HERMANN DIERKES

** Líder da bancada do Partido de Esquerda (Linkspartei) em Duiburgo – Alemanha.

 

 

Soja orgânica versus soja transgênica

O cientista social brasileiro, Antônio Inácio Andrioli, também conhecido na esquerda alemã e no movimento ambientalista, publicou, no início deste ano, sua tese de doutorado intitulada Biosoja versus Gensoja (Soja orgânica versus soja transgênica). Centralmente, trata-se de um estudo de vários anos sobre tecnologia e agricultura familiar no sul do Brasil. A região é um dos maiores centros de produção de soja e, conseqüentemente, uma economia de exportação, a qual, já há mais tempo, conquistou empresas e consumidores na Europa e na Alemanha. Há vários anos, a soja transgênica vem se expandindo na referida região, estimulada por corporações agrícolas e do setor químico, como a Monsanto, dominando a agricultura tradicional dos pequenos agricultores.

No premente estudo, escrito de uma forma bem compreensível aos leitores, podemos verificar os métodos brutais, falaciosos e, até mesmo criminosos, de imposição do cultivo da soja transgênica. Podemos compreender detalhes das conseqüências danosas ao meio ambiente e à saúde, dos efeitos destrutivos e das novas dependências socias da transgenia.

Uma outra vantagem da publicação é que o presente estudo retoma criticamente a discussão acerca da política agrária e da ciência agrária marxista. Esta, muitas vezes, de forma superficial e, em seus efeitos, pouco alternativa, considerou a produção agrícola extensiva em grandes áreas e o uso de tecnologias e da química como a “salvação” da agricultura, comparável à concepção vigente na indústria agrária capitalista.

Andrioli, como autor também politicamente muito engajado, demonstra, com base no Rio Grande do Sul, seu território de origem, que a agricultura familiar e associações  economicamente solidárias ainda oferecem grandes oportunidades para um desenvolvimento socialmente e ecologicamente sustentável. Através da soja orgânica e de outros produtos agrícolas ecológicos, uma parte da população rural procura resistir à expansão da monocultura da soja e construir oportunidades de futuro. Uma luta que merece apoio internacional, porque seu desfecho também decide sobre o futuro dos alimentos que vêm à mesa.

 

Biosoja versus Gensoja

 

Der auch in der deutschen Linken und in der Umweltschutzbewegung bekannte brasilianische Sozialwissenschaftler Antonio I. Andrioli hat Anfang des Jahres unter dem Titel Biosoja versus Gensoja seine Doktorarbeit veröffentlicht. Es handelt sich im Kern um eine mehrjährige Studie über Technik und Familienlandwirtschaft in Südbrasilien. Die Region ist eines der grossen Anbauzentren für Sojabohnen und eine entsprechende Exportwirtschaft, die längst auch Betriebe und Verbraucher in Europa und Deutschland erreicht hat. Seit Jahren ist dort der Anbau von genmanipulierter Soja auf dem Vormarsch, der von interessierten Chemie- und Agrarkonzernen wie Monsanto betrieben wird und sich die traditionelle kleinbäuerliche Landwirtschaft unterwirft.  In Andriolis anspruchsvoller, aber durchaus lesbar und verständlich geschriebener Studie erfahren wir, wie rücksichtslos, verlogen und sogar mit kriminellen Methoden der Gensojaanbau durchgesetzt wird. Wir erfahren Einzelheiten über die umwelt- und gesundheitsgefährdenden Begleiterscheinungen, neuen sozialen Abhängigkeiten und Zerstörungen. Ein weiterer Vorteil der Veröffentlichung besteht darin, dass die Studie kritisch anknüpft an die marxistische agrarwissenschaftliche und agrarpolitische Diskussion. Diese sah  häufig nur wenig radikal und in den Auswirkungen kaum alternativ das Heil in ähnlichen großräumigen Zusammenschlüssen, Chemie- und Technikeinsätzen wie die kapitalistischen Agrarfabriken. Der auch politisch sehr engagierte Andrioli belegt am Beispiel seiner Heimat Rio Grande do Sul, dass kleinbäuerliche Landwirtschaft und  solidarwirtschaftliche Zusammenschlüsse immer noch große Chancen für eine soziale und ökologische Entwicklungsrichtung bieten. Mit Biosoja und weiteren ökologischen Landwirtschaftsprodukten versucht ein Teil der Landbevölkerung, der Ausbreitung der Soja-Monokultur zu widerstehen und Zukunftschancen zu erhalten. Ein Kampf, der weltweite Unterstützung verdient, weil sein Ausgang auch darüber entscheidet, was auf unseren Tisch kommt.

Antonio Inácio Andrioli. Soja orgânica versus soja transgênica: um estudo sobre tecnologia e agricultura familiar na Região Fronteira Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Frankfurt, Berlim, Bern, Bruxelas, Nova York, Oxford, Viena Editora Peter Lang, Editora Européia das Ciências, 348 páginas.

Antonio Inácio Andrioli. Biosoja versus Gensoja: Eine Studie über Technik und Familienladwirtschaft im nordwestlichen Grenzgebiet des Bundeslandes Rio Grande do Sul/Brasilien. Frankfurt, Berlim, Bern, Bruxelas, Nova York, Oxford, Viena: Peter Lang Verlag, Europäischer Verlag der Wissenschaften, 348 Seiten

 

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