Sobre o autor

Sérgio Alfredo Massen Prieb nasceu em Santa Maria, RS, em 1963. Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Maria, mestre em Economia pela Universidade Federal da Paraíba – Campus de Campina Grande, e doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é professor do Departamento de Ciências Econômicas e pesquisador do Núcleo de Estudos Econômicos (NEEC) do curso de Ciências Econômicas da UFSM. É membro do Conselho Editorial da revista Crítica Marxista (Rio de Janeiro: Revan).

O Trabalho à beira do abismo: uma crítica marxista à tese do fim da centralidade do trabalho

Sérgio Prieb

Ijuí: Ed. Unijuí, 2005, 216 p.

Pedidos: editorapedidos@unijui.tche.br

 

Contracapa:

Em curso desde o último quartel do século passado, o processo de reestruturação capitalista tem sido associado à difusão de novas formas de organização do trabalho. Embaladas, então e ainda, pelas perspectivas otimistas de futuro do trabalho, teriam ênfases crescentes as teses a respeito do fim da centralidade do trabalho no capitalismo contemporâneo. Disso resultariam amplas e complexas interpretações disruptivas a respeito da concepção marxista, tanto sobre o fundamento do trabalho na geração de riqueza sob o modo de produção capitalista, quanto sobre o potencial revolucionário das classes trabalhadoras.

É sobre isso, todavia, que se insurge o professor Sérgio Prieb. De maneira lúcida e competente, Prieb procurou abordar, com a qualidade arguta de um analista engajado, os principais meandros da problemática atual do trabalho no capitalismo avançado. O autor termina por oferecer ao leitor provas materiais irrefutáveis, com informações empíricas da maior importância a respeito da evolução mais recente do tempo de trabalho e da população trabalhadora, confluindo para a robustez da visão realista acerca das perspectivas futuras da precarização – nas mais diversas formas – do trabalho sob o modo de produção capitalista. (Extratos do Prefácio de Marcio Pochmann, professor do Instituto de Economia da Unicamp).

Orelhas:

Este livro analisa a tese do fim da centralidade do trabalho a partir do estudo crítico de dois dos seus principais teóricos: Adam Schaff e André Gorz. Explicando sua escolha, o autor escreve que “o motivo de centrar-se nestes autores deve-se ao fato de ambos terem sido considerados, por muitos anos, Schaff no campo da Filosofia e Gorz no da Sociologia, ilustres representantes do pensamento marxista”. Escolha oportuna e singular, pois, de fato, tal elemento lhes conferiu certo crédito de isenção ideológica para, em suas obras mais recentes, se oporem “frontalmente à essência do pensamento marxista e marxiano, ao negarem a centralidade do trabalho e, em conseqüência, a teoria do valor no capitalismo do final do século XX e início do século XXI”.

Não se rendendo a tal credencial, o economista Sérgio Prieb adentra ao exame das obras desses autores, procurando compreender, nas suas trajetórias teóricas, o processo reflexivo que os conduziu a tais conclusões. Mais do que isso: debatendo com posições deles, assim como de Aznar e De Masi, entre outros, Prieb problematiza o alcance emancipatório das teses sobre as inovações tecnológicas e o tempo livre enquanto deslocamento do lugar central do trabalho no interior da sociedade do capital, que, ao invés de prescindir potencialmente do trabalho, cada vez mais o precariza e aprofunda a exploração sobre ele.

Os progressos tecnológicos e informacionais, ao liberarem tempo de trabalho vivo, poderiam se pôr em direção ao que Marx chamou de “reino genuíno da liberdade”. Mas, para isso, seria necessário o cumprimento do que, não por acaso, com Engels, ele disse ser a consigna que resumia o programa dos comunistas: a abolição da propriedade privada dos meios de produção. Sem ela, o tempo livre é mera dispensa, abandono e miséria para os trabalhadores, sobrevivência dura nas formas do trabalho precarizado, derivações do assim chamado “desemprego estrutural”, resultado da concentração cada vez maior do capital, onde não há, para os ditos “excluídos”, qualquer tempo livre emancipador.

Neste sentido, ao não se bastar ao já relevante exame da justeza empírica das teorias do fim da centralidade do trabalho, indo questionar também o alcance do seu otimismo liberador, Prieb trilha a pista fecunda que permite identificar o que, em muitos autores, pode-se chamar de dialética do descarte de Marx, ou seja, a exigência de dispensá-lo não por seu pensamento ter perdido a atualidade, mas, pelo contrário, por ser ele o que melhor desnuda os limites lógicos e práticos das teorias que pensam a liberdade sem preconizar a superação do regime do capital. (Paulo Denisar Fraga, professor do Departamento de Filosofia e Psicologia da Unijuí, RS).

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