por
LUIS
ANTONIO MELLO Mestrando
em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)
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Análise
reflexiva acerca da relação entre Turismo e desenvolvimento local:
bases conceituais
Para
iniciar esta reflexão, concorda-se com o que Cooper (et. al. 2001)
relata em sua obra, Turismo,
princípios e práticas, sobre algumas percepções que são
deslocadas acerca do turismo. Comumente, a atividade está
circundada por certos mitos que contribuíram de forma irreal para
formação de uma imagem glamourosa.
Para
melhor compreensão desse cenário, segue-se sintetizadamente,
algumas imagens míticas vendidas e, a realidade empreendida pela
atividade turística.
Segundo
Cooper (et. al. 2001:36), miticamente acredita-se que, a maioria do
turismo é internacional, realizado por meio de viagens aéreas; o
turismo diz respeito às atividades de lazer durante as férias; os
empregos na área de turismo significam muitas viagens e chance de
aprender línguas.
Na
realidade, de acordo com Cooper (et. al. 2001:235-236) e baseado em
dados divulgados pela Organização Mundial de Turismo (OMT, 2006) e
pelo Ministério do Turismo do Brasil (2006), pode verificar-se que,
o turismo no mundo é predominantemente doméstico (pessoas viajando
no seu próprio país), respondendo por aproximadamente 80% das
viagens turísticas. Segundo
dados da OMT, no ano de 2005, o Turismo Internacional representou o
deslocamento de 5,4 milhões de pessoas em viagens para o Brasil por
exemplo, enquanto que, nesse mesmo ano, de acordo com o Ministério
do Turismo do Brasil, o Turismo Interno, ou seja, o número de
passageiros utilizando-se somente da modalidade de transporte aéreo
dentro do próprio país (viagens domésticas), chegou a cerca de 42
milhões de pessoas; o turismo inclui todos os tipos de visitas,
incluindo trabalho, conferências e educação. Em 2005, conforme o
Ministério do Turismo do Brasil, essas modalidades representaram
aproximadamente 33% do montante total das viagens realizadas no país,
e por fim; a maioria dos empregos em turismo está ligada ao setor
de hospitalidade e envolvem poucas viagens. Um exemplo que fortalece
essa ultima afirmação, pode ser verificado com relação aos
empregos gerados na rede hoteleira (a qual responde por uma parcela
considerável dos empregos diretos criados pelo turismo). A
estrutura típica de emprego nesse setor por exemplo, apresenta
cerca de 64% dos trabalhadores trabalhando em funções operativas e
com pouca qualificação.
A
orientação teórico-metodológica deste estudo perpassa pela
refutação à visão criada em torno dos mitos turísticos
desvelados no quadro acima, e pela consideração de que a atividade
turística percorre caminhos abertos por realidades que a aproximam
cada vez mais da esfera local.
É nesse sentido, que a sua análise na base local ganha
envergadura e importância no meio acadêmico.
Outra
consideração relevante a ser feita, é a de que a óptica
empreendida nessa reflexão assume uma postura em que a realidade
nas relações entre turismo e desenvolvimento é diferenciada.
Todavia Souza (1997:17) salienta, que as reflexões devem ser sempre
retroalimentadas por outros estudos de casos, ou comparativos, que
poderão conduzir à situações e respostas distintas.
Talvez
o grande desafio desse tema, é o de trabalhar-se com o que ainda não
é, portanto, qualquer que seja a resposta que se de a essa indagação
deixará lacunas. Porém, é importante avançar-se cada vez mais no
interior dessa discussão, para que essas lacunas sejam
gradativamente preenchidas com respostas consistentes.
Partindo
dessas premissas, não admite-se utilizar a visão onde o
desenvolvimento é entendido como o binômio formado pelo
crescimento econômico e pela modernização tecnológica, ou seja,
desenvolvimento econômico. Portanto, concorda-se com Souza (1997:18), onde o mesmo
destaca que o desenvolvimento “deve designar um processo de superação
de problemas sociais, em cujo âmbito uma sociedade se torna para
seus membros, mais justa e legítima”.
Rodrigues
(1997:10) afirma o seguinte, “palavras velhas não servem a coisas
novas” em fazer esta afirmação à autora vincula ao vocábulo, desenvolvimento, um significado muito maior do que o tradicional, o
das estatísticas, muito desgastado, aquele que se refere ao
desenvolvimento como sendo sinônimo de crescimento econômico e de
regulação na distribuição de renda. Prosseguindo, a autora
relata que não basta um elevado aumento no PIB, divulgado em letras
garrafais pela mídia impressa. O que deve ser levado em consideração
é que “a economia não é tudo sem eficácia social e aquilo que
é cooperativo e associativo não significa necessariamente negação
da capacidade de empreendimento” (RODRIGUES, 1997:10).
Portanto,
“refletir sobre o desenvolvimento como base local é negar-se a
endossar a política e a economia que originam e reforçam
assimetrias, que redistribuem muito aos poucos e o pouco a muitos,
gerando e reproduzindo pobreza e exclusão” (RODRIGUES, 1997:10).
Nessa
linha de raciocínio, o desenvolvimento não deve ser visto somente
sob a ótica econômica, mas sim, numa concepção de
desenvolvimento sócio-espacial, onde o mesmo deve atender as
necessidades para a superação de problemas e conquista de condições
que propiciem uma maior felicidade individual e coletiva nos
diferentes aspectos, sejam eles culturais, político-institucionais
ou espaços constituintes das relações sociais (cultura, economia
e política), bem como, o espaço natural e social.
Essa
idéia de desenvolvimento social aliado ao planejamento espacial a
partir do turismo, é amplamente relatada e discutida em obras como:
Turismo e Desenvolvimento Local (1997); Turismo e Geografia: reflexões
teóricas e enfoques regionais (1996); Política de Turismo e Território
(2002), as quais contemplam pensamentos de autores - como Arlete
Moysés Rodrigues, Marcelo José Lopes de Souza, Ireleno Porto
Benevides, Adyr Balestreri Rodrigues, Rita de Cássia Cruz, Marcos
Aurélio Tarlombani da Silveira, Carminda Cavaco - que balizam seus
trabalhos nessa perspectiva.
Portanto,
é indiscutível, que na atualidade o turismo deve ser encarado como
importante vetor de desenvolvimento com base local, contemplando as
potencialidades endógenas principalmente.
Entrelaçando
tais concepções às de Cavaco (1996) pode-se constatar que o
turismo ligado ao desenvolvimento local, possui plena capacidade de
fixar e atrair a população com êxito, no sentido de assegurar
melhores condições de vida tendo como aspecto basilar a revitalização
e a diversificação econômica do lugar.
Isso
somente pode ocorrer se respeitadas as preocupações e orientações
centrais presentes no turismo de base local, quais sejam: A manutenção
da identidade cultural dos lugares, como próprio fator de
atratividade turística; A construção de uma via democrática para
desenvolvimento de certas localidades, articulada pelo turismo como
fator estruturante de valorização das suas potencialidades
ambientais e culturais, com a participação da população local na
condução ativa desse processo e, finalmente; O estabelecimento de
pequenas escalas de operação e baixos efeitos impactantes dos
investimentos locais em infra-estrutura turística ou mesmo nenhuma
transformação adicional desses espaços [...] (BENEVIDES,
1997:25).
Não
obstante e despido de um caráter político-ideológico e de
“localismo”, o turismo com base local pode trazer efeitos favoráveis
ao desenvolvimento sócio-espacial, como por exemplo, geração de
ocupações produtivas e de renda; desenvolvimento participativo;
melhora na qualidade de vida e, preservação da identidade cultural
da população.
Para
Rodrigues (1997), o turismo enquanto concepção estratégica de
desenvolvimento local encontra-se justamente ao nível de micro-regiões,
de pequenos territórios, de cidades pequenas e médias, onde são
fortemente sentidas as mediocridades de condições de vida,
manifestadas no êxodo e na pobreza.
Em regiões estagnadas ou carentes são postuladas as
atividades turísticas com o propósito de corrigir os desníveis de
desenvolvimento, na expectativa de que elas possam oferecer um
aumento na geração de renda e empregos, consequentemente,
refletindo na melhoria da qualidade de vida da população.
Todavia,
de acordo com Cara (1996:92), nem sempre o discurso coincide com a
prática: “la
complejidad de la vida econômica actual implica la necessidad de
observar variados procesos muchas veces contradictorios com los
abjetivos primários del desarrollo planteado. Posiblemente el análisis
de los circuitos del capital y la posibilidad de fijarlo localmente
en proporciones adecuadas al sostenimiento de la actividad sea uno
de los principales problemas”.
Quando
discutem-se os efeitos procedentes da atividade turística e a sua
pertinência ao desenvolvimento local, pode-se então fazer a
seguinte indagação: quem
ganha (ou tende a ganhar) e quem
perde (ou pode perder) com esta atividade?
Na
tentativa de responder a esta indagação, pode-se delimitar a análise
em três grupos principais de indivíduos, quais sejam: a população
da área de origem dos turistas; o turista; população da área de
destino dos turistas.
Balizado
nessa delimitação, o único, ao menos do ponto de vista racional
que sai a priori,
ganhando, é o turista, pois do contrário, fazer turismo não os
estimularia a empreender a atividade.
Por
sua vez, a população da área origem dos turistas, pode tanto
ganhar como perder. Ganha,
na medida em que os efeitos negativos impostos pela atividade, como
a degradação ambiental, a exploração sexual de menores de idade,
etc., são evitados, esse tipo de turismo social e ambientalmente
predatório na área de destino, acabando por se tornar uma válvula
de escape, que, além de servir ao turista, poupa a área de origem
deste. Pode
perder do ponto de vista econômico (pois os turistas estarão gastando
seu dinheiro em outro lugar).
Quanto
à população da área de destino dos turistas, considerando seu
aspecto heterogêneo, pode-se dizer que, certos grupos ou segmentos,
como o do capital imobiliário, assim como de agenciadores e
cafetinizadores de menores que se prostituem, podem lucrar, enquanto
outros grupos (principalmente a população local mais carente),
apesar da geração empregos e do incremento na renda local
proporcionada pelo turismo, podem ver-se seriamente prejudicados,
tendo suas estratégias ou o seu acesso a recursos essenciais ameaçados
(SOUZA, 1997).
Portanto,
a análise em escala local (respeitada os seus limites), remete ao
seguinte esclarecimento, quanto mais frágil socioeconômica e
politicamente for um grupo, maior será sua dependência para com
recursos de base estritamente local.
Paradoxalmente,
as políticas estratégicas de desenvolvimento tendenciam a se
associarem aos interesses exógenos ou alheios ao “local”,
primando por escalas maiores de análise, e admitindo com uma,
onde existem realidades particulares que deveriam ser consideradas.
Sendo assim, a capacidade de relocalização espacial nas
esferas de macros de análise, muitas vezes, perpassam pela
indiferença aos efeitos negativos, ocasionados por um turismo
predatório ao “local”.
Para
Souza (1997:20), “é necessário, por conseguinte, identificar, em
cada caso, os diversos grupos de interesse, manifestos ou latentes,
e divisar seus objetivos e estratégias/táticas”.
Valendo-se
ainda das idéias do referido autor, sobre qual é a contribuição
que o turismo tem no desenvolvimento local, pode-se permear por duas
questões basilares:
A
primeira é relativa a autonomia,
posta como central e atrelada ao desenvolvimento sócio-espacial
atende a um disciplinamento do turismo conforme interesses e
necessidades de uma coletividade, de tal modo que a mesma possa
gerir os seus destinos com autonomia, ou seja, definir prioridades e
os meios de concretizá-las. No entanto, há que se terem precauções
nesse entendimento, pois a população nunca é homogênea, tampouco
o poder é sintético, sobretudo em uma sociedade capitalista periférica.
Neste sentido, sem a participação efetiva da população na
gestão dos recursos sócio-espaciais de seu município,
dificilmente, o turismo tenderá a trazer um desenvolvimento sócio-espacial
duradouro.
A
segunda diz respeito aos graus
de complexidade diferentes, a discussão aí se dirige ao
antagonismo criado entre o meio socioeconômico e cultural
decorrente do contato irregular de grupos distintos.
Poder aquisitivo e cultura semelhantes entre turistas (espaço
de origem) e população local (espaço de destino) podem diluir os
efeitos negativos procedentes sobre o território/local
“receptor”, podendo imergir desse modo, como predominantes, os
efeitos positivos.
Entretanto,
Souza (1997:21) faz um contraponto a esta lógica afirmando que,
“[...] a assimetria de renda e as diferenças culturais podem ser
negativas e traumáticas [...]”. Nesse caso, a relação diacrônica
entre turistas e população local, gerará a última, problemas de
ordem direta (estímulo à prostituição e mendicância) e indireta
(elevação de preços no mercado local, por exemplo), comprometendo
e prejudicando os habitantes mais pobres.
Enfim, pode resultar até mesmo na perda coletiva da
auto-estima, ocasionada pelo choque contrastante entre culturas,
gerando problemas sociais e psicológicos pela agressão à própria
identidade coletiva.
Entrelaçando
as assertivas já expostas às de Benevides (1997) com a relação
à possibilidade do turismo se constituir em uma alternativa para o
desenvolvimento local, pode-se fazer a seguinte análise:
-
O
turismo com base local pode representar uma alternativa
concreta, em contraposição ao famigerado turismo de massa, que
tende a ser um degradador do meio ambiente, descaracterizador de
culturas tradicionais, produtor de imagens estereotipadas de um
lugar a serem consumidas em larga escala;
-
O
turismo pode se constituir em uma medida compensatória dos
efeitos economicamente perversos, sobretudo, impostos pelo
processo de globalização, o qual promove a hierarquização
dos lugares e estabelece uma integração seletiva, ampliando
desse modo, as condições de marginalidade nos mesmos.
Seguindo
essa linha de raciocínio, inegavelmente constata-se que o turismo
como fator de desenvolvimento local é um estilo contraposto às
tendências e aos padrões dominantes, o que por sua vez, não é um
atrativo para os “dominantes” (poder público e empresários do
setor), os quais, comumente direcionam as políticas de incentivo ao
setor para a implementação dos denominados mega-projetos.
Entretecidas
essas considerações, pode-se dizer então que, se o turismo almeja
(através dos diversos atores e agentes envolvidos nessa atividade)
um papel de vetor no desenvolvimento local, deverá remeter-se a
atender preceitos básicos da sociedade e do ambiente como o
respeito aos valores culturais e sócio-ambientais da área de
destino da atividade, bem como, conduzir a um aprendizado mútuo
enriquecedor e desvanecedor de preconceitos entre a demanda e a
população anfitriã. Essas
considerações se constituem orientadoras tanto para as áreas onde
o turismo se faz presente com mais contundência como também, para
áreas que pretendem incentivar/estimular a atividade como
alternativa para o desenvolvimento.
Aprofundando
a reflexão e valendo-se das palavras de Souza (1997:21): “na
medida em que o turismo, em vez de simplesmente se ajustar a uma
realidade marcada por heteronomia, disparidades e preconceitos
(eventualmente até agravando esses problemas), contribuir para
minorar esse quadro, ele estará, sem ressalvas, sendo um fator de
desenvolvimento socioespacial”.
Logo,
o horizonte “sustentável” almejado pelo turismo, deve
compreender uma relação que perpasse harmonicamente pelo
desenvolvimento socioeconômico aliado a conservação ambiental.
Nessa perspectiva, o turismo na sua base local tem maiores
chances de alcançar seus objetivos, sobretudo, se atender as precauções
e orientações abordadas nesse estudo.
De
acordo com Benevides (1997:30), “o turismo como ‘fator’ de
‘arranco’ para o desenvolvimento local e mesmo indutor de um
subseqüente desenvolvimento regional – pelo possível papel
polarizador de um lugar, no caso o município – estaria na sua
possível conversão em fator estruturante e motor de um
desenvolvimento diversificado e sustentado”.
Retomando
a problematização inicial que incitou o desenvolvimento desse
estudo, qual seja, qual o papel que cabe ao turismo como alternativa
para o desenvolvimento local, especialmente em locais onde o turismo
ainda é incipiente, não se pode imaginar que haja uma resposta
universal à questão.
O
que fica evidente, é que do ponto de vista do desenvolvimento, a
atividade turística pode promover efeitos antagônicos (tanto
positivos como negativos), levando-se em consideração que, ela
pode ser altamente impactante - no que tange aos seus efeitos à
sociedade e espaço de sua prática - tanto pelo fluxo de pessoas
que mobiliza como pelas grandes cifras geradas, dependendo:
-
Primeiramente,
do que se entenda por desenvolvimento;
-
Em
segundo lugar, da natureza do turismo em questão, ou seja, seu
caráter predatório ou não, o grau de contraste socioeconômico
e cultural entre os grupos humanos envolvidos e, finalmente;
-
De
quais grupos ou segmentos sociais específicos referentes à área
de destino do fluxo turístico se esteja falando.
BENEVIDES,
I. P. Para uma agenda de discussão do turismo como fator de
desenvolvimento local. In:
RODRIGUES, A. B. (org.). Turismo
e Desenvolvimento Local. São Paulo: Hucitec, 1997, p. 23-41.
CARA,
R. B. El turismo y los processos de transformación territorial.
In:
RODRIGUES, A. B. (org.). Turismo
e Geografia. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 86-93.
CAVACO,
C. Turismo rural e desenvolvimento local. In: RODRIGUES, A.
B. (org.) Turismo e Geografia: reflexões teóricas e
enfoques regionais. São Paulo: Hucitec, 1996. p. 94 - 121.
COOPER,
C. et. al. Turismo, princípios
e práticas. trad. Roberto Cataldo Costa. 2. ed. Porto Alegre:
Bookmann, 2001.
CRUZ,
R. de C. Política de Turismo
e Território. São
Paulo: Contexto, 2002.
RODRIGUES,
A. B. Turismo e
Desenvolvimento Local. São Paulo: Hucitec, 1997.
________,
A. B. Turismo e Geografia: reflexões
teóricas e enfoques regionais. São Paulo: Hucitec, 1996,
SOUZA,
M. J. L de. Como pode o turismo contribuir para o desenvolvimento
local? In: RODRIGUES, A. B. (org.). Turismo
e Desenvolvimento Local. São Paulo: Hucitec, 1997, p. 17-22.
Brasília:
Anuário Estatístico
EMBRATUR – 2006. Ministério do Turismo/ Instituto Brasileiro
de Turismo/Diretoria de Estudos e Pesquisas, 2006. v. 33 236p. Dados
de 2005
por
LUIS ANTONIO MELLO
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