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por
ALTAMIRO BORGES
Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB,
editor da revista Debate Sindical e autor do livro “As
encruzilhadas do sindicalismo” (Editora Anita Garibaldi, 2a
edição).
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O
sindicalismo e a sucessão presidencial
A
disputa presidencial chega a sua fase decisiva com os campos
nitidamente demarcados. De um lado, o presidente Lula, candidato à
reeleição da coligação “A força do povo” (PT, PCdoB e PRB),
aparece como franco favorito em todas as sondagens eleitorais.
Apesar das limitações e erros do seu primeiro mandato, os
trabalhadores mantêm a esperança de mudança no atual governo,
enxergam nele o esforço em priorizar as questões sociais, em
democratizar as relações com os movimentos populares, em adotar
uma política soberana diante das potências capitalistas. Todo o
hipócrita bombardeio da mídia e da oposição de direita, tentando
cunhá-lo de corrupto, parece não colar na imagem do presidente
Lula.
Do
outro lado, o rejeitado Geraldo Alckmin, seguidor da seita fascista
Opus Dei e adepto de um programa ultraliberal de governo, que conta
com o apoio dos rentistas e privatistas “modernos” do PSDB, da
velha oligarquia do PFL e dos trânsfugas do PPS. A sua candidatura
prega a redução do papel do Estado, com o corte nos programas
sociais e a demissão de servidores públicos; a privatização de
estatais, com a entrega do que eles chamam de “jóias da coroa”
(Petrobrás, Banco do Brasil, CEF e as geradoras de energia); a retomada das negociações da Alca, via alinhamento automático
com os EUA e o fim da diplomacia Sul-Sul; a flexibilização
trabalhista, com a prevalência do negociado sobre o legislado; e a
criminalização dos movimentos sociais, rompendo o diálogo com os
sindicatos e reprimindo “os bandidos do MST”.
Há
ainda um bloco intermediário, representado pelos candidatos
Cristovam Buarque e Heloísa Helena, que tenta se apresentar como
terceira via. Ambos centram seus ataques no presidente Lula e
suavizam as críticas ao representante da oposição
liberal-conservadora. No caso da candidatura do PSOL, ela teve uma
certa ascensão nas pesquisas, aproveitando-se da generosa exposição
da mídia, o que alimentou o sonho da direita de viabilizar o
segundo turno da sucessão presidencial. Há, entretanto, problemas
neste campo. Como sintetizou o sociólogo Emir Sader, este partido
é “um estranho casamento da eleitoralismo e ultra-esquerdismo”.
A tentativa de Heloísa Helena de adocicar seu discurso, visando
atrair as camadas médias, logo sofreu duras críticas do interior
do seu partido e das forças coligadas – em especial, do PSTU.
Acertar
o rumo e o prumo
Diante
deste quadro de disputa tão cristalizado, o sindicalismo tem
enormes desafios. Concentrando suas energias nesta batalha política
e evitando desperdiçar forças nas lutas economicistas e
corporativistas do cotidiano, ele deve colocar como prioridade máxima
a derrota do projeto da direita. A revanche neoliberal neste momento
seria uma tragédia para os trabalhadores brasileiros e para os
povos latino-americanos. Ela colocaria em risco os poucos direitos
trabalhistas que ainda restam, daria impulso à ofensiva mundial de
criminalização dos movimentos sociais e abortaria todo o esforço
do atual governo de maior integração da América Latina como forma
de se contrapor à política expansionista dos EUA. Não é para
menos que Hugo Chávez, Fidel Castro e Evo Morales, entre outros
presidentes latino-americanos, apostam sua fichas na reeleição de
Lula como indispensável para a construção deste bloco regional de
poder.
Além
do esforço para barrar o retrocesso da direita neoliberal, o
sindicalismo deve contribuir para que um segundo mandato do
presidente Lula avance no rumo das mudanças. Há consenso de que o
seu primeiro governo representou uma histórica vitória dos
trabalhadores e que promoveu expressivos avanços sociais e políticos.
Em todos os quesitos, ele dá de goleada no triste reinado de FHC.
Apesar disto, o sindicalismo tem consciência de que esta experiência
inédita também esbarrou em muitas limitações e cometeu vários
erros – em especial, ao tentar conciliar com as elites dominantes,
ao não enfrentar a ditadura do capital financeiro e ao subestimar a
capacidade da mobilização social.
Num
primeiro momento, a pressão do poder econômico foi violenta no
sentido de enquadrar e domesticar o governo Lula. Num segundo, as
elites investiram abertamente na tática golpista de “sangrar” e
derrotar o bloco democrático-popular. A vida demonstra que hoje não
basta eleger governos progressistas, que é preciso pressioná-los e
contribuir ativamente com as mudanças, evitando que os eleitos se
tornem reféns do poder econômico. Nesta primeira experiência de
um governo nascido das lutas sociais, o sindicalismo não cumpriu a
contento este papel. Ele resvalou em dois extremos negativos – o da
passividade acrítica e o do voluntarismo esquerdista. Ele poderá
ter agora uma segunda chance para corrigir o rumo e o prumo!
Neste
sentido, é positiva a iniciativa da CUT de apresentar a
“plataforma democrática dos trabalhadores” com as principais
reivindicações do sindicalismo. Ao mesmo tempo em que explicita
que o seu objetivo maior é evitar o retrocesso da direita
neoliberal, a principal central sindical do país não assina um
cheque em branco e formula suas propostas para o provável segundo
mandato do presidente Lula. A plataforma tem quatro eixos: soberania
nacional, desenvolvimento interno, ampliação da democracia e mais
direitos sociais. Ela reivindica que o novo governo avance no rumo
das mudanças, viabilizando a tão desejada transição do modelo
neoliberal para um novo projeto de desenvolvimento com valorização
do trabalho.
por
ALTAMIRO BORGES
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