Sergio
Lessa
Para
compreender a Ontologia de Lukács
3.ed.rev.amp.
Ijuí: Editora Unijuí, 2007, 240 p.
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Para
uma ontologia do ser social foi a obra derradeira escrita na
maturidade de Georg Lukács, o proeminente filósofo marxista húngaro
que se tornou um dos pensadores mais influentes e originais do século
XX. Nela, o autor, preconizando o retorno a uma leitura de Marx por
Marx, aprofunda a tese marxiana do trabalho como intercâmbio
homem-natureza enquanto categoria central da sociabilidade,
edificante do que o próprio Marx havia chamado de “mundo dos
homens”.
Para
compreender a Ontologia de Lukács é, por sua vez, uma obra
introdutória, para leitores não-especializados, às principais
categorias da ontologia lukacsiana. Inicia pela discussão das três
esferas ontológicas (a inorgânica, a orgânica e a social),
prossegue com a exposição das categorias do trabalho, reprodução,
ideologia e alienação e conclui com um capítulo que aborda a relação
entre o trabalho enquanto categoria fundante do ser social e as
classes sociais no capitalismo contemporâneo.
Nesta
edição, Sergio Lessa – docente da Universidade Federal de
Alagoas, estudioso de Lukács e um dos tradutores para o Brasil da
obra de István Mészáros, Para
além do capital – agrega dois textos anexos, que respondem a
polêmicas atuais a respeito da ontologia lukacsiana: o primeiro
esclarece que Lukács teorizou sobre a ontologia no intuito de
“demonstrar a possibilidade ontológica e a necessidade histórica
da superação comunista da sociabilidade burguesa”; o segundo
evidencia em que sentido a concepção crítica de Lukács rompe com
o que tradicionalmente se entendeu por ontologia, muitas vezes
condenando-se esse termo à significação exclusiva que adquiriu na
metafísica clássica ou medieval.
Escrito
de forma clara e articulada, o livro não apenas inicia o leitor nas
categorias ontológicas nucleares de Lukács, mas também discute as
principais questões teóricas e críticas que estão envoltas nos
domínios dessa ontologia histórico-social. Além das já
descritas, enfoca a candente problemática da historicidade e da essência,
que o livro retoma competentemente de modo a dar voz à argumentação
de Lukács contra o modo comum instituído de se compreender a questão.