Reyes
Mate
Memórias de Auschwitz: atualidade e política
São
Leopoldo: Nova Harmonia, 2005. 288 p.
Pedidos:
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Sinopse:
Auschwitz
tornou-se o símbolo máximo do holocausto da segunda grande guerra.
É o local onde a morte reinou como lei sobre a vida, de onde pouco
ou nada se salvou. Mas a memória é algo que deve sobreviver. Ela
conserva, num povo, a consciência da injustiça. Um povo sem memória
é um povo não apenas sem história, mas um povo escravo. Escravo
do vazio do espírito, espaço para a subjugação material. Não é
à toa que Auschwitz, como diz o autor, era um “projeto de
esquecimento”, onde tudo já estava pensado para que não ficasse
nenhum rastro do que ali havia ocorrido.
Mapeando,
pelo termo benjaminiano “alertadores do fogo”, pensadores e idéias
que advertiram para certos perigos da racionalidade moderna, Mate
arrola a insignificância do singular no idealismo filosófico. E
critica, na Filosofia, a ausência de uma teoria da verdade
que se relacione com as testemunhas, preferindo-se, em seu
lugar, a figura do espectador como aquele que, por não estar
implicado, pode alcançar o progresso moral.
Vertida
por Antônio Sidekum, a obra retoma, por uma de suas linhas de força,
a nova baliza ética de Adorno: “Hitler impôs aos homens um novo
imperativo categórico para seu atual estado de escravidão: o de
orientar seu pensamento e sua ação de modo que Auschwitz não se
repita, que não volte a ocorrer algo semelhante”. Mas Mate vai além
e propõe uma importante distinção: “Recordar para que a história
não se repita não é o mesmo que recordar para se fazer justiça:
no primeiro caso pensamos em nós mesmos e, no outro, nas vítimas”.
Destarte,
Reyes Mate, pesquisador do Instituto de Filosofía del Consejo
Superior de Investigaciones Científicas, Espanha,
toma a narrativa do testemunho enquanto problema filosófico do
resgate da memória ao centro da dimensão ético-moral. Polemiza
contra os discursos amnésicos (do esquecimento, donde amnistia)
e lança elementos para se pensar uma justiça anamnésica
(da atividade da memória). Não a justiça da mera identificação
formal do que condiz com a lei, ou de um pacto para esquecer o
passado, mas uma justiça da responsabilidade, que considere
decisivo, na estruturação do seu próprio conceito, a historia
passionis, ou seja, o reconhecimento da dor das vítimas e a voz
das testemunhas. (Paulo Denisar Fraga).