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por
MIRTES LIA
PEREIRA BARBOSA
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E
agora professora?
Por
que a professora aceita trabalhar separada da potência de criar
educação, pedagogia, currículo, da qual acreditava ser capaz? Por
que ela não luta contra tudo o que ameaça a sua vida criativa de
educadora? Por que chega à escola sempre vestida com a pompa
circunstanciada e todos os valores estabelecidos, dos quais resulta
mais tristeza? Por que não trabalha de maneira leve e despojada,
livre e bem-humorada, que crie condições de possibilidade para
fazer de sua profissão uma obra artística?
(CORAZZA,
2005, p. 103).
Diretrizes
curriculares para o Curso de Pedagogia, destacando a formação de
pedagogas com várias habilitações, formação de pedagogas através
da modalidade de educação a distância, formação de professoras
no Curso Normal Superior, formação de professoras no Curso Normal
em nível técnico, cursos, palestras, congressos, orientações das
Secretarias Municipais de Educação, Parâmetros Curriculares
Nacionais, ampliação da escolarização do Ensino Fundamental para
nove anos, trabalho em escolas seriadas, trabalho em escolas
cicladas, práticas escolares desenvolvidas através de projetos de
ensino, eixos temáticos, livros didáticos, apostilas nos impelem a
perguntar: e agora professora?
Freqüentemente,
no meio educacional, tem-se discutido os modos como são ensinadas
as crianças nas escolas, seja em escolas públicas ou privadas. Porém,
conforme temos discutido em nossas pesquisas,
é preciso ressaltar que tais discussões recebem influência
(sobretudo) dos saberes das Ciências Humanas (entre outras instâncias)
que “ensinam” as professoras como funciona o desenvolvimento
dessas crianças, através de metodologias de trabalho, modos de
intervir no ensino-aprendizagem em sala de aula, que têm o intuito
de escolarizar a infância. Portanto,
a partir de tal argumento, é possível destacar que não é apenas
o aluno que é “ensinado” a ser, a viver e a conviver através
da observação, narração e julgamento de si, mas, muito antes do
mesmo começar a freqüentar tal instituição, ocorre esse processo
de “produção” com a professora. Desse modo, é interessante
ressaltar o dito por Loponte (2005) quando, em sua pesquisa,
assegura – entre outras considerações – que os discursos pedagógicos
de
formação docente são muitas vezes prescritivos, determinadores.
Procuram-se, desesperadamente, os “dez mandamentos do bom
professor”, as competências, as palavras-chave que nos trarão
todas as respostas. Os professores e professoras muitas vezes
iludem-se na busca de receitas infalíveis, de textos que nos
modelam, que tranqüilizam, que não nos deixam inquietas. Estes
textos que seduzem pela promessa da salvação (p. 119-20).
A
partir da contribuição da autora, é possível dizer que os
saberes, os quais investem na “captura” da infância e na produção
de conhecimentos sobre a mesma, circulam e operacionalizam-se através
dos discursos pedagógicos, que, por meio da sua vontade
de saber e de poder, procuram (con)formar a docência. Tais
discursos, através da definição de categorias de desenvolvimento
e aprendizagem, podem ser considerados os mesmos que “ensinam”
as professoras como devem agir com as crianças na escola e quais as
melhores (e mais atuais) metodologias para o sucesso de seu
trabalho. Se formos examinar os cursos destinados à formação de
professoras, desde seus tempos remotos, conforme destacam De Marco
(2003) e Nosella
(2005), podemos dizer que os mesmos dedicaram-se (e dedicam-se) a
“ensinar como se ensina”. A professora, assim, aprende a ser
professora de um certo jeito, para um certo tipo de aluno. Cabe a
ela, portanto, a partir de seus conhecimentos, definir qual será a
melhor decisão para a formação de seus alunos. Quase numa função
de pastora, que mantém como missão orientar seu rebanho, essa
profissional assume a responsabilidade do destino de sua turma e
responde (muitas vezes) pelos “pecados” que possam ser cometidos
em seu espaço.
Desse
modo, a partir de uma perspectiva pós-estruturalista, entendemos
que não há uma essência na condição de ser professora, mas
construções, invenções de verdades sobre corpos que são
educados para educar. Portanto, somos professoras deste ou daquele
jeito porque fomos ensinadas pelos cursos que freqüentamos, pelos
discursos da mídia, pelos livros que lemos, pelas experiências que
temos e não, simplesmente, porque esse é o nosso “dom”. Nesta
perspectiva, o objetivo desse artigo é o de problematizar a formação
das professoras de Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino
Fundamental a partir dos seguintes questionamentos: de que modo
estamos sendo produzidas para escolarizar a infância? Quais os
efeitos dos discursos que nos formaram, e ainda nos formam, em
nossos corpos e nos corpos de nossos alunos? Como desnaturalizar o
que nos parece tão comum e óbvio nas práticas escolares? Se somos
ensinadas por discursos científicos que nos parecem verdades, não
seria possível problematizar, duvidar desses discursos? Desse modo,
temos como propósito, a partir de nossa escrita, ressaltar que tais
questionamentos podem possibilitar (muitas vezes) resistir e
experimentar espaços de liberdade. Liberdade que nos possibilite
pensar nos modos como têm sido constituídas nossas subjetividades
enquanto professoras e como, através de nossas práticas, temos
contribuído para “formação” de nossos alunos.
Esse
modo de pensar possibilita que os discursos escolares que, em muitos
casos, buscam “capturar” a infância e a docência através de
determinados padrões de comportamento e de práticas escolares,
sejam problematizados, não porque pensamos, resignadamente, mas
porque perguntamos se não seria possível pensar de outra forma.
Nesse sentido, concordamos com Loponte (2005, p. 138) quando afirma
que não há a “intenção de, enfim, liberar estas pobres
mulheres professoras de todo o mal, de toda a opressão masculina ou
sujeição a discursos alheios”, mas a de experimentar a
possibilidade de uma docência baseada na invenção de si mesma.
Para
continuar a perguntar
Ao
perguntarmos “e agora professora?”, propomos que essas
profissionais remetam-se a questionar o que, como e por que são do
jeito que agora se apresentam para si mesmas e para as crianças e
adolescentes com os quais trabalham. Por que fazem seu trabalho de
um jeito e não de outro? Seria porque acreditam, impiedosamente,
nessas ações, nesses modos de pensar a educação e foram
ensinadas que isso era trabalho feminino e a melhor opção social
que lhes convinha? São tantas as discussões, mudanças, projetos e
propostas no meio educacional que, talvez, essas professoras estejam
mergulhadas em um emaranhado de saberes que insistem, a cada tempo,
em lhes dizer quais as melhores formas de ser professora. Pode-se
dizer, portanto, conforme destacam Garcia, Hypolito e Vieira (2005,
p. 47), que “diferentes regimes do eu e formas de subjetivação
concorrem para essas definições e lutam pela imposição de
significados acerca de quem as professoras devem ser”, como devem
atuar profissionalmente e qual metodologia de trabalho devem aderir
perante os desafios da contemporaneidade.
Portanto,
inúmeros são os cursos de graduação preocupados em formar
professoras mais dedicadas à sua atuação, profissionais
comprometidas com a aprendizagem e o desenvolvimento de seus alunos,
capazes de analisar, perceber, ensinar e avaliar, através de certos
métodos, o que melhor convier ao seu contexto escolar. Entretanto,
essas escolhas estão condicionadas a saberes que, historicamente, têm
conformado a Educação e a Pedagogia. Saberes que se preocuparam, e
ainda se preocupam, em melhor formar as professoras para atuarem nas
escolas.
À
medida que lançamos olhares sobre a História da Educação,
podemos dizer que, desde o século XIX, no Brasil, conforme Costa
(1999), a formação das professoras esteve condicionada à produção
de um certo tipo de aluno que, bem educado e “civilizado”, se
tornaria um adulto trabalhador e útil para a sociedade. Para tanto,
era preciso que a professora demonstrasse, em suas características,
as mesmas “virtudes” que se desejava para a formação daqueles
que eram destinados aos seus cuidados. A educadora deveria
representar um bom exemplo moral e sua função não poderia ser
exercida apenas pelos salários que ganhavam. Através da “boa
moral” da professora, investia-se na educação moral das crianças.
Deveria ser amorosa e dedicada à formação de um ser, cujos hábitos
representassem sua servidão ao Estado através do trabalho, da saúde
e do bem-estar, deveria ser alguém justo e solidário que não
recorresse a punições físicas, pois essas somente degradavam a
formação das crianças que, por medo, se tornariam mentirosas e
hipócritas. Portanto, a professora deveria ser um sujeito
moralmente afetuoso, de bons hábitos e muito paciente para que
fossem capazes de transmitir os mesmos comportamentos às crianças
e jovens. Enfim, era preciso ser professora, como aponta Chaman
(2005, p.79), para contribuir “com o avanço da nação sem,
contudo, perturbar sua ordem”.
Assim,
a professora ocupa uma posição estratégica de governo da população,
pois, através de sua formação, será educada, formada,
disciplinada para ensinar de certa forma e, portanto, produzir um
determinado tipo de aluno e cidadão. Portanto, professoras também
são rebanho de outros setores responsáveis pela produção da
educação. Administradores, orientadores, supervisores,
Secretarias, entre tantas outras instituições que se destinam a
pensar a educação num processo de olhares constantes e
ininterruptos de uns sobre os outros e de cada um sobre si mesmo, em
prol de uma sociedade mais justa e civilizada que carrega nas crianças
o “futuro promissor” da população.
Não
é estranho entrarmos nas escolas e assistirmos às infindáveis
discussões de professoras (e professores) afirmando que não sabem
mais o que fazer com esse ou aquele aluno que não aprende ou, até
mesmo, frases que remetem a si o “insucesso” de seus alunos ao
dizerem: “o que foi que eu não fiz para que ele não aprendesse?
Onde foi que eu falhei?”. O sucesso ou o fracasso
escolar é entendido, em muitos casos, como o sucesso ou o fracasso
da professora, tanto por outras instâncias, como por ela mesma,
pois, desde sua formação, a mesma encontra-se em um processo
constante de subjetivação.
Nessa
perspectiva, acompanhamos Garcia (2002) quando afirma que não
estamos acostumados a pensar nos discursos que dirigimos às
professoras como discursos de
disciplina que (entre outros aspectos) procuram ensinar as
mesmas formas de ser, de conviver, de lidar consigo e com os outros.
No entanto, como diz a autora, é, através dessas práticas de constituição
de si, operacionalizadas no âmbito das escolas e dos cursos de
formação docentes, que as futuras professoras são envolvidas em
“exercícios nos quais têm que praticar habilidades de reflexão,
auto-reflexão, autovigilância, confissão, etc” (p.139). Sendo
assim, a partir de tal argumento, podemos citar como discurso
disciplinar – que compõe os dispositivos de governo do pensamento
docente – o perfil da pedagoga egressa do curso de Pedagogia,
expresso nas Diretrizes Curriculares Nacionais de 13/12/05. Conforme
o documento, o/a profissional egresso/a do curso de Pedagogia deverá
estar apto/a a:
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atuar
com ética e compromisso com vistas à construção de uma
sociedade justa, equânime, igualitária;
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compreender,
cuidar e educar crianças de zero a cinco anos, de forma a
contribuir para o seu desenvolvimento nas dimensões, entre
outras, física, psicológica, intelectual, social;
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fortalecer
o desenvolvimento e as aprendizagens de crianças do Ensino
Fundamental, assim como daqueles que não tiveram oportunidade
de escolarização na idade própria;
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trabalhar,
em espaços escolares e não-escolares, na promoção da
aprendizagem de sujeitos em diferentes fases do desenvolvimento
humano, em diversos níveis e modalidades do processo educativo;
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reconhecer
e respeitar as manifestações e necessidades físicas,
cognitivas, emocionais e afetivas dos educandos nas suas relações
individuais e coletivas;
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aplicar
modos de ensinar diferentes linguagens, Língua Portuguesa,
Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação
Física, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes
fases do desenvolvimento humano, particularmente de crianças;
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relacionar
as linguagens dos meios de comunicação aplicadas à educação,
nos processos didático-pedagógicos, demonstrando domínio das
tecnologias de informação e comunicação adequadas ao
desenvolvimento de aprendizagens significativas;
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promover
e facilitar relações de cooperação entre a instituição
educativa, a família e a comunidade;
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identificar
problemas socioculturais e educacionais com postura
investigativa, integrativa e propositiva em face de realidades
complexas, com vistas a contribuir para superação de exclusões
sociais, étnico-raciais, econômicas, culturais, religiosas,
políticas e outras;
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demonstrar
consciência da diversidade, respeitando as diferenças de
natureza ambiental-ecológica, étnico-racial, de gêneros,
faixas geracionais, classes sociais, religiões, necessidades
especiais, escolhas sexuais, entre outras;
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desenvolver
trabalho em equipe, estabelecendo diálogo entre a área
educacional e as demais áreas do conhecimento;
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participar
da gestão das instituições em que atuem enquanto estudantes e
profissionais, contribuindo para elaboração, implementação,
coordenação, acompanhamento e avaliação do projeto pedagógico;
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participar
da gestão das instituições em que atuem planejando,
executando, acompanhando e avaliando projetos e programas
educacionais, em ambientes escolares e não-escolares;
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realizar
pesquisas que proporcionem conhecimentos, entre outros: sobre
seus alunos e alunas e a realidade sociocultural em que estes
desenvolvem suas experiências não-escolares; sobre processos
de ensinar e de aprender, em diferentes meios ambiental-ecológicos;
sobre propostas curriculares; e sobre a organização do
trabalho educativo e práticas pedagógicas;
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utilizar,
com propriedade, instrumentos próprios para construção de
conhecimentos pedagógicos e científicos;
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estudar,
aplicar criticamente as diretrizes curriculares e outras
determinações legais que lhe caiba implantar, executar,
avaliar e encaminhar o resultado de sua avaliação às instâncias
competentes;
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Optamos
em trazer na íntegra o perfil definido nas Diretrizes Curriculares
Nacionais para a formação da pedagoga, por acreditarmos que é, no
seu conjunto, que se encontra a caracterização final do que e como
deve ser formado esse profissional nos próximos anos. Destacamos,
dessas diretrizes, a capacidade de conhecimento, a multiplicidade de
habilidades a serem desenvolvidas nessa profissional e o poder que
lhe conferem de transformar a sociedade em um lugar “mais justo e
igualitário”. Para tanto, não muito diferente do que vimos na
História da Educação, essa profissional deverá ser alguém, também,
justo, moralmente bem formado, virtuoso, que seja capaz de ensinar o
que significam essas palavras e comportamentos às crianças e
jovens que por elas passarem. Enfim, será a Pedagoga dos anos
seguintes um “exemplo para o bem da nação”.
Pode-se
perceber que, em tal discurso, a consciência
e o sujeito autocentrado recebem uma posição de destaque. Conforme
Silva (1994), tal posição é concedida pelas diferentes
“pedagogias” que têm perpassado o pensamento educacional, como
a do humanismo tradicional, dos fundamentos das psicologias
(humanistas e desenvolvimentistas), das pedagogias críticas e das
pedagogias libertadoras, entre outras. Nesse sentido, a partir da
argumentação do autor, é possível dizer que, na perspectiva de
análise que estamos empreendendo a escrita do presente artigo,
inspirada (sobretudo) em uma perspectiva pós-estruturalista,
questionamos a suposição dessa consciência e desse sujeito, já
que existe um descentramento de ambos.
Sendo
assim, cabe ressaltar que as diretrizes ressignificam e fortalecem o
poder pastoral da professora, constituindo a pedagoga como um ser
essencial, autocentrado, capaz de grandes feitos para o bem da
humanidade. Esse sujeito não apenas ensinará conteúdos, mas
tratará, em sua nova versão de professora de diferentes níveis do
Ensino Fundamental e gestora da educação, de perceber problemas
sociais e culturais, contribuindo para a superação das
desigualdades sociais, políticas, econômicas, raciais, entre
outras. A partir dessa missão “salvacionista”, através da
qual, como diz Silva (1994, p. 249), “filosofia da consciência e
educação quase se confundem”, acreditamos que seja importante
pensarmos, com urgência, a respeito do que estamos fazendo de nós
mesmos, como estamos nos constituindo enquanto pedagogos e quais os
efeitos dos discursos advindos da legislação em nossa constituição
pessoal e profissional.
Esses
discursos que vemos (re)surgir através da mídia, da formação de
professoras, nas conversas de escola entre intelectuais e
profissionais da educação, conforme afirma Garcia (2002), carregam
uma vontade de verdade que modificados, ressignificados dão lugar a
outros discursos entendidos, momentaneamente, como os mais
verdadeiros e propícios à efetivação dos interesses do Estado.
Ao instituírem discursos, ditos como verdadeiros para a “boa”
formação da pedagoga, as diretrizes produzidas a partir de
discursos pedagógicos, sociológicos, psicológicos, entre outros,
que contribuem para a produção da Pedagogia, favorecem um modo
específico de governo e autogoverno do corpo docente. Para adquirir
o perfil desejado, a pedagoga será ensinada, disciplinada, até que
possa se autogovernar e aprimorar, assim, sem prejuízos, sua prática
docente.
E
agora professora? Por que deixar levar-se por tudo que dizem e fazem
da pedagogia? Que rumo tomar ao perceber novos discursos que
fortalecem as relações de poder-saber na formação docente? De
que forma questionar o que se fortalece nesses discursos? Quais as
brechas para nos desprender dessas amarras que fazem da profissão
da professora algo salvacionista, estratégico e quase impossível
de cumprir, deixando-nos horrorizadas e desesperadas quando, ao
final do ano letivo, percebem que não conseguiram alcançar o
almejado? Como escreve Corazza (2005), ser professora não é apenas
guardar, aprender, decorar, acumular conhecimentos, práticas e
experiências pedagógicas, mas, sobretudo, desprender-se,
libertar-se, abandonar, desassossegar, desequilibrar e
desequilibrar-se e, por que não, desconstruir-se diariamente.
Propomos
a problematização, um não-querer-deixar-acontecer de repente, de
qualquer jeito, um não-se-deixar-levar por promessas de solução,
de qualidade de ensino, de educação para todos, de formação de
uma pedagoga mulher-maravilha que tudo pode. De idéias fáceis e
discursos enobrecedores, a Pedagogia está repleta. É preciso,
entretanto, pedagogas que problematizem tal facilidade e que se
sintam encorajadas a desestabilizar o que se mantém como
naturalizado. Acreditamos que, desse modo, a pergunta: “e agora
professora?” deixe de ser estranha aos nossos ouvidos, muitas
vezes, acostumados com os discursos de quem ainda acredita que
salvar o mundo é a missão da pedagoga.
por
MIRTES LIA PEREIRA BARBOSA
& RODRIGO
SABALLA DE CARVALHO
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Referências
BRASIL.
Diretrizes Curriculares
Nacionais para o Curso de Pedagogia. Conselho Nacional de Educação.
Ministério da Educação, 2005.
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do Magistério: ambigüidades e conflitos. Autêntica: Belo
Horizonte, 2005.
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COSTA,
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DE
MARCO, Rosane de Rigo. Curso de pedagogia: conquistas e desafios. Passo Fundo: UPF, 2003.
GARCIA,
Maria Manuela Alves. Pedagogias críticas e subjetivação: uma perspectiva foucaultiana.
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HYPOLITO, Álvaro Moreira; VIEIRA, Jarbas Santos. As identidades
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LOPONTE,
Luciana Gruppelli. Docência artista: arte, estética de si e subjetividades femininas.
Porto Alegre: UFRGS, 2005. 207 f. Tese (Doutorado em Educação) –
Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.
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Paolo; JARDILINO, José Rubens Lima (Org.). Os
professores não erram: ensaios de história e teoria sobre a
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SILVA,
Tomaz Tadeu. Sujeito da Educação: estudos foucaultianos. Rio de Janeiro: Vozes,
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