por ANTONIO OZAÍ DA SILVA

Docente na Universidade Estadual de Maringá (UEM), membro do Núcleo de Estudos Sobre Ideologia e Lutas Sociais (NEILS – PUC/SP) e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP)

 

Nacionalismo, racismo e futebol: razão e paixão

 

À Juliana Ozaí da Silva,

que compartilha a paixão,

alegrias, tristezas, decepções...

e também a razão.

 

O futebol desperta emoções, paixões. Como ser indiferente às lágrimas dos homens, mulheres, jovens, idosos e crianças de todos os níveis e classes sociais, emocionados diante da alegria da vitória ou da imensa tristeza e decepção com a derrota da sua nação representada pela guerra futebolística. Paixão, dirão uns, que se explica apenas pelo componente irracional e alienante do futebol; embuste ideológico que mascara a realidade de uma sociedade socialmente desigual, dos interesses econômicos e políticos sempre à espreita de lucrar e manipular os sentimentos populares. Sim, fossemos apenas racionais, não nos permitiríamos o envolvimento passional com o futebol. Igualmente, também não aceitaríamos as fáceis identificações com a nação. Afinal, o que explica o “ser brasileiro”, “ser francês”, italiano, alemão etc.? Em que se fundamenta o “patriotismo futebolístico” se somos, brasileiros tão diferentes em suas origens, costumes e cultura regionais, divididos em classes e grupos sociais e mesmo com linguagens dispares, apesar da pressão da uniformização através do ensino formal?

Em eventos como a Copa do Mundo, as seleções nacionais se apresentam como representação do espírito patriótico do povo. Mera mistificação, pois nem a pátria é homogênea a ponto de anular a diversidade social, racial, cultural, política e econômica; nem, por outro lado, ocorre uma identificação natural e indiferenciada entre as seleções e o povo dos seus respectivos países – em alguns casos, como nos EUA, o futebol ainda não é o esporte preferido da maioria e, portanto, a identificação entre povo-nação e seleção não é tão intensa, como em outros países como a Argentina e o Brasil. Não obstante, é um fato político e social que, estimulado pelos meios de comunicação e até mesmo pelas instituições governamentais, o patriotismo é mais identificável e intenso em certos países e determinados contextos ideológicos. Por exemplo, a vitória da seleção italiana, a em 1934 e 1938, foi vista por muitos analistas da época como prova cabal da superioridade do fascismo; o próprio governo tratou, e nisso não é original nem foi o único e o último, de tentar capitalizar a vitória da “squadra azzurra”.

Em 1970, no Brasil, os militantes de esquerda nas prisões da ditadura militar, se digladiavam em torno de uma questão considerada imprescindível para o futuro do Brasil e do socialismo: torcer ou não para a vitória da seleção canarinho no México? Os “derrotistas” argumentavam que o provável tri-campeonato mundial fortaleceria o governo militar.[1] Este, é claro, como todos os governos, procurou compartilhar dos louros dos vitoriosos. O povo, em sua maioria, alheio aos destinos dos opositores e prisioneiros do regime militar, às divergências no interior da esquerda, e mesmo às manipulações ideológicas para a capitalização do sucesso da seleção, festejou, chorou de alegria e de orgulho e retornou à sua vida normal tão logo passou o êxtase. Vinte anos antes, o patriotismo nacional, identificado com o futebol, sofreu um duro golpe e decepção com a perda do título para o Uruguai. E, no entanto, a vida continuou e, afinal, sempre há a possibilidade de redenção na Copa do Mundo seguinte...

A Copa do Mundo foi rica em fatos e situações que desafiam as fáceis verdades sobre a vinculação direta entre nação, povo, raça e futebol. Portugal, por exemplo, tem um técnico brasileiro e um dos seus jogadores, o meia Deco, jogador do Barcelona (Espanha), também é brasileiro, mas naturalizado português.[2] Quantos de nós brasileiros não nos identificamos com os “felipões” e os “decos” presentes em outras seleções que não a nossa? No fundo, torcemos pelo técnico Alexandre Guimarães da Costa Rica, pelo maringaense naturalizado japonês, Alex Santos, e muitos de nós nos dividimos emocionalmente quando da partida entre Brasil e Japão, não apenas pela presença de um dos nossos maiores jogadores como técnico da seleção japonesa, mas também pela marcante imigração daquele país, cujas gerações atuais, ainda que brasileiros de nascimento, se identificam com as origens dos antecedentes.

Houve também alguns jogos interessantes que expressaram rivalidades e entrelaçamentos históricos. Os angolanos enfrentaram a seleção do país que o colonizou por longas décadas. Diante da guerra civil que sucedeu à luta pela libertação nacional (1975), muitos angolanos se exilaram na ex-metrópole e enfrentaram a discriminação colonialista. Paulo José Figueiredo e João Ricardo, jogadores da seleção de Angola, cresceram em Portugal, chegaram no país ainda crianças, fugitivos da guerra civil, e são brancos. Ressentimentos e recordações compartilhadas historicamente são reatualizadas no ritual do campo de batalha futebolístico. Nós brasileiros que gostamos de futebol e que assistimos a esse duelo pelo gol, entre Angola e Portugal, provavelmente, se conhecemos a história, tenhamos simpatizado com o primeiro, até porque, em geral, tendemos a simpatizar com o time teoricamente mais fraco.

Contudo, independente se torcíamos para um ou outro, ou se era indiferente o resultado, restando apenas o desejo de assistir a um bom jogo, não podemos anular os vínculos históricos que nos unem a Portugal e a Angola. Conhecemos os portugueses mais de perto pois aprendemos desde crianças a história da “descoberta” e colonização. Sabemos menos sobre Angola e a África em geral. Intelectualmente somos colonizados, eurocêntricos. Dessa forma, pouco conhecemos dos laços que nos unem aos angolanos, os quais se vinculam às nossas origens enquanto povo e nação. Os ancestrais dos angolanos aportaram em terras tupiniquins como prisioneiros e escravos. Alberto da Costa e Silva, diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras, calcula que cerca de 40% dos negros traficados para o Brasil entre os séculos 16 e 19, mais de um milhão de seres humanos, eram oriundos de terras angolanas. A influência desse povo foi marcante para a nossa formação. “Portugal teve uma função mais forte naquilo que eu chamo de fórum, a rua, a organização da vida brasileira. Mas Angola entrou na casa: na maneira de comer, estar, viver, na nossa intimidade”, afirma Costa e Silva. Ele destaca ainda a influência do quimbundo, a língua angolana, em nossa linguagem. Palavras como “zanga, tangam cafuné e caçula”, são de origem angolana.[3]

Outro jogo que uniu histórias que parecem tão distantes, mas que, como diz a Globo, “tem tudo a ver”, foi Brasil versus Gana. Este país africano, cuja capital se chama Acra e uma população de cerca de 20 milhões, está vinculada à nossa história não apenas pela passagem que o técnico Carlos Alberto Parreira teve por aquelas bandas nos primórdios da sua carreira profissional. E, novamente, os laços históricos dizem muito sobre a nossa formação como povo-nação, cujo esteio foi o trabalho escravo negro, oriundo também de Gana. O colunista da Folha de S. Paulo, Xico Sá, visitou a comunidade quilombola Conceição das Crioulas (PE), a 570km de Recife, e relatou como nesse pedaço da África no Brasil os que assistiam à partida se reconheciam “nos traços e gestos dos atletas de Gana, de onde vieram parte dos escravos brasileiros que deram origem a povoados como este”.[4]

Em Gana também se faz sentir esse vínculo. O elo entre nossos países, originado nos tempos da colonização e tráfico de escravos, também é mantido pela comunidade Tabom, constituída por “cerca de 2.000 descendentes diretos de um grupo de escravos brasileiros que compraram sua liberdade e retornaram ao continente de seus ancestrais há quase dois séculos”. Preservando as tradições, a comunidade Tabom se integrou á etnia Ga-dangbe, cujo dialeto é o da, muito falado na capital. Outra etnia, a Akan, grupo majoritário entre a população, fala o Twi. E o idioma oficial é o inglês. O líder da comunidade Tabom, Nil Azumah 5º, descendente dos escravos libertos que retornaram a Gana, explica que o nome da comunidade se origina na saudação utilizada pelos recém-chegados, que só falavam português. “Questionados sobre como estavam, sempre respondiam, sempre respondiam: “Tá bom!”.[5] Será que a nossa “legião de estrangeiros” [6] se reconhece nesses pedaços de Brasil-África chamado Conceição das Crioulas e Comunidade Tabom? Será que eles ainda se identificam com as paixões, sentimentos e cultura brasileira? Será que compreenderam a responsabilidade de amalgamarem esta paixão nacional pelo futebol?

A nacionalidade dos jogadores participantes das diversas seleções pode ser formalmente identificada. Mas é algo a se analisar se considerarmos o fenômeno da exportação da “mercadoria craque”, cujo efeito é perceptível no fato de que a maioria das seleções terem seus jogadores “nacionais” atuando no exterior. Ganhando milhões de euros e dólares, apartam-se da sua cultura e da realidade dos países. E ainda que mantenham vínculos familiares e culturais, é de se pensar se, e em que medida, eles realmente representam o sentimento nacional. Se, por exemplo, tivéssemos mais jogadores que atuam em solo nacional e a constelação de estrelas mundiais não fosse tão intensa, será que o resultado da nossa participação nesta copa não seria outra? E ainda que houvesse a eliminação, provavelmente não seria da forma vergonhosa como ocorreu.

A “estrangeirização” das seleções se repete na maioria das seleções atuantes neste mundial. Comprova-se a globalização do futebol, sendo que a Europa concentra a maioria dos craques selecionados. Se antes o tráfico humano era uma das atividades mais lucrativas, ainda que à custa de violência e morte de milhões de negros, hoje os corpos e mentes são negociados livremente a peso de ouro. É certo que poucos são os que atingem o ápice, mas há sempre no horizonte a possibilidade de repetir o caminho do ídolo. Eis o mistério da ideologia liberal. Enquanto muitos jogadores buscam a terra de “leite e mel”, a utopia da realização material por meio de contratos milionários, desenvolve-se um mercado lucrativo para empresários que negociam jovens e precoces talentos, em condições nem sempre favoráveis a estes.

Há outra legião, não menos importante e que cresce a cada copa. É a “legião dos naturalizados”: foram 64 jogadores defensores de seleções que não representavam os países onde nasceram (em 2002, eram 43) e apenas 9 das 32 equipes participantes do torneio não têm jogadores naturalizados.[7] Assim, os que acompanharam os jogos, não apenas o da nossa “legião de estrangeiros”, viram fatos inusitados:

1)  O time de Trinidad e Tobago, o menor país participante da Copa do Mundo e ex-colônia inglesa, incluiu Chris Birchall, jogador na terceira divisão do campeonato inglês e que entrou meio que por acaso na seleção – é o único branco do time;

2)  O Irã, um país considerado política e religiosamente fechado, teocrático e com um presidente que dispensa apresentações, incorporou em sua seleção o alemão Fereydoon Zand (outro fato curioso na seleção iraniana, país mulçumano, é a presença de Anderanik Teymourian, de origem armêmia e cristão ortodoxo).[8]

3)  A Alemanha, por sua vez, tem a dupla de ataque polonesa (Miroslav Klose e Lukas Podolski), além de Oliver Neuville (suíço) e Odonkor, descendente de ganenses;

4)  Marcos Senna, brasileiro, se naturalizou espanhol e defendeu a “fúria”.

O caso que mais chama a atenção é o francês. Os que nos arrebataram os sonhos dos brasileiros e nos impuseram a dura e velha realidade, nem parecem os franceses típicos que nos ensinaram a conceber. Se Trinidad e Tobago incluiu um branco em sua seleção, o único, a França nos apresenta vários negros (e Zidane que é de origem argelina). A Europa se rende à miscigenação? Superou o racismo? Tudo indica que não... A nação francesa vive há muito o drama da inclusão/exclusão de uma parcela da sua população, imigrantes e descendentes das gerações do período colonialista. Quando o líder da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, declara que as minorias tem espaço demais na seleção francesa e insinua que os atletas negros não cantam o hino francês, como se não o fossem, ele sabe que tem auditório. O zagueiro Lilian Thuram, em resposta xenófobo líder político francês, declarou: “Talvez sejamos os que mais cantam, mas reduzir a questão a cantar ou não cantar é estúpido. Eu não sei o que responder, porque não sou negro, sou francês”. E, apelando à história, afirmou: “Sou das Antilhas, sou francês. As Antilhas se tornaram francesas antes de Nice e Estraburgo. Mas acho que ele não sabe a história francesa”. E ironizou: “Talvez ele não saiba que existam franceses negros. Como uma pessoa dessa quer ser presidente da França?”. Dos jogadores da seleção francesa, seis nasceram em outros países: Thuram e Chimbonda (Guadalupe, Antilhas), Boumsong (Camarões), Makelele (Zaire), Malouda (Guiana) e Vieira (Senegal); Zidane tem ascendência argelina e Henry, antilhana. Dos 23 selecionados, “16 são negros ou de pele escura”. Thuram, talvez por reconhecer esta realidade, também declarou sentir orgulho em ser francês, “Mas não a França que ele [Le Pen] vê, eu falo da França verdadeira”. [9]  Talvez haja até mais de duas Franças...

As manifestações racistas são recorrentes nos estádios de futebol europeus. Não apenas a torcida, mas até mesmo jogadores e técnicos tiveram atitudes consideradas racistas. Alguns clubes foram multados e o técnico da Espanha, Luis Aragonés, chegou a ser multado por racismo contra o francês Thierry Henry. A punição, decidida pela Federação Espanhola de Futebol, foi criticada por ser considerada leve diante da gravidade do fato. Aragonés foi mantido no posto de técnico da “fúria”. A favor de Aragonés pesa o fato de ter convocado Marcos Senna, brasileiro naturalizado espanhol. O volante é negro.

Nesta copa, ONGs chegaram a aconselhar aos negros que evitassem cidades como Leipzig, localizada no lado oriental da Alemanha; as próprias autoridades alemães se mostraram preocupadas em relação à manifestações racistas e neo-nazistas. Não é por acaso que a FIFA impulsionou a campanha “Say no to racism”, inclusive com os capitães dos times em disputa lendo uma declaração, espécie de juramento. Nos jogos, os atletas entram no campo de mãos dadas com meninos, “em sua maioria brancos, louros e de bochehas rosadas. Colocaram até um gordinho para escoltar Ronaldo”, ironiza Sergio Costa. Ele ressalta outro aspecto interessante, do “anti-racismo de butique”: “Em compensação, rica França faz sua parte – pena que apenas no futebol, não nos subúrbios de Paris. Nossos tradicionais algozes gostam de encher os Champs-Elysées para celebrar as façanhas de um time em que bem mais da metade é composto por negros”.[10] Não obstante, considerando-se que um evento como a Copa do Mundo é assistido por milhões de pessoas em todo o mundo, a campanha “Say no to racism” é positiva. Porém, ainda temos muito a caminhar...

Mas temo que isto seja apenas um sonho. O nacionalismo envolve uma certa dose de irracionalidade, na medida em que também mobiliza paixões e sentimentos – individuais e da multidão. Muitos estão dispostos a morrer pela pátria! O patriotismo regado a futebol é ainda mais irracional. A paixão que paralisa países como Brasil e Argentina, transforma as pessoas, muda a rotina, emociona e produz alegria e dor, não pode ser explicada. É claro que há uma dose de racionalidade nisso tudo, nas análises, na percepção das diferenças, das manipulações etc. Mas a explicação mais racional possível não anulará essa paixão. O mesmo ocorre com o racismo...

As campanhas, a legislação, uma educação voltada para formar indivíduos racionalmente tolerantes em relação à diferença, não anula por si só o sentimento que habita o racista. Se não é assim, como compreender que indivíduos estudados, com títulos acadêmicos tenham atitudes racistas? E se a razão fosse o remédio infalível às loucuras protagonizadas pelo ser humano em sua história, não teríamos o genocídio na segunda mundial e o “11 de setembro”. Na verdade, por mais paranóico, irracionais e fanáticos que nos pareçam os que perpetram ações deste tipo, eles também se guiam pela razão; seus atos são calculados e plenamente racionais. O tráfico de escravos, a dominação colonialista, a máquina de guerra que dizimou milhões e a guerra no Iraque, têm entre os seus fundamentos a racionalidade, a busca intencional de determinados meios para se atingir os fins almejados. E, nestes exemplos, tanto os meios quanto os fins parecem legítimos e, na maioria das vezes, são legitimados pelo poder político e pela sociedade.

A Copa do Mundo, mais uma vez, valoriza o sentimento nacional, o patriotismo. Mas todo o seu glamour não é capaz de anular diferenças reais e os problemas sociais inerentes à sociedade de mercado. Os alemães, por exemplo, vibram e se unem por sua seleção, mas eles não são “os alemães”, a nação homogênea que a TV nos mostra em seus jogos. Ela ainda tem que se haver com o seu passado e superar as diferenças entre as duas ex-alemanhas. Curiosamente, apenas dois dos 11 titulares base do time alemão são oriundos da ex-Alemanha Oriental: Ballack e Schneider. E, das 12 cidades sedes dos jogos, apenas Leipzig pertence ao lado oriental, e entrou na lista por sua importância histórica. Essa divisão reflete a economia do leste e oeste. “os salários pagos em cidades que integraram a parte ocidental são 35% superiores à remuneração das cidades orientais, discrepância que influencia o esporte”, escreve Guilherme Roseguini.[11] E não apenas o esporte, mas todos os aspectos da sociedade. O nacionalismo alemão, como outros, precisa ser construído a cada dia...

A Copa do Mundo também representou uma lição de geografia, sociologia, história, política etc. E, apesar do Galvão Bueno e dos interesses capitalistas e globais que envolvem o evento, não anula a paixão – pelo menos para os assumidamente apaixonados pelo futebol, ou alienados, na linguagem política. A razão nos esclarece a essência, mas aceitamos o fator irracional presente. É este fator, a emoção, sempre confrontando e confrontada com a razão, que transforma este período em algo mais profundo do que a racionalidade pode explicar, ainda que os antropólogos, sociólogos e outros tipos de “logos” tentem...

   

 

 

 

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[1] “Lembro a Copa de 70, num dos piores momentos do regime militar que sofríamos. Houve até uma campanha para que o povo torcesse contra o Brasil, para não encher o gás da ditadura. Não adiantou. As mesmas bandeiras, as mesmas faixas verde-amarelas que o governo espalhava pelo país o ano todo, para incrementar o civismo dos tempos totalitários, enrolaram o povo na grande festa do tricampeonato”, ressalta Carlos Heitor Cony (“Chuteiras e bandeiras”. Folha de S. Paulo, A2, 07 de junho de 2006).

[2] A nação portuguesa contou com os préstimos de jogadores não-portugueses por nascimento em outras épocas: em 1966 teve em seu elenco os moçambicanos Eusébio, Coluna e Costa Pereira – o primeiro foi um dos seus maiores craques, que contribuiu para a sua melhor campanha em copas do mundo, até a atual. Nesta copa, além do brasileiro Deco, tem em seu elenco o cabo-verdiano de nome singular Boa Morte.

[3] Luiz Fernando Vianna. “Jogo acirra ressentimento de angolanos, que querem vingar discriminação”. Folha de S. Paulo, D19, 11 de junho de 2006.

[4] Xico Sá. “Brasil, África”. Folha de S. Paulo, D14, 28 de junho de 2006.

[5] Orla Ryan. “Tá bom? Tabom!” Folha de S. Paulo, D12, 26 de junho de 2006; ver também: “Dentro e fora dos gramados, seleção ganesa fala twi”. Folha de S. Paulo, D5, 26 de junho de 2006.

[6] A expressão é de Clóvis Rossi, referindo-a ao fato de que 20 dos 23 jogadores da seleção canarinho há muito não atuam em solo nacional (Clovis Rossi. “O grande negócio da bola”. Folha de S. Paulo, A2, 06 de junho de 2006).

[7] “A legislação atual para o setor não é restritiva e estabelece três situações para tais transferências [naturalizações]. O jogador consegue vaga na nova seleção se: 1) nasceu no território em questão; 2) tem pai, mãe ou avós biológicos nascidos no local e 3) residiu por pelo menos dois anos seguidos no lugar”, informa Guilherme Roseguini (“‘Estrangeiros’ em seleções aumenta e já preocupa Fifa”. Folha de S. Paulo, 06 de junho de 2006, D10.

[8] Deste ponto de vista, também chama a atenção a seleção de Gana, devido a pluralidade de crenças religiosas: católicos, evangélicos, ortodoxos e islâmicos. A seleção de Gana é também um exemplo daquilo que o nacionalismo esconde, dado a diversidade étnica.

[9] “Thuram reage à xenofobia do líder político de direita”. Folha de S. Paulo, D6, 30 de junho de 2006.

[10] Sergio Costa. “Anti-racismo de butique”. Folha de S. Paulo, D2, 04 de julho de 2006.

[11] “Ballack e Schneider marcam esteio político”. Folha de S. Paulo, D7, 04 de julho de 2006.

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