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por
ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI
Professor do
Mestrado em Educação nas Ciências da UNIJUÍ - RS. Doutor em Ciências
Econômicas e Sociais pela Universidade de Osnabrück – Alemanha
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Resistência
a transgênicos cresce na Alemanha
Já
há mais tempo se sabe que cerca de 70% dos consumidores alemães
recusam alimentos transgênicos e muitas das suas organizações
representativas vêm promovendo debates, mobilizações e ações
jurídicas em oposição à liberação do cultivo de milho
resistente a insetos, proibido em países vizinhos como a Áustria,
a Suíça e a Polônia. Agora é a vez dos agricultores e
apicultores que, temendo a contaminação do milho convencional e
orgânico, se organizam em zonas autodeclaradas livres de transgênicos.
O movimento iniciado em 2005 por organizações ecológicas e
representativas dos pequenos agricultores (como a AbL e o BUND) já
é o maior movimento de base na história da agricultura alemã e
continua crescendo. São 154 regiões que se declararam livres de
transgênicos, uma iniciativa de resistência criativa e eficiente,
envolvendo 27 mil propriedades rurais em 1.110.000 hectares, que
contrastam com os 2.700 hectares de milho transgênico atualmente
existentes no país.
Diante
da crescente contrariedade, especialmente dos pequenos agricultores,
o ministro da agricultura da Alemanha, Horst Seehofer, com sua maior
base eleitoral situada no Estado da Baviera (segundo maior em zonas
livres de transgênicos), começou a recuar em suas posições
inicialmente favoráveis à transgenia, reconhecendo os graves
efeitos ambientais do milho Bt
sobre outros insetos. Além disso, o ministro agendou para o dia 8
de agosto o anúncio de uma regulamentação mais rígida sobre o
tema, iniciando com o aumento da distância mínima exigida entre
cultivos transgênicos e orgânicos de 150 para 300 metros.
Enquanto
isso, a mobilização na sociedade civil continua crescendo. Nos
dias 20-22/07 foi organizada, pela terceira vez, o Final de Semana
Livre de Transgênicos pelo movimento nacional Gendreck-weg (Fora à
Sujeira Transgênica), envolvendo mais de 500 pessoas em workshops,
debates, cultos, apresentações artísticas e protestos, culminando
com a destruição simbólica de 5 hectares de milho transgênico,
cultivados em Oderbruch, localizada a cerca de 150 Km de Berlim, na
fronteira do país com a Polônia. Apesar da presença de 570
policiais, mais de 50 pessoas conseguiram furar o bloqueio policial
e destruir parte das lavouras arrendadas por uma cooperativa da região
em convênio com a Monsanto.
Em
todo o território alemão os debates sobre o tema estão sendo
intensificados. Palestras, debates, reportagens em jornais,
revistas, emissoras de rádio e televisão, livros e freqüentes
manifestações contribuem para a informação do público em geral,
que parece estar muito mais atento ao tema do que em outras épocas.
E o famoso ditado popular brasileiro “governos são como panela de
feijão, funcionam em benefício da maioria somente com muita pressão”
parece se confirmar também na Alemanha.
por
ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI
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