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SUMÁRIO
DA REVISTA MARGEM ESQUERDA 7
ENTREVISTA
István Mészáros
IVANA JINKINGS
DOSSIÊ: DILEMAS E DESAFIOS DA ESQUERDA
PT × PSDB: rumo ao quinto governo Collor
GILBERTO MARINGONI
O pulso ainda pulsa?
VALTER POMAR
Um novo ciclo para a esquerda brasileira
EDMILSON COSTA
Afinal,
quem é a classe trabalhadora hoje?
RICARDO ANTUNES
O fantasma da cordialidade
FLÁVIO AGUIAR
ARTIGOS
A precarização e a revolta: o que nos diz a experiência
francesa
MARCO AURÉLIO SANTANA
Bolívia: a revolução democrático-plebéia
EMIR SADER
Um olhar para a esquerda
JOSÉ LUÍS FIORI
Duas memórias de presos políticos: Argentina e Brasil (anos
1970)
AFRÂNIO MENDES CATANI
A imagem da mulher e a esquerda
LINCOLN SECCO
Dialética × dogmatismo. Sobre um inédito de Lukács em
defesa de História e consciência de classe
ANTONINO INFRANCA
CLÁSSICO
Nota sobre o texto “Teoria freudiana e o padrão da
propaganda fascista”, de T. W. Adorno
JOSÉ LEON CROCHÍK
A teoria freudiana e o padrão da propaganda fascista
THEODOR W. ADORNO
HOMENAGEM
Apolonio e a guerra civil na Espanha
JACOB GORENDER
COMENTÁRIOS
Os catadores, Agnès Varda e eu
JEAN-CLAUDE BERNADET
A margem: instrumento de combate ao Cinema Novo?
DANIELA PINTO SENADOR
RESENHAS
A atualidade das reflexões de Maurício Tragtenberg em
Administração, poder e ideologia
JOÃO BERNARDO
A semântica militante de Raymond Williams
MARCOS SOARES
NOTAS DE LEITURA
A educação para além do capital
ANA PAULA HEY
O grito do povo
GILBERTO MARINGONI
A nova morfologia do trabalho: relevância e atualidade do tema
VERA LUCIA NAVARRO
Modotti: uma mulher do século XX
ALEXANDRE MARQUES
POESIA
Casco
- O caracol
AIRTON
PASCHOA
DESENHOS
ARTHUR
LUIZ PIZA |
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Revista
Margem Esquerda n. 7 -
Ensaios
Marxistas
Edição
traz entrevista com István Mészáros, dossiê sobre dilemas da
esquerda e artigos sobre as eleições na Bolívia e os protestos
na França
Margem
Esquerda
inaugura seu quarto ano de vida. Nos sete números que agora se
completam, nossa preocupação tem sido manter a radicalidade na polêmica
e na criatividade. E com esse espírito, de quem não deixa espaços
para meios-termos, o entrevistado desta edição não poderia ser
outro senão o filósofo húngaro István Mészáros – pensador
que não se furta ao embate ideológico, que diz com todas as letras
ser impossível um acordo com o imperialismo, a fim de humanizar o
capitalismo. Para ele, é socialismo ou barbárie.
O
dossiê trata dos dilemas e desafios da esquerda no Brasil. Ao fim
de três anos e meio de governo Lula, muitos dos seus antigos
companheiros consideram que o PT tornou-se o melhor administrador do
neoliberalismo. Mas há os que ainda buscam a recuperação do
projeto original, considerando que a atual administração é um
“espaço em disputa” e que o PT é ainda a melhor alternativa
para acumular forças. O certo é que a esquerda brasileira, no
momento exato em que finalmente chegou à Presidência da República,
vive sua mais profunda crise de identidade e enfrenta os maiores
impasses de sua história. Os artigos de Gilberto Maringoni, Valter
Pomar, Edmilson Costa, Ricardo Antunes e Flávio Aguiar analisam
esses dilemas e suas eventuais vias de superação. A partir de
pontos de vista diferenciados, mas todos pela margem gauche
da questão social e política.
A
crise da esquerda brasileira parecerá, entretanto, um raio em céu
azul se não estiver inserida na mudança de relações de força em
escala mundial e continental e no marco da ofensiva política, econômica
e ideológica do neoliberalismo.
Neste
início de século, uma sucessão de vitórias eleitorais colocou a
América Latina diante do desafio de governar para mudar. É o caso
da Bolívia, onde a
eleição do líder indígena
Evo Morales abre um
período sem precedentes na história desse país, conforme analisa
Emir Sader.
Em
outro brilhante texto, José Luiz Fiori mostra os caminhos da sinistra
européia, depois de
uma sucessão de derrotas e vitórias eleitorais. A experiência
no Velho Continente segue sendo referência decisiva para apontar o
que significa a “gestão socialista” à sombra imediata do
poder estadunidense. Segundo Fiori, para desbloquear seus caminhos,
a esquerda precisa recolocar-se o problema histórico e teórico das
relações entre os processos de globalização do poder e do
capital com as lutas políticas dos povos, e o crescimento desigual
da riqueza das nações.
Ainda
tendo como foco a Europa, Marco Aurélio Santana aborda a questão
social na França, a partir dos recentes
acontecimentos – que trouxeram da periferia para o centro de Paris
as rebeliões de milhares de descontentes –, que dão mostras das
profundas contradições da União Européia e voltaram a colocar a
Cidade-Luz no centro do mapa político mundial. A vitalidade desse
movimento faz pensar que, afinal, a estratégia da Egalité
(ou, se for demais, ao menos a Liberté) pode ser bem mais
que uma velha calça azul e desbotada, como dizia uma antiga
publicidade dos anos 1970...
Na
seção “Artigos” temos ainda escritos de Afrânio Catani, que
resgata o clima de terror dos anos de chumbono Brasil e na Argentina
por meio da memória de dois presos políticos: Luiz Roberto Salinas
Fortes e Flávio Koutzii; o historiador Lincoln Secco traça uma
parte da longa marcha das mulheres em busca de seu espaço específico
na luta do movimento socialista, contra tendências patriarcalistas
e outras formas de discriminação, e conclui que "o índice de
emancipação da humanidade mede-se pela liberdade das
mulheres"; Antonino Infranca discorre a respeito de um texto inédito
de Lukács, em defesa de História e consciência de classe;
e, fechando a seção, Luiz Renato Martins relata sua instigante
conversa com Jean-Marie Straub e Danièle Huillet (de Gente da
Sicília), sobre a importância de um tratamento materialista do
som no cinema.
O
clássico deste número é “A teoria freudiana e o padrão da
propaganda fascista”, texto de Theodor Adorno inédito em português.
Com apresentação de José Leon Crochík e tradução de Gustavo
Pedroso, sela a homenagem de Margem Esquerda a Sigmund Freud,
no 150º aniversário de seu nascimento. Outra homenagem
indispensável: nos 70 anos da Guerra Civil Espanhola, Jacob
Gorender rememora o início do conflito mais importante da Europa do
entreguerras e homenageia Apolônio de Carvalho, dirigente comunista
morto em setembro de 2005, aos 93 anos.
Em
“Comentários” temos a colaboração constante de Jean-Claude
Bernardet, que desta vez nos brinda com uma crônica sobre o filme
de Agnès Varda, cuja retrospectiva está programada pelo Centro
Cultural do Banco do Brasil – em São Paulo – para o segundo
semestre deste ano. Na mesma seção, Daniela Senador reflete sobre
a ascensão de Ozualdo Candeias ao universo cinematográfico, a
partir de seu primeiro longa, A margem.
Luiz
Arthur Piza, o artista deste número, entra na sexta década da sua
carreira com uma virada forte. Se sua obra era a de um espírito
delicado como o de Pixinguinha, o sarcasmo e o desassombro vitais
dos trabalhos recentes ombreiam-se à raiva do novo canto urbano, ao
estilo da banda Pedro Luís
e a Parede. Os relevos de Piza, com a sutileza de aquarelas,
fizeram-no premiado (Bienal de Veneza, 1966) e reconhecido
internacionalmente como mestre da gravura. Mas, mesmo já
consagrada, a sua arte renasceu em 2003. Piza renasceu
na semana em que completou 75 anos: fez em 19 de janeiro de 2003,
num caderno de bolso moleskine, o primeiro desenho da série que ora
publicamos. Neles, anota seus cáusticos pensamentos visuais sobre
fatos jornalísticos, como as torturas de Abu-Ghraib, a violência
brasileira ou os conflitos do ano passado na periferia de Paris –
aqui tratados num desenho especial para Margem
Esquerda –, que
combina o olhar rente dos closes
do fotojornalismo com a evocação do célebre Delacroix: A
liberdade guia o povo (1830). Em sua mostra mais recente (São
Paulo, março-abril), intitulada Trama,
surpreende ao apresentar objetos nos quais suas tradicionais formas
geométricas coloridas surgem enclausuradas
em meio a camadas superpostas de telas aramadas, de uso industrial.
Recortes irados do mundo contemporâneo, essa série de trabalhos,
que evocam o confinamento e a globalização do espaço prisional,
foi aberta por um protótipo que, concluído, Piza denominou Guantanamo.
A seleção e a edição dos desenhos internos e da capa (novo espaço
para a colaboração de artistas contemporâneos na revista) foi,
como nos dois números anteriores, de Luiz Renato Martins.
Margem
Esquerda no
7 traz ainda resenhas de João Bernardo e Marcos Soares, e quatro
notas de leitura. A página poética deste número coube a Airton
Paschoa, cujos textos “Casco" e
“Caracol” – este inspirado numa colagem homônima de Matisse
– estampam a última página de nossa revista.
Para
encerrar, uma pequena nota sobre o seminário “As aventuras de
Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: a obra indisciplinada de
Michael Löwy”, ocorrido entre 27 de setembro e 5 de outubro de
2005. Como parte das comemorações dos 10 anos da Boitempo, o II
Seminário Margem Esquerda reuniu em universidades – USP, PUC-SP,
Unesp de Araraquara e Unicamp – nomes como Francisco de Oliveira,
Leda Paulani, Roberto Schwarz, Gabriel Cohn, Emir Sader, Ricardo
Antunes, Flávio Aguiar, Maria Orlanda Pinassi e Marcelo Ridenti. As
palestras, sempre com auditórios lotados, retrataram a
originalidade e a força do pensamento de Löwy.
O
economista norte-americano Harry Magdoff, um dos marxistas mais
importantes do mundo, morreu no primeiro dia deste ano, aos 92 anos
de idade. Ao lado de Paul Sweezy e Paul Baran, Magdoff editou a
revista Monthly Review, desde 1969, e publicou estudos já
considerados clássicos sobre o imperialismo, o trabalho e o capital
monopolista. A ele dedicamos esta edição.
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