por VINCENT SPINA

Vincent Spina é professor de Espanhol na Clarion University of Pensilvânia. É poeta publicado em várias revistas, e também tem publicações de crítica literária. Seu livro  El modo épico en José Luis Arguedas  (Madrid, Pliegos, 1986), é considerado um dos livros mais importantes no campo de estudos do autor peruano. Seu novo livro de poesia será publicado por Pecan Grove Press, de San Antonio.

 

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versão em inglês

 

Esta tristeza

[Tradução: Eva Paulino Bueno]

Há um costume nos Andes, de colocar pedras

Na beira da estrada. Pilhas podem ser

Encontradas em pontos estratégicos nas estradas pelas montanhas. As

Pessoas crêem que podem colocar sua tristeza ou sofrimento nestas

Pedras e eles ficarão ali, enquanto as pessoas seguem seu caminho.

 

Cada coisa que tocamos está viva.

O galo canta de manhã.

Os olhos de uma criança se fecham para nunca mais abrir.

Coloque esta tristeza em uma pedra.

A pedra fica num monte cuidadoso

No topo de um barranco acima de uma cidadezinha.

 

Na praça central homens e mulheres entram na igreja

Com presentes para Samimama e Atsilltaia que moram

Dentro das estátuas da Virgem Mamãe e de Tailacristo,

Para que os deuses não esqueçam. Homens e mulheres sobem

 

Os degraus da Prefeitura, levando documentos

Para lembrar ao prefeito que se lembra de seu

Filho mais jovem e sua esposa à mesa do café

Naquela manhã. As crianças vendendo balas

 

E o jornal matutino. Cachorros, cuja fome e

alegria é fazer outros cachorros. A tristeza

 

Enche as passagens vivas da pedra. Ela

Espia através dos olhos da pedra, cresce

Como uma memória do ser, separada do ser,

Juntando as suas às memórias da pedra,

Mais profunda que os nossos sonhos mais longos. A tristeza pergunta

 

O que ela é senão a voz agora gritando

Nos auto-falantes na praça anunciando

Que as meninas do Colégio

De Mujeres agora estão prontas nas suas bancas

Vendendo todas as novas e deliciosas coisas

Que elas inventaram para os chochos,[1]

Os feijões[2] trazidos por nossos avós e bisavós.

 

Cada uma das meninas tem sua vez pra explicar as novas receitas,

Em espanhol, e quichua e inglês

Para os turistas que tiram suas fotos

Enquanto elas se põem de pé, lado a lado, os braços

De cada uma no ombro de uma companheira

Enquanto sorriem, cheias de dentes, timidamente, e lindas

Para a câmera.

 

O que mais, ela pergunta, além da criança

Que agora come doce de chocho, a criança

Que morre na noite e agora escuta

Debaixo do solo, quando a máquina ATM

Mastiga o cartão de crédito do turista.

 

E como agora parece que cada um

Fosse um mundo separado seguindo seu caminho

- mas nós somos um -

 

Na mesma forma em que a tristeza cresce na colina,

Fertiliza o solo,

E não é mais nossa mas

A própria manhã, destilada até ser um líquido

 

Tanto vital quanto tóxico quando se prova, inundando

A praça, mudando a letra dos documentos

Que o prefeito agora lê, não mais nós,

Mas este olhar, indiferente e puro

Através dos olhos de uma pedra.

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[1] “Chocho” é a palavra usada no Equador para o feijão. O autor crê que é uma palavra de origem quichua.

[2]  No original, “lupine beans” se refere a um tipo de feijão comum no Equador.

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