Sobre a importância
do Design para nosso cotidiano
“You
know you've achieved perfection in design,
Not
when you have nothing more to add,
But
when you have nothing more to take away.”
Antoine de
Saint-Exupery
Design
compreende atividades de concepção e projeto e um novo produto (máquina,
painel de um veículo, jogo, interface de um sistema, etc). O design
requer que o projetista o designer leve em conta aspectos funcionais
e estéticos do produto, além de exigir imaginação, modelagem,
ajustes iterativos e re-design. Os designers assim como os artistas
têm sempre sido influenciados pelo ambiente onde vivem, e isto
reflete exatamente o tempo e o lugar. Em outras palavras, o design
similarmente a arte acompanham as necessidades de seu tempo e lugar.
Uma
das primeiras civilizações a codificar elementos de design foi os
egípcios. As pinturas em paredes eram feitas a serviço dos faraós
e atendiam a rígido código de sinais, regras visuais e
significados da época. Perceba que antes do início da civilização
ocidental, a arte era vista como uma atividade primitiva, implicando
que os artistas não tinham qualquer treinamento formal até
aproximadamente dois séculos antes de Cristo. Adicionalmente, antes
do início da civilização grega, as artes serviam mais a propósitos
religiosos e de atividades de caça, do que propriamente estético.
A arte tem, de fato, servido àqueles que dominam seu tempo, ficando
a serviço, por exemplo, da Igreja durante a Idade Média até a o
Renascimento.
É
importante observar que design é uma atividade de suma atividade ao
cotidiano das pessoas. Por exemplo, o computador deixou de ser
ferramenta de trabalho dos profissionais de computação e áreas
afins e tornou-se em um outro utensílio às residências das
pessoas, bem como ferramenta essencial aos mais variados segmentos
de trabalho, sendo utilizado em atividades do comércio, indústria,
educação, saúde, etc.
Neste
artigo, o foco principal da discussão sobre design será sobre
atividades onde o computador está inserido.
Parte
do crescente número de usuários de computadores hoje em dia é
resultado da redução gradativa do custo do computador pessoal ou
PC (personal computer), bem como da popularização da Internet
desde 1993. Dentro desse contexto, a usabilidade (isto é um
atributo da qualidade que indica a facilidade de uso e aprendizado
de um produto) é um aspecto essencial a ser considerado no design
de qualquer produto ou sistema.
Um
segmento crescente que requer usabilidade compreende os sistemas
complexos, onde se têm muitas pessoas utilizando durante longos períodos
de tempo sistemas como de votação, realização de transações
bancárias, além de sistemas das áreas de saúde e previdência.
Mas, o leitor pode questionar o que há de complexo em tais
sistemas. A resposta é que as interfaces de usuários desses
sistemas (ou seja, a parte com a qual o usuário interage) é
geralmente desenvolvida por instituições públicas e precisam
oferecer suporte a situações de privacidade, confiabilidade e
responsabilidade, além de evitar e tratar toda e qualquer ocorrência
que seja danosa ao sistema, o que se da em situações de invasões
de natureza maliciosa ao sistema com no caso de tentativa de fraude
ou entrada de informações incorretas. Perceba que usuários que têm
acesso a tais sistemas desejam que:
Em
outras palavras, os usuários desejam saber quando as operações são
realizadas com sucesso ou não. Sistemas dessa natureza exigem que
seu design ou projeto ofereça suporte a facilidade de aprendizado e
feedback adequado para que os usuários tenham confiança em
utilizar o sistema. Isso implica que os projetistas de interface de
usuário (ou interface designers) têm papel de suma importância
para o sucesso do sistema, pois eles precisam atender às
necessidades de uma quantidade considerável de usuários de
características diversas como habilidades, personalidades, idades,
grau de instrução, motivação para uso do sistema e,
principalmente, de culturas distintas (em alguns casos).
Acomodar
tamanha variedade de habilidades perceptiva, motora e cognitiva
constitui um verdadeiro desafio para os projetistas de interface de
usuário (i.e. interface designers). Note que não existe um usuário
geral sobre o qual os projetistas de interface possam considerar
suas características para conceber e projetar uma interface. Vale
ressaltar que design é uma atividade criativa, mas que deve também
levar em contar princípios de engenharia quanto a identificação,
análise e tratamento dos requisitos dos usuários. O design deve
estar concentrado nas pessoas, nas suas tarefas, no ambiente onde
elas estão e em identificar formas de como a tecnologia pode apoiar
a realização dessas tarefas.
Esse
foco do design nas tarefas que as pessoas realizam deve ocorrer logo
cedo no processo de desenvolvimento de um produto ou sistema. É
preciso entender e checar se as necessidades funcionais, cognitivas
e estéticas dos usuários estão sendo apoiadas. E, mais
importante, no design de qualquer produto ou sistema, deve haver
iterações porque não importa quão bom seja o projetista ou
designer, ele não obterá na primeira ou primeiras tentativa(s),
pois segundo Antoine de Saint-Exupery: “You
know you've achieved perfection in design,not when you have nothing
more to add, but when you have nothing more to take away.”
As
tarefas de nosso dia a dia não são difíceis por causa de sua
complexidade inerente. Elas são apenas difíceis porque elas exigem
um processo de aprendizado, mapeamento e, em algumas circunstâncias,
precisão na sua execução. As dificuldades podem ser evitadas
através do design e as tarefas podem torna-se prazerosas e efetivas
através do design, mas para isso é preciso tornar obvias as ações
necessárias à realização das tarefas e acima de tudo, é preciso
simplicidade. Esta é a palavra chave, basta reler com atenção as
palavras de Antoine de Saint-Exupery.
por
ANTONIO
MENDES DA SILVA FILHO