Educação:
um processo cooperativo
A
superação de diversos paradigmas educacionais ocorreu pela
contraposição de propostas. A contradição do embate de
propostas, portanto, resultou em progressos no processo pedagógico.
Entretanto, a ideologia e os projetos de sociedade aparecem intrínsecos
aos paradigmas da educação, visto que o espaço educativo
apresenta um grande potencial de manutenção ou de transformação
das estruturas sociais.
Nesse
texto, estaremos apresentando basicamente duas propostas para a
educação: uma competitiva e outra cooperativa. A opção de cada
escola por uma ou outra abordagem leva em conta seu compromisso com
determinados valores que, com o decorrer do tempo, produziu
determinadas concepções que são apresentadas como consenso em
cada realidade local.
1.
A educação para a competição
Os
mecanismos de competição estão presentes em muitos momentos da prática
educativa. Podemos afirmar que as idéias de “superioridade” e
“competência”, tão propagadas na ideologia liberal, são
interpretadas como relativamente consensuais por muitas pessoas e se
constituem na perspectiva da competitividade. O que muitas vezes não
aparece com muita evidência é que, seguindo a lógica competitiva,
necessariamente teremos como conseqüência a exclusão. Se é
necessário competir para “ser algo”, nessa compreensão já está
presente, também, a idéia de que nem todos poderão “sê-lo”.
Assim, em termos concretos, num grupo que aceita a lógica
competitiva, essas pessoas alimentam a ilusão de poderem ser o que
já está claro que não será válido para todos. Mas, enquanto
cada pessoa, individualmente, não imagina a perspectiva da sua própria
exclusão, o conjunto segue competindo. Essa é uma evidência lógica
importante para percebermos a contradição da idéia da competição,
se apresentada como parte integrante de uma prática educativa.
Em
termos de atividades educativas, são muitos os momentos em que a lógica
da competição se manifesta. Podemos citar algumas para
exemplificar: os jogos e brincadeiras onde se terá vencedores e
perdedores, gincanas, festivais, as notas classificativas que
diferenciam os alunos em termos de “capacidade”, a preparação
para o vestibular (processo altamente competitivo, portanto
excludente), concursos de leitura, de redação, de horta escolar,
de beleza, enfim, grande parte do sentido da educação voltada para
a inserção dos educandos no mercado de trabalho capitalista. Os
exemplos demonstram como essas atividades existem no trabalho de
muitas escolas e, com certeza, muitos já passaram por elas e,
geralmente, com elas concordaram sem questionar plenamente o seu
sentido.
É
evidente que isso não acontece somente nas escolas, mas também
nelas, onde o espaço da reflexão crítica poderia ser
privilegiado, a reprodução de idéias competitivas é muito forte.
Em poucas palavras, José Ignácio Rey faz uma contundente crítica
ao ideal competitivo: “Ao valorizar a competição, ao levantá-la
como bandeira, o homem vê o outro como seu inimigo. Prevalece então
a lei da selva, onde sobrevive o mais forte, o mais vivo, e quando há
um ganhador, o mais forte, surgem, irremediavelmente, a
marginalidade e a opressão”.
No
contexto atual, a competição passa a ser vista como uma luta dos
que se situam como excluídos das condições básicas de sobrevivência
pela sua inclusão numa realidade, as quais, entretanto, constituem
direitos básicos do ser humano. Assim, por um lado, a luta por mínimas
condições de vida, e por outro lado, a disputa pelo “luxo”,
como diferenciação em relação aos outros (idéia de
superioridade), ambas impregnadas pela lógica competitiva nos
tempos modernos.
O
filósofo Rousseau, já no período de surgimento e afirmação do
liberalismo, compreendia o comportamento competitivo como um dos
maiores problemas para a democracia, visto que representava a ilusão
dos seres humanos em se compararem uns aos outros, com o intuito de
se verem como superiores entre si. Nesta questão, em específico,
Rousseau fez uma análise da sociedade de sua época e identificou
um problema central no relacionamento entre os seres humanos: o
sentimento de comparação. Pierre Manent interpreta esse sentimento
em Rousseau, como sendo o infortúnio e o pecado originais do ser
humano civilizado: “O infortúnio: o homem que se compara é
sempre infeliz – haverá sempre alguém mais rico, e, se sou eu o
mais rico, então não serei o mais belo ou o mais inteligente. O
pecado: o homem que se compara é sempre corrompido ou está a ponto
de sê-lo, não só porque o desejo de tornar-se primeiro o levará
como que pela mão a cometer todas as velhacarias corriqueiras que a
moral reprova, mas também porque as necessidades da concorrência o
obrigarão a apresentar aos outros uma imagem de si que lhes agrade,
a se envaidecer e a envaidecê-los; seu exterior nunca estará de
acordo com seu interior, sua vida será uma mentira permanente.
(...) o homem que se compara é o homem que, em suas relações
consigo mesmo, só pensa nos outros. É o homem dividido” (MANENT,
1990: 103).
O
sentimento de ficar se comparando aos outros é explicitado por
Rousseau com o termo amor-próprio, não entendido como amor de si,
mas, exatamente, como o desejo de ser mais que os outros. Isso é
enfatizado de uma maneira muito forte por Rousseau, tendo em vista
que a sociedade de sua época cultivava o valor do crédito, uma
abstração que diferenciava as pessoas, valorizando-as de acordo
com seu status na sociedade. A idéia do crédito, na França,
referia-se à possibilidade de empréstimos financeiros concedidos a
determinadas pessoas, que se identificavam como ricas. Não era o
rei que determinava e, nem sempre, a própria riqueza dos
privilegiados, mas a opinião que predominava e garantia esta
diferenciação na sociedade (ANDRIOLI, 1998: 43). Essa crítica aos
conceitos diferenciados atribuídos aos indivíduos na sociedade é
importante para entendermos as seguidas refutações que Rousseau
confere às opiniões dos homens, que estão diretamente ligadas ao
desejo de ser mais que os outros, predominante entre os seres
humanos no estado civil, ou então, o amor-próprio: “O amor-próprio
vive da comparação, é o desejo de ser valorizado por outrem a um
preço tão alto quanto o que se atribui a si mesmo, e está
condenado a ser infeliz, já que todos possuem o mesmo amor-próprio
e o mesmo desejo. O amor-próprio sabe que não pode ser satisfeito
e odeia os outros pelo amor-próprio deles. Alimenta na alma a
preferência infeliz por si mesmo e o ódio imponente aos outros. O
homem de tal sociedade só vive pelo olhar dos outros, a quem
odeia” (MANENT, 1990: 109).
O
grande desafio, portanto, é o de contrapor à competição uma
outra lógica que a supere qualitativamente, tanto no trabalho com
os alunos como na sociedade. Conforme o sociólogo Alfie Kohn,
“trata-se de ir para além de um ponto de vista individual. Mesmo
que me pareça apropriada a competição... necessito perguntar-me
se é do nosso interesse coletivo seguir competindo. Se não é
assim, então precisamos não apenas pensar, mas também agir como
grupo. Substituir a competição estrutural pela cooperação exige
a ação coletiva, e essa ação coletiva requer a educação
e a organização... Temos que ajudar os outros a verem as terríveis
conseqüências de um sistema que identifica o êxito de um no
fracasso de outro. Mas juntos podemos agir para transformar isso”
(in BROWN, 1994: 21).
2.
A educação para a cooperação
A
educação pode ser entendida como uma ação cooperativa. Isso
significa dizer que, tendo em vista a aprendizagem como um processo
cooperativo de descoberta do conhecimento, esse só ocorre como
resultado de uma socialização, uma construção coletiva. Coerente
com a afirmação de Sara Paim de que “todo o conhecimento é o
conhecimento do outro”, entendemos que a própria identidade do
sujeito humano depende da existência de outras pessoas, pois é na
relação com os outros que o ser humano se reconhece enquanto
individualidade (PAIM, 1992). Se não existisse o outro, não seria
possível a idéia de um “eu”. Como afirmou Karl Marx, em sua
obra O Capital, o ser
humano “não vem ao mundo nem com um espelho, nem como um filósofo
fichtiano: eu sou eu, o homem se espelha primeiro em outro homem. Só
por meio da relação com o homem Paulo, como seu semelhante,
reconhece-se o homem Pedro a si mesmo como homem. Com isso vale para
ele também o Paulo, com pele e cabelos, em sua corporalidade paulínica,
como forma de manifestação do gênero humano” (MARX, 1988: 57,
nota de rodapé 18). Conforme Piaget, “é na medida que nós nos
adaptamos aos outros que tomamos consciência de nós mesmos. É na
medida que os outros não nos compreendem espontaneamente, e que nós,
da mesma forma, não os compreendemos, que nos esforçamos para
modelar nossa linguagem de acordo com os mil acidentes que criam
essa inadaptação e nos tornamos aptos para a análise simultânea
dos outros e de nós mesmos” (PIAGET, 1967: 201).
Dessa
forma, a cooperação está presente na própria idéia de pedagogia
e, diferente do que em outras épocas, muitas elaborações atuais
sobre a educação e o entendimento acerca do conhecimento colocam a
práxis intersubjetiva como centralidade para a validação dos
saberes. Com Habermas, o individualismo da filosofia da consciência,
paradigma da educação com base na ciência moderna, passa a ser
substituído por uma teoria da interação. Segundo Marques,
Habermas “postula em lugar da razão monolítica, um conceito de
razão comunicativa, dialógica. O conhecimento não se constrói na
reflexão isolada, ou no interior de uma consciência, mas de forma
dialógica, processual, tendo como referências básicas o grupo e a
linguagem usual” (MARQUES, 1993: 79). E, citando Rouanet, “o
homem é um ser plural: nasce numa comunidade lingüística e
organiza suas relações com seus semelhantes sobre o pano de fundo
de um mundo vivido intersubjetivamente compartilhado” (Idem).
Nessa compreensão de conhecimento, “argumentar não é convencer
ou persuadir alguém de algo, mas é chegarem os interlocutores a um
entendimento novo de algo, entendimento cooperativamente produzido,
já que resulta não da vitória de um dos contendores sobre os
demais e não é simples soma dos diversos pontos de vista, mas
reconstrução coletiva de um consenso, que não seria verdadeiro se
não significasse o assentimento de cada um” (Idem: 99).
Está
emergente, em nossa época, portanto, um novo jeito de compreender a
atividade educativa. Essa compreensão supera o paradigma clássico
da ciência que entendia o conhecimento como uma relação
individual entre sujeito e objeto. Além de negar a idéia de que o
saber é uma reprodução do objeto para o sujeito que o apreende
(teoria predominante na Idade Média, com a Escolástica), novas
reflexões pedagógicas procuram superar a razão instrumental, que
acreditava na capacidade do sujeito individual produzindo o
conhecimento.
Um
dos aspectos principais a ser analisado na educação baseada na razão
instrumental é a criação de currículos escolares que colocam as
disciplinas como auto-suficientes e isoladas umas das outras: a
fragmentação do conhecimento e seu afastamento da complexa problemática
das relações sociais. Outro aspecto importante é o isolamento do
processo de construção do conhecimento do seu ensino. É necessário,
portanto, que na atividade própria da pesquisa se tenha ciência de
como se dão os processos de aprendizagem e, enquanto educadores,
possamos compreender como ocorre a produção do conhecimento nas ciências.
Assim, o trabalho de pesquisa está sendo feito com vistas à
aprendizagem e a própria aprendizagem se produz através da
pesquisa. Permanecem dois momentos, mas interrelacionados, ou seja,
o pesquisador pesquisa para aprender e fazer aprender e a
aprendizagem acontece enquanto o conhecimento é produzido: se
aprende produzindo conhecimento.
Nessa
compreensão de educação, tanto a interdisciplinaridade como a
interlocução estão inerentes a um trabalho que tem como propósito
a construção do conhecimento. A aprendizagem, segundo Marques “é
construção coletiva assumida por grupos específicos na dinâmica
mais ampla da sociedade, que por sua vez, se constrói a partir das
aprendizagens individuais e grupais. (...) Não se ensinam ou
aprendem coisas, mas relações estabelecidas em entendimento mútuo
e expressas em conceitos que, por sua vez, são construções históricas,
isto é, nunca dadas de vez, mas sempre retomadas por sujeitos em
interação e movidos por interesses práticos no mundo em que
vivem. Em vez de o professor operar com conceitos que já aprendeu e
na forma em que os aprendeu e que agora só necessitariam ser
reproduzidos nos e pelos alunos, trata-se, no ensino, de ele e os
alunos produzirem, em entendimento comum, os conceitos com que irão
operar para entenderem as relações com que lidam” (Idem:
109-110).
3.
A educação cooperativa e a construção de práticas solidárias
O
que mais nos desafia na educação cooperativa, é a sua dimensão
pedagógica. Nesse aspecto, vamos analisar aqui apenas um aspecto
que mais nos interessa para a presente discussão: de que forma a
educação cooperativa pode contribuir na construção de práticas
solidárias entre os alunos?
O
fato de estarmos utilizando a idéia do cooperativismo, entretanto,
não nos coloca na condição de justificadores das experiências
cooperativas que existem. Pelo contrário, uma proposta de educação
cooperativa deve se colocar como crítica às cooperativas.
Inclusive essas instituições, cooperativas, enquanto empresas, só
poderão ter coerência com os ideais que representam, enquanto
teoria do cooperativismo, se fizerem uma profunda autocrítica de
suas práticas.
O
fato de estarmos colocando elementos do cooperativismo na construção
da proposta de educação cooperativa em escolas se justifica pelo
entendimento que temos da relevância social e educativa de sua
teoria. Portanto, estamos nos referindo à teoria e prática do
cooperativismo como uma forma de ser e viver em sociedade. “O
cooperativismo se situa na linha do ‘dever ser’, não numa
dimensão impositiva, mas como um apelo às consciências para
optarem por uma proposta comportamental, na sua atividade econômica
e social, que conduza a uma sociedade e a um sistema econômico
alternativo, mais solidário, justo, autônomo, democrático e
participativo. Os valores, princípios e normas que propõe são um
paradigma que ajuda a orientar a ação dos cooperadores, no seu
empenho em prol da realização dos objetivos da cooperação”
(SCHNEIDER, 1993: 2).
Nesse
sentido, também entendemos que o cooperativismo se apresenta como
uma prática social que pode se adaptar a várias ideologias e
compreensões de educação. No entanto, mantemos uma unidade no
entendimento de que é contrária à sociedade capitalista e aos
seus diversos mecanismos de opressão. Com esse entendimento, a sua
ação está engajada e comprometida com a construção de novas
relações sociais entre as pessoas. Concretamente, isso se expressa
nas experiências práticas realizadas em escolas, desenvolvendo com
os alunos e a partir desses, atitudes de resgate da cooperação
e da solidariedade em contraposição aos valores do individualismo
e da competição, típicos da cultura de nossa época. Temos, portanto, na prática cooperativa dos alunos a
maior referência para uma proposta de educação cooperativa, tendo
em vista que é na relação concreta entre os sujeitos sociais que
se constrói a consciência social ou, especificamente em nossa
abordagem, a consciência cooperativa.
Para Ferrière, citado por Gadotti, “a vida social, bem
como a moral, o sentido do bem e do mal na vida coletiva, não podem
ser apreendidos a não ser na prática” (in GADOTTI, 1997: 12).
Compreendemos
que um dos primeiros momentos da superação do individualismo e da
competição é a consciência dos alunos de que realmente são
individualistas e competitivos. Afirma Paulo Freire, em sua obra Pedagogia
do Oprimido, que os seres humanos, “somente na medida em que
se descubram ‘hospedeiros’ do opressor poderão
contribuir para o partejamento de sua pedagogia libertadora”
(FREIRE, 1987: 32). Em seguida, Freire observa que, “quase sempre,
num primeiro momento desse descobrimento, os oprimidos, em vez de
buscar a libertação na luta e por ela, tendem a ser opressores
também, ou subopressores. (...) ‘Reconhecerem-se’, a este nível,
contrários ao outro, não significa ainda lutar pela superação da
contradição. Daí esta quase aberração: um dos pólos da
contradição pretendendo não a libertação, mas a identificação
com o seu contrário. (...) Os oprimidos têm no seu opressor o seu
testemunho de ‘homem” (Idem: 32-33).
Em
nossa experiência educativa com cooperativas de alunos pudemos
perceber que, em muitos de nossos grupos, essa elaboração teórica
de Freire se efetivou na prática. Ou seja, nas cooperativas
informais de alunos, um primeiro momento foi a tomada de consciência
de seu individualismo e competição e o segundo passo foi a reprodução
de preconceitos que vinham a reforçar uma cultura de exclusão como
o machismo, o racismo, o autoritarismo. Em algumas das experiências
isso parece ter sido superado e foi possível construir a autonomia
do grupo, com a correspondência da prática, apesar e em função
dos muitos problemas para que isso acontecesse, ao que o grupo
almejava enquanto cooperativa. Observamos que nos grupos onde
ocorreu uma efetiva discussão dos problemas, de forma que as
contradições se tornaram evidentes (desveladas), houve maior
progresso. Nos grupos que ignoraram ou não se propuseram a gerar
conflitos e trabalharam de uma forma apenas idealista, verificamos
discursos que reforçavam seu trabalho mas não se sucederam
progressos no sentido da superação de preconceitos. Nessas experiências
percebe-se, inclusive, um reforço aos preconceitos existentes.
Como
afirma Gadotti, “não há duas escolas iguais, cada escola é
fruto do desenvolvimento de suas contradições”. (GADOTTI, 1997:
57). A autonomia dos educandos em suas vivências cooperativas,
entretanto, é decisiva para o processo de construção da consciência
participativa: “O papel importante da autonomia (self-government)
é o processo de ‘socialização’ gradual das crianças. (...) A
educação para a cidadania dá-se na participação no processo de
tomada de decisão”. (Idem: 12, 49). Além da oportunidade dos
alunos terem os seus próprios espaços de decisão, em forma de
experiência cooperativa, as escolas poderiam oferecer maiores condições
efetivas de participação aos alunos nas decisões que dizem
respeito à escola.
A
opção pela educação cooperativa, portanto, pressupõe para a
escola o desafio de abandonar o “medo da democracia” e de
afirmar seu compromisso com a construção de um processo de
crescente inclusão e participação, que culmine com a conquista de
maior liberdade. Todas as relações entre seres humanos são relações
de poder; a saída para o problema está na forma como concebemos e
nos relacionamos com o poder. Nesse sentido, a educação
cooperativa, como proposta multidisciplinar, baseada na ação
coletiva e a na constante reflexão crítica sobre experiências
concretas de alunos, pode oferecer elementos importantes para a
construção de uma educação baseada na solidariedade e na
transformação das relações sociais geradoras de opressão,
competição, exclusão, alienação e preconceito.