
em todos os âmbitos nas colônias. O fato de a Espanha estar
envolvida em guerras que lhe foram desastrosas com a França e a
Inglaterra, fez reduzir o comércio colonial, o qual terminou a
partir do bloqueio inglês que se sucedeu à destruição da frota
espanhola em Trafalgar, em 1804. O aumento das taxas e impostos
destinados a cobrir os prejuízos de guerra fez crescer a insatisfação
a limites que a Coroa não conseguiria conter. Ganhavam força nesse
período os movimentos independentistas, tornando-se freqüentes os
levantes que passavam a acenar para a possibilidade de uma vida político-administrativa
autônoma. Objetivando tirar proveito desse quadro, os movimentos
dos criollos foram ganhando caráter coletivo. Os interesses
coincidentes nesse momento, de criollos e da massa nativa,
tinham pela frente um inimigo comum, qual seja a estrutura social da
colônia, que, embora em graus distintos, usurpava seus direitos. A
destruição dessa estrutura era condição fundamental para esses
segmentos sociais (PEREIRA MELO, 1990: 63-64).
A
invasão de Napoleão Bonaparte em 1807 e a constante pressão
francesa fizeram com que Carlos IV deixasse o trono espanhol, e
posteriormente seu filho, Fernando II, era forçado a abdicar em
favor do irmão de Napoleão, José Bonaparte.
Com
a queda dos Bourbons do poder na Espanha e a divisão das províncias
espanholas em regiões competitivas entre si, acendeu-se o interesse
das colônias americanas pela administração local (STEIN; STEIN,
1977: 86).
Diante
da crise da Monarquia os criollos, temerosos com relação às
suas propriedades e suas vidas, aproveitaram a oportunidade, agindo
rapidamente e antecipando-se à rebelião popular, e desencadearam o
processo libertador.
Tal
processo foi mais intenso e rápido nas áreas coloniais periféricas
e dependentes, de produção não comercial no mercado
metropolitano, de maneira particular no setor pecuarista. De outro
lado, nos centros coloniais, tradicionalmente privilegiados, a
lealdade à Metrópole era maior, o que ficou evidente pelas vacilações
na decisão emancipatória.
Com
a incorporação cada vez maior de mestiços, índios e negros, as
lutas lideradas pelos caudilhos tiveram sensível avanço. Essas
camadas possuíam o conhecimento mais detalhado do terreno, tornando
a participação desses setores fundamental para o movimento de
libertação colonial. Uma após outra as principais nações
americanas conquistaram sua independência formal excetuando-se as
colônias de Cuba e Porto Rico, mantidas sob o julgo da Metrópole.
Considerações
finais
A
aliança entre a Coroa espanhola e os setores dominantes locais
procurou sustentar valores de uma filosofia política e econômica
autoritária, que garantiu a dominação sobre o continente por séculos.
Essa
orientação político-econômico-social pode ser percebida a partir
da estrutura burocrático-administrativa espanhola montada durante o
período colonial e, particularmente, durante o processo de
liberalização promovido pelos reformadores Bourbons no século
XVIII. Essa “modernização” foi garantida pela presença maciça
e organizada dos administradores metropolitanos, que mantinham
alijados os nativos, particularmente os setores populares do
continente. Na mesma medida, procurou-se proibir ou dificultar a
difusão dos ideais do pensamento francês, sobretudo porque trazia
elementos críticos, considerados perigosos ao modelo colonial.
As
medidas liberalizantes adotadas pela Coroa Espanhola, como a aplicação
das novas regras para reerguer a economia, o saneamento das finanças,
os esforços no âmbito militar e o melhoramento da organização da
administração burocrática, com a criação das Intendencias,
não surtiram os efeitos desejados. A adaptação dos ideais do
Iluminismo francês acabou sendo insatisfatória, distinguindo-se
por medidas paliativas. Tais medidas consubstanciaram-se em tímidas
reformulações, que contribuíram para uma relativa união entre os
diversos setores sociais em torno dos ideais de autonomia política
e de livre comércio, o que acabou resultando no processo de
independência.
por
FÁBIO
INÁCIO PEREIRA