|
por
ROSE APARECIDA COLOGNESE
RECH
Formada em Pedagogia pela Universidade de Santa
Cruz do Sul (UNISC) – RS e Pós-Graduanda no Curso de Docência
do Ensino Superior da Universidade Castelo Branco (UCB) – RJ
|
|
Formação
de professores e construção de mudanças
na prática educativa
Quando
falamos em formação profissional docente, logo associamos aos
cursos que preparam para o exercício da profissão. Certamente
durante esta preparação formal, obtemos conhecimentos básicos e
indispensáveis para a atuação, mas é certo também afirmar, que
a formação docente não se dá exclusivamente no âmbito acadêmico.
Desta forma, discutiremos neste texto, algumas considerações a
cerca das trajetórias dos professores e como estes tecem seus
conhecimentos.
Inicialmente,
trazemos aqui, algumas reflexões sobre um estudo realizado com duas
professoras, que percebemos claramente as mudanças acontecidas no
decorrer de suas vidas profissionais, em relação à prática
educativa. Segundo elas, nos primeiros anos de suas carreiras tinham
uma postura bastante “tradicional”. A maneira “tradicional”
que elas se referiam, decorria da situação real em que viviam:
pouca instrução e bastante insegurança. Isto, levou-as a
nortearem suas práticas com o modelo que conheciam, basearam-se na
educação que tiveram de seus professores. Por outro lado, ao longo
de suas trajetórias, foram percebendo que a escola estava mudando,
que os estudantes já não eram os mesmos e que a sociedade que
estes estavam inseridos transformava-se, assim, importava reconhecer
que era necessário construir práticas pedagógicas condizentes com
a nova realidade.
Adequar
a prática à necessidade de ensino que a sociedade atual exige,
requer uma mudança de mentalidade e uma percepção que estamos
sempre em construção. É a consciência do “inacabamento”,
pois nossa própria experiência de vida nos torna
“inconclusos”, dispostos à mudança. De certa forma, foi isto
que impulsionou estas professoras para a busca, esta foi a mola
propulsora que às levou para a universidade. A partir deste momento
começaram as tomadas de consciência e as grandes transformações
na suas práticas. Para Freire (1996:154) “o sujeito que se abre
ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica
em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inconclusão
em permanente movimento na História”.
Esta
breve explanação a cerca da trajetória destas professoras, nos
remete a questões relevantes sobre a formação do professor.
Consideramos que apesar de as mudanças significativas ocorrerem após
o ingresso na universidade, o que impulsionou para que elas
procurassem esta mudança foi justamente a própria prática. Ou
seja, as mudanças vieram se constituindo a partir dos seus desejos
de mudarem suas práticas. Desejos que nasceram da interação com
seus alunos, seus meios.
Na
universidade busca-se conhecimentos científicos específicos sobre
a área de atuação e uma sistematização a cerca das reflexões
sobre a prática. Amparados nas teorias tem-se condições de
justificar e argumentar o trabalho docente, e principalmente
possibilitar a co-autoria na construção de novas teorias. Isto, de
acordo com Marques (2003: 207) “significa possibilitar a articulação
entre a atuação do professor na sala de aula e o espaço para a
reflexão coletiva e o aperfeiçoamento constante das práticas
educativas, refundando-as sempre de novo na produção do
saber/competências requeridas”.
Contudo,
não se refere que a formação dos professores se dá
exclusivamente em cursos profissionais, como esclarece Alves
(1998:15):
Não
é possível se aceitar a idéia que a formação docente se dá,
exclusivamente, em cursos de formação (ela se dá em múltiplas
esferas). Por outro lado, vai se percebendo que ao contrário de
serem construídas linear e hierarquizadamente, os conhecimentos teóricos
e práticos-políticos, epistemológicos, pedagógicos,
curriculares, didáticos e outros – necessários ao exercício
docente são tecidos em redes.
Assim,
os professores se utilizam de vários saberes para a construção de
sua prática. Porém, para Tardif (2002), os saberes provindos das
experiências, da prática, não são saberes iguais aos outros, mas
sim, formados de todos os outros, pois é em prol da própria prática
que os demais saberes são articulados.
Concluindo,
a mudança no ensino depende de nossa formação e da transformação
das nossas práticas em sala de aula. Esta transformação se dá em
várias “esferas”: acadêmica, governamental, prática pedagógica
e política (ALVES, 1998). Cabe a nós, professores, um trabalho
reflexivo e uma reconstrução permanente de nossas identidades
pessoais e profissionais. Pessoal, porque só é possível mudar o
meio, as nossas práticas, quando aprendemos a mudar nós mesmos, o
nosso jeito de olhar e viver as coisas do dia-a-dia. É a mudança
pessoal, a mudança de atitude que leva à transformação
profissional.
por
ROSE APARECIDA COLOGNESE
RECH
|
|

|