por ANTONIO OZAÍ DA SILVA

Docente na Universidade Estadual de Maringá (UEM), membro do Núcleo de Estudos Sobre Ideologia e Lutas Sociais (NEILS – PUC/SP) e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP)

 

 

O Alienista: Literatura, Ciência e Poder

 

"O A l i e n i s t a", 1948 - Cândido Portinari (1903-1962). Fonte: http://www.centrocultural.sp.gov.br/virtuais/artilust/alienis.htm O Alienista, de Machado de Assis, foi originalmente publicado entre 1881 e 1882, como parte da coletânea Papéis Avulsos. Este conto expressa a crítica ao cientificismo do século XIX e, por extensão, ao positivismo. Embora escrito há mais de um século, as palavras machadianas permanecem atuais. A obra permite a reflexão sobre a literatura enquanto um saber que também se indaga sobre o seu tempo e questiona a verdade e o poder estabelecidos. Trata-se de outro saber, que não se pretende científico, mas que é tão legítimo quanto aquele.

O Alienista pode ser analisado em várias perspectivas. Porém, a partir do olhar[1] que adotamos, seu foco privilegiado reside na reflexão sobre o poder concentrado nas mãos do cientista Dr. Simão Bacamarte, personagem central da obra. Como ressalta Gomes (1994:153):

“A tensão fundamental do texto está noutro lugar: o poder da ciência que a retórica científica pretende mascarar. Machado está além de seu século, não apenas por questionar a concepção racionalista e positivista da ciência, mas por questionar o poder de todo e qualquer saber que pretenda apresentar-se como rigorosamente objetivo e com pretensões universais”.

O eminente doutor concentra a autoridade de definir os critérios sobre o que é a conduta normal e a que indica estágio de loucura. Seu poder imperativo tem a ciência como fonte, da qual se considera representante, juiz e executor. Amparado em argumentos pretensamente científicos, teorias que formula ao sabor da evolução dos acontecimentos, o Dr. Bacamarte atua como um ditador, uma espécie de déspota esclarecido. Ele classifica e decide quem deve ser internado no hospício denominado Casa Verde, “cárcere privado” ou, ironicamente, a “bastilha da razão humana” (ASSIS, 1998:39 e 49). “Não se sabia já quem estava são, nem quem estava doido. As mulheres, quando os maridos saíram, mandavam acender uma lamparina a Nossa Senhora; e nem todos os maridos eram valorosos, alguns não andavam fora sem um ou dois capangas”, escreve Machado de Assis (id. 45). Suas palavras dão a idéia do reino de terror imposto sobre a pequena Itaguaí.

Claro, há resistências. Mas todos terminam por se dobrar à ciência. Mesmo quando a situação parecer desesperadora, por exemplo quando a rebelião dos canjicas se torna vitoriosa, o Dr. Bacamarte termina por se sair bem e o líder dos rebelados o procura para reconciliar. Aliás, na vida real esta parece ser uma constante. Os rebeldes, tão logo instituem seu poder, negociam para que tudo permaneça na mais perfeita ordem. No caso em questão, significa a manutenção da Casa Verde e a legitimação do poder do Dr. Bacamarte. Como observou Alfredo Bosi (1999:90):

“Há, pois, uma situação prévia de domínio que dobra a língua e a espinha dos que rodeiam Simão Bacamarte. Esse domínio se exerce em nome de uma atividade considerada neutra, “acima dos apetites vulgares”: a ciência, o amor à Verdade, que inspira o psiquiatra”.

Tudo em nome da ciência. Quem se atreve a desafiá-la? Quem pode duvidar das suas boas intenções? Quem é capaz de questionar seus veredictos? Só loucos!! Observe-se que o poder político instituído legitima a atuação e as decisões do nobre cientista. A Câmara aprova suas propostas, mesmo quando ele muda radicalmente a teoria e decide libertar os “loucos” trancafiados na Casa Verde, ou seja, a maioria da população e, de acordo com a nova teoria, recolher ao hospício “as pessoas que se achassem no gozo do perfeito equilíbrio das faculdades mentais” (ASSIS, 1998: 75). A representação política da cidade concorda que os “normais” sejam internados, o que incluía figuras ilustres da cidade.

Neste momento do enredo, valores como a honestidade e a ética são concebidos como sintomas de anormalidade, pois diferenciam quem ostentam tais atributos. A sátira não esconde a pretensão à normatização, isto é, a institucionalização da normalidade:

“O normal seria algo de homogêneo repetido ao infinito. O normal é a forma pura da aparência pública, a forma formada, a forma alheia a qualquer movimento interior. O “institucional” sem surpresas, esta é a essência da razão que se impõe como critério na cabeça do alienista” (BOSI, 1999: 90-91).

É verdade que a narrativa literária exacerba as situações e personagens, mas também na vida real o poder da ciência tem como fonte a sociedade, o poder político e econômico. A ciência não paira solta no ar. O Alienista satiriza a pretensão científica de legislar sobre a mente humana, de definir a exata fronteira entre o normal e o louco. O cientista revela-se o único louco de Itaguaí, representando a loucura que a racionalidade científica também encerra. Porém, o Dr. Bacamarte não titubeia. Ele persiste em seus objetivos pretensamente científicos e humanitários, em qualquer circunstância.

Crítica da ciência

Devo esclarecer, em especial aos pretensos filósofos da ciência e outros cientistas não menos autorizados, que não me incluo nem entre os apologistas da racionalidade científica e nem entre os que negam sua importância. Não se trata de negar o caráter emancipador e positivo da ciência, especialmente, desde as suas origens, o significado esclarecedor, a superação das superstições e da ignorância. Não obstante, o saber científico é apenas um entre outros saberes, os quais são costumeiramente deslegitimados e desqualificados pelos que absolutizam o saber científico. Esta é sua tentação totalitária – no sentido da sua ambição em abarcar todo o conhecimento humano e também enquanto significado político de poder autoritário e colonialista.

Em outro texto[2], sem qualquer ambição acadêmica, observei a necessidade de refletirmos sobre as verdades absolutas que, à maneira religiosa, recebem o manto da “ciência”; que, sob os auspícios da razão moderna, se impõem enquanto padrão que reina absoluto e, em geral, desqualifica qualquer saber que não tenha a sua sanção. Desde a aurora da modernidade, e caminhando pari passu com o poder político e econômico ocidental colonialista, legitimando e legitimado por este, a predominância deste padrão significou a negação de qualquer racionalidade a outros saberes fora do “campo científico”. Mesmo a crítica a determinados aspectos da razão moderna ocidental transita em referência ao mesmo padrão. Entre outros efeitos negativos, impôs-se o silêncio ao “outro”, o colonizado.[3]

É evidente que o conhecimento científico produziu imensos progressos técnicos e possibilitou a melhoria das condições de vida para parcela considerável da humanidade. Como salienta Morin (2003: 15-16): “A ciência é, portanto, elucidativa (resolve enigmas, dissipa mistérios), enriquecedora (permite satisfazer necessidades sociais e, assim, desabrochar a civilização; é, de fato, e justamente, conquistadora, triunfante”.

Não obstante, a ciência não é a única manifestação de saber presente e atuante na sociedade. A experiência do senso comum, e mesmo manifestações culturais e religiosas, expressam saberes fundamentais à vida humana. A ciência se arroga a superioridade, numa ordem hierárquica histórica e politicamente instituída. A desqualificação do senso comum pela intelectualidade instruída, além de revelar o elitismo ignóbil, desconsidera o pequeno detalhe de que o próprio conceito também é uma construção histórica:

“O senso comum, enquanto conceito filosófico, surge no século XVIII e representa o combate da burguesia emergente contra o irracionalismo do ancien regime. Trata-se, pois, de um senso que se pretende natural, razoável, prudente, um senso que é burguês e que, por uma dupla implicação, se converte no senso médio em senso universal. A valorização filosófica do senso comum esteve, pois, ligada ao projeto político de ascensão da burguesia, pelo que não surpreende que, uma vez ganho o poder, o conceito filosófico de senso comum tenha sido correspondentemente desvalorizado como significando um conhecimento superficial e ilusório. É contra ele que as ciências sociais nascem no século XIX. Mas ao contrário das ciências naturais, que sempre recusaram frontalmente o senso comum sobre a natureza, as ciências sociais têm tido com ele uma relação muito complexa e ambígua” (SANTOS, 1989: 36-37).[4]

Ora, a imaginação, e mesmo as manifestações caracterizadas e rejeitadas como irracionais, também fazem parte do pensar e agir da humanidade, na qual, se não me engano, se incluem os cientistas e os doutos. Será que são racionais full time? A ciência nem sempre é tão racional quanto se presume, mesmo porque também tem a influência da sociedade, do poder econômico e político e da subjetividade do cientista. Basta um olhar para o século XX e pensar sobre o que se realizou em nome da razão ou através desta! Portanto, também é premente se interrogar sobre a pretensão absolutista da racionalidade científica, questionar o seu poder e desvelar os seus aspectos negativos. Nas palavras de Edgar Morin (2003:16):

“E, no entanto, essa ciência elucidativa, enriquecedora, conquistadora e triunfante, apresenta-nos, cada vez mais, problemas graves que se referem ao conhecimento que produz, à ação que determina, à sociedade que transforma. Essa ciência libertadora traz, ao mesmo tempo, possibilidades terríveis de subjugação. Esse conhecimento vivo é o mesmo que produziu a ameaça do aniquilamento da humanidade”.

É preciso, portanto, fazer a crítica do fetichismo do saber racional científico. A nosso ver, a literatura fornece material abundante que permite a reflexão crítica sobre o poder da ciência e sua tentação autoritária. Neste sentido, a obra de Machado de Assis, O Alienista, é ilustrativa.

O olhar a partir da literatura

Devo alertar aos leitores que não sou crítico literário, filósofo ou cientista de laboratório. E isso sem qualquer desabono a uns e outros. O meu olhar é influenciado pela Ciência Política e a Sociologia. Mas é também o olhar do leitor diletante[5], amante da literatura e atento à mensagem inscrita no texto literário. É o modo de ver de alguém que concebe a literatura não apenas como passatempo e fruição, mas como um saber capaz de contribuir para a formação humanista do intelectual, inclusive do cientista.[6] Um saber que não se pretende científico, mas é potencialmente influenciador e formador. Em certos casos, aprendemos mais com a obra literária do que com os textos pretensamente científicos e marcados pela sisudez.

Primeiro, precisamos ter a clareza de que O Alienista é uma obra de ficção. Não tem, portanto, a pretensão da linguagem científica e/ou academicista. Sua lógica é de outra ordem:

“Não é um ensaio, não defende teses. Seu relacionamento com a verdade, por mais incisivo, é de outra ordem. Se há uma verdade para a literatura, esta não reside na organização lógica dos juízos, em sua organização formal ou referência material á realidade. Para a literatura a verdade é uma questão vital na medida em que gera narrativas: seus episódios, peripécias, fazendo-se carne e osso dos personagens. Não há em literatura demonstração discursiva possível, a não ser quando se amesquinha em mera transcrição linear do real, tido por imediatamente evidente. Não é o caso, porém. Obras deste tipo não sobrevivem a um século” (GOMES, 1994: 148).

A história contada em O Alienista não existiu na realidade material. Desta perspectiva, ela é inverossímil. Porém, a literatura ficcional faz uso da imaginação para produzir uma narrativa, uma verdade e saber legítimos. O que lemos termina por apresentar aspectos verificáveis em personagens e instituições reais, como os hospícios, hospitais, seus loucos e doentes e os encarregados de instituírem a normalidade e curar. Ainda que não verifiquemos similitude plena entre a narrativa literária e a vida material real, ela nos oferece um saber, uma verdade, que nos permite pensar e questionar o real existente. “A arte da ficção cria um texto cuja alta concentração de energias permite a eclosão de uma verdade”, afirma Gomes (id.).

A literatura, como a ciência, também influi sobre a realidade. Sua presença é perceptível através, por exemplo, da influência de determinadas obras sobre as ações dos seus leitores.[7] A literatura também interfere sobre a formação dos valores dos leitores, expressa épocas históricas determinadas e tem incidência social e política. Ela tanto pode contribuir para a consolidação do ideário conservador, quanto para o seu questionamento. Ela tanto pode fortalecer a elite cultural, na medida em que esta se apropria dos recursos e linguagem, constituindo um capital cultural que tem função distintiva, quanto pode favorecer a resistência aos valores capitalistas sedimentados no elitismo cultural. Dessa forma, a linguagem literária, vale afirmar, o saber produzido pela literatura, é fundamental.

Se o texto científico prima pelo formalismo, pela obediência a regras e procedimentos próprios que o caracterizam enquanto tal, o texto literário também segue convenções, mas é capaz de zombar e ir além delas. A literatura se fundamenta na imaginação criativa e, portanto, tem a capacidade de narrar qualquer coisa inerente ao existir humano, isto é, á sua potencialidade inata de pensar e criar. E neste exercício, a obra literária, “pode ridicularizar, parodiar qualquer ortodoxia, crença, valor, imaginar alguma ficção diferente e monstruosa” (CULLER, 1999:46). Talvez por isso os governos e a moral religiosa se vejam eternamente forçados a censurar e impedir que a imaginação humana alce vôos acima das suas estruturas autoritárias.

Para refletir...

O texto acadêmico pressupõe conclusões. Contudo, o objetivo não é o de apresentar elementos conclusivos, mas sim o de estimular a reflexão sobre a literatura enquanto outro saber legítimo e potencialmente crítico. Não se trata de fazer apologia à literatura, nem de contrapô-la ao saber científico, mas de simplesmente reconhecê-la como outro conhecimento humano merecedor das atenções e capaz de contribuir para pensarmos criticamente os valores predominantes na sociedade. Na medida em que uma obra como O Alienista nos permite refletir sobre o poder e a ciência, ela se mostra tão fundamental quanto qualquer texto doutoral fundado em argumentos científicos que tenha o mesmo caráter questionador.

Também não foi nossa intenção esgotar a análise do conto O Alienista na perspectiva adotada. Outros o fizeram e melhor... Almejamos, sim, resgatar o tema e os autores que nos permitam repensar a ciência, o poder e a literatura. Se o leitor nos acompanhou até aqui, já compartilhou desta inquietação e da reflexão sempre necessária sobre a ciência e o poder. Valeu a pena!


[1] Uso o termo no sentido expresso por Alfredo Bosi (1999:10): “Olhar tem a vantagem de ser móvel, o que não é o caso, por exemplo, de ponto de vista. O olhar é ora cognitivo e, no limite, definidor, ora emotivo ou passional. O olho que perscruta e quer saber objetivamente das coisas pode ser também o olho que ri ou chora, ama ou detesta, admira ou despreza. Quem diz olhar diz, implicitamente, tanto inteligência quanto sentimento”. E afirma, ainda, que não é um olhar neutro.

[2] Ver “A tentação totalitária da ciência”, publicado em http://antoniozai.blog.uol.com.br/arch2006-11-26_2006-12-02.html, de 26.11.06.

[3] Mignolo (2004) observa que o processo de imposição da razão científica eurocêntrica é histórico e político. Ele define essa opressão epistêmica, que age sob a capa da cientificidade, como colonialidade.

[4] Dado o escopo deste trabalho, não me estenderei sobre a discussão da relação entre ciência e senso comum. Contudo, e antes que o leitor me acuse de fazer apologia do senso comum, penso que é preciso refletir sobre esta relação para além da dicotomia ciência X senso comum. Só assim é possível superar o elitismo muitas vezes indisfarçável contra as manifestações que não se enquadram na cultura acadêmica e, simultaneamente, reconhecer a legitimidade e importância dos saberes em sua pluri-universalidade. Por outro lado, como alerta Pierre Bourdieu (2000), também é necessário refletir sobre o senso comum douto que, com ares de superioridade, se pretende científico.

[5] Com efeito, o diletantismo é visto de maneira negativista, como o oposto do cientista e/ou erudito especializado. “Diletantes, diletantes! – Assim os que exercem uma ciência ou arte por amor a ela, por alegria, per il loro diletto [pelo seu deleite], são chamados com desprezo por aqueles que se consagram a tais coisas com vistas ao que ganham, porque seu objeto dileto é o dinheiro que têm a receber. (...) Na verdade, para o diletante, ao contrário, o assunto é o fim, e para o homem da área como tal, apenas um meio. No entanto, só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que se ocupe dele com amor, con amore” ((SCHOPENHAUER, 2005:23). Embora discorde do elitismo explícito nas palavras de Schopenhauer, penso que elas expressam bem o meu olhar, na medida em que ele enfatiza o fim e o compromisso com o saber.

[6] Analisamos esta perspectiva em “Política, Literatura e Educação”, Revista Espaço Acadêmico, nº 68, janeiro de 2007, em co-autoria com Walter Praxedes.

[7] Por exemplo, embora não tenha sido o objetivo do grande Goethe, sua obra, Os sofrimentos do jovem Werther, influenciou os jovens da sua época e provocou “um frenesi de identificação coletiva: há relatos de choros convulsivos, desmaios e, até, suicídios” (SALIBA, 2007: 26). Outra obra que marcou época foi A Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe, um best-seller que “ajudou a criar uma mudança repentina de sentimentos contra a escravidão, que tornou possível a Guerra Civil norte-americana” (CULLER, 1999: 46).

por ANTONIO OZAÍ DA SILVA

   

 

 

 

Referências bibliográficas

ASSIS, Machado de. O Alienista. Porto Alegre: L&PM, 1998.

BOSI, Alfredo. Machado de Assis: o enigma do olhar. São Paulo: Ática, 1999.

BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.

CULLER, Jonathan. Teoria Literária: uma introdução. São Paulo: Beca Produções Culturais Ltda., 1999.

MIGNOLO, Walter D. Os esplendores e as misérias da “ciência”: colonialidade, geopolítica do conhecimento e pluri-versalidade epistêmica”. In: SANTOS, Boaventura de Sousa (Org.). Conhecimento prudente para uma vida decente: um discurso sobre as ciências revisitado. São Paulo: Cortez, 2004, pp. 667-709.

MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.

SALIBA, Elias Thomé. O sentimento contra a razão. EntreLivros, Ano 2, nº 24, abril de 2007, pp. 24-30.

SANTOS, Boaventura de Souza. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1989.

SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de escrever. Porto Alegre: L&PM, 2005.

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