Esquerda
e política em tempo recente
Introdução
As
denúncias de corrupção que envolvem o governo Lula mostram um traço
da vida política brasileira pouco lembrado: no tempo mais contemporâneo,
os presidentes outsiders
ao sistema partidário encontraram dificuldades para impor seus
populismos. Jânio, Collor e agora o próprio Lula – mesmo quando
eleitos com grande apelo popular –, ao se defrontarem com o mundo
aparentemente frágil da política, terminaram muito enfraquecidos.
Em contrapartida, observam-se governos de estilo democrático –
possuidores de setor reformista e de ala conservadora – que alcançaram
êxitos, em boa medida por terem se sustentado em coalizões de
partidos. Em meados da década de 1950, o governo de JK constitui um
exemplo. O caso crítico foi o tempo em que o vice-presidente João
Goulart assumiu o governo e se propôs iniciar “reformas de
base” sob difícil negociação com o mundo político daqueles
anos. Essa tentativa reformista não teve curso, sendo apontado como
uma das principais causas do golpe de 1964 o fato de Jango não
haver consolidado apoio partidário.
A
resistência ao regime de 1964, período em que foram impostos
presidentes-generais, mostrou dramaticamente a vitalidade da vida
política brasileira. Foi com base nesse enraizamento que se
moveriam grupos resistentes ao “processo de fascistização”,
como à época diziam os comunistas, sustentando a tese de que o
golpe de 1964 não significava uma simples substituição de
governo, mas uma mudança na “forma estatal de poder” dissonante
da vida complexa que já era o país. No seio do sistema político,
que não fora de todo destruído pelos militares (Congresso, classe
política, eleições), reanimaram-se variados núcleos que iriam
sobreviver convergindo na oposição legalizada, o MDB, legenda
transformada em uma frente em defesa das liberdades, por meio da
qual as esquerdas clandestinas buscariam sair à superfície.
Depois, esses ambientes partidários fizeram prosperar uma espécie
de “guerra de posições” gramsciana, em uma época em
que não se acreditava muito fosse a política propriamente dita o
meio capaz de defrontar-se com o regime de 1964.
Esses
agrupamentos interpelavam os mais diversos interesses econômicos,
sociais e culturais, para tanto necessitando reviver a política em
solo de margens estreitas (Congresso esvaziado de poderes,
bipartidarismo outorgado e eleições controladas; cassações de
mandatos, cerceamento das liberdades e repressão). Eles terminaram
por estruturar um largo movimento democrático que, primeiro,
resistiu e, depois, levou o regime de 1964 ao isolamento,
conseguindo, afinal, vinte anos depois, vencê-lo. Em 1984, depois
da derrota da mobilização Diretas-Já, os protagonistas daquela
“guerra de posições” retomaram a iniciativa, participando da
eleição (indireta) no próprio Colégio Eleitoral que os militares
haviam criado para reproduzir o regime de 1964 e aí derrotaram o
seu candidato civil, Paulo Maluf, elegendo Tancredo-Sarney. A partir
da anistia de 1979, mesmo “sem governo de transição”, como
observara Armênio Guedes em 1981, já se tinha iniciado uma transição
no país, processo este que, com a vitória de Tancredo-Sarney, se
ampliou, abrindo passagem para um novo curso político.
Nos
anos mais recentes, Fernando Henrique Cardoso constitui novo exemplo
de estabilidade e êxitos, inclusive a transmissão pacífica da
Presidência para uma esquerda que não valorizava muito o sistema
político; esquerda que se afirmara mediante associativismo
dissidente, recusara-se a participar do Colégio Eleitoral e não
assinou o texto da Constituição de 1988. Antes da era tucana, também
tivemos um governo que, por ter origem no impeachment de Collor de
Melo em 1992, em princípio seria um governo precário. Trata-se da
Presidência exercida pelo vice-presidente Itamar Franco, que, no
entanto, foi sustentada por uma concertação interpartidária que
lhe viabilizaria um governo bem diferenciado do populismo do
presidente destituído.
O
dilema da esquerda social
A
crise da corrupção em que se meteu o governo Lula mostra que, no
campo polarizado pelo PT, não se colocou aquele tema da correlação
entre diversidade sociocultural e pluripartidarismo como um valor da
política nacional. Buscasse vocação propriamente político-partidária,
teria o PT referenciado melhor sua combatividade na defesa de
interesses sociais, em lugar de associá-la ao tema da moral; parâmetros
estes – interesse e pureza ética – com os quais se construiu o
PT sob a vigência plena do Estado de Direito democrático no país.
Na
hora em que decidiu tudo fazer para alcançar a Presidência, para
tanto se abrindo às alianças, mesmo aí o PT ainda não perceberia
que o campo reformista democrático de centro-esquerda da tradição
brasileira, antes aludido, era muito mais que um mero espaço para
manobras táticas. Inclusive, a aposta da esquerda histórica (o
PCB) naquele reformismo significara a adaptação de um agrupamento
de formação marxista-leninista à tematização da diversidade e
do pluralismo da vida nacional. Tivesse extraído proveito da trajetória
percorrida pelos comunistas rumo à valorização da política, quem
sabe teria o PT superado a abstração – que carregava ao se
pretender expressão direta do social – com a qual apreciava a política
brasileira. Um exemplo importante
dessa abstração é a definição da chapa Lula-Alencar em termos
de uma aliança entre o trabalho e o capital, como dizia Lula,
verbalizando a visão do seu partido sobre o mundo político, tendo,
depois de 2002, que lidar com ele sem poder recorrer ao
“oposicionismo triunfante”, para usarmos esta expressão do
deputado petista Paulo Delgado.
O
PT chegou à Presidência sem avaliar, em uma formulação aggiornata,
o significado da sua nova circunstância. Em primeiro lugar, ele não
conquistara a administração federal como coroamento de uma
social-democratização transversa ao conjunto da sociedade, ou por
meio de uma ruptura que, como nos processos revolucionários,
sugerisse ao seu governo grande margem de voluntarismo.
Mesmo ostentando o ponto de vista da defesa generalizada de
interesses sociais, o PT continuava sendo expressão de áreas
organizadas não-majoritárias. Ganhou as eleições de 2002, mas
então só conseguiu eleger governadores em alguns Estados fora das
regiões de maior peso econômico e obteve, em aliança precária,
maioria apenas na Câmara de Deputados. Por sua cultura de raiz
corporativa e de candidaturas próprias exclusivistas, o PT não
havia se preparado para ser um partido de função nacional, apto a
ir além de interesses próprios e dos grupos afins, assim se
habilitando no sistema político a liderar medidas exeqüíveis de
reforma democrática da sociedade.
Não
constitui acaso, pois, que a crise ora vivida pelo governo Lula não
tenha se originado no território inimigo. Pelo contrário, os
grandes partidos da oposição convergiram com o governo na reforma
da Previdência e vêm apoiando as linhas gerais da atual política
econômica. As dificuldades provieram dele mesmo e do seu campo
aliado, não faltando, já no começo do governo, a oposição de
correntes do próprio PT. Chega-se agora à desmoralização dos
partidos governistas mais frágeis, vitimando, até aqui, grandes líderes
do PT (os escândalos podem atingir o Presidente) e também áreas
suas (parlamentares e diretórios) que receberam dinheiro do esquema
Marcos Valério-Delúbio Soares. É da prática do pragmatismo
adotado como caminho mais curto, cuja natureza de alto risco foi
revelada agora, que emergiram os escândalos. Cada vez que o
presidente movimenta sua postura outsider,
as coisas se complicam mais ainda, como na entrevista de Paris na
qual banalizou o uso pelo PT do caixa 2, validando a versão de que,
em lugar do pagamento de um mensalão a parlamentares, a conexão
Valério-Delúbio operara com recursos financeiros apenas não
contabilizados na Justiça Eleitoral e destinados a gastos
eleitorais.
Se,
por um lado, a votação esmagadora obtida confirmava sucesso dos
estrategistas da candidatura de Lula, por outro, ela revelava um
paradoxo a que também levava a trajetória do PT como
“partido-movimento”. Nascido da vitória de um candidato construído
como símbolo do social, à medida que o governo do PT procurasse
enfraquecer o sistema partidário, aí conheceria suas maiores
dificuldades. As denúncias de corrupção vieram exibir um processo
de debilitamento dos partidos, no centro do qual se colocaram o PT e
Lula, quando mais dependia desse mesmo sistema partidário a realização
do seu governo.
A
incompreensão da nova circunstância
Outrossim,
ao não interpelar uma segunda cena discursiva, o PT tampouco
formularia uma nova orientação econômica a partir da política
– ponto este relevante na conexão MDB-PCB-PMDB e elo débil dos
governos tucanos. O PT não soube equacionar os tempos globalistas
nem distinguir, para sua formulação política, que o PSDB optara
por uma via com “incorporação social seletiva”, como a chamou
Luiz Werneck Vianna, aludindo ao “reformismo fraco” dos governos
tucanos.
Como
não era costume das esquerdas referenciadas pelo PT valorizar a
democracia representativa como melhor fonte da transformação
social, a política igualmente não lhes parecia lugar privilegiado
no qual as reformas modernizantes implantadas por Fernando Henrique
Cardoso poderiam ser consolidadas e retificadas por um novo governo
que colocasse, entre seus critérios de ação, a idéia de uma
incorporação social mais ampla. O PT não se deteve naquela refração
dos governos FHC e foi buscar novo economicismo – conservaria a
política econômica como algo em si mesmo –, esperando lhe
justapor sua ideologia social – mediante programas como o Fome
Zero e a Bolsa Família – e almejando um tempo de poder mais
alongado e centrado na figura de Lula.
Não
se conhece uma formulação do PT sobre o modo como pensava operar a
herança de Fernando Henrique sob o signo de uma “outra globalização”,
como, aliás, bem antes já lhe mostravam experiências européias,
nas quais configurações de centro-esquerda e ex-comunistas haviam
tentado incidir construtivamente, fazendo ajustes à globalização,
analogamente àquilo que, embora no registro da incorporação
seletiva anteriormente referido, também FHC dizia aqui representar.
A própria postulação de Serra, em 2002, já expressara esse tipo
de propensão: sua candidatura era “oficial”, mas vinha corrigir
Fernando Henrique Cardoso. Essa nova candidatura do PSDB, no
entanto, não conseguira efetivo respaldo no centro político, sendo
até mesmo provável que, em caso de uma derrota de Lula, Serra não
fosse aceito pelo PT e pela maioria dos movimentos sociais
organizados. Após as derrotas de 1989, 1994 e 1998, viu-se no campo
referenciado pelo PT tendência à radicalização; em 2002, tal hipótese
novamente poderia se qualificar em função da elevada quantidade de
promessas que Lula havia feito durante a campanha eleitoral.
Pela
via do pragmatismo
Empossado
Lula, lançou-se o PT ao mundo da política, apostando demasiado na
vontade messiânica do presidente. Com essa disposição, o PT e o
governo intensificaram a cooptação nas bancadas do Congresso e
fomentaram a fratura dos partidos, chegando, como agora se apura nas
CPIs, à compra de votos de parlamentares, antes desprezados por
Lula quando era deputado, ocasião em que chegou a dizer que o
Congresso abrigava “300 picaretas”.
O
resultado dessa “estratégia pragmática” seria a erosão do
sistema partidário, ao mesmo tempo que se tornava evidente que não
bastava interpelar o país apenas a partir do tamanho e da justeza
das demandas populares, acreditando poder movimentar outros partidos
com base na legitimação social da figura de Lula. Ao não
compreender a tradição brasileira de reformismo democrático
pluriclassista, as esquerdas petistas não aquilataram que só com a
política – e apoio relevante no sistema partidário – é que
seria possível operar um governo que também consultasse o
interesse da ampla maioria da população.
O
PT iria se desorientar por não dispor de uma sólida cultura política
com a qual pudesse suscitar – com métodos diversos dos meios
pragmáticos – forças convergentes e negociar com a oposição
melhores condições para os seus cometimentos. Ao não compreender
bem sua circunstância, seria levado a um pragmatismo cujo resultado
ora está lhe impondo abdicar de um “reformismo forte”, sempre
vivo e sempre possível num país tão diversificado social e
politicamente como o Brasil.
Se
antes do mensalão, o caso Waldomiro Diniz, assessor do ministro José
Dirceu apanhado pedindo propinas a um bicheiro, já alertara, em
junho de 2004, para os perigos que carregava o estilo
auto-suficiente do PT, a eleição de Severino Cavalcante à Presidência
da Câmara, em fevereiro deste ano, exporia os seus últimos limites
políticos. Severino alcançou o cargo, valendo-se da luta interna
que o PT levara para dentro do Congresso quando apresentou dois
petistas à disputa do primeiro turno daquela eleição. A derrota
do PT em segundo turno não apenas desperdiçava a oportunidade de
eleger o presidente da Câmara por ter a maior bancada, mas também
introduzia elemento a mais de desmoralização na instituição,
tanto pela extravagância e pelo caráter cartorial da conhecida
personalidade de Severino Cavalcante como ainda pelo envolvimento
deste na cobrança de propinas a uma concessionária de serviço à
Câmara desde antes de se tornar seu presidente, quando já era
membro da Mesa Diretora da Casa.
As
denúncias de um mensalão para angariar apoio parlamentar ao
governo tiveram efeitos devastadores. Elas erodiram o PP, o PL e o
PTB, partidos governistas que haviam crescido mediante transferência
– propiciada pelo Palácio do Planalto – de deputados de outras
legendas. Desde o seu início, o governo também havia levado tensão
e fratura para dentro do PMDB e do PPS, cooptando quadros para o
ministério e apoio parlamentar. O envolvimento da cúpula petista
na montagem do mensalão e o fato de vários parlamentares e instâncias
partidárias terem recebido dinheiro da conexão Marcos Valério-Delúbio
Soares abalaram a credibilidade do PT. Ao invés de causa do seu
desvio, a crise da corrupção veio revelar o modo como as alianças
eram processadas pelo PT, expondo traços da concepção que formara
o governo com desmedido predomínio petista. No desenrolar desse
processo auto-referido, os estrategistas do PT e do governo perderam
o controle dos fatos, desconsiderando que, em moldes democráticos,
a política de alianças não constitui objeto de meras operações
com desatenção aos valores da representação partidária na qual
se busca convergência.
A
erosão da política
O
maior impacto da crise da corrupção provocada pelo PT e pelo
governo foi aumentar a descrença na própria política, situação
que se agrava com a postura do governo após a revelação das denúncias.
Primeiro, ele tentou impedir as CPIs, depois procurou confinar as
responsabilidades pela corrupção na esfera dos partidos e dentro
do Congresso, ocultando sua parte, à medida que os fatos apurados
pelas CPIs foram se espalhando por áreas de outros partidos e
diversificaram-se as ações da Polícia Federal contra a corrupção,
a mais espetacular delas, a prisão do ex-prefeito e ex-governador
de São Paulo, Paulo
Maluf, e de seu filho.
No
campo do PT, a CUT, o MST e a UNE fizeram mobilizações e ocorreram
algumas reuniões petistas em apoio ao governo. Na crise, Lula
emitiu sinais variados: enviou quadros do ministério para reforçar
o grupo hegemônico no PT, ao mesmo tempo que deu mostras de estar
disposto, para salvar seu governo, a sacrificar o próprio partido.
No entanto, o deslocamento de Tarso Genro à direção petista
insinuou um movimento de refundação do partido que logo se esvaiu
quando o ex-ministro desistiu de disputar a presidência do PT, ao não
conseguir formar um núcleo dirigente diferenciado do Campo Majoritário,
o grupo que, liderado por José Dirceu e Genoíno, tanto levara à
vitória de 2002 quanto trouxera a crise de agora. A vitória nessas
eleições internas do também ex-ministro Berzoini, candidato à
presidência do PT pelo Campo Majoritário, repôs ambigüidade no
partido e tem provocado saída de militantes.
Sem
dimensionar o sentido que a substituição de Severino representava
como oportunidade para o Congresso melhorar sua credibilidade, e
desprezando a possibilidade de uma negociação com o PMDB e com a
oposição em torno de um nome institucional, Lula lançou Aldo
Rebelo à disputa da Presidência da Câmara. Disposto a ganhar a
qualquer preço, acirrou a divisão do PMDB, repetindo o estilo do
mensalão entre os seus já combalidos partidos aliados. Ao vencer
com um quadro próprio do seu staff, os operadores do Palácio do
Planalto passaram a acreditar que, agora, seria possível uma
contra-ofensiva para fazer estacionar a crise no Congresso (recursos
jurídicos protelatórios das cassações, apoio de Lula em palácio
aos deputados petistas envolvidos no esquema Valério-Delúbio),
projetando-se a idéia de que a Câmara de Deputados, sob controle
oficial, não daria toda a conseqüência às cassações.
Considerações
finais
Nesse
marco, as autocríticas ensaiadas no PT dificilmente tocariam na
questão essencial da valorização da política na esquerda. Até
agora elas têm-se limitado a responder a aspectos morais, os erros
considerados frutos de questões organizativas e de desvios de
conduta de Delúbio Soares. Até
mesmo a cobrança que alas radicalizadas fazem ao PT, pelo que seria
a perda da oportunidade histórica das esquerdas por conta dos escândalos,
minimiza a aposta, compartilhada por muitas áreas de dentro e de
fora do governo, no poder da máquina governamental obtida em 2002 e
no voluntarismo do presidente. As autocríticas não reconhecem que
o governo Lula chega agora a um impasse em grande medida pela
postura de uma esquerda que não equacionou sua principal questão,
a saber: o social, que, por mais de duas décadas, ela mobilizara, não
configuraria, por si mesmo, um governo reformista em moldes democráticos
sem que a política estivesse no
centro de tal construção.
A
crise da corrupção veio mostrar o beco sem saída a que conduziu a
veleidade de pretender exercitar potência messiânica neste país
complexo e que chegou a construir um robusto sistema de partidos. Os
escândalos não só vieram revelar como ainda era débil o processo
que, com todas as dificuldades do governo Lula, vinha pondo
progressivamente a Presidência da República sob a lógica da política,
como talvez tenham comprometido essa evolução, à medida que Lula
e o PT continuem apostando numa saída da crise – sendo eles o seu
centro – mediante enfraquecimento do Congresso e dos partidos.
Pode-se estar configurando um contexto passivo de neutralização
dos partidos, se as denúncias de corrupção os atingirem com força.
Nesse clima, certamente crescerá o espectro do salvacionismo mítico
que o sindicalista do moderno ABC também passou a encarnar,
particularmente a partir do uso que o PT fez da grande mídia na
campanha eleitoral de 2002. Caso continuem revoltas as águas partidárias,
Lula pode terminar sendo um candidato à reeleição ainda forte
embora no momento lidere um governo bastante fragilizado.