Políticas
sociais comparadas (2)
Após
a 2º Guerra Mundial, por causa da acelerada bipolaridade causada
pela Guerra Fria e para não serem contestadas na implantação de
suas políticas econômicas, as lideranças dos principais países
capitalistas passaram a incrementar ainda mais as reformas sociais
que já vinham gradualmente realizando e estabeleceram as políticas
social-democratas de proteção aos trabalhadores que se
concretizaram no chamado Welfare
State.
Para
melhor entendermos a composição desse modelo de proteção social
e do que irá substituí-lo após o fim da Guerra Fria, a partir de
1990 com a política neoliberal de “corte” nos gastos sociais,
continuamos adiante uma breve exposição das principais características
dos sistemas de Proteção Social em alguns dos principais países
do mundo, como Inglaterra, Estados Unidos, Finlândia, Alemanha,
comparando-os com o adotado no Brasil, tomando como referência o
Sistema Educacional.
O Brasil e o Primeiro
Mundo: Sistema Educacional
Conforme
a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, o sistema
educacional brasileiro é tido como um direito de todos e dever do
Estado e da Família, devendo ser promovido e incentivado com a
colaboração da sociedade e visar o pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação
para o mercado de trabalho.
O
sistema educacional brasileiro está dividido em: educação
básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio)
e educação superior. Os recursos financeiros públicos destinados à
educação são originários da receita de impostos próprios da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; receita de
transferências constitucionais e outras transferências; receita do
salário-educação e de outras contribuições sociais; receita de
incentivos fiscais e outros recursos previstos em Lei.
O
Estado Brasileiro tem o dever de garantir a educação
básica a todos os cidadãos. Embora existam várias escolas de
educação superior pública no país, atualmente a garantia de
vagas não é de responsabilidade exclusiva do Estado. Quando o
jovem não consegue ingressar em uma escola da esfera pública, cujo
processo seletivo é realizado por meio do vestibular - uma prova
seletiva realizada pelo estudante ao concluir o ensino médio –
cabe-lhe arcar com os custos da universidade.
Nos
países que compõem o Reino Unido, o ensino é obrigatório desde
os 05 até os 16 anos de idade e os pais que não enviarem seus
filhos à escola, por quaisquer que sejam os motivos, estarão
submetidos a cumprimento de pena.
No
biênio de 2000/2001 o Governo britânico destinou 4,8% do PIB
nacional para a educação, sendo que 85% desses fundos são
administrados principalmente por escolas estatais. Após a conclusão
de 11 anos de ensino obrigatório, fica opcional aos jovens
escolherem se quer ingressar diretamente no mercado de trabalho em
profissões de menor qualificação ou se preferem dar continuidade
a seus estudos acadêmicos. Se optarem por continuar na escola, podem matricular-se em
curso profissionalizante, cujo custo é arcado pelo Estado.
Até
a década de 90, o governo pagava os estudos universitários
daqueles que não apresentavam condições de arcar com os custos. A
partir de então, o governo tem tentado implantar programas de crédito
educativo, para que o aluno de baixo poder aquisitivo, após
concluir a universidade arque com as despesas que ocasionou aos
cofres públicos. Sendo assim, o Estado aos poucos tenta se eximir
da responsabilidade com o ensino superior.
Nos
Estados Unidos o ensino de primeiro grau incorpora o antigo curso
primário e ginasial adotados pelo Brasil perfazendo um período de
oito anos. O ensino de segundo grau nos Estados unidos tem duração
de quatro anos diferentemente do Brasil que tem três anos. A
Constituição Federal dos Estados Unidos garante o direito ao
acesso à educação gratuita.
Sem
vínculo algum com o Governo Federal, o Ensino Médio é responsabilidade das
comunidades locais, que além de decidir como administrar os
recursos levantados localmente através de conselhos cidadãos
criados com essa finalidade, também são responsáveis por
determinar o currículo mínimo dos cursos, a carga horária, a
educação vocacional, a aplicação de provas, o salário dos
professores etc.
O
ano letivo nos Estados Unidos inicia-se no mês de setembro
terminando no mês de maio do ano seguinte.
Após
a conclusão do ensino secundarista os jovens portadores de um
diploma ou de um certificado secundário podem candidatar-se a uma
vaga em um College, em uma
Universidade, em uma Escola Profissionalizante, em uma Escola de
Secretariado ou em qualquer outra opção profissionalizante.
Para
adentrar numa universidade nos Estados Unidos não existe
vestibular, é necessário que o aluno americano ou o residente faça
um exame que se chama SAT (Scholatie Aptitude Test), que é um exame
básico de inglês e matemática e é com base no score obtido que o
aluno é aceito ou rejeitado.
Aluno
que não realizaram o high school nos Estados Unidos para adentrarem
a universidade faz outro tipo de exame o TOEFL, o qual é bem mais
difícil que o SAT, isto
porque as instituições acadêmicas querem se certificar de que
seus alunos estrangeiros realmente compreendem o idioma inglês
antes do inicio do curso.
Na
Finlândia, a freqüência escolar é obrigatória por nove anos,
sendo iniciada aos sete anos e concluída aos dezesseis anos de
idade. O ensino pré-escolar é opcional. O ensino é gratuito para
toda a população, bancado pelo Estado e praticamente não existem
escolas privadas para concorrer com as públicas, apesar de não
existir impedimento legal para isso.
Aos
dezesseis anos, ao concluir sua escolaridade obrigatória os
estudantes podem decidir continuar os seus estudos acadêmicos numa
escola secundária e posteriormente prosseguir para a universidade,
ou então, ingressar numa instituição de ensino
profissionalizante.
A
segunda fase dos estudos na Finlândia continua sendo assumida pelo
Estado, sendo que há um incentivo maior na profissionalização em
virtude de dois aspectos:
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Na maioria (se não
na totalidade) dos países industrializados os desenvolvimentos
tecnológicos e a automatização terem reduzido a necessidade de
pessoal com boa formação e qualificação;
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Quando o
desemprego disparou no inicio da década de 90, os trabalhadores
foram forçados a procurar emprego em outros setores da economia,
para os quais não tinham, nem qualificação e nem formação.
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Na
Alemanha o ano letivo é iniciado em agosto e a obrigatoriedade
escolar começa a partir dos seis anos de idade até os dezoito. Após
o encerramento do ensino fundamental as crianças começam a ser
orientadas para sua vida profissional e são encaminhas para as
escolas secundárias.
As
escolas secundárias são de três tipos: Hauptschule, Realschule e
Gymnasium: Na Hauptschule, os alunos recebem uma formação geral básica
que normalmente tem duração de cinco a seis anos. Após a conclusão
o aluno esta habilitado a frequentar um curso nas escolas
profissionalizantes (Berufschulen) para exercerem um oficio na
industria ou na agricultura. Na Realschule, assim como na
Hauptschule, também é oferecido uma formação geral báscia, cuja
diferença esta na habilitação dos cursos mais adiantados das
escolas profissionalizantes, sua duração é de seis anos. No
Gymnasium o aluno tem uma formação mais aprofundada, após a
conclusão o aluno podera obter o certificado Abtur, que confere
habilitação ao jovem para frequentar uma universidade de sua
escolha, o que varia de acordo com as notas, ou seja, alunos com
melhores notas têm preferencia nas faculdades e nas escolhas de
profissões mais especializadas. Sendo assim o diploma Abtur pode
ser comparado ao vestibular brasileiro. O tempo de duração do
curso é de nove anos.
Nas
escolas profissionalizantes (Berufschulen) o jovem é preparado para
o exercício de uma profissão oficialmente reconhecida. A formação
teórica é efetuada junto a escola através de aulas de um a dois
dias por semana. A formação prática é feita no posto de trabalho
(empresa ou oficina), três dias por semana. Os cursos têm duração
de dois a três anos e o estágio é remunerado, é destinado aos
jovens vindos da Hauptschule e da Realschule. Muito embora, existam
casos de alunos que cursaram o Gymnasiun e possuem o diploma Abitur,
mas que optam por uma formação deste tipo.
O
ensino na Alemanha é gratuito em todos os níveis o material didático
utilizado tanto pode ser distribuído gratuitamente, quanto
emprestado aos alunos, de acordo com os recursos de cada escola.
Para o acesso aos estudos superiores é necessário apenas um
diploma de maturidade que é valido para a escola superior ou
superior especializada.
Devido
ao grande número de aspirantes inscritos e o número insuficiente
de vagas de estudos, há, no entanto, restrições de matricula para
alguns cursos em todo o território nacional. Os critérios de seleção
são a média das notas do Abitur
(constitui-se como a última etapa do segundo grau, com esse
exame obtém-se o “diploma de maturidade para a escola superior”
geralmente após treze anos letivos).
A
origem dos pais da criança acaba por influenciar os caminhos
escolares dos filhos que por uma questão cultural muitas vezes
deixam de objetivarem o nível universitário reproduzindo assim a
condição econômica de seus pais.
Ante
ao exposto, constata-se que as crianças oriundas de famílias com
baixo poder aquisitivo não usufruem de assistência à formação
escolar universitária, fato esse que faz com que haja a reprodução
do circulo vicioso das condições de origem familiar. Esse é um
fenômeno bem visível no Brasil.
Em
síntese, no que tange à política educacional praticada pelo
Brasil e por alguns dos países mais desenvolvidos do mundo, a
pesquisa realizada permitiu que se constatasse que, na Inglaterra o
ensino médio e profissionalizante é público e que a inserção do
individuo na escola é obrigatória. Atualmente, o ensino universitário
daquele país também é público, porém o governo está buscando
implantar programas de crédito educativo para que os demandantes
dos serviços paguem pelos custos da formação universitária. Nos
Estados Unidos a Constituição Federal obriga a freqüência ao
ensino primário, garantindo o acesso a este e aos ensinos
ulteriores gratuitamente, cujo fim é o de torná-los mais acessível
a toda à população.
Na
Finlândia, o ensino médio e superior são oferecidos gratuitamente
pelo Estado a toda a população, porém no ensino superior, as
vagas são restritas.
No
Brasil, em comparação, até o ensino médio, o Estado é obrigado
a garantir o acesso de todos os indivíduos para a formação
universitária. O país oferece diversas universidades públicas
para seus jovens cidadãos, mas como o número de vagas é
insuficiente para atender toda a população, apenas uma parcela da
sociedade é beneficiada.
Referências
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______
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