Autores
clássicos e questões clássicas
– O
Capitalismo no Brasil e Caio Prado Jr.
Este
ensaio apresenta o esboço de uma problemática, pretendendo abordar
pensadores clássicos no Brasil, à luz de uma questão também clássica:
há capitalismo no Brasil? Em que consiste?
Ao
longo do século XX, uma das dúvidas mais renitentes no pensamento
social brasileiro foi a possibilidade – ou não – da implantação
do capitalismo no Brasil. Essa dúvida persistente atravessou, em
diferentes períodos, praticamente todos os matizes da reflexão
social, unificando setores e pensadores com posições políticas e
vezos teóricos por vezes opostos. Ela já se encontra superada ou
se, ao contrário, resiste como uma espécie de dúvida recôndita
ou de desejo não satisfeito? À luz dessa questão, faremos, ao
final do ensaio, alguns comentários sobre um autor que já se
tornou um clássico, Caio Prado Jr.
Podemos
arriscar uma periodização, ainda muito elástica e provisória,
sobre alguns traços dessa incerteza sobre a existência de
capitalismo no Brasil. Num primeiro momento, a questão central, nem
sempre formulada de maneira explícita, dividia os que se
interrogavam sobre se seria possível tal implantação e os que a
ela se opunham, duvidando se seria desejável. Entre finais do século
XIX e os anos 1930, tomados de forma ampla, o debate historiográfico
e intelectual se cindia entre apontar as dificuldades estruturais e
indicar as necessárias correções de rota para atingir esse
objetivo ou, ao contrário, defender a pertinência da manutenção
das formas clássicas da estrutura social, consideradas seja
positivamente (como “peculiaridades” a serem conservadas), seja
negativamente, como impossibilidades “inatas” de modificação.
Essa configuração permitia, então que o debate se apresentasse
como dividindo modernistas ou modernizadores e conservadores;
industrialistas e agraristas; urbanos e rurais.
Admitamos
que, nesse período, tal dúvida era bastante pertinente. A divisão
internacional do trabalho centrava-se no esquadrinhamento das fontes
de matérias-primas para os países capitalistas centrais e, em
muitos casos, a expansão do capitalismo no plano internacional
impunha a manutenção e exacerbação de formas de trabalho
francamente regressivas, ao lado de uma política abertamente
colonizadora. Por outro lado, no conjunto das relações sociais
dominantes no Brasil, a massa dos trabalhadores, tornada
juridicamente livre no final do século XIX, permanecia
fundamentalmente ligada a seus meios de produção (portanto, ainda
não plenamente livres para o capital), sob relações de poder de
cunho variado.
A
partir da década de 1930, e sobretudo a partir do final da II
Guerra Mundial, a dúvida persistiria e até mesmo se acirraria, mas
se requalificava. Ocorrera uma efetiva expansão industrial e o
crescimento urbano se impunha como evidência concreta. Nessa fase,
o eixo principal das lutas sociais – urbanas e rurais –
travava-se em torno da forma da organização do Estado e sua (im)permeabilidade
aos diferentes segmentos sociais. As lutas populares, assim como as
respostas organizativas do Estado, giravam em torno da existência e
do alcance de direitos – trabalhistas, sociais, políticos, civis.
As
dúvidas anteriores, entretanto, não se esfumaram. Um recorte mais
genérico localiza a contraposição entre autoritários e
democratas, distribuindo-se entre nuances muito variadas e contraditórias,
tornando imprecisos os conteúdos específicos de cada proposição
política. Dentre essas configurações conflitivas, porém, restava
um ponto comum, modernizante, atravessando as divergências. Se a
defesa explícita do capitalismo, escandido com todas as letras, não
fazia parte do repertório de muitos setores, a modernização, genérica
e valorizada positivamente, os aproximava.
Paralelamente,
portanto, à expansão industrial e a uma reorganização do Estado
claramente marcada por uma configuração que unificava a grande
propriedade rural e a grande propriedade urbana (o agro-exportador e
o urbano-industrial), a modernização capitalista ainda era
percebida intelectualmente como cindida. De um lado, seguia
figurando como objetivo a ser atingido e, de outro, ressurgiam os
mesmos problemas sociais considerados como “tradicionais”,
elevados a novos e ainda mais agudos patamares. A favelização
generalizada das grandes cidades no país já visível nos anos
1940/50 e mesmo antes, as precaríssimas condições de vida dos
trabalhadores (urbanos e, sobretudo, rurais), a escalada sempre
crescente da repressão policial, o aprofundamento das desigualdades
sociais ao lado de sua crescente visibilidade nos centros urbanos,
modificava o perfil da dúvida e de sua definição.
Remodelava-se
intelectualmente o perfil do capitalismo, centrado doravante
sobretudo na perspectiva de uma melhoria das condições de vida e
de uma vaga incorporação social da população aos direitos,
incluindo os processos de decisão. Dois elementos seriam apontados
como obstáculos a tais projetos: em primeiro lugar, a estrutura da
divisão internacional do trabalho, que reservava aos países periféricos
a produção de matérias-primas. O pólo central seria os Estados
Unidos, que procuravam garantir seu suprimento de tais insumos e
interferiam diretamente em diferentes conjunturas políticas
internas. Esse processo foi designado como imperialismo
e visaria obstaculizar o desenvolvimento de novos capitalismos na
periferia. De fato, isso ocorria. No entanto, raros os que levaram
em consideração que a própria inserção na divisão
internacional do trabalho e na dinâmica internacional capitalista já
alterava o conjunto das relações sociais, direcionando-as para
formas “modernas”, sobretudo pela crescente migração rural em
direção aos centros urbanos (isto é, pelo aprofundamento da
expropriação social das condições de subsistência).
Nem a expansão industrial nem a recomposição do perfil
social se traduziam, todavia, em acesso aos padrões sociais que
figuravam como modelos, como horizontes a atingir, através de
direitos e formas de sociabilidade vigentes nos países centrais.
O
segundo obstáculo seriam as tradições agrárias com seu cortejo
de violências e segregações, resquícios de formas de produção
precedentes e impeditivas à consolidação de políticas
consistentes de modernização capitalista. Novamente, esta era, na
ocasião, uma dificuldade real, uma vez que se mantinham amplos
latifúndios fracamente produtivos e, à sua sombra, reproduziam-se
relações de poder extremamente violentas. No entanto, e isso não
necessariamente era percebido, em muitos desses latifúndios
germinavam relações sociais capitalistas – aprofundando a separação
entre o produtor direto e o resultado de seu produto; através da
implantação da educação e da formação de mão de obra agrícola
pelos grandes proprietários, subordinada sob diversas modalidades
jurídicas, pela reorganização de processos produtivos,
mercantilização dos componentes fundamentais da subsistência,
etc. Implementava-se um Estado nacional de cunho capitalista, isto
é, capaz de conter em seu interior as disputas entre as diferentes
frações das classes dominantes, de assegurar a expansão do
conjunto e de responder às crescentes pressões populares e
sindicais. Decerto, conservava um trato extremamente violento e
repressivo com relação às reivindicações populares, ao lado da
incorporação seletiva de alguns segmentos populares urbanos.
Entre
1945 e 1964 pareciam desaparecer os conservadores, todos perfilando
a demanda comum de modernização e de democracia.
Expressões simplificadas e dualistas, como a denúncia do
atraso, contraposto ao moderno, mantinham-se entretanto como pólos
de disputa. Acoplavam-se às formas de organização da produção
(a indústria versus o latifúndio); à
relação com a institucionalidade (democratas versus
golpistas); às transformações culturais (o urbano versus o
rural), mas encobriam a extensão da difusão das relações de
cunho capitalista para os mais recônditos espaços sociais.
Desde
fins do século XIX, em inúmeras formas de abordagem, a questão
reaparecia sob os vieses mais díspares.
Atravessava as teorias raciais de fins do século XIX, no
culturalismo enaltecedor da mescla racial de perfil conservador de
G. Freyre. Mas também variados textos de intelectuais do PCB,
ecoava entre os pensadores conservadores e entre aqueles que se
autoproclamavam liberais. Esse
leque variado de autores e de posturas políticas abria uma agenda
plástica e variada, mas que erigia certos padrões de capitalismo
maduro como modelos sociais a atingir. Modelos de comportamento,
estereótipos raciais, padrões religiosos, modalidades de organização
dos mercados, de tipos de produção, de volume de acumulação,
etc., graus de consciência dos protagonistas (quer fossem burgueses
ou proletários), sua ausência ou presença na vida social
brasileira.
Relembrando
alguns elementos desse debate: durante muitos anos, a composição
“racial” do povo brasileiro era tida como impeditiva de um padrão
anglo-saxônico ou europeu de expansão do capitalismo (a miscigenação
incorporaria obstáculos indeléveis); em outra nuance, a matriz ibérica
(ou diretamente portuguesa), com seu forte cunho católico e
tradicional, constituiria obstáculo frontal aos princípios do
liberalismo, de cariz calvinista, bloqueando a plena generalização
do espírito de livre-empresa e de independência frente aos poderes
centrais; em outra direção, a herança da escravidão e da
colonização (quer pelo viés do feudalismo, quer pela subserviência
ao poderio expansionista dos países centrais) impediria a autonomia
política necessária à expansão capitalista.
Haveria
ainda, para alguns, excesso de Estado e predomínio das formas
patrimoniais, herança da administração portuguesa. Para outros,
ao contrário, escassez de uma atuação pública autônoma, capaz
de “regular” os excessos e assegurar uma expansão da produção
industrial que se derramasse sobre o conjunto da população...
Elementos faltantes ou sobrantes – e não passíveis de reposição,
importação ou amputação, posto que integrantes da forma própria
de ser nacional, contendo traços históricos não superáveis –
apontariam para uma impossibilidade efetiva, a da constituição de
um capitalismo moderno no Brasil.
Em
outra direção, contrária porém similar, a negatividade se
converteria, ao contrário, em vantagem peculiar e, dessa forma,
ainda que não nos encaminhasse para um país capitalista maduro (e
assim reaparece subliminarmente o tema comum), traria uma conotação
positiva, através de uma mescla nacional única nas suas formas de
ser. Se não era possível um Estado “racional-burocrático”,
atrapalhado pela imposição quase atávica das tradições
culturais da obediência e do mando, a plasticidade mestiça seria
adaptável às novas condições modernas.
Evidentemente,
a exposição acima induz a uma simplificação abusiva, e as teses
defendidas por diversos autores clássicos continham matizes muito
variados, portando, em seu conjunto, muito mais elementos do que
esse apanhado sumário. Ainda que pelo exagero, interessa-me aqui
enfatizar uma zona de sombra na compreensão da história do Brasil
no que tange à existência – ou não – do capitalismo no
Brasil, pois ela hipoteca as interpretações contemporâneas da
história brasileira (e, até mesmo, da América Latina), assim como
as possibilidades políticas que entreabre.
Essa
zona de sombra parecia ter-se dissipado no período seguinte ao
golpe de estado civil-militar de 1964, no qual as dúvidas sobre a
existência ou a possibilidade da implantação do capitalismo no
Brasil se desfariam na prática. Sob o controle militar, abriram-se
comportas para a entrada de capital estrangeiro; os recursos públicos
foram direcionados para a estrutura produtiva, assegurando as condições
da expansão das relações propriamente sociais favoráveis ao
capitalismo; exacerbava-se ainda mais a violência social repressiva
e seletiva; aprofundava-se a concentração de recursos e a
desigualdade. Ao mesmo tempo se expandiam os processos industriais,
e o apelo ao consumo era complementado pela expansão do crédito.
Agora
podemos nos deter sobre alguns aspectos da obra de Caio Prado Jr.,
com ênfase nos trabalhos publicados após o golpe de Estado de
1964. Antes, porém, gostaria de ressaltar que não se trata de
realizar um acerto de contas
com a obra de Caio Prado Jr., embora estejamos propondo uma visão
crítica. A leitura de seus textos segue sendo extremamente
relevante e sugestiva para muitas questões que ainda nos angustiam.
O engajamento e a preocupação com a elucidação de grandes questões
nacionais permanecem uma exigência àqueles que pretendem pensar o
Brasil contemporâneo.
Uma
das contribuições mais originais de Caio Prado Jr. foi exatamente
a de ter insistido sobre o caráter capitalista da relação de
classes no Brasil. Simultaneamente, porém, realimentava a dúvida
sobre a permanente incompletude desse mesmo capitalismo. Prado Jr.
conservou grande coerência interna em seus escritos, sendo todos os
seus trabalhos atravessados por um fio condutor comum[1]:
a preocupação política sobre a inserção da economia brasileira
no sistema capitalista internacional, que se traduz no sentido
da colonização. Procurando
o perfil histórico de longo curso da formação brasileira, ele
insistiu em dois eixos: o sentido da colonização (marca da formação
das classes sociais e da dependência estrutural da economia
brasileira); e o perfil do Estado nacional. Neste ensaio trataremos
apenas do primeiro traço.
Caio
Prado Jr. considerava que a formação social brasileira, desde a
colônia, já estaria plenamente imersa nas relações capitalistas
dominantes externamente – então de caráter mercantil. Para ele,
“a colonização dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa
comercial, mais completa que a antiga feitoria, mas sempre com o
mesmo caráter que ela, destinada a explorar os recursos naturais de
um território virgem em benefício do comércio europeu” (PRADO
JR., 1969:31). Nosso autor não ocultava nem eliminava a escravidão,
mas o traço histórico fundamental de tal inserção colonizada no
capitalismo seria a da produção mercantil voltada para fora, para o exterior, satisfazendo
necessidades longínquas daquelas sentidas pelos próprios
produtores.
Essa
característica, originada na Colônia, atravessaria os séculos e
configuraria uma marca histórica, algo como uma cicatriz indelével,
que se manteria, apesar das transformações ao longo do tempo: um
mundo no qual as relações sociais seriam, desde os primórdios,
caracterizadas pela contraposição entre empresários distantes e
produtores diretos submetidos às piores condições de trabalho, no
afã subalterno de produzir mercadorias para um mercado distante e
descurando do mercado interno. Este o sentido da colonização.
O
tema é retomado em praticamente todas as suas obras. Tomemos como
referência seus últimos trabalhos, História
e Desenvolvimento, publicado em 1968 (PRADO JR., 1978b), e A
Revolução Brasileira, publicado em 1966,
que inclui texto adicional, Perspectivas
em 1977 (PRADO JR., 1978a). No primeiro, critica duramente a
concepção de desenvolvimento dominante (em especial, o receituário
defendido por Rostow), e se interroga: afinal, o que seria
desenvolvimento? Ele assim o define: uma “condição precípua
para assegurar ao país e à generalidade de seu povo o conforto e
bem-estar material e moral que a civilização e cultura modernas são
capazes de proporcionar”. Caio Prado Jr. sublinhava ainda a necessidade desse desenvolvimento, de base econômica e produtiva,
‘pois é somente através dele que o país, dado o retardo em que se encontra, poderá alcançar o nível e os padrões
da civilização moderna” (PRADO JR., 1978b:17, grifos nossos,
VF).
Prado
Jr. combateu a tese da transplantação do feudalismo para a colônia,
ressaltando a importância da escravidão, considerada, porém, como
uma modalidade de escravidão capitalista, cujo conteúdo essencial
seria dado pelo papel do “europeu que vem especular, realizar um
negócio, fazendo-se para isto o empresário, dirigente e
administrador da empresa” (...) e “de outro lado, o trabalhador
de raça exótica (...) sem outro papel na empresa que contribuir
com sua força de trabalho”. (Id: 36). Conseqüentemente, ao longo
do século XX, as dificuldades não residiriam na existência de
restos feudais ou pré-capitalistas, posto que o caráter
capitalista derivaria dos primórdios da colonização, mas adviriam
de um capitalismo colonizado, incompleto.
Esse
capitalismo, ao mesmo tempo original e frágil, embutiria a permanência
dos traços coloniais: um empresariado ávido de lucro mercantil e a
“inferiorização sócio-econômica de suas classes trabalhadoras
e populares e os baixos padrões tanto culturais quanto materiais e
de consumo a que aquela situação e posição social as condena”
(Id: 78). A marca colonial se atualizaria na escassa generalização
de um mercado interno voltado para as necessidades de consumo da
população. Um capitalismo maduro (um desenvolvimento desejável)
deveria consistir de um processo produtivo que direcionasse a expansão
das atividades lucrativas em direção à satisfação das
necessidades populares, ao mercado interno.
Muitas
indicações de Caio Prado Jr. são férteis e merecem reflexão.
Uma das mais importantes interrogações é sobre o processo de
atualização histórica dos traços constitutivos da formação
nacional, e das marcas da colonização, em especial na permanência
da subalternização dos trabalhadores e do racismo, embora esta última
questão não seja relevante em nosso autor. Isso não significa que
a resposta que sugere dê conta desse processo, posto implicar em
certa fixidez que secundariza os processos de transformação, ainda
que os registre. Não obstante, sua concepção retoma a noção de
capitalismo incompleto, pela frágil extensão do mercado interno e
baixa capacidade de produzir bens de consumo como condição de
civilização e cultura. O capitalismo, desde sempre presente na
sociedade brasileira (como marca objetiva de dependência externa e
como forma subjetiva, de afã pelo lucro e de desigualdade), seria
incompleto por ser incapaz de oferecer o volume de bens de consumo
necessários e por não assegurar uma sociabilidade civilizada.
Esse
capitalismo peculiar – que tinha a busca e o afã do lucro como
centrais, mas dependia de um impulso externo, mantendo seu cunho
exportador – prosseguiria reativando seus efeitos, fazendo com que
“a posição dominante e decisiva que o capital internacional
[ocupa] na economia brasileira tende permanentemente a reconduzi-la
para a anterior situação centrada na função exportadora” (...)
“observa-se aqui muito bem a ligação do capitalismo
internacional com o nosso velho sistema colonial fundado na exportação
de produtos primários” (Id.: 83). Em 1977, retomaria o mesmo
mote: “deixamos de ser, em nossos dias, o engenho e a ‘casa
grande e senzala’ do passado, para nos tornarmos a empresa, a
usina, o palacete e o arranha-céus; mas também o cortiço, a
favela, o mocambo, o pau-a-pique (...). Essencialmente, contudo, com
as adaptações necessárias determinadas pelas contingências no
nosso tempo, somos o mesmo do passado. Senão
quantitativamente, na qualidade, Na ‘substância’, diria a
metafísica aristotélica. Embora em mais complexa forma, o sistema colonial brasileiro se
perpetuou e continua muito semelhante.,” (PRADO JR., Perspectiva em 1977. 1978a.:240. Grifos meus, VF).
A
leitura paradoxal sobre o capitalismo no Brasil persiste e parece se
retroalimentar. Caio Prado Jr, exatamente o autor que apontou, antes
de muitos outros, não apenas para a existência do capitalismo no
Brasil, como para sua precocidade, retomava, por outro viés, a
concepção de um capitalismo ainda a completar-se, quer por sua
autonomização frente aos países centrais, quer pela interiorização
do consumo e sua extensão às massas populares, quer, ainda, pela
generalização de uma condição de vida mais próxima dos países
centrais. A própria existência precoce do capitalismo, no caso
brasileiro, se traduziria em sua permanente impossibilidade de
concretizar-se.
Bibliografia:
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João Alberto da Costa. Os impasses da intelligentsia
diante da revolução capitalista no Brasil (1930-64):
historiografia e política em Gilberto Freyre, Caio Prado Jr. e
Nelson Werneck Sodré. Niterói, Tese de doutoramento em História,
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Santos,
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- 1999 (acesso realizado em fevereiro de 2007)
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Formação do Brasil Contemporâneo. 9ª ed., SP, Brasiliense, 1969.
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Novais,
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VIRGÍNIA
FONTES