por
DANIEL
ANDRADE CARIBÉ
Militante da Comuna e Mestre em Administração
pela Universidade Federal da Bahia.
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Universidade
Nova para o novo capital
Em
1918, antes mesmo de ser fundada a primeira universidade brasileira,
os estudantes em Córdoba, uma das províncias da Argentina, já
haviam lançado as referências para as lutas que se seguiriam por
quase todo o século à frente e que muitas vezes foram esquecidas.
Os estudantes de Córdoba não queriam somente mais verbas para a
educação: queriam mesmo é participar do controle do processo de
produção do conhecimento e, conseqüentemente, da gestão da
universidade. Estavam assim em sintonia com as lutas dos
trabalhadores que aconteceram na primeira metade do século em todo
mundo. A construção de uma universidade gratuita, autônoma e
democrática era onde queriam chegar.
Essas
bandeiras, entretanto, não apontavam de forma nítida para o caráter
de classe da ciência, da técnica e da universidade. Era uma luta
focada contra a tirania da burocracia acadêmica de até então,
altamente subordinada à Igreja. Devido a esta lacuna, na América
Latina, local onde o autoritarismo foi a regra, tanto o setor mais
liberal da burguesia quanto os grupos da esquerda marxista
reivindicaram para si a Reforma de Córdoba – aliás, é muito
comum os liberais serem tirados enquanto progressistas nestas
circunstâncias.
No
Brasil, a história das universidades se encontra com a do resto da
América Latina somente duas décadas depois. As primeiras unidades
de ensino superior do país eram isoladas e se preocupavam mais em
formar a nascente burocracia estatal. Eram locais privilegiados para
os filhos da elite, sendo mais importantes pelo prestígio social
que concediam aos seus estudantes do que pela formação técnica
apreendida. A Escola Politécnica do Rio de Janeiro, as faculdades
de Direito de São Paulo e Pernambuco, e a de Medicina na Bahia são
exemplos. As primeiras universidades brasileiras de fato surgiram
com um significativo atraso, e se formaram em torno destas
faculdades isoladas. Esse processo se iniciou na década de 30 e foi
daí que o ranço colonial começou a abrir caminho para outros
projetos.
Mas
ainda na década de 30 não havia uma clareza sobre qual modelo de
universidade se implementaria por aqui. A própria Igreja Católica
reivindicava para si o papel de proceder esta tarefa e assim manter
um controle ideológico sobre a produção científica do país.
Continuava a existir também a compreensão de que a universidade
deveria ter um caráter tecnicista, seguindo o que já vinha
acontecendo nas faculdades isoladas. Mas a concepção que venceu o
debate defendia a subordinação da universidade a um projeto de
desenvolvimento nacional.
Darcy
Ribeiro, da metade do século XX para frente, foi um dos que
representou esta última concepção de universidade, e também
adotou para si os princípios explicitados no Manifiesto
de Córdoba (ver o texto A
Universidade Necessária, de 1969); assim como a UNE também o
fez no início da década de 60, inclusive protagonizando a “greve
de um terço”, de dimensão nacional, cuja pauta focava na
paridade. A lacuna deixada pelos estudantes argentinos abriria espaço
no Brasil para uma aliança de classes entre os setores até então
considerados progressistas, no que confere à concepção de
universidade em particular. É dado também que esta aliança se
estendeu para um projeto mais amplo, e é marcante até os dias
atuais, entretanto o desenvolvimento deste aspecto da história
brasileira foge aos objetivos deste texto.
O
fato é que mesmo tendo provocado poucas modificações na estrutura
de poder das universidades, tendo as burocracias acadêmicas se
perpetuado em seus "feudos" nos quais os estudantes e o
corpo técnico quase nunca conseguiam penetrar, e as universidades
nunca tendo sido livres e autônomas, a revolta em Córdoba deixaria
profundas marcas em todo o sistema educacional superior
latino-americano. Alguns elementos do manifesto ali lançado
serviriam sempre de fundamento para aqueles que queriam reformar a
universidade, independente do caráter da reforma.
Subordinada
sempre aos interesses de alguma classe dominante, a concepção de
universidade brasileira que primeiro se tornou hegemônica se
preocupou principalmente com a construção de um projeto
nacional-desenvolvimentista. Decidiu-se que o conhecimento deveria
ser produzido para justificar tal modelo, além de colaborar com ele
na construção de novas tecnologias (ou adaptação de tecnologias
elaboradas em outros territórios). Além de Darcy Ribeiro, Anísio
Teixeira também foi um dos idealizadores desta universidade que viu
o início da sua derrocada com a imposição da Ditadura Militar.
Esse projeto consistia na criação de dois tipos de universidade:
1) as regionais para atender interesses de determinados grupos
locais e 2) universidades preocupadas em pensar o país como um
todo, seguindo a idéia da necessidade da integração nacional
através da subordinação das regiões menos desenvolvidas. Não é
à toa que as universidades federais carregam o nome de cada estado
em que são implementadas, enquanto as unidades preocupadas em
pensar o país, notadamente as grandes universidades paulistas, são
bancadas com recursos estaduais. Darcy Ribeiro, entretanto, talvez
preocupado com esta concentração de poder, propôs a criação da
Universidade de Brasília (UnB).
Essa
universidade pensada por uma burguesia liberal não libertava nada. O poder continuava
concentrado nas mãos de uma burocracia acadêmica, que por sua vez
estava atrelada aos interesses da classe dominante, que nesse caso
ainda era a burguesia nacional. Uma hierarquia bem nítida
sustentava o poder nas universidades. Os estudantes não poderiam
participar das decisões, assim como a universidade se portava de
forma autoritária em relação à classe trabalhadora. Enquanto o
capital nacional exigia um modelo de universidade e era atendido, os
trabalhadores só eram objetos deste modelo quando se necessitava de
um tipo especializado de mão-de-obra.
Mas
não durou muito a hegemonia da fração liberal da burguesia e o
seu projeto nacional-desenvolvimentista, principalmente porque
permitia em conjunto uma perigosa ascensão da classe trabalhadora.
A Ditadura Militar surge como uma nova configuração da aliança
entre as classes dominantes, subjugada aos interesses do capital
estrangeiro. Assim a universidade burguesa entra em declínio. Porém,
a forma que a Ditadura Militar escolheu para destruir este projeto,
em um primeiro momento, foi o de ampliar seus recursos e o expandir
por todo o país, inclusive incentivando o surgimento de instituições
privadas, mas decapitando-o, destruindo a intelligentsia ou
subordinado-a aos militares.
Não caberia mais à universidade pensar o Brasil, mas fornecer o
"recurso humano" necessário para o projeto imposto de
forma autoritária. Daí duas tendências são marcantes: 1) há um
aumento significativo dos estudantes oriundos da classe trabalhadora
e a consolidação da idéia de universidade enquanto espaço de
ascensão social; 2) aumento da repressão, tanto do Estado quanto
da burocracia acadêmica, facilitada pela hierarquização rígida
de poder imposta nas universidades em momentos anteriores. Por esta
combinação de fatores é que a repressão teve que aumentar na
mesma proporção em que menos elitizada ficou a universidade.
Esse
modelo acompanhou os anos do "milagre econômico" para
logo a frente ser esquecido mais uma vez. Com os novos rumos que a
economia mundial tomou a partir de meados da década de 70, a expansão
da universidade "pública" brasileira foi freada e começou
o ciclo inverso. A quantidade de vagas continuou a crescer, mas em
um ritmo muito mais lento e de forma descompromissada. Os setores
considerados progressistas, tanto o setor ligado a uma parte da
burguesia nacional quanto aos partidos de orientação marxista,
voltaram a reivindicar a universidade liberal de forma semelhante,
resgatando quase sempre as bandeiras da Reforma de Córdoba.
O
abandono da universidade estatal brasileira pela ditadura militar, o
que se estende pelos governos neoliberais da época democrática, se
configura como o momento não só de descaso com o ensino superior,
mas com o período de ascensão da burocracia acadêmica. Aliás, é
típico das burocracias surgirem de forma "napoleônica"
– quando as classes não conseguem resolver-se; ou no vazio,
quando as classes sociais não disputam o espaço. Em um espaço
onde as classes dominantes hegemônicas já não têm interesse em
manter, mas que também não é dominado pelos trabalhadores, era
quase natural que uma burocracia deste tipo surgisse como classe
mais forte.
Essa
burocracia acadêmica era beneficiada com o descaso porque quanto
mais os recursos governamentais eram contingenciados (medida que se
tem reflete tanto no arrocho salarial quanto na diminuição de
recursos para a manutenção das estruturas físicas), mais aberto
ficava o campo para a captação de recursos no mercado. A cada novo
corte no orçamento, mais legítima ficava a ação deste setor, e
mais dependente ficava a universidade desta lógica. É verdade que
há até os dias de hoje locais isolados que resistem a este
processo, um ou outro departamento, grupo de pesquisa ou atividade
de extensão, e que por isso pagam o preço do esquecimento. No
geral, a universidade está mais comprometida com interesses das
grandes corporações, desde bancos privados até empresas do
Estado, que usam destas instituições para capacitação dos seus
quadros de funcionários e gerentes ou para produzir o
"saber" capaz de legitimar suas ações predatórias e
aumentar os lucros. O máximo de preocupação que a universidade
passaria a ter com a sociedade extra-empresarial era na elaboração
dos artifícios ideológicos que visam humanizar as ações das
firmas.
Atualmente,
a Reforma Universitária apresentada pelo governo Lula se configura
como a última facada, o tiro de misericórdia neste modelo burguês
de universidade que por pouco tempo foi útil. O objetivo explícito
é diminuir ainda mais os recursos destinados a estas instituições
– já que vendê-las ainda não é possível devido a cada vez
mais enfraquecida resistência que se criara dentro destes espaços
– e assim acelerar o processo de sua destruição. Podemos afirmar
tranquilamente que a última proposta de Reforma Universitária
(inclui-se aí suas diversas revisões) vem para dar continuidade ao
que se iniciou ainda na Ditadura Militar. Assim, incentiva a criação
de outros modelos de universidade, ainda mais atrelados ao capital
privado, quando não totalmente subordinados por este, e que não têm
nenhum compromisso com qualquer tipo de projeto nacional.
Mas
essas universidades desconfiguradas não se apresentavam ainda como
o modelo de universidade que as novas classes dominantes – o
capital financeiro e as grandes corporações transnacionais –
desejam, não só para o Brasil, mas para todo o globo. A Reforma
Universitária não é capaz de implementar este modelo por
completo, pois lá não há nenhuma proposição, além de corte de
verbas e financiamento do capital privado.
A
Universidade no contexto atual
Basicamente,
o modelo de universidade que o capital financeiro e as corporações
almejam deve ter por objetivo atender ao mundo do trabalho cada vez
mais flexibilizado através do treinamento de mão-de-obra
qualificada – mas mal remunerada. A universidade tem que ser
responsável por criar um excedente de trabalhadores que pressionem
os salários ainda mais para baixo no intuito de atrair
investimentos estrangeiros. A produção de conhecimento deve ser
concentrada em poucos países, tendo em cada país periférico um número
bem reduzido de universidades com o papel de reproduzir. A grande
maioria, portanto, estaria destinada exclusivamente ao ensino.
Enquanto o ensino pode continuar a ser financiado pelos Estados
nacionais, mas com recursos reduzidos ao limite e dando preferência
para as universidades particulares, a pesquisa deve ser subordinada
ao capital privado e realizada em centros de excelência. Os currículos
devem ser flexíveis, ou até inexistentes, para que a cada solicitação
do mercado possa rapidamente haver uma reestruturação. Essa
estrutura tem que ser uniforme em todo território nacional, e
seguir os padrões internacionais, para que os
"excelentes" possam migrar com facilidade para os centros,
enquanto os "medíocres" possam completar seus estudos em
universidades de nível inferior. Nos países periféricos, ainda
surgirão aqueles piores que os "medíocres", que não
devem continuar de forma alguma nas universidades. Estes últimos
formarão a maioria.
Os
Estados Unidos já tinham aplicado este modelo, assim como a Europa
o faz neste momento. No EUA há as universidades de elite, todas
particulares (mas que recebem gordos financiamentos estatais), nas
quais só os filhos das classes privilegiadas podem freqüentar; e há
universidades para os pobres, com cursos de curta duração, mas que
não permitem ao estudante participar da construção do saber, e
nem alterar a estrutura de poder da sociedade. Forma-se uma mão-de-obra
altamente descartável.
Na
Europa este processo ganhou o nome de Protocolo (ou Processo) de
Bolonha e é uma imposição da União Européia para os países que
desejam entrar neste circuito. Não precisamos lembrar de que forma
a juventude de diversos países resistiram e resistem a este
processo. Na França, por exemplo, onde quase toda a juventude
adentra nas universidades, este projeto já mostrou todo o seu caráter
racista. A maioria dos jovens fica nos ciclos básicos, quando só a
"excelência" avança para a universidade que produz
conhecimento. É importante lembrar que são os jovens imigrantes ou
filhos de imigrantes os que mais ficam pelo caminho. Os que podem
pagar, com toda a certeza, sendo "excelentes" ou não,
arrumam uma vaga nas universidades particulares, que também vêm
ganhando força por lá. E a "excelência" é formada
quase que completamente pelos jovens ricos, que devido à inexistência
da preocupação com o mundo do trabalho podem investir mais tempo e
recursos na própria formação.
Em
países periféricos da Europa, como Portugal, a situação é mais
grave. As universidades tendem a se transformar em imensos "escolões",
já que não cabe a este país produzir conhecimento nenhum – a não
ser nos centros de pesquisa financiados pelas corporações. Os que
podem pagar que mandem seus filhos para alguma universidade
particular dos países centrais.
Chegou,
então, a vez do Brasil aderir a este protocolo, já que a Reforma
Universitária se apresenta incompleta. Antes de ser um projeto que
saiu da cabeça de um reitor ou do próprio Ministério da Educação
(MEC), a proposta apresentada como última novidade (a Universidade
Nova) é um processo mundial de adaptação das universidades à
nova dinâmica de acumulação do capital, e é importante que os
movimentos que lutam contra a total transformação da educação em
mercadoria compreendam o que se passa. O projeto Universidade Nova não
esconde em momento nenhum que segue esta linha de reformas e
explicita, sem nenhuma vergonha, o tipo de trabalhador que deseja
criar.
A
ironia da história (ou sua tragédia) é que depois de décadas sem
saber do seu papel na sociedade, a universidade aponta novamente
para um projeto, e finalmente tem a chance de estar atrelada a uma
realidade maior. Depois da falência do projeto
nacional-desenvolvimentista burguês não se ouviu mais falar de
algo que ligasse a Universidade a alguma dinâmica de acumulação
do capital, muito menos à emancipação dos trabalhadores. Ficou
ela entregue a auto-reprodução da burocracia acadêmica. De certo,
a Universidade Nova é um projeto modernizador, porém se trata de
mais uma “modernização conservadora” como todas as outras
formas de modernização impostas que aconteceram neste país. Se é
moderno ou não, pouco importa. Os questionamentos devem ser outros.
O que se deve querer saber é quais interesses este projeto vem atender e de que forma setores antes
excluídos serão ainda mais marginalizados. Mas é importante
também pontuar que a Universidade Nova em nada se aproxima do
projeto nacional-desenvolvimentista burguês, aliás, vai exatamente
contra ele, e por isso não pode passar de uma falsificação histórica
colocar em Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira como as principais referências.
Isso
significa que a Reforma Universitária terminou? Não exatamente.
Ela provavelmente terá que ser repensada, mas não mudará muito
sua linha. A Universidade Nova é completamente conciliatória com a
Reforma Universitária porque não prevê mais recursos estatais
para as universidades e aponta para o financiamento ainda maior das
universidades particulares. Ainda mais: a Reforma Universitária
atacava inevitavelmente alguns setores da burocracia acadêmica, que
agora se sentem contemplados pela Universidade Nova. Esses setores
viam na Reforma Universitária um ataque à sua autonomia de vender
a universidade. Agora a Universidade Nova resolve esta questão,
conferindo ainda mais poderes à burocracia, legitimando e
provavelmente legalizando sua ação.
E
é na defesa da autonomia que a Universidade Nova produz seu maior
trunfo, tentando passar a idéia de que nasceu na base do diálogo
com a comunidade acadêmica e é apresentado por porta-vozes eleitos
democraticamente (os reitores) – ao contrário da Reforma
Universitária que era uma imposição do MEC (e do FMI, do Banco
Mundial, etc.). Na verdade eles – os reitores – só seguem o
script, que poderia tranquilamente também ser seguido pelo MEC, se
já não estivesse tão desgastado. O que já está nítido é que
uma articulação entre os reitores e o governo se consolidou para
atender a interesses do novo capital.
Mais
do que isso. A Universidade Nova surge com uma estratégia
inteligente de incorporar de forma corrompida as demandas dos
movimentos que lutam pela educação. Apresenta-se, para camuflar
seu caráter segregador, como a alternativa para o fim do vestibular
e para o aumento do número das vagas. Sem muito esforço é fácil
demonstrar que nada disso é verdade, mas como não há um movimento
significativo de resistência a este projeto, e seus defensores têm
cada vez mais acesso aos meios de comunicação de massa, tudo é
colocado como verdade e consenso. O máximo que se conseguiu pensar
para substituir o vestibular é o ENEM, exame que carrega consigo
muito mais problemas do que a maioria dos vestibulares. Além do
que, o verdadeiro vestibular passaria a acontecer na passagem dos
Bacharelados Interdisciplinares (BI's) para os cursos
especializados, que com o aumento da autonomia das burocracias acadêmicas,
a seleção passaria a atender aos interesses de grupos
particulares. Assim, a verdadeira universidade, a do segundo
momento, devido ao gargalo criado entre os BI's e os próximos
ciclos, pode passar a ter menos estudantes do que a atual,
escolhidos propositadamente para reproduzirem mecanicamente o saber
ou para produzirem conhecimento subordinado aos interesses do
capital.
Por
sua vez, só o apego da esquerda brasileira à universidade
burguesa, inclusive do setor mais radical, pode explicar a
tentativa, por parte dos defensores da Universidade Nova, de
associar o projeto do novo capital às referências nacionais (Darcy
Ribeiro e Anísio Teixeira). É por esse apego aos ideais
nacional-desenvolvimentistas que a esquerda brasileira sempre se
mostrou incapaz de elaborar um projeto de universidade que tenha um
papel importante na organização e na melhoria de vida dos
trabalhadores. Assim, mesmo neste momento de reorganização, se
restringem às palavras de ordem do tipo "mais verbas para
educação" ou "pela universidade pública, gratuita e de
qualidade", objetivos um tanto o quanto vazios para quem
reivindica uma reorganização classista. Afinal, será que a
burocracia acadêmica também não defende seu posto com a busca de
mais verbas para educação? E o que significa "qualidade"
neste novo contexto?
Para
agravar a situação, já há indícios que este projeto pode ser
aprovado por decreto, sem ter que enfrentar os debates que a Reforma
Universitária encontrou pela frente. Mas enquanto isto pouco se tem
dito de forma mais elaborada sobre os prováveis efeitos desta
transformação das universidades. Nenhum dos grandes grupos da
esquerda brasileira aponta para pretensão de expandir este debate
para o conjunto da classe trabalhadora, chamando-a para construir
uma contraproposta. Até agora tudo não passa de um debate feito
dentro de um movimento estudantil dividido que não conta com o
apoio significativo nem dos professores nem dos técnicos. A maior
parte da oposição de esquerda usa o debate sobre os rumos da
universidade como palanque para bater nos governos, mas não há uma
preocupação real de construir uma universidade de caráter
popular.
__________
Referências
bibliográficas
Blog “Parar Bolonha”. Disponível em:
<http://www.pararbolonha.blogspot.com>.
Acessado em: maio de 2007.
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em: <http://www.universidadepopular.blogspot.com>.
Acessado em: maio de 2007.
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Acessado em: maio de 2007.
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Acessado em: maio de 2007.
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profundo conhecedor da UnB. Disponível em: <http://www.unb.br/acs/unbagencia/ag1005-31.htm>.
Acessado em: maio de 2007.
UNE
- União Nacional dos Estudantes. Oclae:
muito além dos 40. Disponível em: <http://www.une.org.br/home3/opiniao/artigos/m_7646.html>.
Acessado em: maio de 2007.
por
DANIEL
ANDRADE CARIBÉ
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