Problemas
no caminho da inovação produtiva brasileira
Introdução
A
capacidade de inovação tecnológica caracteriza atualmente os
sistemas econômicos mais desenvolvidos e os distingue dos
complexos produtivos onde a tecnologia se dissemina por cópia
ou imitação. O Brasil só começou recentemente a despertar
para este debate, infelizmente os exemplos inovativos como
demonstrou recente pesquisa do IBGE e os trabalhos do IPEA (Salerno
e De Negri, 2005), são restritos a um terço do tecido
produtivo. Nas próximas linhas nos propomos a refletir sobre a
importância do estímulo à cultura da inovação tecnológica,
elencando os principais entraves para consolidação de um
sistema nacional de inovação no país. Por fim apontamos
alguns elementos para uma agenda de enfrentamento destes obstáculos.
Inovação: um
conceito processual.
Segundo
o “Manual de Oslo” da OCDE
a inovação tecnológica se refere à entrada no mercado de um
produto (bem ou serviço) tecnologicamente novo ou
substancialmente aprimorado pela introdução na empresa de um
processo produtivo tecnologicamente novo ou substancialmente
aprimorado. Inovação diz respeito a um produto e/ou processo
novo para a empresa, não sendo necessariamente novo para o
mercado/setor de atuação, podendo ter sido desenvolvido pela
própria empresa ou por outra instituição. Pode resultar de
novos desenvolvimentos tecnológicos, de novas combinações de
tecnologias existentes ou da utilização de outros
conhecimentos adquiridos pela empresa. Foi o economista austríaco
Joseph Schumpeter que na primeira metade deste século colocou o
tema da inovação tecnológica como fator fundamental para o
desenvolvimento das empresas e países.
O processo de inovação pode ser radical ou incremental.
A inovação radical está relacionada à introdução de um
novo produto, processo ou forma de organização da produção
substancialmente nova e distinta da anterior. A história econômica
está cheia de exemplos deste tipo (muitos aleatórios e caóticos),
quase todos os inventos disseminados no curso das revoluções
industriais do século XVIII cumpriram este papel. Outro
processo mais contemporâneo de inovação radical pode ser
identificado na revolução da microeletrônica a partir dos
anos cinqüenta. Segundo Freeman (1988) este tipo de inovação
que cria novos mercados e novas formas de relação
capital-trabalho podem ser identificados como novos
“paradigmas tecno-econômicos”.
Na
teoria econômica o novo institucionalismo (Coase, Williamson,
North, Johnson), os evolucionistas e neo-schumpeterianos (Dosi,
Neslon, Winter, Rodrik) e suas aparentemente infindáveis derivações,
ramificações e combinações
tem colocado o comportamento inovativo como variável-chave para
entender a dinâmica do crescimento econômico. Estas escolas
enfatizam variáveis importantes para entender a inovação e a
tecnologia dentro da dinâmica do desenvolvimento econômico.
Algumas “idéias-chave” que, grosso modo, povoam este
mosaico de teorias mais heterodoxas são o combate ao
“individualismo metodológico” do enfoque neoclássico, o
conceito de atores sociais atuando com elevado grau de incerteza
e racionalidade limitada pela assimetria no acesso às fontes de
informação e conhecimento. A idéia de custos não vinculados
diretamente à produção e nem sempre precificados, chamados
“custos de transação”, impedindo a alocação ótima dos
fatores produtivos e uma “heurística do aprendizado”,
baseado na experiência e na busca, fonte inspiradora do
comportamento inovativo, também são idéias deste campo teórico.
A Economia do
Conhecimento
Na
chamada “economia do conhecimento” ganha dimensão central
toda estratégia competitiva baseada na produção e difusão de
conhecimento em todos elos da cadeia produtiva. Desde o pós-guerra
o processo de evolução capitalista vem reforçando a dimensão
informacional do processo produtivo. Não é por outro motivo
que as cadeias produtivas têm valor agregado em escala
crescente com origem no setor terciário, nos serviços
associados à produção. Os recursos intangíveis aumentam
dramaticamente na economia, uma parte crescente da força de
trabalho está envolvido na produção e distribuição de
informação e conhecimento. Este quadro dialoga diretamente com
o contexto da inovação, sua imaterialidade e complexidade sistêmica.
As tecnologias de informação e comunicação (TICs) mudaram
radicalmente a natureza do processo de produção, armazenamento
e transmissão da informação, condição básica para interação
entre os atores sociais e econômicos no processo de inovação.
Os avanços da microeletrônica, possibilitando a criação de
redes de tráfego rápido, o avanço nas telecomunicações e a
convergência entre estas bases tecnológicas estão na base
deste processo.
Novos
requerimentos de qualificação da força de trabalho
redimensionam a necessidade constante de aprimoramento e
capacitação com novas competências, cada vez mais as empresas
e os países destinam percentuais significativos para pesquisa e
desenvolvimento. É a chamada “economia do conhecimento” ou
“economia da informação”. Deve-se registrar, contudo, que
“informação” não é o mesmo que “conhecimento”, este
último é o que interessa como “informação aplicada num
contexto”, como ferramenta e matéria-prima do processo
inovativo. O conhecimento tácito normalmente é o ambiente de
origem da inovação, ele depende da interação entre os
agentes que criam contextos de confiança mútua e
compartilhamento de valores cognitivos, linguagens e fontes de
informação. Daí a necessidade permanente de criar e manter
ambientes onde a informação possa ser transformada em
conhecimento codificado, propício à difusão e disseminação
no tecido social e produtivo. Não é por outro motivo que o
ambiente institucional, os marcos regulatórios e a existência
de institutos de P,D & I que operem a ponte e sinergia entre
o “público” e o “privado”, são peças fundamentais
deste arranjo. Neste universo as empresas com alta taxa de inovação
são aquelas capazes de transformar o aprendizado em fator
competitivo, o mais importante não é somente o acesso à
informação, mas a capacidade de aprendizagem (learn-to-learn).
Problemas
atuais da política para inovação
A
cultura da inovação ainda é recente no país. Somente em
Outubro de 2005, por exemplo, a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) organizou o primeiro Congresso Brasileiro de Inovação na
Indústria em São Paulo, com cerca de 400 participantes. O
evento refletiu o grande desconhecimento sobre os mecanismos
atuais de estímulo à inovação bem como os limites dos atuais
instrumentos, em especial o atual desenho das linhas de crédito
da FINEP e BNDES, por exemplo, e a fragilidade dos marcos
regulatórios.
O Brasil investe hoje cerca de 1,5% do PIB e o setor privado é
responsável por quase 40% deste esforço, o que é muito pouco
para os parâmetros mundiais de competitividade.
As
principais fragilidades do sistema de inovação brasileiro
poderiam ser agrupadas segundo uma tipologia não exaustiva,
apresentada a seguir:
(a) Nossa trajetória
histórica é adversa à inovação: tradição não
inovativa da empresa brasileira, tradição da indústria
baseada em comportamentos imitativos, acentuada incerteza no
ambiente macroeconômico até meados dos anos oitenta. Nossa
trajetória nacional-desenvolvimentista que sustentou o
crescimento durante longos anos criou um forte intervencionismo
e proteção estatal via câmbio administrado, subsídios
generosos e barreiras tarifárias. A resposta do empresariado
nem sempre foi mais eficiência e ampliação do mercado, senão
o enclausuramento produtivo, o comportamento do rent seeking, da acomodação e inércia.
(b) Hegemonia de
regimes macroeconômicos desfavoráveis: política cambial
inadequada (a apreciação cambial, por exemplo, inviabiliza o outsourcing na área de TICs), alta tributação sobre
investimentos, alto custo de capital, juros reais positivos e
contenção de gastos públicos em C,T&I.
(c) O modelo de
financiamento não é funcional (fragmentado, pequeno e
burocratizado): linhas de crédito dos bancos oficiais ainda é
restrita, pouco incentivo ao capital de risco (venture capital/private equity), exigência de garantias reais
dificulta acesso de pequenas e médias empresas, há poucas
instituições que operam “fundos de aval” para a inovação.
Menos de 19% das empresas que inovam receberam ajuda do governo
para P&D, parte deste problema deriva da pulverização de
instrumentos oficiais, só a FINEP possui 22 instrumentos
diferentes de financiamento: Proinovação, Juros Zero, Criatec,
Inovar, Pappe, PNI, chamadas públicas, editais diversos, etc...
O BNDES com o FUNTEC, o Prosoft, o Modermaq, o Profarma; o
SEBRAE com o SebraeTIB e o SebraeTEC; o FUNTTEL do Min. das
comunicações, etc... Falta integração dos instrumentos,
metodologias de avaliação de impacto, enfim, formação de uma
lógica mais racional e sistêmica. A seguir um gráfico que
ilustra o tamanho do gap
que separa o Brasil dos demais países. Se forem acrescentados
os investimentos em educação a distância seria maior ainda.
(d) A formação de
recursos humanos é precária e de baixa qualificação:
pode-se citar alguns exemplos como os poucos cursos na área das
engenharias e ciências exatas, o baixo domínio do idioma inglês
na rede pública, a baixa escolarização da força de trabalho,
a rede de escolas técnicas é insuficiente para potencial de
demanda da indústria tecnológica, entre outros casos problemáticos.
O programa “Recursos Humanos para Atividades Estratégicas”
(RHAE) do MCT se mostrou necessário, porém insuficiente. O
Brasil ultrapassou em 2006 a marca de 10 mil doutores titulados,
marca equivalente ou superior à países de desenvolvimento em
C&T muitas vezes superior ao nosso, porém as áreas de
engenharia e ciências exatas representam ainda um pequeno
contingente. Nossa produção científica ainda é contaminada
pelo excessivo academicismo e descolamento dos problemas reais
da sociedade e da nação.
(e) Grande fragilidade
do sistema de proteção à propriedade intelectual: a relação
entre conhecimento produzido nas universidades e patentes
registradas é uma das mais baixas do mundo.
Além disto, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (o
INPI) opera em condições precárias há muitos anos, incapaz
de protagonizar mudanças significativas neste tema. Segundo a
Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI) e a
Associação Brasileira dos Agentes da Propriedade Industrial (ABAPI)
há 500 mil pedidos de registro de marcas e 24 mil pedidos de
registros de patentes aguardando aprovação do INPI. No Brasil
a espera para obtenção de marca é de quatro anos e de patente
chega a sete anos, enquanto no plano internacional os prazos são
um e três anos respectivamente (www.jornaldaciencia.org.br
em 19/03/04). Este é um tema polêmico, pois nem sempre o não
reconhecimento de patentes leva automaticamente à geração de
competência nacional (vide o caso dos genéricos na indústria
farmacêutica brasileira). Por outro lado, o zelo excessivo na
proteção acaba erguendo verdadeiras “barreiras de entrada”
aos países emergentes como já foi explicitado nos relatórios
anuais de desenvolvimento humano da UNIDO.
(f) Pouco
desenvolvimento e consistência na área de Tecnologias
Industrias Básicas (TIBs): compreende atividades no campo
da metrologia, normalização, avaliação de conformidade,
certificações, inspeção, ensaios, etc....Em termos amplos
também pode ser entendida como a infra-estrutura tecnológica
(gestão da informação e propriedade intelectual). Quantidade
reduzida de produtos com certificação e conformidade, o que
impede mais acesso a mercados. Histórico de execução orçamentária
insuficiente em instituições públicas como INMETRO para
ampliar em novos laboratórios e a ABNT.
(g) Nossos sistemas de
incentivos fiscais são insuficientes, descontínuos e
pulverizados: desde 1994 a Lei 8.661/93 estabeleceu
incentivos fiscais via os Programas de Desenvolvimento Tecnológico
Industrial (PDTI) e Tecnológico Agropecuário (PDTA). Em 1997
estes recursos foram reduzidos drasticamente. Em 2001 novos
incentivos foram criados (Lei 10.332/01) para equalizar juros
das operações da FINEP e dar liquidez aos investimentos
privados em fundos de EBTs (empresas de base tecnológica).
Novamente em 2004 a “lei de inovação” cria abatimentos do
IRPJ e possibilidade de subvenção a partir do FNDCT (fundos
setoriais).
A
origem de boa parte dos problemas está relacionada, de fato, à
inexistência de um “sistema acional de inovação”
articulado, planejado estrategicamente e coordenado
nacionalmente. Persistem problemas de coordenação pública e
privada: apesar da criação da Agência Brasileira de
Desenvolvimento Industrial em 2005 (www.abdi.com.br)
e da adoção de uma política industrial ancorada na inovação
tecnológica (PITCE, 2003), ainda perduram problemas de governabilidade, competências
superpostas e ausência de liderança
entre as instâncias e órgãos públicos de elaboração
e execução das políticas (incluindo os Estados e Municípios)
e entre estes e o setor privado. Este problema, que não é
novo, também foi reconhecido pela recente III Conferência
Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (2005), apontando
um “evidente déficit de coordenação” e gestão da política
industrial e tecnológica.
A
formação de um efetivo “sistema nacional de inovação” só
terá sentido no contexto de um grande acordo nacional pró-desenvolvimento
sustentável e com justiça social. Este processo de “concertação”
(construção de consensos estáveis) permanente deverá superar
essencialmente os problemas de ausência de planejamento estratégico
no setor público e superação dá visão prisioneira do curto
prazo do setor privado (onde a racionalidade individual
normalmente inviabiliza as ações coletivas), para se tornar
realidade. Possuímos competências e capacidades notáveis no
cenário mundial. O Brasil, por exemplo, é o país onde mais
crescem as publicações de artigos científicos, nossa taxa
decrescimento é em média três vezes maior que a taxa mundial
(num estoque global de algo como 30 milhões de papers),
entretanto só possuímos 0,2% das patentes. Possuímos
qualidades notáveis nas redes de pesquisa e alguns centros de
excelência, mas nem todas as peças deste “quebra-cabeças”
formam uma figura coerente, plausível, capaz de empolgar amplos
setores da sociedade civil e da sociedade política.
Conclusão
A
participação crescente e dominante dos “ativos intangíveis”
é o core da economia
do conhecimento, está no centro dos processos de revolução
tecnológica que envolve o mundo desde a explosão das
plataformas baseadas nos avanços da microeletrônica, dos avanços
da tecnologia de comunicação e das novas formas de gestão e
organização do conhecimento. E o processo de inovação,
diferente da “invenção” como obra solitária de uma mente
iluminada, é sempre um processo de empreendimento coletivo,
histórico, interativo, imprevisível, que exige ações
coordenadas extra-mercado, parcerias estruturais permanentes
entre Estado, empresários e universidades. A criação de um
Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial em 2004,
articulando atores públicos com figuras empresariais, com base
numa política industrial de novo tipo, foi fundamental para
enfrentar a precariedade de governança pública e coordenação
de políticas. Porém uma ação ainda insuficiente face ao
tamanho do atraso nacional neste campo.
O
Brasil, como vimos, possui várias das principais peças deste
“quebra-cabeças” que dá acesso a assim chamada “economia
do conhecimento”. Nossos institutos de pesquisa, por exemplo,
saltaram de 99 em 1993 para 335 em 2004, tínhamos 4,4 mil
grupos de pesquisa cadastrados naquele ano, hoje temos 20 mil
grupos, nossos pesquisadores saltaram de 21 mil em 1993 para
mais de 78 mil atualmente (dados da Plataforma Lattes, CNPq). Em
2006 a comunidade científica e tecnológica, é verdade que só
uma pequena parte dela está dentro das empresas, produziu 19
mil artigos científicos (uma média de 52 artigos diários). Em
2003 produzimos 96 mil dissertações e 26 mil teses. Nosso
esforço em produção e disseminação do conhecimento é notável,
porém, falta direcioná-lo para setores estratégicos, vincular
os Institutos de Ciência e Tecnologia à engrenagem produtiva,
inovar para o mercado, transformar conhecimento em novos
processos, produtos, geração de renda e emprego, distribuídos
com mais equidade regional e social.
Dois
acontecimentos recentes são significativos neste debate: a
“Lei da Inovação” (10.973/2004) e o surgimento de novas
fontes de incentivo e financiamento. A “Lei de Inovação”
vem preencher uma lacuna nos marcos regulatórios em três níveis
diferentes e articulados: (a) na construção de ambiente propício
de parceria entre universidades, empresas e institutos tecnológicos,
(b) no estímulo à participação dos ICTs no processo de inovação
produtivo (licenciamento, partilha de rendimentos,...) e (c)
subvenção e participação societária pública
diretamente nos projetos de inovação das empresas industriais.
Um dos editais da FINEP para subvenção no valor de R$ 300 milhões
recebeu uma demanda em poucas semanas de mais de mil projetos
(metade deles sobre software
e semicondutores) totalizando recursos que chegam a R$ 1,8 bilhão!
Cabe citar ainda a Lei 11.196 (conhecida como a “Lei do
Bem”), que consolidou vários incentivos à inovação (dedução
do cálculo do IRPJ, depreciação acelerada, redução do IPI,
etc...), com concessão automática dos benefícios, grande avanço
dos instrumentos anteriores.
Ainda
sobre a disponibilidade de crédito para C,T & I, pela
primeira vez o BNDES definiu como prioridade o apoio à Inovação
e lançou o “Programa de Desenvolvimento de Inovação” e o
“Programa Inovação-Produção”. A prioridade significa que
o spread do Banco é
zerado, repercutindo no custo final ao tomador final. Operações
até R$ 10 milhões estão dispensadas de garantias reais,
financiamentos até 10 anos, financiamento de 100% do projeto
pelo banco, são alguns elementos “inovadores” deste
produto. Além disto, em 2006 o BNDES criou o novo Fundo Tecnológico
(Funtec) com R$ 153 milhões retirados do lucro do banco, para
áreas de fronteira (biomassa, software, semicondutores,...), não
reembolsáveis, para projetos onde ICTs e empresas compartilham
riscos e focam inovações para o mercado. Por fim cabe
registrar a triplicação dos recursos disponíveis nos Fundos
Setoriais, a previsão deste ano é de R$ 1,2 bilhão (existem
15 fundos operando), record histórico. Funcionando
com base em comitês gestores compartilhados entre Governo
Federal e Sociedade, com ações transversais otimizadoras e uma
média de 650 projetos aprovados/ano (60% alinhados com as
diretrizes da política industrial), têm sido instrumento
fundamental para recuperar o tempo perdido em C,T & I.
Apesar
de todos os obstáculos identificados para funcionamento de um
“sistema nacional de inovação” é impossível
desconsiderar os passos largos nesta direção nos últimos dez
ou quinze anos. Talvez
a maior e melhor novidade seja um novo comportamento, um novo
estilo e visão empreendedora que vêm conformando em setores
significativos do segmento empresarial. Os números recentes
mostram que está em curso uma profunda mudança na mentalidade
dos atores empresariais, governamentais e dos trabalhadores num
conjunto significativo de indústrias que aceitaram o desafio da
inovação, mudando hábitos, incorporando estratégias tecnológicas
como caminho para competitividade e mercados exteriores.
Felizmente não enveredamos pela rota da desindustrialização,
resultado do sopro dos ventos neoliberiais dos anos noventa,
lugar onde naufragaram muitos países sub-desenvolvidos. Mas
ainda precisamos construir um projeto autônomo de nação,
muito além da receita liberal e distante dos atalhos do
populismo estatista.
Entre as maiores obras de Schumpeter podemos citar “A
Teoria do Desenvolvimento Econômico”, de 1911, (publicado
pela Editora Abril Cultural, 1982, São Paulo) e
“Capitalismo, Socialismo e Democracia”, de 1942
(publicado pela Editora Zahar, 1984, Rio de Janeiro).